Uma deusa no mundo dos mortais

3 Capítulo 2 - Pra variar, eu estou sobrando


Notas iniciais
Oiee.. Brigada pelos comentários lindos!! Por favor continuem comentando pra eu saber se estão gostando.. bjinhoss

Enquanto íamos para o pavilhão, Wallace me falou que ser reclamado era quando aparecia sobre sua cabeça um símbolo de um dos deuses e quando o símbolo aparecia, era só identificar de que deus era e isso significava que ele ou ela era seu pai ou mãe.

Assim, segui ansiosa; afinal, passei a vida inteira sem saber quem eram meus pais e agora eu tinha a chance de conhecer um deles! Mesmo que os deuses não deem muita atenção aos filhos, mas pelo menos ia saber seu nome, como era, suas aventuras. Era muito melhor do que viver com a expectativa frustrada de um dia ser adotada.

Ele me levou até a mesa de Hermes e se despediu, explicando que cada chalé tinha a sua mesa. Alguns dos campistas foram gentis comigo e me disseram que o prato que eu desejasse apareceria e a bebida não alcóolica que eu quisesse. Desejei duas coxas de frango, batatas fritas, lasanha, arroz com passas e pra beber suco de goiaba. Não me julgue, eu estava morrendo de fome.

Mas mesmo estando com tanta fome e com tanta comida gostosa na frente, eu não parava de olhar para cima, quem sabe não tivesse aparecido algo e ninguém houvesse notado. Podia ser bem pequenininho, eu não me importava. Mas não tive minha tão esperada surpresa.

Depois do jantar, nos reunimos em torno de uma fogueira e o chalé de Apolo liderou uma cantoria. Continuei olhando para cima, ainda não havia perdido as esperanças.

Por fim, a cantoria cessou e eu perdi o que pouco de esperanças que restava. Fechei a cara e fiquei emburrada e aí todo mundo começou a me odiar. Espera, vou explicar. Os filhos de Apolo, exceto Wallace, achou que eu não tinha gostado das músicas; um menino de Ares que estava sentado do meu lado achou que eu estava assim porque eu havia sentado do lado dele e ele e seu chalé passaram a me odiar; o tal menino era namorado da conselheira de chalé de Afrodite, os quais também passaram a me odiar; os filhos de Atena acharam que eu não havia gostado da arquitetura das arquibancadas; os filhos de Hefesto acharam que eu não tinha gostado dos instrumentos autômatos que eles haviam feito; os filhos de Deméter acharam que eu não havia gostado das flores em volta da fogueira; os filhos de Hermes não gostaram quando eu saí e deixei meu iPad na arquibancada e quando um deles ia pegar eu voltei para buscar e por aí vai.

Os campistas ficaram ainda um pouco mais conversando, muitos deles rindo ás minhas custas. Segui para o meu chalé triste, emburrada, brava com meu pai ou mãe olimpiano. Wallace me seguiu correndo e me alcançou.

– Ei, Amanda, o que houve? Porque ficou tão emburrada?

Não respondi.

– É por que seu pai ou mãe olimpiano não te reclamou?

– Olha só garoto, você não sabe nada da minha vida e é muito intrometido! Por que não cuida da sua vida e me deixa em paz? – gritei com ele.

Ele parou, me olhou com uma cara de cachorrinho envergonhado e me lançou um olhar que dizia: “Eu só quis ajudar”.

Eu sei que não fiz o certo. Poxa, ele havia me ajudado antes, salvara a minha vida, tentara me enturmar e ainda saiu da roda de conversa pra ver o que eu tinha. Eu não sei por que (pra variar, porque eu não sabia nada), mas eu tinha um tipo de antipatia com meninos, não gostava que ele se aproximasse. Queria distância.

Cheguei no meu chalé ainda mais triste, joguei um colchão no canto, já que todas as camas estavam lotadas, arrumei minhas coisas atrás para ninguém roubar e me deitei.

Eu era muito idiota, muito inútil, muito sobrando. É, isso mesmo, sobrando. Quando criança, meu pai ou mãe mortal havia me abandonado, no orfanato eu era a estranha, na escola eu era a idiota que não queria sair com nenhum garoto, no acampamento uma cara emburrada me deixou mal com todo mundo e ainda falei besteira para o único amigo que eu tinha. Eu sobrei quando não me quiseram, sobrei no orfanato e na escola sem amigos e agora estava sobrando no acampamento. Parecia que meus únicos amigos eram o arco e as flechas. Senti vontade de ir para a floresta e começar a atirar em todas as árvores para descontar a minha raiva.

E foi o que eu fiz.

Notas finais
Esse não foi muito grande, mas como eu queria postar ainda hoje eu fiz mais curto. Spoiler do próximo capítulo: Amanda encontra o irmão olimpiano.