Uma Seleção Diferente
3 O Palácio - Katherine
– Se cuide, Katherine e não esqueça de nos escrever — papai pediu me apertando no abraço — Eu te amo. Não se esqueça disso, está bem?
– Eu sei pai, eu também te amo — disse, me desvencilhando do seu abraço.
Eu realmente precisava ir. Entrei no carro e acenei para eles. Minha mãe e May sorriram radiantes. Papai e Gerad pareciam tristes. Kenna demonstrava orgulho. Kota não apareceu. Quando cruzei a esquina meu olhar cruzou com o de Jason. Seu olhar era triste, sem vida, bem diferente do Jason que eu conheci com três anos. Lancei um olhar triste para ele também. Eu realmente sentia muito pelas coisas terem chegado a esse ponto.
Quando já não via mais ninguém, fechei a janela e olhei para a frente. Este o meu destino. Sairei de lá com uma aliança escrito George Schreave. Ele vai se apaixonar por mim. Ele vai gostar de mim como eu gosto dele. Tenho certeza!
* * *
Fui a primeira a chegar no aeroporto. Estava ansiosa esperando as outras. Elas tinham que chegar depressa! Concentrada na minha ansiedade, não percebi quando uma garota loira se aproximou de mim com um sorriso.
– Olá, eu sou Alice Tames! Sou Quatro — a garota me estendeu a mão.
Apertei sua mão de volta para ser educada.
– Sou Katherine Singer. Cinco.
Alice sorriu.
– Não precisa me ver como uma ameaça. Não tenho o menor interesse no Príncipe George. Só estou nessa porque minha mãe me inscreveu. Mas na primeira oportunidade que tiver saio de lá!
– Você não está falando sério! — exclamei.
– Estou sim! — o sorriso de Alice se alargou ainda mais — Sério Katherine, não precisa ter medo. Farei o Príncipe George querer correr de mim o mais rápido que puder. Mas se estou na Seleção com outras 34 garotas, gostaria se poder fazer amigas. Nunca fui desse tipo, sabe? Nunca tive muitas amigas.
– Eu também não. Na verdade só tive um amigo. — confessei.
Alice sorriu de novo.
– Tenho impressão de que seremos ótimas amigas!
Foi a minha vez de sorrir. Era bom ter uma amiga. Alguém que eu pudesse confiar, e contar tudo que eu estivesse sentindo. Alguém que não disputando a mesma coisa que eu. Talvez Alice Tames fosse a pessoa ideal.
Ficamos conversando por mais uma hora até que as duas selecionadas chegaram. Celeste Newsome, uma Dois e Ashley Brouillette, Três.
Celeste chegou perto de nós e nos olhou de cima baixo.
– Ah, ainda deixam pessoas desse nível entrarem — ela comentou com desdém.
– Pois é. Parece que o Príncipe George terá que aguentar faveladas no seu Palácio. Coitado — Ashley continuou.
– Acho que o Príncipe não quer é aguentar a presença de vocês! — falei com raiva.
As duas me olharam e logo em seguida, riram. Alice me segurou e não pude responder o que gostaria. Tivemos que embarcar e tive que ficar ao lado de Celeste. Para não ter que aguentá-la, dormi a viagem toda.
Acordei quando o avião já tinha aterrissado em Angeles. O caminho para o Palácio foi tranquilo. Nenhuma de nós falou mais nada depois do episódio no aeroporto. Mas era evidente que Ashley e Celeste não estavam nem um pouco contente de nos verem aqui. Que se dane elas. Se George me quiser, ficarei!
Assim que pus meus pés no Palácio fiquei deslumbrada com tanto luxo. Tudo é tão lindo. Desde o chão de mármore até o lustre de cristal. Uma mulher chamada Silvia nos deu as boas vindas e nos conduziu até o Salão das Mulheres.
Ficamos lá por horas. A minha maquiagem ficou de um jeito simples, mas que não passaria despercebida. Deixei o cabelo do mesmo jeito. Essa era a parte que eu mais gostava em mim. Tenho certeza que George também iria adorar.
Depois do trato com a minha aparência, me dirigi ao sofá onde uma jornalista me aguardava. Ela sorriu gentilmente e me fez algumas perguntas. A entrevista não demorou mais que 10 minutos.
Voltei a atenção ao Salão das Mulheres e vi que Alice corria em minha direção. Pelo visto ela não tinha mudado nada.
– Katherine! Você está linda! Adorei essa sua maquiagem! Te deixou mais jovem — ela elogiou.
– Obrigada. E você não fez nada? — perguntei.
Alice bufou.
– Óbvio que não. Não vou mudar minha aparência para agradar um idiota. Não mesmo! — Alice declarou.
Achei graça e dei um risinho tímido. A nossa conversa foi interrompida com a chegada de Silvia que mandou que nós acompanhacemos uma criada que mostraria nossos respectivos quartos.
Fiquei deslumbrada ao entrar no meu quarto. Era lindo, magnífico! Muito mais do que algum dia eu poderia ter sonhado. Grande demais para mim. Confortável demais. Pulei na cama e senti o colchão e as cobertas confortáveis. Travesseiros macios. Será excelente dormir neste palácio.
Fui tirada do meu momento "disfrute" pela aparição de três figuras. Levei um susto e me recompus na hora. As três riram.
– Perdoem-nos por assustar a senhorita — a do meio falou — Nós somos as suas criadas. Eu sou Anne e estas são Lucy e Mary.
As três fizeram uma pequena reverência.
– É um prazer conhecê-las — disse, animada.
A ideia de ter alguém fazendo tudo por mim me deixava animada. Era por isso que eu amava este palácio! Bem, George contribuía boa parte, mas não podia negar que os luxos oferecidos pelo Palácio eram tentadores.
Sai do meu quarto para conhecer um pouco mais do Palácio antes de ter que me reunir com as outras garotas. Passeava distraidamente entre os corredores que só me dei conta onde estava quando ouvi duas vozes:
– Eu não sei como vou aguentar isso, Cárter! — era a voz de George!
Meu coração deu um salto.
– Tente não pensar nisso, cara. Faça como sua mãe falou. Se deixe levar — o tal Cárter parecia aconselhar o Príncipe.
– Olha, eu preciso ir, tá? Tenho muitos afazeres — George disse, pondo um ponto final na suposta conversa.
– Está bem, então. Boa sorte — Cárter saiu.
George caminhou até o fim do corredor. Estava tão perdida nos meus pensamentos que só dei por mim quando ele parou na minha frente.
– Alteza — eu o cumprimentei fazendo uma pequena reverência.
O Príncipe me olhou de cima a baixo para depois perguntar:
– Qual é sua casta?
– Sou Cinco, Majestade — respondi prontamente. Meu coração dava pulos de alegria.
– Ah, sim — seu tom parecia ser de desprezo. Me apeguei a ideia de que fosse só uma impressão.
– Você não devia estar aqui — ele falou rispidamente.
– É que eu estava... bem... eu me perdi. Perdão — disse com sinceridade.
– Escute aqui! — George agarrou meus braços com força — Vá para o seu quarto agora e esqueça que este encontro aconteceu, entendeu?
Ele parecia estar com raiva. Seu aperto estava me machucando. Por que ele estava falando assim comigo? Será que meu erro fora tão grave assim?
– Sim, Alteza — respondi, olhando para baixo, torcendo para que me soltasse.
– Ótimo! — ele finalmente me largou e me deixou sozinha no corredor.
Quando ele não estava mais na vista, chorei. Não era assim que eu imaginava o meu primeiro encontro com o Príncipe.
Calma, Katherine, ele só está nervoso, disse a mim mesma, é muita pressão. Me convencendo disso, limpei as lágrimas e segui para o meu quarto.
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