Notas iniciais
Eu não resisti a essa idéia de personagem original, sinto muito mundo! ;-;Mas na verdade até que gostei do resultado final...

Ana Heloísa Montenegro, havia acabado de se mudar para uma pequena cidade dos EUA no interior do estado do Colorado, chamada South Park. A princípio a morena não pensou que isso pudesse ser tão ruim, afinal a mesma sempre teve muita vontade de sair do seu pais de origem, o Brasil, e conhecer outros lugares do mundo e agora Heloísa poderia morar em um lugar novo.

A situação era para ser perfeita, mas havia um porém: Neve.

–Mãe, pai. Por que nós tivemos que nos mudar logo para a neve? -Reclamou Heloísa, pela quarta ou quinta vez só naquela hora. -Cês não tem pena de mim, né?

–Menina chata. Você não vivia falando que adoraria se mudar. -Falou a mãe, Júlia Montenegro, que já estava perdendo a paciência.

Heloísa parou para observar durante alguns segundos a paisagem a qual o carro passava, havia varias árvores e já estava escurecendo, mas o que mais se destaca era: Neve, neve e neve.

–Para um lugar onde tivesse praia, de preferência?

–Para de reclamar pirralha! -Falou o irmão de Heloísa, Oliver, que estava visivelmente mais chateado que a menor. -Pelo menos cê não tinha amigos e não está no nono ano...

–Nos já conversamos Oliver! -O pai, Paulo, se pronunciou pela primeira vez.

–Ta' ta -O moreno fechou a cara. -Esse foi a melhor proposta de emprego que eu recebi em cinco anos, com o dinheiro que eu ganhar você vai poder voltar para o Brasil todo ano...-Falou imitando a voz de Paulo.

–Eu tinha amigos sim Oliver. -Heloísa bufou irritada, encarando o irmão.

–É eu aposto você não vai conversar com ninguém Helô. -Oliver riu cinicamente. -Já que não consegue pronunciar uma única palavra em inglês e...

–Cala a boca! -Exclamou a morena. -Baitola!

–Olha a palavra Ana Heloísa! -Repreendeu a mãe.

Um fato curioso sobre Ana Heloísa Montenegro era que a morena entendia, escrevia e lia perfeitamente em inglês, mas não conseguia pronunciar uma única palavra daquele idioma. Vamos dizer que ela tem um "problema de dicção".

–Olha, nos já estamos chegando. -Paulo disse, tentando não se irritar com a briga dos filhos.

Heloísa observava o bairro onde iria morar de agora em diante. Poucas casa e parecia ser bem calmo, seu pai parou o carro em frente a uma casa toda pintada de amarelo escuro.

–Bem, quando o resto das coisas vão chegar? -Perguntou Júlia.

–Eu mandei eles entregarem a dois dias, já está tudo arrumado.

Quando Heloísa abriu a porta do carro e o frio insuportável entrou em contato com a sua pele, que já estava bem coberta com três casacos de lã, soltou um grito e fechou a porta com força.

–Está muito frio! -Tremeu. -Como as pessoas daqui agüentam esse frio!?

–Cê se acostuma. -Falou o pai saindo do carro.

–Elas vivem aqui dês de sempre, irmãzinha burra. -Oliver saiu do carro e puxou a irmã para fora, jogando-a direto na neve.

–MALDITO! -Gritou e se levantou rapidamente, tremendo de frio.

Oliver riu descaradamente de Heloísa, que partiu para cima do irmão e deu-lhe um forte soco na altura do estômago.

–Eu quase esqueci que você luta boxe, Helô. -Ele disse , ligeiramente curvado para frente por causa da dor. -Pirralha...

A morena entrou na casa carregando uma grande mala de rodas. O lugar era um pouco mais quente que o lado de fora, mas não o suficiente para Heloísa. As paredes azuis estavam vazias, mas a sala tinha alguns poucos móveis, como o sofá roxo e a televisão.

–Os quartos ficam no segundo andar filha. -A mãe disse, também subindo as escadas.

Heloísa a seguiu e entrou no primeiro quarto a direita, que pelos nomes escritos nas caixas soube que era o seu. Colocou a grande mala perto no guarda roupas e se deitou na cama que ainda estava sem um lençol para cobri-la.

–Amanhã eu arrumo isso. -Murmurou para si mesma enquanto pegava no sono.

~ #%@ ~

–Acorda menina! -Gritou Júlia ao entrar no quarto de Heloísa. -Você vai chegar atrasada! É nem arrumou o quarto ainda?! Eu mereço...

Heloísa levantou ainda atordoada pelos gritos da mãe e olhou em volta tentado se lembrar onde exatamente estava, cenas do dia anterior preencheram a mente da morena que ficou instantaneamente de mal humor.

–Mas mãnhe! Hoje é quarta-feira... Eu acho! Cê realmente vai me fazer ir para um colégio novo, com pessoas novas e professores novos no meio da semana?!

–Levanta logo e vai tomar um banho! -Falou Júlia antes de sair do quarto.

–Tsc, "levanta logo e vai tomar um banho"...

Heloísa abriu a mala, puxou violentamente uma toalha branca, três casacos de cor cinza, uma calça jeans escura, uma meia calça grossa branca e levou tudo para o banheiro. Depois de fazer tudo que precisava fazer a morena colocou as mesmas botas de cano alto que usou no dia anterior e desceu para o café.

–Bom dia. -Falou em um bocejo.

–Bom dia. -Oliver respondeu em inglês. -Seu cabelo está um ninho. -Completou.

Heloísa olhou de forma ameaçadora para o irmão, que se limitou a rir em deboche, e sentou-se na cadeira no lado aposto a qual o moreno estava.

–Cadê o pai e a mãe?

–O pai saiu bem mais cedo é a mãe a dez minutos. -Respondeu desinteressado. -Ela me mandou te levar até o colégio.

–Eu sei me virar sozinha! -Exclamou.

–Helô, se cê pelo menos soubesse falar inglês...

–Mas eu sei sim! -Inflou as bochechas irritada.

–Eu sei que você sabe, mas se pelo menos conseguisse falar de forma que as pessoas entendessem. -Oliver olhou para Heloísa. -Anda, pede logo!

–Eu não preciso da sua ajuda!

–Ok, então eu vou embora.

Heloísa ficou vendo o irmão sair de casa e fechar a porta em um baque surdo. A morena não se moveu por talvez um pouco mais que quarenta segundos até finalmente perceber que precisava muito da ajuda de Oliver.

–ESPERA! -Gritou.

Heloísa saiu de casa correndo, sem nem ao menos notar que não havia comido nada e nem trazido nenhum tipo de material escolar. Oliver estava esperando pela irmã perto de um ponto de ônibus, com um sorriso cínico nos lábios.

–Oliver. -Ofegou. -Você poderia me ajudar com o meu "problema" de comunicação?

–O que eu ganho com isso? -Perguntou, arrumando o casaco sintético azul escuro.

–Qualquer desculpa serve! -Insistiu. -Eu lavo a louça por uma semana!

–Duas semanas.

–Feito!

–Ok, eu vou falar que você é muda.

–O que? Muda? -Olhou assustada para o irmão. -Não tem uma desculpa mais fácil de se manter não?

–Shhh, fica calada! O ônibus está chegando!

Heloísa fechou a cara e entrou junto do irmã no ônibus, o qual havia umas poucas pessoas espalhadas em alguns cantos. Oliver sentou na quinta fileira do lado esquerdo e a morena sentou-se na sexta do lado oposto ao irmão.

Depois de cinco minutos o ônibus fez mais uma parada, quatro garotos entraram, sendo que dois deles discutiam arduamente. A morena não prestou muita atenção, ouvindo apenas algo como "seu nazista de merda" e um "está com areia na vagina?", mas não se deu o trabalho de entender a conversa.

Chegando em South Park Elementary Oliver e Heloísa foram diretamente para a coordenação, onde o moreno explicou que a irmã era ""muda"", mas escrevia, lia e entendia perfeitamente o inglês. O coordenador respondeu que a escola daria um jeito de deixar Heloísa o mais a vontade possível.

–Helô, a tua sala é a 1-A do sexto ano, eu já vou indo. -Falou em português.

~ #%@ ~

Kyle Broflovski continuava trocando ofensas livremente com Eric Cartman até a chegada do sr. Garrison na sala. O professor gritou com os alunos para que ficassem calados e falou:

–Crianças hoje nos vamos receber uma novata na sala. -Pausou. -Espero que todos a tratem bem, porque é muito difícil ser um novato e entrar em um novo colégio, principalmente no meio do ano.

Uma garota morena abriu timidamente a porta e entrou. Ela possuía volumosos e cacheados cabelos castanho-escuros, olhos verdes escuros e sua pele era escura, como de quem viveu a vida toda no sol. Ela caminhou na direção do Sr. Garridos e entregou-lhe um papel dobrado.

–Hhnn, sei. -Murmurou enquanto lia. -Tudo bem Ana, pode se sentar naquela carteira do lado do Damien. -Apontou para uma carteira no fundo da sala.

Heloísa caminhou rapidamente até o local indicado pelo professor e se sentou, procurando não encarar ninguém ao seu redor.

–Ei Sr. Garrison! -Um garoto meio gordinho falou alto. -A novata não vai se apresentar?

–Não Eric, ela não pode.

–Por que?

–Porque ela é muda.

Cartman começou a rir escandalosamente, atraindo a atenção de todos na sala, incluindo de Heloísa.

–Posso saber o que é tão engraçado Eric? -Perguntou o professor, já imaginando o que o garoto falaria.

–Esse lugar está realmente decadente. -Falou parando de rir. -Hoje eles aceitam que qualquer um estude aqui...

–Nem começa Cartman! -Exclamou Kyle.

–Já aceitaram judeus, hippies e pobres... -Cartman ofendeu descaradamente todos os seus amigos. -È agora aquilo... Aliás, qual a raça dela?

Raça...? As mãos de Heloísa tremiam, não pelo frio, mas sim pela quantidade absurda de raiva que sentia naquele momento. Calma, calma Heloísa. Fique calma...

–De acordo com a ficha ela é do... -Sr. Garrison parou para ler a ficha. -Brasil?

–Do país dos macacos... -Cartman riu cinicamente. -Então aposto que ela não entende uma palavra do que estamos falando!

Mas a morena entedia, entendia muito bem. Até bem demais para aquela situação em particular.

–Esse argumento não tem base Cartman! -Retrucou o judeu. -Ela entendeu o que o Sr. Garrison falou!

–Eu vou provar, se ela não fazer nada com o que eu fazer agora significa que a novata e apenas um macaco. -Virou-se na cadeira. -Eu novata, vai se foder.

Heloísa respondeu apontando o dedo médio para Cartman, fato que atraiu olhares curiosos de praticamente todos os alunos na sala. Na verdade poucos ali presentes acreditavam que a morena realmente entendia o inglês.

–Não é que a novata entende mesmo. -Murmurou Cartman. -Mas de qualquer forma ela não pode xingar de volta...

–Eric, pode ir parando! -Sr. Garrison tentou intervir, mas sem sucesso.

–Ei novata, por acaso o seu país é como todos falam? Eles só pensam em futebol, carnaval e feijoada?

–Cara, o que ela fez para você? -Um garoto com touca azul falou.

A discussão continuou fervorosa, mas Heloísa só pensava em controlar sua raiva e não bater naquele... Gordo baitola. Xingou-lhe nos pensamentos.

–Bate nele. -O garoto ao seu lado incentivou-a, ainda por cima falando em português.

A morena olhou duvidosamente para o garoto ao seu lado, agora tentando se lembrar do nome dele. Daniel... Não não pode ser isso.

–Você tem motivos para espanca-lo. -O moreno continuou incentivando Heloísa, ainda em português.

–Quer saber. -A morena murmurou baixo. -É como meus avós falavam: Eu vo' baixar o sarrafo nesse infeliz.

Danilo, talvez? Heloísa levantou-se e caminhou com passos largos até a carteira de Cartman. Quanto mais a morena se aproximava mas as vozes paravam, chegou em um ponto, quando já estava atrás do garoto gordo, em que todos se calaram e apenas Cartman continuava falando.

–Eu ouvi falar que os brasileiros são...

A morena cutucou de leve o braço do Cartman, o mesmo se virou já prestes a soltar uma outra palavra de baixo calão quando Heloísa gritou em alto e bom som.

–VAI AO INFERNO! SEU GORDO DE MERDA!

A morena deu o soco mais forte que era capaz de dar naquele momento, acertando em cheio o nariz de Cartman.

Ah sim, o nome dele é Damien!

Notas finais
Então, o que vocês acharam da Helô? (Dou um bolo para quem adivinha de qual parte do Brasil veio!)