Notas iniciais
Então pessoal essa minha primeira história, espero que vocês gostem...

CAPÍTULO 1

“E o que era lindo, mágico e perfeito...acabou.”

Quando eu era criança e eu ou a Bianca nos machucávamos, meu pai beijava nosso machucado e dizia: - A dor existe para nos lembrar que estamos vivos. Na época eu não sabia o que isso queria dizer, mas hoje eu acho que sei. Já se passaram cinco dias desde a primeira noticia e um desde a segunda noticia que mudaram a minha vida, que destruíram o que eu achava que era perfeito, que levaram embora do meu coração a felicidade dos últimos meses e do meu rosto o sorriso.

Ao meu redor eu vejo uma caixinha de lenço intocada, que João deixou para mim, junto com um beijo e um cafuné carinhoso. Uma bandeja com pêra e mamão, minha frutas prediletas, um copo de suco e barrinhas de cereal que Dandara me trouxe assim que o dia amanheceu, mas que eu não tinha conseguido comer, aliás comer era algo que eu não tinha feito desde ontem, mesmo com as insistências de meu pai, Dandara e Beth. Tinham fotos minhas, da Bi, do meu pai, e as que restaram do Pê, espalhadas ao meu lado, além do Flux, o ursinho que o Pedro tinha me dado e que eu já tinha jogado para todos os lados. Mas isso não era a fossa de uma menina mimada. Isso era a vontade de morrer que eu tinha depois de saber que Bianca, a minha irmã, que dizia me amar, tinha dado dois mil reais para o Pedro pagar sua demo e em troca me namorar. Na hora que eu soube disso, após ouvir Jade jogando, sua descoberta na cara de minha irmã, eu quis brigar com todo mundo e briguei, discuti horrores com Bianca e com Pedro, até acertei um golpe em João e em Duca, por eles saberem disso e não terem me contado. Soquei os sacos da academia por horas e só quando meu pai me abraçou chorei, chorei como se fosse à única coisa possível e fui para meu quarto chorar mais e mais ouvindo minhas músicas e quebrando as coisas de Bianca e rasgando fotos minhas com Pedro. Só na terça-feira eu decidi sair do meu quarto, ir treinar na academia e ir para a escola, sem olhar para Bianca e sem falar com Pedro e tentando ignorar os olhares de pena que todos me davam.

Apesar da dor que eu estava sentindo durante o dia todo, nada se comparou ao que senti quando cheguei em casa e vi René, Dandara, meu pai, Bianca, João, BB e Beth, sentados com as caras apreensivas, como se estivessem em choque. Afundada na dor que eu estava sentindo, não quis perguntar nada para ninguém, tentei passar pela sala de fininho, mas então meu pai me chamou e quando me virei para ele percebi que seus olhos estavam inchados, seu rosto marcado pelo choro e seus olhos marejados. – O que foi pai? – perguntei titubeando. Mas ele não respondeu, colocou as duas mãos sobre os olhos e soluçou. Me desesperei, mas ao passar os olhos pela sala, o rosto de todos era indecifrável, como se alguém tivesse morrido. – O que ta acontecendo aqui? – questionei. – Fica calma K. – Dandara falou e se aproximou do meu pai dizendo:- amor achou melhor você conversar com ela sozinha. Meu pai concordou e deu sinal para que todos se retirassem. – Pai eu quero ficar. – Bianca disse com a voz embargada, mas meu pai apenas disse: — Por favor, saia. – Pai o que ta acontecendo? – perguntei preocupada e joguei minha bolsa sobre o sofá.

- Eu não sei como dizer isso. Eu até pensei numa maneira fácil de te falar isso, mas não existe forma bonita de te dizer isso.

- Pai você ta me assustando. – falei.

- Filha, eu sei que você ta sofrendo com tudo que a Bianca e o Pedro te fizeram, e por mim eu esperava para te falar isso. Mas depois de te ver sofrendo tanto, não vou conseguir te ver sofrer de novo por não ter tido coragem de te falar. – ele falou e suspirou. – Eu quero que você saiba que independente de qualquer coisa eu sou o seu pai. Eu te amo e nunca vou te abandonar. Nunca! – então, como se estivesse tomando fôlego para falar alguma coisa, ele para, respira fundo, olha bem nos meus olhos e diz: — O René acabou de me dizer que sua mãe foi. – fala e trava. – Foi o que pai? – pergunto apreensiva. – violentada. – ele fala com muito sofrimento. – Como assim? – eu grito. – Calma filha, ainda não acabou. – ele diz e eu me pergunto o que mais pode estar vindo. – Foi o Lobão. – ele completa tenso. Eu sinto a raiva tomar conta de mim e fecho as duas mãos num soco. – E é por isso que ele vive dizendo que pode ser seu pai. – ele termina e meu corpo que estava tomado pela raiva congela. Sinto meu corpo se anestesiar e encaro os olhos do meu pai, esperando que ele meu diga que isso é mais uma das mentiras daquele crápula, mas ele não diz, ele chora, eu vejo o sofrimento no rosto dele, nas lagrimas que escorrem pelo rosto inchado dele e me pergunto por que elas também não caem pelo meu. Eu não sinto nada. Não sinto raiva, não sinto indignação, não sinto repulsa pelo que aquele canalha fez a minha mãe, não sinto dor por poder ser fruto de um estupro. Não sinto nada. E isso me mata.

Meu pai me senta no sofá, ao perceber minha palidez. – K o que foi? – ele pergunta. – Filha. – ele diz, mas eu não sinto nada. – Fala comigo K. Karina fala! – ele grita exasperado, mas eu não ligo, eu não consigo responder, eu to paralisada. Ele vai até a cozinha. Me traz água, tenta falar comigo novamente, me chacoalha, grita comigo, mais eu não tenho reação e diante disso ele liga para Dandara. Minutos depois a sala da minha casa ta cheia novamente, e com exceção de René todos estão de volta, assustados com minha falta de reação. Dandara se ajoelha na minha frente, pega na minha mão e fala: K, meu amor, você quer ficar sozinha, quer ir para o seu quarto? – ela pergunta e eu ouço João dizer: — A atitude típica dela não tinha que quer quebrar tudo? Como ela fez sábado?

Não sei quanto tempo passou, mas todos ainda estão ali, Beth segura uma de minha mãos e Dandara faz cafuné na minha cabeça, Bianca é abraçada por BB, João esta imóvel num canto da sala e meu pai esta sentado no chão, encostado na parede. Pela primeira vez eu me movimento e as duas mulheres ao meu lado também se movimentam acompanhando minha reação e então, depois de horas eu digo: — Pedro. Ao acabar de falar o nome dele eu sinto o olhar de todos sobre mim. – Você quer ver o Pedrinho? – Dandara pergunta compreensiva e eu apenas mecho a cabeça positivamente em resposta. João sai para chamá-lo e Beth me abraça.

Quando Pedro chegou, ele me procurou com os olhos e quando me encontrou fixou seus olhos em mim, fiquei olhando para ele e ele veio na minha direção, parou na minha frente e se agachou para ficar da minha altura, um movimento que podia ser interpretado como um estou aqui. Eu olhei profundamente para ele, para aqueles olhos que eu adorava me perder. Para os olhos da pessoa que eu mais amava na Terra e então o abracei forte e quando senti o coração dele batendo contra o meu e o perfume que eu tanto amava que ele usasse, eu senti medo, me senti sozinha e então doeu demais e eu chorei.

Notas finais
Gente adorei o capítulo da novela hoje, to ansiosa pra assistir amanhã, mas enfim espero que tenham gostado...
Beijos...