Notas iniciais
Desculpa não ter respondido os comentários pessoal, mas promete responder tudo hoje. Boa Leitura gente!

CAPÍTULO 12

“O caminho que eu escolhi é o do amor. Não importam as dores, as angústias, nem as decepções que eu vou ter que encarar. Escolhi ser verdadeira. No meu caminho, o abraço é apertado, o aperto de mão é sincero, por isso não estranhe a minha maneira de sorrir, de te desejar o bem. É só assim que eu enxergo a vida, e é só assim que eu acredito que valha a pena viver”

(Clarice Lispector)

A decisão sobre quem somos é nossa, a decisão de quem nos tornaremos também é nossa, mas não da pra não dizer que nossa origem diz muito sobre nós – as vezes tudo -. Eu passei a vida inteira acreditando que minha mãe era uma jovem atriz bem sucedida que sofreu de eclampsia e precisou escolher entre viver e me deixar viver. E escolheu a segunda opção. E que meu pai era um lutador turrão, mas todo bobo pelas filhas e é claro, sempre acreditei que tinha sido gerada com amor, mas as coisas não aconteceram bem assim, minha mãe foi violentada pelo ex melhor amigo do meu pai e nesse crime eu fui gerada. Pesquisando na internet eu descobri que muitas pessoas se tornam bandidos, entram em depressão e até se suicidam ao se descobrirem vitimas de um estupro, fora que as pesquisas demonstravam que uma quantidade esmagadora de pedófilos eram na verdade frutos dessa violência. Não vou dizer que essa pesquisa não mexeu comigo, porque mexeu, afinal agora eu faço parte desse grupo de pessoas.

Decidida a trocar algumas palavras com uma pessoa, eu me arrumo para ir a escola, dois dias depois de pegar o exame e vou em direção ao lugar que pensei nunca ter que encarar, mas agora isso se fazia mais do que necessário.

– Olha só, se não é a bebezinha do mestre Gael. – Lobão fala provocativo ao vê-la entrar em sua academia.

– Eu preciso falar com você. – é direta. – A sós.

– Uau, que direta, mas agora eu não posso.

– Não é uma condição. Eu tenho que falar com você e você vai falar comigo. – se exalta chamando atenção dos alunos. – Onde podemos ir a sós? –

– Você é ousada né garota?

– Onde?

– Vamos subir a minha casa, é aqui em cima. – aponta a escada na academia.

Lobão sobe na frente da menina, atraindo os olhares de seus alunos, e a guia até a sala de sua pequena casa.

– Eu vou ser direta. – ela começa. – Eu e meu pai fizemos o teste de DNA e deu negativo, ele não é meu pai biológico, o que confirma o fato de eu ser sua filha.

– Quem garante que sua mãe não pulou a cerca com mais ninguém? – pergunta tentando disfarçar o incomodo que sentia ao ouvir a história.

– Olha aqui Lobão vamos ser diretos ok? Você violentou a minha mãe e ela engravidou. Ela morreu oito meses depois, mas eu to aqui. – aponta seu peito. – Você entende isso? Parou pra imaginar que daquela noite sobrou eu? Tem ideia do que isso significa?

– Que eu sou seu pai?

– Não. Meu pai é o Gael, sempre foi e sempre vai ser. Você é apenas o homem que violentou minha mãe e eu, a consequência disso tudo.

– Olha Karina, eu... – é interrompido.

– Olha pra mim Lobão, eu mereço isso? Eu mereço ser o que sobrou de um momento estúpido de violência? Hã? Mereço? Era isso que você queria quando pegou minha mãe a força?

– Karina eu não podia imaginar...

– Nem vem, você sempre provocou meu pai dizendo que eu não era filha dele, eu mesma ouvi isso dezenas de vezes.

– Era apenas uma provocação idiota.

– Não acredito.

– Mas era, eu não podia acreditar que depois de tudo a Ana levaria a diante uma gestação.

– Mas ela levou, ela não me matou e eu to aqui na sua frente. Eu, a filha dela, o resultado do esperma que você a obrigou receber naquela maldita noite. – cospe as palavras e sente uma lagrima quente escorrer em sua face.

– As coisas não foram bem assim.

– E foram como? Me diz, eu quero saber.

Lobão se senta na cama, sentindo o peso da realidade.

– Eu tinha dezenove anos. Era um muleque e eu era apaixonado pela Ana.

– E aí forçou a barra?

– Não, eu não queria, eu estava bêbado, fora de mim e ela me deixava louco. – o mal caráter fala com lagrimas nos olhos pela dor da lembrança. – E ai eu não sei como, mas num instante nós dois estávamos brigando, no outro tudo ocorreu, eu praticamente não me lembro de nada.

– Mas se lembra de ameaçar o René.

– Eu não poderia ser descoberto, não queria pagar por algo do qual eu nem me lembrava.

– Mais devia. Você atacou a minha mãe. – exaspera.

– Não era a minha intenção.

– Mas aconteceu, você cometeu um crime e tem que pagar por isso.

– Como?

– Precisa pagar pelo que fez?

– Ta falando de cadeia? – pergunta e recebe um olhar de afirmação dela. – Isso nunca. Você teria coragem de jogar seu pai...

– Não termina essa palavra. – grita. – Eu não sou sua filha, você só é o homem que queria detonar com a minha vida, que me fez mal desde o inicio, que fez mal a mãe que eu nunca conheci, que se não tivesse a atacado ela não teria morrido.

– Não tenho culpa disso.

– Tem sim. Ela era doente, mas a sua doentia fez ela adoecer mais ainda.

– Você não teria nascido.

– Isso é que era pra ter acontecido.

– Não queria ter nascido?

– Queria ter sido desejada, queria ter sido amada, não queria ter sido um pesadelo pra minha mãe. Não queria ser um peso. Queria ser amada desde o inicio. – sem conter as lagrimas joga na cara do homem em sua frente, que sente o peso das palavras duras. Ela soluça e precisa respirar fundo para continuar. – Eu sou a consequência de uma desgraça.

– Não fala isso. – Lobão pede entre as lagrimas.

– Não se preocupe, isso não me afeta, quer dizer, não afeta quem eu sou, não muda quem eu sou para o mal, muda para o bem, porque eu decidi desde o dia que soube que poderia não ser filha biológica do meu pai que apesar de toda essa iniciação horrível na vida, a minha existência valeria a pena. Minha mãe me deu a vida dela e eu não vou jogar isso fora. Apesar de tudo eu decido ser feliz, eu decido continuar vivendo com minha família, meu namorado, meus amigos, minha vida, eu não vou me revoltar, não vou fazer besteiras. E vou viver da melhor forma possível e por isso que eu vim até aqui. – respira fundo. – Porque eu queria dizer olhando nos seus olhos, que toda sua violência não me afetaram, eu sou feliz e eu serei cada dia mais feliz. Seus erros não refletiram na minha história e eu só te peço uma coisa e acho que através nossa realidade genética eu posso fazer isso. Some da minha vida, da vida da minha família, desaparece. Eu não vou te denunciar por motivos inúmeros, mas eu quero distância de você, eu quero esquecer a sua inútil existência.

– Eu farei isso. Eu acatarei o seu pedido, mas também quero te fazer um. – ela olha para ele com olhos indagativos e ele continua. – Esfrega na minha cara todos os dias da minha vida que o erro que eu cometi não refletiu eu você. Que apesar de eu ser um monstro, que vai remoer tudo isso enquanto respirar, você não é, você é perfeita, é a filha que qualquer pessoa sonharia em ter. É a consequência mais perfeita da minha vida e independente dos meios, eu dei você ao mundo. Você é a única coisa que presta de mim.

– Eu não tenho nada de você, eu nunca serei nada de você, mas eu vou sim cumprir o que me pediu e espero que também cumpra o que eu pedi. – avisa e sem olhar para trás sai da casa dele, desce as escadas da Khan correndo, perdida, em lagrimas.

Isso tinha sido horrível. Tinha doido na hora, mas agora, minutos depois e fora daquele lugar, parecia mais que uma faca afiada com álcool estava sendo enfiada em suas feriadas. Vai passar. É a única coisa em que ela tentava se concentrar.

Entra na sua casa batendo a porta e dá de cara com Duca e Bianca se beijando no sofá e seu pai e Dandara na cozinha , preparando o jantar. As lagrimas que caiam por seu rosto assustam Bianca. – O que houve K?- a mais velha pergunta assustada.

– Karina o que houve? – Dandara também pergunta, mas ela as ignora e vai em direção aos braços de seu pai. E o abraça. Forte. Apertado. Um abraço de dor e então ela se desmancha em chorar.

– Filha. – Gael falava a segurando contra seu corpo. – O que houve minha menina? – questiona carinhoso, mas ela apenas chora. Minutos se passam e então finalmente o solta e olha para ele dizendo: — Você é meu pai, é o único rosto que eu associo a segurança em todas as minhas lembranças de criança. É meu porto seguro. Meu herói. – fala entre lagrimas e soluços e já tirando lagrimas dos presentes em sua sala, que aumentam com a chegada de João, Pedro, Wallace e Sol. – Era você no meu primeiro dia de aula. Era você ao meu lado quando o primeiro dente caiu. Sempre foi você quando a bronquite me pegava e eu ia parar no hospital. – Gael sente seu coração se apertar com as palavras dela. – Você que me ensinou o jab, o direto, o cruzado, me deu o muay thai de presente e não vai ter exame nenhum que faça meu cérebro desassociar você da palavra pai ou que me fala esquecer-se dos seus braços em volta de mim quando eu acordava chorando de madrugada. Eu te amo meu pai. – se declara e o abraça novamente.

Os olhos de nenhuma das pessoas que estão na sala escapam de ficar no mínimo marejados com a declaração da lutadora. Essa história tinha mexido de verdade com ela.

– Você é minha menininha viu? Minha marretinha, o toquinho de gente mais birrento e perfeito da minha vida. Quando sua mãe se foi ela sabia que eu e a Bi precisávamos de mais alguém aí mandou você. – também se declara apertando o nariz dela. Eu te amo filha, ouviu? Filha. É isso que você é e que sempre vai ser, a minha filha.

–Obrigado pai! – agradece e olha para seu namorado parada ao lado de Sol e Wallace na porta. – To com saudade. – fala se dirigindo a ele e ele caminha na direção dela e a toma num beijo doce, delicado, mais cheio de amor e de saudade.

– Não se aproveita da minha filha guitarrista dos infernos. – o mestre fala para não perder o costume.

– O Pedro pode dormir aqui pai? – a lutadora pergunta juntando as mãozinhas e fazendo uma carinha de gato de botas ao pai.

– Isso é jogar baixo. – Gael se defende sentando-se em sua cadeira e recebendo Dandara em seu colo. – Mas só hoje esse desgraçado pode ficar, mas com a porta aberta e sem graçinhas guitarrista. – o ciumento pede. – Vai tomar banho filha, você esta com um rostinho abatido. Mas deixa esse muleque aqui na sala, enquanto eu levo um papo como Wallace e com o Duca e quem sabe assim ele não se interessa por algo de macho.

Karina vai para o banheiro, toma um banho relaxante, um banho que não lava apenas seu corpo e sim sua alma. Coloca uma roupa confortável e vai até a sala resgatar seu namorado de seu pai, mas se surpreende com a cena que encontra na sala: Dandara no colo de seu pai, que contava histórias, sua irmã abraçada com Duca, Sol também no colo de Wallace, João sentado no canto do sofá, ao lado de Pedro, que se matava de rir das piadas de seu pai.

– Ta tudo bem? – ela pergunta ao namorado.

– Ta sim meu amor, vem aqui. – ele pede e ela vai em direção ao colo dele.

– No colo não. – Gael interfere.

– Pai olha aonde a Dandara ta sentada. – K fala fazendo o mestre se calar.

– Mas nós somos adultos.

– E nós quase. – ela responde fazendo todos rirem do semblante do pai ciumento. – Sem bem que nós não vamos ficar aqui, vamos para o quarto Pê?

– Olha lá você dois heim, estou de olho. – Gael comenta enquanto o casal vai abraçado para o quarto. No quarto Karina dá um beijão no garoto e eles só partem o beijo quando o fôlego falta.

– Uau! – Pedro fala recuperando o fôlego. – Isso tudo é saudade? – pergunta fazendo uma cara safada e direcionando seus lábios para o pescoço dela.

– Você tem tara pelo meu pescoço, não é? – a lutadora pergunta enquanto ele distribui beijos, mordidinhas e lambidas em sua pele anteriormente branquinha. – Nem pensar em me deixar chupão Pê, da outra vez eu não pude nem treinar.

– Ta bom minha esquentadinha. Eu beijo outros lugares então, mas que tal deitarmos. – sugere piscando pra ela.

– Safado.

– Só por você meu amor. – se coloca sobre ela, levanta a blusinha fina do pijama dela e começa a distribuir beijos por sua barriga e fica dividido entre brincar com a calcinha dela e o sutiã, afinal era dois belos lugares pra se começar uma noite de amor.

– Trancou a porta? – ela pergunta com as mãos afundadas no cabelo dele.

– Não, mas e a Bi?

– Vai dormir com o Duca, tranca ali.

– Seu pai não vai engrossar?

– Se formos rápidos não vai nem saber.

– Então é rapidinha?

– É, bem rapidinha.

– As suas ordens amor, lembre-se que foi você quem pediu. – ameaça intensificando a força de suas caricias e o beijo carnal.

Essa, sem duvida, seria uma longa noite, mas em coisa melhor do que terminar um dia de cão nos braços do amor da sua vida? Que inclusive não faz questão nenhuma de esconder isso?

Eu amo essa vida, e independente de ter sido feita com amor ou não, é com muito amor que eu decido viver. – a lutadora conclui.

Notas finais
Os próximos capítulos estão incríveis pessoal, não deixem de acompanhar... Bjos