Notas iniciais
Genteeee obrigado pelas mensagens! O começo vai ser assim, meio triste mesmo, mas depois...continuem lendo para saber...

CAPÍTULO 2

Na noite anterior, quando eu sai do abraço do Pedro e segui para meu quarto ninguém entendeu nada, mas também não me seguiram. Me deram espaço, tudo que eu precisava naquele momento. Quando abri a porta do quarto fui direto para o guarda roupa da Bianca pegar a caixa de fotos que ela guardava com lembranças de toda nossa infância. A primeira foto por coincidência ou pelo empenho do destino em me detonar, era de nós quatro, minha mãe grávida de mim no centro e o papai e Bianca beijando a barriga dela. Parecia tão real. Mas era uma mentira? E o sorriso da minha mãe, da mãe que eu nunca pude abraçar ou dizer que amava, era falso? Ou ela me amava apesar de eu ser o fruto de uma violência sem tamanho? Por quê? Por que comigo? Por que eu tinha que passar por isso? Inundada por esses pensamentos eu me derramei em lagrimas. Chorei até soluçar e sentir cabeça doer. Não sei que horas eu dormi, mas sei que foi no chão e que só acordei quando o João entrou no meu quarto.

A quarta-feira inteira se arrastou com Beth e Dandara intercalando em quem ficava comigo, elas queriam que eu comesse, mas eu não conseguia, então elas simplesmente pegavam em minha mão ou me abraçavam. Meu pai, a Bianca, o João e o Pedro eu não vi e eu não conseguia negar para mim mesma que isso era decepcionante, afinal eles eram, ou pelo menos deveriam ser minha família. Apesar desse sentimento, a dor que eu sentia se alastrar pela minha alma não se comparava. Quem se sentiria bem descobrindo que é fruto de um estupro? Quem? Há cinco dias eu tinha um namorado e uma família perfeitos, que eu amava, e aí o destino resolve me zoar e taca na minha cara que a vida não é perfeita e que viver dói.

Quando a noite chegou eu estava deitada no mesmo lugar onde me deitei ontem, abraçada a uma foto de minha mãe, da nossa foto em família e ao Flux. Eu os abraçava forte, talvez isso representasse o quanto eu queria que minha vida continuasse assim e o quanto eu os amava.

– Posso ficar aqui com você? – Bianca disse ao entrar no nosso quarto e se aproximar de mim. Não respondi nada, eu não conseguia falar e talvez também não quisesse, mas quem poderia me culpar, um caminhão tinha passado por cima de mim e moído todos os meus ossos.

– Eu era muito pequena. Mas eu me lembro da felicidade da mamãe com sua chegada. Eu me lembro de dobrar suas roupinhas recém lavadas antes dela ir para maternidade. Me lembro dela me ensinando a balançar minha boneca, para que eu pudesse fazer com você, quando você chegasse. – Bianca fala e eu sinto as lágrimas inundarem meu rosto. – K, o que eu quero dizer é que você já era amada. – Bianca fala me forçando a olhar para ela. – Você já era esperada. E independente de ser verdade ou não que você é filha, apenas biológica, daquele vagabundo, você sempre será minha irmã, minha princesinha. – ela fala chorando e deposita dois beijos sobre minha cabeça. – Eu te amo K! Você é minha irmã e filha do ciumento do Mestre Gael, ouviu? Nada vai mudar isso. Nada! Eu não vou deixar e o papai e todo mundo que te ama também não. – ela me abraça e eu por um momento eu sinto que talvez nem tudo estivesse perdido.

– ELA TEM QUE SAIR DESSE QUARTO! – eu ouço meu pai gritando na sala, após chegar da academia na quinta-feira a noite e perceber que eu continuava jogada no mesmo lugar, desde a noite de terça-feira. Sem tomar banho, sem ir ao banheiro e com apenas dois copos de água, que João havia me deixado, no estomago. Eu também achava que precisava me levantar e encarar a realidade. Mas eu não conseguia. Eu mesma não me reconhecia, eu não tinha vontade nem de lutar, o que eu amava, mas para isso tinha um motivo: e se essa minha paixão pela luta não tivesse sido herdada do meu pai e sim daquele crápula. Cada vez que eu pensava nele meu estomago revirava e eu tinha ânsia. Apesar de toda atenção e ao mesmo tempo espaço que minha família e amigos estavam me destinando eu ainda não me sentia pronta para encarar o mundo. As vozes altas se encerraram na sala e eu voltei a encarar o nada, a buscar dentro de mim uma força. Mesmo estando virada de costas para porta e sem ouvir nem um ruído, eu senti quando alguém deitou ao meu lado. Eu senti um cheiro de perfume masculino, que minhas narinas não tardaram em identificar como sendo a fragrância que eu mais amava, como sendo o cheiro dele. E finalmente ele estava ali. Junto comigo.

Notas finais
Espero que gostem. Comentem bastante que quem sabe eu me empolgo e posto o Cap. 3 hoje mesmo. Beijos...