Uma brasileira em South Park
2 Capítulo Um
Notas iniciais
Heloísa esperava que não recebesse uma advertência logo no primeiro dia de aula, tudo bem que a morena havia socado o nariz de um garoto, mas ele teve seus motivos. Motivos que em certos pontos justificam, é muito, as ações da garota.
Agora apenas aguardava que o conselheiro da escola, o qual Heloísa não havia feito a mínima questão de aprender o nome, chamasse-a para contar a sua versão da história. Mas não tinha muitas esperanças de conseguir se safar daquela vez, afinal, ela foi a primeira que levantou a mão.
–Heloísa?
A morena levantou a cabeça e viu Oliver parado encarando-a. Ele estava com uma expressão de dúvida no rosto, como se estivesse falando "mas já?!"
–O que você fez, Helô? -Perguntou em português.
–Cê poderia ter inventado uma desculpa melhor mais cedo. -Heloísa cruzou os braços em irritação. -Aliás, o que você está fazendo aqui? Estamos em horário de aulas!
–Responda a minha pergunta Heloísa! -Bufou. -Mas que merda aconteceu?
Heloísa mostrou a mão enfaixada e com algumas manchas de sangue no tecido para Oliver, que se limitou a sorrir e sentar ao lado da irmã.
–Nariz ou boca? -Questionou Oliver, ainda com um sorriso nos lábios.
–Nariz. -A morena respondeu em um sussurro.
–Motivo?
Heloísa explicou do começo ao fim exatamente o que havia acontecido, Oliver soltou um suspiro cansado e massageou as têmporas.
–Ele mereceu, não vou mentir, eu faria a mesma coisa... Mas vai ser difícil te tirar dessa sem chamar o pai ou a mãe.
–Não Oliver! Cê sabe que nem um dois dois vai acreditar em mim! -Exclamou a morena.
–Larga de ser frouxa pirralha!
–Por favor Oliver! -Desesperou-se. -Eu... Eu... Limpo o seu quarto!
–Tudo bem, eu te ajudo.
Quando Heloísa percebeu o que havia falado tentou "cancelar" aquele acordo, mas antes que pudesse falar qualquer coisa o coordenador abriu a porta e chamou-a para dentro da sala. Oliver conversou por breves momentos com ele para explicar sobre a condição da irmã e pediu para que pudesse entrar com a morena. É impressionantemente o homem permitiu que o irmão de Heloísa entrasse junto da garota.
–Ei, Helô, cê me falou que apenas o gordinho tinha implicado contigo. O que esses outros fizeram? -Sussurrou a pergunta para a irmã, ainda falando em português.
–Eu vou saber?
Na sala estavam mais quatro garotos. Um deles vestia um casaco laranja que cobria quase todo o rosto de forma que não fosse possível ver a cor dos seus cabelos, o mais alto e meio gordinho o qual Heloísa conhecia como "Cartman", um outro que usava um gorro azul e vermelho e o mais baixo, o qual usava um ushanka verde.
O garoto de ushanka verde discutia fervorosamente com Cartman, que agora segurava um pano ensanguentado contra o nariz. Heloísa sentou-se na cadeira ao lado do garoto de casaco laranja enquanto seu irmão permaneceu de pé.
–Sr. Mackey, o Kyle me chamou de bundão! -Reclamou Cartman.
–Mas você é um bundão Cartman!
–Kyle, você não pode chamar o seu amigo de bundão, mmkay? -Falou o coordenador, com uma voz nasal que Heloísa achou particularmente irritante
–Tsc... -Kyle encarou a morena. -Não liga novata, o Cartman é assim mesmo.
Os outros três garotos que até aquele momento não haviam percebido a presença da morena pararam para encara-la.
–Ei garota! Por que você me socou?! -Cartman questionou irritado.
–Cê ainda pergunta... -Murmurou alto o suficiente para os outros garotos ouvirem.
–Mhmnnhmhn? -Perguntou(?) o garoto de casaco laranja.
–Eu também não entendi, Kenny. -O garoto de gorro azul e vermelho ainda encarava Heloísa. -Novata, você fala inglês?
–Mais ou menos. -Oliver se pronunciou pela primeira vez, atraindo a atenção dos quatro garotos.
–É quem é você? -Indagou Kyle.
–Sou o irmão dela. -Colocou a mão na cabeça de Heloísa. -Aliais, Helô, o que cê quer que eu fale? -Perguntou em português.
–Caramba Oliver! Esse gordo baitola disse muita merda. Manda ele ir se foder junto dos "amiguinhos" — Virou a cara.
–O que ela disse? -Perguntou Cartman.
–Er... Nada demais. -Respondeu em inglês.
~ #%@ ~
Depois de uma discussão interminável foi decidido que Heloísa e os quatro garotos ficariam na detenção no final da aula. A morena só não entendeu o que os outros três haviam feito.
–Poderia ter sido pior Helô. -Oliver deu os ombros. -Quando eu chegar em casa digo para a mãe que você fez amigos.
–Ela não vai acreditar. -Exclamou.
–Mas também não vai questionar!
Oliver tinha razão e a morena sabia muito bem disso. Ela nunca fora de conseguir fazer amigos, seu temperamento irritadiço e nem um pouco flexível fazia com que as pessoas ao seu redor procurassem se afastar. Heloísa tinha apenas um amigo é que só conhecia pela internet, Bradley, um garoto americano do estado da Carolina do Sul. Aliais, Bradley era gay.
–Obrigada Oliver.
–Tanto faz. -Respondeu já caminhando, com um tom de voz um pouco mais alto. -Eu espero ver o chão do quarto brilhando.
–Vá se ferrar! -Berrou.
Segundos depois os quatro garotos saíram da sala do coordenador, Kyle e Cartman trocavam todos os tipos de ofensas existentes enquanto Kenny e Stan permaneciam em silencio. Como eles se aguentam? Perguntou-se Heloísa, se referindo ao gordo e ao judeu.
–A culpa é sua Cartman! O que custava ter ficado calado?
–Mas foi a novata que... -O gordo notou a presença da morena. -Ei! Você!
Heloísa fingiu que não estava escutando e tentou correr para a sala, mas descobriu que não se lembrava a localização da mesma, então simplesmente deu ao volta fincando a alguns metros dos quatro garotos.
–Novata, você me paga por te me deixado de detenção! -Exclamou extremamente irritado.
–Ah, vai se foder! -A morena disse sabendo que nenhum dos garotos a entenderia, mas completou mostrando o dedo médio para Cartman.
–Sua brasileirazinha de merda...
–Cara, ela não te fez absolutamente nada. -Stan falou.
–Ela me socou!
–Você que ficou provocando primeiro! -Kyle disse. -Sinceramente Cartman, você que deve desculpas a ela. A garota mal chegou e já fica de detenção por sua culpa!
Heloísa balançou a cabeça em concordância.
–Kenny, você viu que ela quase quebrou o meu nariz! -Cartman praticamente gritou.
–Mhmnnhmhn, Mhmnnhmhnmmh. -Kenny falou de forma incompreensível para a morena. -Mhmnnhmhn...
–Eu concordo, mas cara, esse ultimo comentário não era necessário... -Kyle murmurou, com um leve rubor no rosto.
–Porra Kenny! -Stan falou, olhando assustado para o amigo.
Tudo bem, o que exatamente ele disse? Heloísa perguntou-se em pensamentos, mas tinha a leve impressão de que era melhor não saber.
–Er... -A morena ficou alguns segundos pensando em como se expressar, até finalmente apontar o dedo para um relógio de pulso imaginário.
–Horas...? -Kyle arregalou os olhos. -AS AULAS!
Os garotos saíram correndo na direção da sala e Heloísa apenas os seguiu, enquanto tentava memorizar os corredores da escola. Sr. Garrison impressionantemente os deixou entrar na sala sem problema e o resto das aulas antes do intervalo ocorreu sem nada demais.
~ #%@ ~
Depois das aulas Heloísa foi até o refeitório, onde seria a detenção de todos os alunos daquele dia. A morena escolheu um lugar afastado de todo o resto, enquanto Stan, Kyle, Cartman e Kenny sentaram lado a lado. O que será que eles vão fazer agora? A garota não sabia, mas tinha certeza de que seria algo que, no mínimo, livraria todo os quatro daquelas duas horas de puro tédio.
O coordenador, Sr. Mackey, gritou para que todos os alunos se calassem. Mas quem disse que o "quarteto fantástico" obedeceu?
–Eric, fique calado e faça a lição! -Vociferou irritado.
–Tsc, nós vamos sair daqui a pouco mesmo! -Cartman falou alto o suficiente para que todos presentes na sala ouvissem.
–Não vão não, mmmkay! Vocês todos vão ficar aqui por DUAS HORAS!
Cartman e os outros três olhavam incessantemente para o relógio na parede, Heloísa não entendeu o que estava acontecendo, mas algo dentro de si dizia que em pouco tempo estaria devendo ao garoto gordo.
Exatamente um minuto depois as portas do refeitório explodiram em vários pedaços e voaram para todas as direções, um grande pedaço com uma ponta afiada acertou a cabeça de Kenny, atravessando-a pelo olho.
Mas ninguém pareceu notar o que aconteceu, todos os alunos corriam desesperadamente para fora do refeitório, como se suas vidas dependessem daquilo.
–*Diabéisso?! -Heloísa ainda tentava engolir o que acontecia ao seu redor
–Ei, se você ficar aí vai dar merda! -Gritou uma voz em português.
Heloísa saiu correndo com a semi-multidão de alunos e só parou quando estava na entrada do colégio. Ofegante ela viu os alunos saindo aos berros e o Sr. Mackey gritando qualquer coisa.
–Até que você corre bem rápido... Ana? -Damien falou novamente em português.
–Heloísa, Ana... Tanto faz. -Respirou fundo. -Foi você que fez aquilo?
–Exatamente! -Sorriu cruelmente. -O Sr. Mackey deve estar tendo um ataque!
–Aliais, como você explodiu a porta?
–Simples, eu sou o príncipe das trevas! Isso não é nada do meu verdadeiro poder! -Falou, fazendo pose.
Heloísa riu abertamente da pose de Damien, o garoto encarou-a duvidosamente, como se perguntasse "está rindo do que?".
–Eu já vou indo! Obrigada por explodir a porta do refeitório e até amanhã!
A morena saiu correndo para casa, não estava com vontade de receber gritos da mãe.
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