Uma chance para recomeçar
13 Capítulo 13
Notas iniciais
CAPÍTULO 13
Há o amor. O amor é aquela coisa desgraçada que aperta dentro da gente de uma forma horripilante e delirante, que faz querer amar, desejar, e cuidar, principalmente cuidar. Pedro não tinha ideia do que era capaz de fazer por sua esquentadinha, mas sabia que faria qualquer coisa por ela. Olhá-la assim, dormindo, com as mãos juntinhas embaixo do pescoço, como uma criança, com os lábios entre abertos e uma feição angelical; essa definitivamente deve ser a parte cega do amor, achar lindo uma pessoa dormindo com a boca aberta, mas ele realmente achava e era nesse momento que, pra ele, ela era mais linda, quando era só dele.
Vencido pelo desejo ele desliza seus dedos levemente pelo rosto dela e imaginava que em menos de sessenta dias ela faria dezoito anos e estaria cada vez mais perto de se tornar uma mulher, a sua mulher, mas não era no sentimento de posse que precisava pensar agora e sim numa festa surpresa, afinal ela merecia.
Ao perceber que já eram oito e meia da manhã ele decide se levantar, mas toma todo cuidado para não acordá-la, queria que ela dormisse o quanto quisesse.
– Bom dia. – fala chegando à mesa de café da manhã, onde Gael, Dandara, João e Bianca realizavam a primeira refeição do dia.
– Cadê minha filha? – Gael pergunta ignorando o cumprimento do guitarrista.
– Ta dormindo feito um anjinho. – responde se sentando na mesa.
– Quem te convidou para sentar? – o mestre pergunta ignorante e recebe um corte da namorada e um olhar furioso de sua filha mais velha.
– Gael! –Dandara o corta. – Pode comer Pedrinho, sinta-se á vontade. – é simpática.
– É hora de acordar a Karina. – Gael fala enquanto devora seu mamão.
– Mas ela ta dormindo tão bonitinha mestre. – Pedro interfere.
– Deixa ela dormir pai, o dia dela foi bastante cansativo ontem. – Bianca a defende.
– É Gael acho que você devia se lembrar de que os últimos dias de sua filha não foram muito fáceis. – a cantora comenta.
– Pra mim também não foi.
– Mas você é o pai, é quem precisa ser forte e maduro. – Dandara retruca e faz um carinho no rosto do lutador. – Faz pela K, ela merece e sinceramente nos últimos dias ela mostrou que não é apenas uma lutadora nos ringues, mas também na vida. A maturidade dela me impressionou, pra falar a verdade me chocou.
– É, minha irmãzinha é uma guerreira. Meu orgulho. – comenta Bianca sorrindo.
– É tão bonito esse seu amor por ela Bi. – Dandara fala.
– Também acho tia, isso até me inspira. – Pedro fala devorando seu pão.
– Cantar agora por favor não guitarrista, eu acabei de acordar, ainda estou me adaptando a luz da manhã.
– Não vou cantar agora não sogrão.
– Vocês são gente boa, apesar de falarem de mais, mas eu tenho o que fazer. – João fala se levantando da mesa.
– Aonde você vai filho?
– Na analista, esqueceu? Hoje é o dia e na real, eu to precisando, esses dias tem sido meio complicados né, sabe essa coisa de um ser filho de um, criado pelo outro, declarações, choro daqui e dali, isso tudo mexeu com meu emocional. – diz irônico, recebendo um olhar desaprovador da mãe.
– A K é minha filha! – Gael rebate.
– Eu não tenho duvidas. – João fala e se retira.
– Cunhadinha será que eu poderia levar um papo reto contigo depois?
– Claro, agora eu to indo pra academia, se quiser ir junto, assim conversamos lá. Só vou escovar os dentes e pegar minha bolsa.
– Ta, então eu vou ali dar um beijo na esquentadinha e te espero. – o guitarrista fala pegando uma maçã.
– Você já não acha que ficar a noite inteira grudado na minha filha ta bom?
– Pior que não mestre, quanto mais eu fico com ela, mais eu quero ficar, é amor sabe, muito amor. – responde apaixonado e vai em direção ao quarto delas, onde a encontra dormindo da mesma forma. Fica admirando-a até Bianca entrar no quarto.
– Vamos? Já chega de babar na minha irmãzinha né. – a atriz comenta pega sua bolsa, da um beijo delicado na fonte de sua irmã e arrasta Pedro do quarto para a academia.- O que você queria falar?
– Sobre o aniversário da K.
– Putz ta chegando, sabe que com tudo isso acontecendo eu até esqueci. Mais e aí o que acha que devíamos fazer? A K não gosta de surpresas.
– Mais eu acho que dá forma que eu to pensando ela ia gostar.
– E eu posso saber o que meu cunhadinho ta pensando?
– Mais é claro que pode. Pensei o seguinte: que tal fazermos uma festa com todo pessoal da academia, da escola dela e da ribalta na academia mesmo.
– Aqui na academia?
– É, a K considera esse lugar pra caramba, uma festa aqui, eu a banda podemos tocar pra agitar e eu pensei que como luta é a paixão dela e vai ser da metade das pessoas que tiverem na festa, que tal fazermos uma luta?
– Como assim Pedro? – Bianca pergunta não entendendo.
– Simples: o seu pai é amigo de um monte de lutador famoso, ele pode convidar um deles e aí os lutadores lutavam com ele.
– Sabe que isso pode dar certo.
– Não disse?!
– Eu acho que até sei quem poderíamos convidar.
– Quem? – o guitarrista pergunta
– O Aldo, ele considera muito meu pai e adora a K.
– Seria hilário e a esquentadinha ia amar, fora que o cara é um mostro literalmente.
– Vamos fazer assim: eu vejo se consigo nosso convidado ilustre e ai conversamos depois disso.
– Fecho cunhadinha. – Pedro fala pegando na mão dela, em sinal de união e vai para sua casa, tomar um banho, ajudar seus pais e dar uma pensada em qual seria a surpresa dele para seu amor, queria algo que ela amasse e que fosse inesquecível. Pega seu violão e então começa a dedilhar alguns acordes e pensar em algumas rimas, até que canta: “Avião sem asa, fogueira sem brasa,sou eu assim sem você.” E não é que isso parecia dar certo, precisava continuar isso, o que mais se não ficasse junto não tinha graça? Bem tem futebol sem bola, circo sem palhaço, queijo sem goiabada, namoro sem amasso, carro sem estrada; e o que mais Pedro? Pensa Pedro, o garoto falava condigo mesmo rindo, afinal estava compondo do nada, e de novo para sua musa inspiradora. Umas horas após listar tudo que tinha que ficar junto ele começa a tentar encaixar as coisas que combinavam e que tinham ritmo juntas.
– Pedro, ta tudo bem meu filho? – sua mãe pergunta entrando no quarto dele.
– Oi mãe. – ele fala sem tirar os olhos do papel.
– Meu filho já são quase uma hora da tarde, não tinha que ter ido pra escola?
– Foi mal mãe, é que eu sentei aqui, peguei o violão e comecei a compor.
– Sério? E o que já fez? Canta pra mim, pra eu ver se ta ficando bom.
– Ta vai lá dona Delma:
Avião sem asa,
fogueira sem brasa,
sou eu assim sem você.
Futebol sem bola,
Piu-piu sem Frajola,
sou eu assim sem você.
Por que é que tem que ser assim
se o meu desejo não tem fim.
Eu te quero a todo instante nem mil auto falantes
vão poder falar por mim.
Amor sem beijinho,
Menino sem carrinho
sou eu assim sem você.
Circo sem palhaço,
namoro sem amasso,
sou eu assim sem você
– Fiz só até o que achou?
– Mas esse meu filho é um compositor de mão cheia mesmo. Ta lindo filho. Vamos fazer assim: hoje você fica aqui compondo e se alguém vier atrás de você eu digo que não pode receber ninguém.
– Valeu mãe! – ele fala e volta a compor. E assim se passa seu dia. E apenas de madrugada é que ele completa. – TomTom, irmãzinha. – chama baixinho acordando a irmã.
– O que foi Pê? – ela pergunta irritada.
– Pode ouvir uma coisinha? É que eu preciso muito saber se ficou bom.
– Termino sua composição?
– Terminei sim, quer ouvir?
– Quero, manda a ver. – ela pede, então ele pega seu violão e a letra e canta a música. – Que linda Pê- a menina fala batendo palmas, quando ele termina. – A K vai amar.
– Vamos torcer por isso, mas não comenta nada com ela não por que é segredo, é para o aniversário dela.
– Tudo bem, mas como você vai justificar ter desaparecido hoje, ela perguntou varias vezes de você.
– Partiu dormir que amanhã eu resolvo isso. Boa noite irmãzinha.
– Boa noite compositor apaixonado.
Obs.: Na história o Pedro vai compor a música Avião sem asa da Adriana Calcanhotto.
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