Uma chance para recomeçar
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Calor. Muito calor. Era o que Karina sentia quando acordou pela madrugada e sentiu os braços de Pedro em volta dela, apertando-a. Ela tenta se desvencilhar dos braços dele, mas é inútil e ele acorda com os movimentos dela.
– Que foi? – ele pergunta ainda agarrado nela.
– Você ta me sufocando.
– Desculpa amor.
– Tudo bem, eu acordei mesmo pela fome. – ela fala, da um beijo na testa dele e se levanta da cama sentindo uma dorzinha em sua intimidade, mas ignora e vai direto para sua mala pegar uma roupa.
– Pra que se vestir, a vista ta tão boa. – ele fala sonolento da cama e só então ela percebe que ele ainda esta acordado.
– Achei que tivesse voltado a dormir. – comenta ignorando o comentário dele vestindo um shortinho de malha e uma regatinha, sem sutiã e calcinha mesmo.
– Também to com fome. O que tem pra comer? – pergunta se sentando na cama.
– Eu trouxe umas coisinhas. – ela fala indo ao frigobar e pegando o morango, o leite condensado e a caixa de bombom. Arruma tudo numa bandeja e volta pra cama com ele.
– Hum, só coisa boa. – ele fala reparando nos alimentos e quando vai pegar um morango recebe um tapa dela. – Ai. – ele reclama. – Não posso pegar?
– Não, tira a mão daqui que eu vou te alimentar. – ela passa o morango no leite condensado e leva até a boca dele. – Ta gostoso?
– Delicioso. – responde e ela pega repete o movimento por mais três vezes e na ultima ele segura os dedos dela em sua boca e os chupa. –Deixa eu te dar agora. – ele fala e faz o mesmo com ela. Eles ficam se alimentando e se provocando até não agüentarem comerem mais doces. E depois voltam a dormir.
O telefone da cabeceira da cama toca repetidas vezes até que Karina acordar. – Pedro? – ela chama, mas não obtêm resultado e decide atender ela mesma.
– Alô? – fala sonolenta.
– Demorou pra atender heim K. – a voz animada de sua irmã ecoa do outro lado da linha.
– Você Bianca, poxa eu tava dormindo.
– Até essas horas, já são onze e meia da manhã K e o papai já ligou, mas eu disse que você tinha ido a praia com o Pedro. Mais e aí, rolo? – pergunta curiosa.
– Rolo. – a mais nova admite envergonhada.
– Eba K. – Bi comemora. – E como que foi? Me conta tudo.
– Foi bom.
– Só isso? Me fala a verdade K, por favor, sou sua irmã, te ajudei a vim pra cá, poxa vida, não mereço saber. – dramatiza.
– Ta Bianca, eu conto, mais chega de drama. Foi incrível, foi mágico.
– Ele foi carinhoso, não te machucou não é?
– Não, eu to muito bem obrigado e o Pedro foi um príncipe.
– Eu ouvi isso. – a voz rouca de Pedro ecoa ao lado dela na cama, a desconcentrando da ligação.
– Bi eu vou precisa desligar, mas depois agente se fala ta?
– No almoço Karina, daqui uma hora agente encontra vocês lá, já ta hora de vocês saírem do quarto, estão a mais de quinze horas aí.
– Ta, daqui a pouco descemos pro almoço. – conclui e coloca o telefone no gancho e se concentrando em seu namorado que acordava com a cara mais fofa do mundo. – Eu sei que eu não sou disso, mais você ta muito fofo Pê. –ela fala e começo o enchê-lo de beijos, e ele gostando da brincadeira a puxa pra cima dele, ela coloca uma perna de cada lado e então sente o resultado da noite anterior com força total – Ai. – resmunga.
– Que foi K? – ele pergunta preocupado.
– Nada não foi só um desconfortozinho. – fala saindo de cima dele e deitando quietinha na cama.
– É por causa de ontem né? É normal doer depois amor, não precisa ficar com vergonha, quem teria que se preocupar aqui sou eu, mas você me disse que eu não te machuquei, ou te machuquei?
– Não Pê, eu acho que é normal ficar assim mesmo, afinal eu era virgem né.
– Me deixa cuidar de você. – ele fala e se levanta para levá-la para o chuveiro. Eles tomam banho, mas ficam apenas nas caricias, ele fica com medo de tocar nela e machucá-la ainda mais. Ela percebe isso e agradece mentalmente. Eles se vestem e descem para o restaurante da pousada, onde encontram Duca e Bianca a espera deles.
– Boa tarde casal, já tava preocupada com vocês, achei que teria que chamar alguém para arrombar a porta e conferir se estavam vivos. – Bianca fala fazendo Karina corar imediatamente.
– Boa tarde pra você também cunhadinha. – Pedro fala, cumprimentado Duca e puxando uma cadeira para se sentar, já que Karina já havia se sentado. – Partiu comer amor, to varado de fome.
– Vão vocês dois primeiro Pedro. Bianca fala apontando o namorado. – Que eu vou depois com a minha irmã.
– Tudo bem então, vamos Pedro? – o lutador convida.
– Vamos, já volto amor. – Pedro fala e dá um selinho na namorada.
– Me conta tudo. – Bianca ordena quando os meninos saem da mesa.
– Contar o que Bianca? Já disse foi mágico, o Pê foi carinhoso.
– E que mais? Ele foi direto ao ponto ou investiu nas preliminares?
– Investiu nas preliminares.
– Mais esse meu cunhadinho heim. Se ta diferente K, ta mais bonita.
– Não exagera Bi.
– É sério, não to exagerando, o sexo transforma agente, deixa mais bonita, faz muito bem.
– Já que você tocou nesse assunto, é normal doer no dia seguinte?
– É, por quê? Ta doendo?
– Não consigo nem abrir a perna direito, até pra colocar a calça jeans doeu. – Karina confessa.
– Então a noite rendeu heim. – Bi fala deixando a irmã corada. – Mais fica calma irmãzinha é muito normal doer assim e nas primeiras duas, três vezes mesmo, mais depois é só prazer.
– Sério que vai doer ainda?
– Só um pouquinho. – Bianca fala mostrando com o dedo. – Mais depois passa, fica tranquila o importante é que é gostoso não é, o depois não importa muito e daqui um tempo você vai gostar de se sentir dolorida depois do sexo e vai sentir falta quando não ficar.
– Isso só ta piorando heim Bianca, você me disse que era uma dor mínima e achei que ia morrer, agora me diz que vai doer para o resto da vida, não sei se quero fazer isso de novo não.
– Diz isso pro Pedro, quando ele te deixar louca de tesão.
– Ai Bianca. – resmunga incomodada com o comentário, mas disfarça quando os meninos retornam a mesa, com seus pratos que mais pareciam torres de comida.
– Agora é agente, vamos K?- Bi chama e a menor a segue.
O almoço é tranqüilo e se torna notável para qualquer pessoa que via os casais, o amor que os unia.
– Eu a Bi combinamos de ir ao um parque que tem kart e depois fazer um passeio de barco e vocês querem ir junto com a gente? – Duca pergunta após terminar de comer a sobremesa.
– Eu até gostaria parceiro. – Pedro começa a falar enquanto se lambuza com o mouse de maracujá. – Mas vou ficar de boa com a minha esquentadinha.
– Vão ficar no quarto a tarde inteira? – Bianca pergunta e recebe um olhar nervoso de Karina.
– Quem sabe. – Pedro responde.
– Pê olha sua situação. – Karina fala rindo do namorado e começa a limpá-lo, enquanto se aproxima dele é surpreendida por um beijo. Duca e Bianca saem para curtir seu programa, enquanto o casal perina decide caminhar pela praia.
Eles caminham por alguns minutos, admirando a vista e a beleza da praia, assim como as pessoas jogando vôlei, surfando, nadando, se bronzeando, enfim, sendo felizes e se sentam. Ela no meio das pernas deles e ele com os braços em volta dela.
– Eu não esperava pétalas e velas.– ele comenta depois deles ficarem um longo minuto curtindo o silêncio um do outro.
– Você não gostou? – ela pergunta preocupada.
– Não, não é isso, é que eu não esperava mesmo isso de você.
– Eu também não. – ela responde e se vira para ele. – Mas eu queria que fosse especial e a sua altura, eu não me importo muito com detalhes, mas você é romântico, e eu resolvi uma vez na vida fazer algo que te agradasse. Você gostou?
– Depende do que. Por exemplo, eu gostei da parte que você se vestiu com a lingerie que me enlouqueceu, gostei de ter deixado o quarto lindo, de ter pensado em tudo pra nossa primeira noite, mas eu amei a parte que você disse que era minha e aí concretizou isso. — ele fala com um sorriso safado e dando um beijão nela. — Sabe K, eu acho que nós somos privilegiados de mais.
– Por quê?
– Nós ainda nem fizemos dezoito anos e já estamos vivendo uma história de amor, tem ideia de quantas pessoas passam a vida inteira tentando viver isso?
– Nunca tinha pensado assim. – a lutadora fala reflexiva e então eles se beijam carinhosamente.
O sábado e o domingo do casal passa cheio de horas trancadas no quarto se curtindo, se amando, fazendo planos e sonhando com os dias que passariam assim, grudadinhos, para sempre. Quando eles voltam para suas casas, voltam diferentes, com a certeza de que o que existia entre eles era real, era verdadeiro, perfeito e sublime e que aquele namoro de duas pessoas completamente diferentes: uma lutadora marrenta e um músico descolado, que não tinha como dar certo, na verdade tinha virado amor.
– Eu fiquei a viagem inteira pensando em algo perfeito pra te dizer, mas agora eu só consigo dizer obrigado. – Pedro começa a falar segurando o rosto da namorada em suas mãos, em frente a casa dela. – Você me fez o muleque mais feliz do mundo. Daqui há uns vinte anos, quando agente tiver nossos filhos com a idade que temos hoje e eles me perguntarem o momento perfeito entre nós que mais me marcou, eu com certeza responderei que foi esse. E fora que eu vou sonhar com isso pelos próximos milênios.
– Como é exagerado esse meu namorado. –ela comenta risonha.
– Seu exagerado preferido né? – ele a provoca dando beijinhos nas maças do rosto dela.
– YO! – Gael grita na porta de sua casa, vendo suas duas filhas serem beijadas por seus namorados. – Soltem elas. – ele ordena.
– Gael por favor meu amor. – Dandara fala parando ao lado dele.
– Além de ficarem dias grudados nas minhas filhas , querem ficar agarrando elas na frente da minha casa, pra mostrar pra toda vizinhança que na verdade o mestre aqui é uma fraude. – ele fala dramático.
– Menos pai. – Bianca retruca rindo.
– Deixa as meninas se despedirem que elas já sobem, não é meninas?- Dandara as ajuda.
– Mas nem pensar, eu vou ficar aqui, observando tudo atentamente, se bem que seu Duca, depois de dirigir todo esse tempo eu lhe aconselho a ir dormir, pois amanhã te quero bem cedo na academia, seu treino vai ser comigo amanhã e guitarrista dos infernos, caso você não tenha o que fazer, o que é muito natural para você, pode vir lavar os banheiros da academia amanhã bem cedo. – o mestre ordena ciumento. – E Bianca, Karina, subindo comigo agora.
– Já vou pai. – a filha mais nova responde e tasca um beijo no namorado o que surpreende a todos. – Eu te amo! – ela diz em seguida e vai na direção do pai, que esta atônito com a cena de sua filhinha mais nova. – Agora to pronta pra subir pai. – Gael continuava sem palavras era muito pra ele ver que sua princesinha tinha um namorado.
Após Bianca e Duca também se despedirem, a família sobe para casa.
– Karina o que foi isso? – Gael pergunta encarando a filha mais nova que se joga no sofá e atira a mala para o chão.
– O que foi isso o que? – desconversa zoando o mestre.
– Não se finja de desentendida, esse seu agarramento com o Pedro.
– Foi um beijo entre duas pessoas que se amam e eu aposto que rolou muitos deles entre você e a Dandara nesses dias. – se levanta. – Não rolo? – questiona pegando sua mala do chão. – Porque entre eu e o Pê rolo.
– Karina! Me respeita garota. – Gael fala nervoso, mas se atrapalha para continuar a conversa ao ver sua namorada e Bianca se matando de dar risada da cena.- Tão rindo do que? – ele pergunta.
– Boa noite pra vocês, vou dormir que estou muito cansada. – a lutadora fala se afastando. – Esse final de semana rendeu. – provoca.
– Como é que é? – seu pai cai na provocação.
– A K ta te provocando pai. – Bianca fala o abraçando. – Boa noite. – se retira. – Ta toda engraçadinha heim K, deixou o papai todo bolado. – comenta entrando no quarto delas.
– Ele é que ciumento demais.
– Mas você ta feliz mesmo né? Dá pra perceber pelos seus olhos que estão no tom de azul mais lindo que eu já vi. – a irmã fala se aproximando. –É sério K, se sabe que eu to muito feliz por você né?! Eu espero de verdade te ver sempre assim leve, tranquila, linda e feliz. Te amo viu irmãzinha. – abraça a irmã que resmunga: — Eu tenho gosto de doce né, porque gostam de me abraçar que é uma coisa.
– Para de ser reclamona. – Bi fala fazendo a irmã sorrir. Elas dormem, descansam felizes, para enfrentar o que vinha pela frente.
A manhã amanhece normal, mas Karina decide correr antes de ir para a academia e enquanto corria pelas redondezas de sua casa, da de cara com ninguém menos que Lobão.
– Karina, então quer dizer que além do talento pro ringue você herdou do seu pai o bom costume de correr? – o homem provoca, mas a lutadora decide passar reto por ele, e não respondê-lo, mas ele não se dá por vencido e a segura pelo braço.
– Me solta.
– Não tem educação não? Eu falei com você. – ele fala ainda segurando o braço da menina, o que a faz sentir uma raiva e um ódio tão grande que ela tem vontade de estrangulá-lo com as próprias mãos pelo que ele fez com sua mãe.
– ME SOLTA! – ela grita explodindo de raiva.
– Que isso garota? – o mal caráter pergunta.
– Eu já sei de tudo. Já sei que você violentou a minha mãe. Como você pode fazer isso, como teve coragem? –questiona nervosa.
– Que porcaria é essa? Que te disse essas baboseiras?
– Não interessa, o que interessa é que eu sei e que te abomino por isso, se fosse possível eu não pisava no mesmo chão que você, não respirava o mesmo ar que você.
– Então se você sabe que eu e sua mãe tivemos algumas noites de diversão.
– Cala boca! – a garota grita o interrompendo, mas ele não se intimida e continua falando: — e se você sabe a data, e pensar pelo menos a metade do que luta deve saber que existe a probabilidade de eu ser seu pai. – o crápula fala rindo.
– Isso nunca. – ela detesta. – Eu tenho nojo de você. – fala se afastando dele.
– Posso ser seu pai Karina. – ele fala num tom mais alto, quando a garota começa a correr na direção oposto dele na rua.
Ela corre para longe do homem, mas não consegue correr por muito tempo e então se senta no meio fio da rua, e percebe as lagrimas caírem por seu rosto. Esse pesadelo novamente, logo depois de um final de semana incrível. E se Lobão fosse mesmo o seu pai, desde que descobrirá essa história doida ela nunca cogitou a ideia de um exame de DNA, mas se com um exame ela descobrisse essa verdade, que no momento consumia o coração dela, ela poderia quem sabe provar a barbaridade que aquele crápula fez com sua mãe. A mãe que nunca conhecerá, a mulher que só conhece por fotos. Precisava descobrir e então se recompõe e vai para a academia.
– Pai? Posso falar com você? – pergunta ao mestre, recebendo um olhar confuso. – Em particular. – restringe ao perceber a movimentação do lugar.
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