Tomei um longo banho depois de me encontrar com a Garota Cinco. Argh! Que nojo! Por mim mandava ela pra casa agora mesmo. Mas tenho que deixar elas brincarem. Tenho que deixar o povo pensar que me importo com as castas mais baixas. Mas na primeira oportunidade, ela será enxotada daqui!

Depois do banho, me joguei na cama e pensei nas garotas. Nas minhas garotas. Irei conhecê-las amanhã. Provaria pra mamãe que ela estava errada.

Me apaixonaria sim. Mas por alguém que me merecesse. Amanhã eu escolheria quem eu deveria me apaixonar.

* * *

Cheguei ao Salão das Mulheres na hora exata. Tinha certeza de que as garotas estavam apreensivas lá dentro. Por isso esperei mais uns 10 minutos.

Logo depois disso, entrei.

– Bom dia senhoritas. — cumprimentei — Me perdoem pelo atraso, vou tentar ser rápido.

As garotas estavam organizadas em fila. Tomei a mão da garota da ponta e a conduzi para o sofá disposto lá exatamente para a entrevista.

– Olá senhorita... — tentei ler o broche.

– Lisa. Lisa Thomes, Alteza — ela adiantou.

– Então, senhorita Lisa, como vai? — perguntei tentando parecer interessado.

– Muito bem, Alteza — ela deu um risinho.

Pela forma de se comportar não parecia ser mais que Quatro.

– Qual é a sua Casta? — perguntei, direto.

– Cinco, Alteza — Lisa respondeu um pouco envergonhada.

Ótimo! Meu primeiro encontro da manhã era com uma Cinco! Realmente não podia ser melhor. A entrevista durou mais um minuto, até que eu a dispensei.

A próxima candidata foi uma Dois, Ella Dones. A entrevista durou uns 5 minutos. Ella não era o tipo de garota interessante e nem bonita.
Depois dela vieram mais cinco igualmente chatas, até que apareceu outra candidata interessante.

– Celeste Newsome — cumprimentei.

– Sim, Alteza. Fico feliz que já saiba o meu nome — ela falou, confiante.

– Mas é claro que sim. Quem não conhece Celeste Newsome? — brinquei.

Ela riu.

– Bem, eu só conheço o que a mídia mostra. Será que você poderia me dar o prazer de conhecê-la um pouco mais? — pedi, me aproximando.

– É claro — seu sorriso era de vitoriosa.

Ótimo. Gostava assim.

A nossa entrevista durou uns 15 minutos. Tive que interromper porque Silvia fez sinal de que eu ainda precisava conhecer as outras.

– Perdoe-me senhorita Celeste, mas a nossa entrevista terá que se encerrar aqui — comuniquei.

– Mas já? — ela fez cara de surpresa — Tudo bem eu entendo.

Ela se levantou. Me levantei junto e a puxei para mais perto de mim.

– Amanhã, às 15:00, no Jardim. Não falte.

Ela sorriu, novamente vitoriosa. Fez uma reverência e se retirou.

A próxima garota se aproximava. Era bonita, loira. Tinha um andar determinado, seu rosto era indecifrável.

– Olá, senhorita...

– Sou Alice Tames. Quatro. Então sei que não tenho o menor interesse pra você — ela foi direta.

Engoli em seco. Ela estava falando a verdade. Mas nunca pensei que pudesse ser direta. Parecia que nem queria estar aqui.

– Perdão? — usei minha melhor expressão de fingida surpresa.

– Não se faça de tonto! — ela falou, irritada — Sei muito bem que não tenho importância pra você. Então por que não acabamos logo com isso? Me mande para a casa.

– Por que você se inscreveu? — perguntei, curioso.

– Não tenho porque te dizer. Isso é um assunto meu e da minha família!

– Bem, mas você está aqui. Não te mandarei embora. Pelo menos não agora — provoquei.

Tinha certeza de que se essa garota ficasse aqui acabaria se apaixonando por mim. E aí sim poderei dispensá-la.

– O quê?! — ela exclamou — Nós dois sabemos muito bem que o que importa aqui é a casta. E eu não tenho casta alta o suficiente! Então por que me manter aqui?!

– Você está certa. Você nunca teria chance. Procuro uma esposa entre Dois e Três. Mas você se inscreveu, então vou te manter aqui — falei, lançando o meu melhor sorriso galanteador.

– Você é pior do que eu pensava — ela murmurou e me virou as costas.

As próximas candidatas demoraram tanto quanto Celeste. Podia ver Silvia enlouquecendo dentro da sala.

– Então nos vemos amanhã a noite — falei ao me despedi de Jenny Stone, uma Três.

– Claro, Alteza — ela estava radiante.

Ainda estava com o riso no rosto ao ver que ela se aproximava.

– Bom dia, Alteza — ela me cumprimentou.

Dei um meio sorriso e sentamos no sofá.

– Ontem não tive a oportunidade de me apresentar — ela falou baixinho — Sou Katherine Singer.

– Não faria diferença de qualquer forma — disse, indiferente.

Não podia mais perder tempo com Cinco e deixei claro isso pra as outras.

– Perdão? — Katherine parecia confusa — Não entendi o que quis dizer.

– Olha, você não tem chance tá legal? — abri o jogo — O que importa aqui é a Casta e você não pode me oferecer muito.

Vi que os olhos dela marejaram. Mas não importava. Não perderia tempo com quem não valia a pena.

– Não vou te mandar embora agora. Você ainda ficar. Mas não se iluda: esta coroa jamais será sua — disse, com meu tom mais seco.

Nós dois nos encaramos por um momento.

Eu, duro e frio.

Ela, uma boneca de porcelana que acabara de quebrar.

Não consegui mais olhar para seus olhos tristes. Não sei o que, mas olhar para eles não me fazia bem.

– Bom, encerrada a entrevista. — comuniquei.

– Claro, Alteza — ela levantou-se e enxugou o rosto.

Me deu uma última olhada antes de fazer o seu caminho até Alice Tames.

* * *

– Me conte que tipo de fotos você faz — pedi a Celeste Newsome, enquanto caminhávamos pelo jardim.

– Ah, Alteza. Todos os tipos — ela afirmou — Se o senhor quiser, posso pedir para os meus pais enviarem um book.

– Claro — falei um pouco interessado.

Celeste começou a falar sobre ela e seu trabalho nas duas horas que se seguiram. Dei graças a Deus pelo encontro ter terminado. Ela podia ser linda, mas era chata! Argh! Espero que o encontro com Jenny Stone seja melhor!

Mas eu estava enganado. Jenny só sabia falar dela e era ainda pior que Celeste, pois sua voz era uma gralha. Não! Chega! Essa eu mandaria para a casa hoje mesmo!

Sai do quarto de Jenny tarde da noite e ouvi um grito enquanto caminhava entre os quartos das Selecionadas. Algo tinha acontecido com alguma delas!

Imediatamente, arrombei a porta do quarto de onde tinha ouvido um grito. Ouvi soluços vindos de dentro e acompanhei os sons.

Deparei-me com Katherine Singer, se debulhando em lágrimas na cama. Ótimo! Era tudo que precisava nesta noite!

Tentei sair à francesa, mas Katherine percebeu que eu estava ali.

– Alteza — ela chamou, com voz fraca.

Me aproximei dela e falei, rude:

– Vim saber o porquê do escândalo. Você está no Palácio sabia? Não na sua casa. Não pode gritar desse jeito.

– Desculpe... Alteza, eu sinto... Me desculpe — ela falava entre soluços — mas eu tive um pesadelo. A minha irmãzinha...

Katherine jogou-se em cima de mim como se buscasse consolo. Estava aos prantos. E isto estava me incomodando.

– Katherine! Katherine, chega! Foi só um pesadelo. Você não pode ficar assim. E nem gritar do jeito que gritou! — ordenei, encarando-a.

Ela me encarou de volta. Seus olhos verdes estavam indecifráveis.
Por fim, ela apenas sorriu.

– Obrigada, Alteza.

Eu realmente não entendi. Obrigada? O que ela quis agradecer? Sai do quarto imediatamente. Não. Ela pode achar que estava cuidando dela.

Tudo bem, George, você tem o controle de tudo. Katherine não vai ter do que agradecer amanhã.