Uma Seleção Diferente
9 Acidente - Katherine
Cheguei no quarto aos prantos. Eu bati em George! Eu bati no Príncipe! Eu bati no futuro governante de Illéa! Eu sei que agora eu estaria encrencada. George poderia mandar me castigar por isso. E não duvidava nada que fizesse.
Mas eu perdi a cabeça. De tudo que George já fez comigo, essa foi a pior. Como ele pôde? Eu sabia que não tinha chances. Mas ontem...
Ontem foi tão lindo. Tão perfeito. E era tudo uma mentira! O melhor dia da minha vida era uma mentira!
Apanhei uma carta amassada no meu criado-mudo. Era a carta que eu fizera para Jason. Não tive coragem de enviá-la. Mas agora eu precisava.
Abri a carta e acrescentei:
"Você tinha razão. Me desculpe".
Depois de feito isso, chamei minhas criadas e mandei que entregassem no correio.
Assim que elas saíram, chorei. E só parei quando finalmente cai no sono.
* * *
A semana seguinte se passou monótona. Diferente do pensei, George não me castigou pelo tapa. Apenas me ignorou e fiquei aliviada por isso.
Sabia que com a minha família estava tudo bem, pois eu tinha recebido uma carta ontem deles. Jason permanecera calado. Nenhuma carta. Eu sei que ele devia estar magoado comigo. E ele tinha toda a razão. Esperava que quando voltasse para casa, conseguisse reverter isso e nós pudéssemos voltar a sermos amigos.
George mandara 10 garotas para a casa nesta semana, entre elas Cinco e Quatro. Só restava eu, Alice e mais três na competição.
Não tinha dúvidas de que logo me mandaria pra casa também. Alice estava estranha. Desde que eu contara que tinha batido em George, ela estava diferente.
Ela ficou super preocupada e foi confrontar o príncipe para que nada de mal me acontecesse e quando voltou, estava outra.
Se eu não a conhecesse diria que tinha se apaixonado por George. E desde esse dia, ela andava estranha. Como se estivesse escondendo algum segredo muito grave.
Mas hoje eu arrancaria esse segredo dela.
Entrei no Salão das Mulheres decidida. Mas ela não estava.
Segui para um canto e foliei uma revista.
Celeste parou na minha frente e falou, me encarando:
– O que você ainda está fazendo aqui, Cinco?
– Você deveria perguntar isso a George — respondi, indiferente.
– De fato, é isto que farei. Tenho um encontro com ele esta noite e pode se considerar fora. Ele faz tudo por mim. — gabou-se.
– Ok. Pra mim pouco importa — disse, sem realmente ligar. Se eu fosse para casa, poderia me livrar do sofrimento de vê-lo todos os dias e saber que nunca terei chance.
Celeste sorriu e foi para o lado de Bariel e Ashley, do outro lado da sala. De repente, o Salão das Mulheres ficou com um ar pesado demais pra mim.
Sai em busca de algum ar e caminhei até a biblioteca. Lá eu poderia ter paz entre as muitas histórias. Peguei um livro da prateleira e sentei em um canto.
– Estava procurando você! — George irrompeu na sala, furioso.
Agarrou meu braço e com a outra mão sacudia um papel.
– Quem é Jay? — perguntou — Se eu descobrir algo entre vocês... Acho que não vai ser bom pra esse Jay.
– Calma! Jay é meu irmão de criação — o que não era de fato uma mentira, já que praticamente crescemos juntos e eu sempre o vi como um irmão.
– Se eu descobrir que está mentindo... — ele ameaçou.
– Por quê? Por que se importa tanto?
– Porque... — ele estava tentando procurar uma desculpa — Porque não gosto de ser passado pra trás! Você está aqui! Então ainda está na Seleção! Ainda me pertence.
– Eu não te pertenço! — exclamei — E, acho que está irritado assim porque está com ciúmes.
No fundo torcia pra que fosse verdade.
– Eu? Com ciúmes? Faça-me o favor! — ele desdenhou, mas não foi convincente — Não teria ciúmes de você! É só uma Cinco! E se eu pedir tenho certeza que deixa correndo outra pessoa, e vem se ajoelhar aos meus pés.
Suspirei alto. Ele soltou o meu braço.
– O pior de tudo é que acreditei que pudesse dar certo. Acreditei que você era exatamente o que eu imaginei. E me abri pra você. Te entreguei meu coração e tudo que faz é pisar nele. — disse, cansada — Eu não aguento mais. Não aguento. Não dá mais pra mim. Quero sair.
George me olhou, surpreso. Pelo visto ele não esperava isso.
– É por causa desse Jay não é? — ele perguntou, com raiva — Não minta pra mim! Ele é o idiota que você anda se correspondendo bem debaixo do meu nariz!
– Como você sabe que mandei uma carta pra Jay? — perguntei, desconfiada.
Ele pareceu sem jeito.
– Você leu minhas cartas! — acusei.
Tomei o papel da sua mão e reconheci a letra de Jason.
– Por quê? Por quê? Por que você leu minhas cartas?!
– Só li essa — ele respondeu na defensiva — Para ter certeza que não estava armando nada. Anda tão distante ultimamente.
– Eu? Eu ando distante? — explodi — Ah, francamente! Você sai com todas as garotas, diz a mesma coisa pra todas elas e eu que estou distante? Sabe o que eu sou? Uma idiota! Porque eu sempre estou esperando o melhor de você! E você sempre arranja um jeito de decepcionar ainda mais! Por que não me manda logo pra casa? Eu quero ir embora!
George pareceu abalado com as minhas palavras. Se aproximou de mim e disse baixinho:
– Não vou te mandar embora agora. Você terá que aguentar mais um pouco.
Ia respondê-lo, quando uma criada entrou na biblioteca.
– Perdão, mas chegou uma carta para a senhorita — ela estendeu-a para mim, mas antes de pegar olhei para George.
– Você não vai ler essa também, né? — perguntei sarcástica.
– Não. Não tenho o menor interesse — ele respondeu — Vou te deixar sozinha.
Peguei a carta e a criada se retirou junto com George. Sentei-me ao chão e li.
Era uma carta do meu pai. Pela a sua letra parecia estar bem desesperado.
"Katherine,
Como você está? Espero que esteja bem. Gerad, sua mãe e eu estamos bem. Mas aconteceu algo com May. Hoje ela sofreu um grave acidente. Não queria te dar essa notícia assim, mas... Filha estamos desesperados.
May precisa de uma cirurgia. Mas é muito cara. Não temos como...
Filha, por isso te escrevo. Engula seu orgulho e o que for. Implore a George que nos ajude. Se May não fizer essa cirurgia, ela morrerá. É pela vida da sua irmã que te peço isso.
Nós te amamos muito,
Shalom"
Não! May pode morrer? O que eu faria? Tinha certeza que George não moveria um dedo pra me ajudar. E depois da nossa briga, então.
Comecei a chorar. Me senti tão pequena, tão tola. Eu estava presa no Palácio e não podia ajudar minha família e nem sequer ficar com a minha irmã nos últimos momentos de vida.
Chorei. Era a única coisa que eu podia fazer, lamentar. Por May, por mim, por tudo.
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