Uma Seleção Diferente
10 Desconfiança - George
Hoje fora um péssimo dia. Primeiro, a carta do imbecil do Jay pra Katherine e por causa dele nós brigamos de novo.
Depois, uma reunião longa e cansativa que não deu em nada. Tudo o que eu mais queria era tomar banho relaxante e dormir.
Passei pela biblioteca e ouvi som de choro. Será que ainda era Katherine?
Tive vontade de deixar pra lá. De esquecer, mas o impulso de ajudá-la foi maior que eu.
Entrei na biblioteca e eu estava certo. Katherine estava encolhida no mesmo canto de manhã, chorando.
Parecia tão pequena assim. Frágil. Me aproximei dela e toquei-lhe o ombro.
Ela se assuntou.
– O que você faz aqui? — perguntou.
– Por que você está chorando? Ainda é pela nossa briga de manhã? — perguntei.
Ela soltou uma risada sem alegria.
– O mundo, como recentemente descobri, não gira em torno de você! — ela gritou.
Estava agarrada com um papel na mão. Tinha certeza que era a carta que recebera.
– Então o que foi? O que aconteceu? — quis saber.
Ela só chorou mais.
– Problemas... Problemas... — ela tentava dizer entre soluços.
Vê-la assim foi um pontada no meu coração. Se foi culpa daquele Jay... Ele com certeza se arrependeria ter nascido.
Por um impulso, a envolvi nos meus braços e deixei que chorasse.
Apertei-a mais forte. Ela chorava como se o mundo fosse se acabar.
– Katherine — sussurrei — não importa o que tenha acontecido... Tudo vai ficar bem.
– Não. Não vai — ela mal conseguia dizer as palavras.
Estava curioso. O que pode tê-la deixado, assim?
– Katherine. O que houve? — perguntei.
– N-nada. C-coisa m-minha — ela falou, entre soluços.
Estava chorando demais e eu estava começando a ficar desesperado. Não aguentava vê-la assim.
– Acho melhor você ir para seu quarto — sugeri — Vamos. Eu te levo.
Ela se levantou e se apoiou em meu braço. Fomos assim até seu quarto. A deitei na cama.
– Espera um instante — falei.
Ela apenas assentiu , enquanto afundava o rosto no travesseiro. Sai do quarto e procurei uma criada. Quando encontrei, ordenei:
– Quero um calmante bem forte. Pra já!
– Sim, Alteza — ela fez uma reverência e saiu correndo para me atender.
Ela voltou em menos de cinco minutos com um frasquinho na mão.
– Esse é o melhor que temos, Alteza — ela me entregou.
– Ok, pode ir — dispensei-a.
Corri para o quarto de Katherine e pus o medicamento na água.
Ofereci a ela, que bebeu relutante, sem saber da presença do calmante. Depois de ter bebido, deitei-me ao seu lado e a abracei.
Depois de um tempo, pude notar o calmante fazendo efeito.
– Por que está me ajudando? — ela perguntou sonolenta.
Suspirei e respondi baixinho:
– Porque eu gosto de você.
Ela não ouviu. Já tinha pegado no solo. Estava tranquila e serena. Sai da cama e apanhei a carta que ela deixou cair no chão. Li e tive uma ideia.
Sua irmã estava em risco. O pai dela tinha razão. Eu podia ajudar.
Liguei para o dr. Ashlar.
– Quero que você me consiga os melhores cirurgiões do país — ordenei — Pra ontem.
– Claro, Alteza. Agora mesmo.
Pronto. Agora era só mandá-los para Carolina.
Escrevi um bilhete para Katherine. Tenho certeza de que ela ficaria muito feliz. E eu também. Não queria mais vê-la chorando.
* * *
– O que você fez com a minha irmã?! — Katherine exclamou, vindo em minha direção, furiosa.
– O quê? — eu fiquei confuso — Eu salvei a sua irmã! Você deveria me agradecer!
– Alice me contou tudo! Você ameaçou os irmãos dela! Só porque ela não estava agindo como você queria! O que você fez com a May?! — ela explodia de raiva.
Estávamos no meio do corredor. Não queria chamar atenção. Puxei-a até um cômodo vazio.
– Já disse! Salvei a vida dela! Acredita em mim! — pedi.
– Não acredito. Você está se vingando não é? Pelo tapa — ela acusou.
– O quê? Pelo tapa? — segurei seu braço, com menos força do que gostaria. — Se eu quisesse, você teria pagado pelo tapa no dia em que o deu. Mas eu não fiz nada. Nem sequer contei a alguém.
– Por quê? — ela perguntou, me encarando.
– Porque sei que você estava fragilizada demais e a culpa era minha — fui sincero até demais.
Ela me olhou, confusa.
– Por que ameaçou os irmãos da Alice? — ela quis saber.
Suspirei.
– Katherine, você nunca entenderia e nem posso te explicar — falei, olhando em seus olhos — Por favor acredita em mim. Estou apenas salvando a May. Não farei nenhum mal a ela ou a você, ou qualquer um da sua família.
Katherine parecia sem saber em o que acreditar. Por fim, puxou seu braço e disse:
– Eu não acredito em você. Eu não sei o porquê. Mas... Só não consigo mais. Não acredito em você. Só te peço. Por favor. May é importante demais pra mim. Só realiza meu pedido dessa vez. Por favor.
Suspirei. Eu realmente era um idiota. Katherine achava que estava tentando fazer algum mal a ela, ferindo a irmã.
Segurei seu rosto.
– May vai estar em casa antes que você possa dar conta e... — olhei para baixo antes de continuar — te darei permissão para vê-la quando isso acontecer.
Ela sorriu. Me deu um tímido abraço e saiu do cômodo correndo. Meus lábios se abriram num sorriso bobo.
Não!
Tenho que acabar com isso, lembrei a mim mesmo. Sai do cômodo em direção ao Salão das Mulheres. Acabei de decidir que teria um encontro com Kriss Ambers.
* * *
– Por que você contou a Katherine sobre aquele nosso encontro? — perguntei a Alice, com raiva.
– Porque ela merecia saber que podia ter algo escondido sob a sua "gentileza" — ela falou em tom de deboche — Você não acredita em como ela ficou com aquele bilhete. Tocada, mexida. Mas eu não acreditei na sua bondade.
Então Katherine ficara feliz com o que eu fiz com a irmã... E Alice estragou tudo.
– Nunca faria nada para machucar Katherine — falei.
Ela me encarou.
– Você está apaixonado — decretou.
– Eu? O quê? Ah, por favor — fiz a melhor cara de surpreso que pude.
– Você não a puniu pelo tapa. Nem sequer a mandou embora. Se eu te desse um tapa agora, não duvido nada que seria presa e torturada — ela falou.
Mas isso era uma grande mentira. Katherine e Alice eram importantes para mim. De jeitos diferentes, mas eram. Não deixaria que nenhum mal acontecesse a elas.
– Você está errada — falei.
Ela me olhou com descrença.
– Ah, qual é George? Você está apaixonado por Katherine e não por mim. Você me odeia — ela disse, convicta.
– Já disse que não estou apaixonado! Mas já você... Anda meio estranha ultimamente.
Ela engoliu em seco.
– Eu... Eu... Eu estou normal — ela respondeu, sem me olhar.
– Cárter também anda diferente. Sabe, meio fora do ar, meio estranho. Como se estivesse escondendo algum segredo — comentei.
– E por que isso teria a ver comigo? — ela perguntou, tentando parecer casual.
Me aproximei dela e a encarei.
– Cárter é meu melhor amigo. Não quero que ele tenha de sofrer por sua causa. É melhor parar com o que esteja acontecendo ou esconder bem. Antes que meu pai perceba.
Ela engoliu em seco e baixou a cabeça.
– Não acho que entre você e seu pai tenha diferença — ela murmurou — Se já sabe o que está acontecendo, por que não nos castiga logo?
– Porque me importo com vocês, sua idiota! — exclamei, irritado. Ela nunca acreditava em mim.
– Você ameaçou meus irmãos! — ela acusou baixinho.
Dei um suspiro. Essa história de novo.
– Alice. Só tome cuidado. — pedi — Meu pai pode fazer coisas que você nem imagina. Com você, com Cárter e com a sua família. Só isso que peço.
Minha voz saiu suave. Ela apenas assentiu.
– Mas saiba que não tenho medo dele — ela comunicou — e nem de você.
– Não. Você não tem. Mas pode ter cautela. Meu pai pode ser muito cruel quando quer. Eu já vi. Então, é só. E eu... Bem, posso fazer muitas coisas, mas não faço a metade do que meu pai faz.
– Como o quê por exemplo? — ela quis saber.
– É melhor que você não saiba — cortei.
Ela assentiu novamente.
– Posso ir? — perguntou, baixinho.
– Pode. Mas, por favor — toquei seu braço — Sei que pedi que fizesse Katherine me esquecer, mas... Não quero que ela me veja como esse monstro todo. Eu... É só.
Ela sorriu.
– Você não é um monstro e tenho certeza que Katherine sabe disso.
Eu dei-lhe um sorriso grato e acenei em direção a porta.
Ela saiu, feliz. Cárter viria para o Palácio hoje. Tinha certeza que se encontrariam. Talvez ela tenha ficado mais calma depois da nossa conversa.
Sorri por Alice. Ela já não me odiava tanto quanto antes.
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