Notas iniciais
Capítulo pequeno, mas intenso pessoal. Espero que curtam e a partir de agora a história começou a chegar aos objetivos iniciais e vai começar a ficar boa, acompanhem... Boa Leitura!

Capítulo 11

– O que foi filha? – Gael pergunta preocupado ao ver o rosto da filha marcado pelas lagrimas.

– A conversa pode ser lá em casa pai? – ela pede com um olhar de suplica e o mestre atende na mesma hora.

– Duca? Assume pra mim, por favor. – fala e segue sua filha mais nova até em casa. – O que houve K? – pergunta chegando lá.

– Eu encontrei o Lobão.

– O que aquele crápula te falou dessa vez? – o lutador pergunta irritado.

– Dessa vez foi eu que falei.

– Falou o que Karina?

– Eu disse a ele que já sabia sobre o que ele fez a mamãe.

– Como é que é? Você não fez isso Karina. – Gael fala elevando o tom. – O Lobão é perigoso minha filha, quantas vezes eu já te disse pra não se aproximar dele sozinha? E ainda mais com uma história dessas. – se altera.

– Pai eu quero fazer nosso teste de DNA. – comunica recebendo um olhar incrédulo de seu pai.

– Não, peraí, você não esta cogitando tornar aquele bandido o seu pai, não é? Você não faria isso comigo.

– Eu preciso saber a verdade.

– Por que?

– Porque se ele for mesmo meu pai biológico ele vai ter que pagar pelo que fez a mamãe.

– Que história é essa Karina?

– Eu quero justiça pai. Se o Lobão for mesmo meu pai vai ficar bem mais fácil provar que ele violentou minha mãe.

– Não. – fala indignado.

– Eu não vou deixar ele sair impune.

– Não. Só eu que não vou te deixar fazer uma besteira. Escuta bem minha filha. Agora são nove e vinte da manhã. – confere o relógio. – Nós vamos voltar para a academia, você vai treinar, eu vou dar aula e nós vamos fingir que essa conversa nunca aconteceu. – tenta dissuadi-la. Pega em seu braço e começa a puxá-la.

– Não pai. – se desvencilha dos braços dele. – Eu não vim te pedir autorização pra isso, eu vim te dizer que eu vou fazer isso. Eu quero o nosso exame de DNA, e eu tenho direito a isso, e se você não for meu pai, eu quero o Lobão na cadeia.

– Eu nunca vou apoiar uma maluquice dessas. Gael dispara. – Você sabe quem é o Lobão Karina? Tem ideia do que aquele homem é capaz? Você acha mesmo que vai conseguir provar algo que ele fez há dezessete anos, sendo que nem o que ele fez mês passado é possível provar?

– Eu sei que vai ser difícil, mas a única coisa que você tem que fazer pai, é o exame, sua participação termina aí.

– Você ta me dispensando e falando comigo como se eu fosse seu namoradinho? Escuta bem Karina, você é minha filha e ponto. Não vai ter exame e muito menos essa sua maluquice toda. Decorou?

– Não, não decorei pai, por que se aquela violência toda aconteceu com a minha mãe e eu for o fruto desse pesadelo, eu quero justiça.

– Por que remexer no passado que ta quieto?

– Porque é a minha história pai, é a minha origem e eu mereço saber e a mamãe merece justiça. Já imaginou o pesadelo que ela deve ter vivido? O quanto deve ter doído nela? – a lutadora fala se emocionando.

– Filha. – Gael fala se aproximando dela e se emocionando também. – Você não precisa fazer isso.

– Mas eu quero, se eu for o resultado de um estupro. – se arrepia ao dizer a palavra. – eu quero saber.

– Não fala isso. – o mestre se refere ao estupro. – Eu só quero te proteger filha, pra que saber disso? Pra que? Não vai te fazer bem!

– É a minha história e por pior que seja eu vou ter que aceitar e lidar com ela. – fala decidida e Gael apenas a abraça emocionado. Essa história toda mexia demais com ele e agora, vendo sua menininha assumindo uma responsabilidade severa, engolindo a dor e querendo justiça, ele só queria saber como fugir de toda essa loucura, como voltar a ser apenas um jovem sonhador, não um homem marcado pelas rasteiras da vida, um pai protetor, um mestre exigente, queria voltar a não ter que sofrer. Nada nesse mundo se comparava a dor que um pai senti ao ver sua filha ser atingida pelas pedradas da vida e não poder entrar na frente para protegê-la, isso sem duvida arregaçava com ele por dentro.

Doze dias depois...

– Gael e Karina Duarte por favor. – o médico chama com o envelope em mãos.

– Sim doutor. – Gael responde ficando em pé ao lado junto de Karina e a abraçando. – O senhor poderia nos dizer o resultado?

– Claro. Bom vejamos. – o doutor fala abrindo o exame e deixando Dandara, Bianca, João, Duca e Pedro ainda mais apreensivos. – Aqui diz que o teste duo de DNA deu negativo para a paternidade de Gael Duarte, ou seja, Karina Duarte não é sua filha. – o médico fala.

– Isso não importa meu amor, eu sou seu pai e sempre serei. – Gael fala beijando o topo da cabeça da filha, tentando não parecer tão desnorteado como estava por dentro. – E eu te amo demais. – fala emocionado, recebendo um abraço apertado da menina, que apesar de já esperar essa noticia, nesse momento só conseguia tremer ao constatar que ela era filha de Lobão. – Fica calma minha filha. – Gael fala e a abraça mais forte ao senti-la tremer. – Vai ficar tudo bem.

Bianca é amparada por Duca quando as lagrimas começaram a cair em seu rosto. Nunca tinha acreditado de verdade nessa história e apesar de saber que K sempre seria sua irmãzinha e que a família deles nunca iria se separar, odiava saber o que sua mãe passara e que sua irmã amada era filha de um bandido.

Dandara só queria abraçar o namorado, mais decidiu dar espaço para ele e K colocarem pra fora tudo que estavam sentindo.

João e Pedro apenas olhavam tudo atônitos.

– Eu sou seu pai! – Gael fala olhando profundamente no rosto da filha, após partirem o abraço.

– Eu sei. – ela responde esboçando um meio sorriso entre as lagrimas. – Sempre vai ser, sempre. – afirma, mais para si mesma do que pra ele.

Eles olham para os cinco que os esperavam e Bianca corre na direção da irmã a abraçando apertado. Elas se amavam e se Bianca já protegia a caçula, agora faria isso em dobro, estava decidida a fazê-la entender que era sim parte daquela família e que os laços sanguíneos não faziam diferença. – Eu te amo K! Você é a pessoa que eu mais amo nesse mundo. – confessa entre as lagrimas e olha para a irmã. – Nós sempre vamos ser uma família.

– É claro que vamos. Esse exame nunca vai mudar o fato do Gael ser meu pai e de você ser minha irmã, nunca. Eu amo vocês e muito mais depois disso, depois de saber que eu fui criada com muito amor por um homem que não me fez e que eu recebi todo o mimo, proteção e carinho de alguém que devia me odiar por ter matado a mamãe. – a lutadora fala emocionada.

– Não fala assim K. – ordena — Nunca! Ouviu? A mamãe se foi sim, mas ela escolheu deixar você pra mim e pro papai e você foi o presente mais lindo e perfeito que ela podia ter nos deixado. Aquele homem nunca vai ser seu pai e você não tem nada dele.

– Você é a irmã mais perfeita que alguém poderia ter. – fala abraçando a irmã carinhosamente e fazendo todos que estavam assistindo a cena se emocionarem.

Depois do abraço amigo em Dandara, João e Duca, Karina olha para Pedro, parado em pé ao lado de seu pai, fitando a com carinho e não pensa duas vezes antes de pular nos braços do namorado, que a gira no ar e a aperta em seu peito e sussurra em seu ouvido: “Te amo de janeiro a janeiro, não importa o que aconteça.”

Tinha como reclamar? Ela era amada. Tinha a melhor família do mundo, o melhor namorado do mundo. Era feliz. A forma horrível como tinha sido gerado não tinha a tornado uma pessoa horrível e apesar dessa iniciação cruel na vida, o destino tinha dado uma forma de compensá-la colocando a no caminho das pessoas mais especiais possíveis e não iria reclamar, mas iria fazer justiça em nome de sua mãe. Em nome da pessoa que não tinha desistido dela, mesmo ela sendo a consequência de um pesadelo. Ana merecia isso e ela moveria céus e terras para fazer com que sua mãe descansasse em paz e para provar as pessoas que na verdade não importa como você é gerado ou de quem é filho, é você quem decide quem será e o que fará com essa dor, e eu já decide o que farei.

Como diria Martin Luther King: Se não puder voar, corra. Se não puder correr, ande. Se não puder andar, rasteje, mas continue em frente de qualquer jeito.

Era isso que eu faria: continuaria em frente, mesmo com essa dor dilacerante que rasgava meu coração, afinal descobrir ser a consequência de uma violência é duro, mas não importa, eu aguento, eu continuarei seguindo em frente, os percalços da vida nunca vão me impedir de chegar onde eu sonho.

Notas finais
E aí gostaram? Comentem, estou amando escrever tudo isso, portanto me deem sugestões para incrementar á história. Beijos e até...