Uma deusa no mundo dos mortais

2 Capítulo 1 - A minha vida do avesso


Notas iniciais
Oioi, valeu por quem está acompanhando e por favor comentem, fale o que gostaram e não gostaram e deem novas ideias. Brigada ;)

Depois do último dia de aula, segui direto para a floresta, pretendia treinar o dia inteiro. Ao chegar à floresta, peguei meu arco e flecha, encaixei uma flecha no arco e mirava em uma árvore quando senti um bafo quente atrás de mim. Virei-me e dei de cara com uma criatura metade touro, metade homem. Meus olhos se arregalaram: pavor, incredulidade, medo, confusão. Recobrei a consciência e mirei no monstro, que parecia o Minotauro descrito nas aulas de história.

O Minotauro hesitou por um instante, mas percebeu logo que eu não tinha uma arma real em mãos. Ele partiu para cima de mim e eu atirei uma flecha em seu focinho peludo. Ele mugiu de dor e seus olhos estamparam um vermelho furioso, enquanto ele tomava impulso para me acertar com seus chifres, subi o mais rápido que pude numa frondosa árvore e me alojei em seus galhos, preparando mais uma flecha. Infelizmente, a cabeçada do Minotauro foi mais forte do que eu esperava. Ele acertou a árvore e eu caí e por pouco não espeto meu pescoço em minhas flechas. Por sorte, quando deu a cabeçada na árvore, os chifres do Minotauro se prenderam na árvore e eu pude levantar e me posicionar com uma flecha atrás dele. Atirei a flecha em sua cabeça, o que o enfureceu ainda mais. Atirei mais uma e mais uma, até que ele virou pó.

Virei-me e deu de cara com um garoto não muito alto, com os olhos azuis e o cabelo louro, com um arco na mão e uma aljava com flechas de bronze nas costas.

– Não se preocupe – disse ele. – É normal os monstros se dissolverem ao toque do bronze celestial. Essas suas flechas de madeira nunca iam matá-lo.

– Ah! Me desculpe se eu não expert em matar monstros! – disse furiosa. Que menino atrevido!

– Ei, calma! Já esqueceu que acabei de te ajudar? Eu sou Wallace. Vim aqui te buscar.

– Me buscar? Tá doido?

– Não. Olha, se você ficar aqui, mais monstros como esse vão te atacar e não vai ter ninguém pra te defender. Vou te levar pra um lugar seguro, onde mais gente perseguida por monstros mora. Ou você prefere ficar no orfanato o verão todo?

– Como é que você... Ah, deixa pra lá. Mas eu não posso sair assim sem avisar ou pegar minhas coisas.

– Não se preocupe com isso, o Sr. Underwood já está cuidando de tudo.

– Quem?

– Não se preocupe, você já vai conhecê-lo.

Seguimos para um estacionamento ali perto.

Você deve me achar louca; sair para um lugar desconhecido, com um cara desconhecido e que falava coisas desconhecidas. Mas veja bem, minhas opções não eram muitas; eu odiava o orfanato, poderia ser atacada por monstros se o garoto estivesse falando a verdade e eu queria muito saber atirar como aquele garoto. Por mais abusado que ele fosse, eu não podia negar que ele atirava muito bem, provavelmente havia aprendido nesse lugar. Então, resolvi ir.

Quando chegamos ao estacionamento, um homem com os cabelos brancos encaracolados, com um boné estilo golfe, calças com suspensórios e camiseta branca nos esperava. Aparentava ter uns 50 anos.

– Sucesso Sr. Underwood?

– Sim, meu rapaz. E vejo que você também. – Ele me dirigiu um sorriso. – Vamos, não quero nessa idade ter que lutar com mais algum monstro.

Entramos no carro e seguimos por um caminho além de Manhattan. Depois de algum tempo chegamos a uma espécie de – chácara? -, com uma casa branca enorme, campos de morangos frescos, alguns chalés ao longe e o que pareciam ser construções gregas. O lugar estava cheio de gente, a maioria adolescentes. Alguns deles treinavam o que parecia ser esgrima, outros praticavam esportes e ainda outros treinavam canoagem numa prainha.

Paramos o carro um pouco abaixo da colina onde ficava o que agora eu reconhecia como um acampamento. Subimos a colina andando e passamos por um pinheiro. Quando fiquei de frente para o lugar, perdi o fôlego. Era incrível! E, o mais importante, vários campistas praticavam arco e flecha com um professor. (OMG! Era o lugar dos meus sonhos!). Acho que não disfarcei muito bem que estava impressionada com o arco e flecha porque o Wallace falou:

– Você gosta, não é? Não se preocupe, você pode ter aulas também. Mas agora vem comigo, vou te levar á Quíron.

Ele me levou para a casa branca e me apresentou á um homem-cavalo. Não estou o chamando de ignorante, estou falando literalmente. Da cintura para cima ele era um homem de cabelo castanho encaracolado e barba da mesma forma. Da cintura para baixo, era um garanhão branco. Novamente, acho que não disfarcei muito bem.

– Eu sou centauro, querida. Um ser mitológico. Mas não se preocupe, Wallace vai te explicar tudo.

Um ser mitológico? Como assim? Já não bastava o Minotauro?

– Wallace, pode leva-la para um dos chalés, talvez a noite descubramos que é seu pai ou mãe.

Meus pais? O que eles tinham a ver com tudo isso?

Wallace me levou para um dos chalés, o que ele dizia ser o de Hermes. O chalé estava vazio e havia camas e coisas bagunçadas para todo lado. Ele me fez sentar em um banco e se sentou em outro.

– Olha, Amanda, o que eu tenho pra te contar é algo muito forte. E é difícil contar tudo o que vou contar para alguém que ficou por 16 anos achando que era comum.

Achando? O que ele queria dizer?

– Olha, eu vou contar tudo e no final você pode perguntar o que quiser, tudo bem? – eu assenti com a cabeça. Esse papo estava ficando estranho. – Nas aulas de história, você aprendeu que os gregos acreditavam em deuses. Deuses da guerra, da sabedoria, do amor, dos céus. Hoje, todos acham que os gregos acreditavam em lendas, mas a verdade é que esses deuses realmente existem e eles se apaixonam por mortais, como nas histórias e têm filhos com eles, os chamados semideuses ou meio-sangues. Você pode achar tudo isso muito maluco, mas é verdade e você é filha de um desses deuses, só precisamos descobrir qual. Eu sou filho de Apolo, o deus do Sol. Eu sei que é muito para sua cabeça processar, mas tem mais uma coisa que você precisa saber. Uma das deusas, Ártemis, uma das deusas donzelas, que juraram ser virgens para sempre, ela desapareceu. Isso faz 35 anos. Alguns deuses sabem o que aconteceu, mas nenhum deles fala para nós, nem mesmo para Quíron. Existem muitos segredos em jogo. Por que ela desapareceu, o que aconteceu com ela e o que vai acontecer se não a encontrarem logo. A maioria acredita que ela morreu, ou foi esquecida, já que é só assim que imortais morrem, mas eu acredito que ela está viva, porque senão o mundo estaria em sua terceira guerra mundial, já que ela é uma deusa importante. Meu pai anda super estressado, ela é irmã gêmea dele e controla a noite, mas como ela não está, ele tem que fazer tudo e ainda procurá-la. Bem, é isso. Você me acha doido?

– Surpreendentemente não. Não sei bem porque, mas acredito em todo que você está falando. E, depois de tudo isso, fico até feliz de saber que eu tenho um pai ou uma mãe. E eu também acredito que a deusa perdida está vida, não sei por quê. – Ele sorriu.

– É bom ver que você não me acha louco. Bem, como ainda não sabemos quem é seu pai ou mãe, este é o seu chalé. Hermes é o deus dos viajantes, e também dos ladrões, então tome cuidado.

Será que meu pai é Hermes? Fiquei pensando. Eu mesma havia roubado algumas coisas para fazer meu arco e flechas. Afastei o pensamento. Tinha coisas mais importantes a fazer, tipo jantar. Como se lesse meus pensamentos Wallace disse:

– É hora do jantar. Vamos para o pavilhão. Talvez seu pai ou mãe te reclame.

Eu o segui. Parecia que agora eu tinha uma nova vida. Era filha de um deus, tinha feito um amigo e poderia praticar arco e flecha quando quisesse. Quem me dera minha vido fosse fácil assim.

Notas finais
Comentem e favoritem bjss