Uma Seleção Diferente
6 Jornal Oficial - George
Assim que Katherine saiu do Estúdio, rumei para o meu quarto. Não tinha a menor condição de trabalhar hoje. Meu pai entenderia.
Tomei um longo banho e tentei entender o que estava se passando dentro de mim.
O que Katherine dissera mexeu comigo. Ela de fato era diferente. Não duvidava do seu amor. Mas quase me descontrolei. Não podia ter deixado chegar tão longe. O que deu em mim? Ela ainda era uma Cinco.
Deitei-me na cama ainda perdido em pensamentos.
Agora, pensando bem até que Katherine não era tão feia. Não. Ela era linda. Mas o que eu estou pensando? Celeste é que bonita! E é Dois!
Demorei muito para pegar no sono esta noite. Mandei bilhetes adiando meus encontros com Kriss Ambers e Natalie Luca. Não estava com cabeça pra essas garotas hoje. Ainda estava abalado pelo momento com Katherine.
Meu último pensamento antes de cair no sono foi nos seus lindos olhos verdes.
* * *
– Não! — gritei ao acordar.
– Alteza! Algum problema? — Justin veio ao meu socorro.
– Estou ótimo! Já disse pra não entrar sem bater! Saia! — gritei, furioso.
Justin fez uma reverência e saiu. Relembrei o meu sonho.
Os rebeldes atacavam o Palácio. Não era um ataque qualquer. Era um dos piores. As garotas estavam loucas, desesperadas. Caos em todo lugar. E no meio desse caos sentia falta de alguém. Katherine não estava lá. Aquilo me desesperou. E quando fui procurá-la, me deparei com seu corpo coberto de sangue. Seu coração não batia mais...
Não! Isso não vai acontecer!
Mas, o que isso importa? Não afetaria a minha vida! Ou afetaria? Chega! Tenho que parar de pensar nessa garota!
Pedi o café no quarto. Queria evitar o máximo de contato possível com essa garota. Pelo menos por hoje.
Sai do quarto e fui para o gabinete do meu pai. Me preparei para enfrentar um furacão.
– Bom dia, pai — cumprimentei.
Ele me olhou desconfiado.
– Onde esteve a tarde passada? — perguntou.
– Eu não me senti bem depois da sessão de fotos. Fui descansar. Mas posso compensar hoje — ofereci.
– Hum. Não. Não precisa. Sei que tem que dois encontros hoje. Dedique-se a eles!
– Sim, senhor.
Sai do gabinete do meu pai só na hora do almoço. Tinha marcado um almoço com Alice Tames. Ela não era uma das garotas que tinham chance, mas sabia que ela não gostava de mim e adorava provocar.
Lembrava da reação dela ao saber do encontro.
"- Não, Alteza, não estou interessada — ela falou.
– Ah, mas eu sou o príncipe e isso não é um pedido. É uma ordem — falei sorrindo.
Ela bufou, irritada.
Ótimo".
Cheguei ao seu quarto e bati na porta. Alice abriu, bastante irritada.
– Olá, senhorita — cumprimentei, sorrindo.
– Oi — ela bufou.
Entrei no quarto e inspecionei suas coisas.
– Esta é a sua família? — apontei para uma foto no seu criado-mudo.
– O que você quer, hein? Se é a minha família ou não, que te importa? Não estou competindo mesmo, então que diferença faz?
– Mas é claro que me importo — me fiz de ingênuo.
– Você não vinha almoçar comigo? Então, por que não comemos logo? — ela pediu, impaciente.
Dei risada e cedi. Sentamos na mesa, mas não iria parar o interrogatório. Estava decidido a saber tudo dessa garota tão reclusa.
– Quero saber mais. Me conte sobre você e sua família. Isto não é um pedido — ordenei.
– Por quê? Qual é a sua curiosidade? — Alice estava desconfiada.
Dei o meu melhor sorriso galanteador e falei:
– Só quero saber mais sobre as minhas garotas.
– Eu não sou sua garota! — ela gritou e bateu na mesa — Se você quer procurar selecionadas de castas mais baixas, deveria escolher Katherine Singer! Ela sim gosta de você! Eu não!
E nós voltamos ao assunto Katherine. Agora eu começava a ficar irritado.
– Escuta aqui! — agarrei seu braço com força — Sinta-se privilegiada que escolhi a você e não outra! Porque isso, minha querida, só acontece uma vez. Então você deveria aproveitar que alguma vez na vida o príncipe olhou pra você!
– Não tenho medo de você! — ela me encarou, firme.
– Deveria ter. Você não sabe do que eu sou capaz de fazer — apertei mais seu braço. Ela abafou um grito. Parecia estar fazendo força para não demonstrar fraqueza.
– Me solte! — ela gritou — Me solte agora!
– Você está realmente mandando em mim? — soltei uma risada. — Posso mandar te prender no quarto até que a Seleção acabe e ninguém sequer saberá da sua existência.
– Então me prenda! — ela me desafiou — Me prenda! Mas só não esqueça de me deixar escrever uma carta a Katherine dizendo o quanto ela está perdendo tempo por gostar de um babaca como você! Aliás eu estaria fazendo um favor pra você não é? Já que também não gosta dela.
Afrouxei o aperto. Ela imediatamente puxou o braço.
– Sente-se. Vamos almoçar — ordenei.
– Não estou com fome — ela murmurou.
– Mas vai estar. Porque vai almoçar comigo. E acho melhor você se comportar, porque seria uma pena se algo acontecesse aos seus irmãos mais novos, não é? — falei com o tom mais duro possível.
Ela engoliu em seco. Sentou na mesa e começou a comer. Nem sequer me dirigiu o olhar.
É claro que eu estava blefando. Jamais teria coragem de machucar uma criança. Mas não tenho tanta certeza que o meu pai se importaria. E se Alice continuar agindo assim, talvez chame atenção. E eu realmente não quero que nenhum mal lhe aconteça.
Sentei-me junto a ela. Comemos em silêncio. Nenhuma palavra até o fim do "encontro".
* * *
As garotas chegavam aos poucos. Faltavam apenas 20 minutos para começar o Jornal Oficial. Seria o primeiro com as Selecionadas.
Alice apareceu e quando nossos olhares se cruzarem pude notar medo. Ela logo desviou o olhar.
Celeste apareceu logo em seguida e me deu uma piscadela. Sorri de volta, lançando-lhe um olhar malicioso.
Logo depois de Celeste, entrou Katherine. Fiquei de boca aberta.
Ela estava deslumbrante. Trajava um vestido azul claro tomara que caia, cheio de brilho. Sua maquiagem estava impecável. Fiquei hipnotizado. E ela percebeu isso. E o meu pai também.
– O que está fazendo, George? — ele rosnou pelo canto da boca — Pelo que sei essa garota é Cinco! Se for por beleza, Celeste Newsome é bem mais bonita!
Olhei para Celeste. De fato, Celeste tinha um corpo mais bonito. Mas Katherine tinha uma beleza diferente. Uma beleza que Celeste nunca chegaria a ter. E comparando as duas agora...
Não! O que está acontecendo George? Ela é Cinco! Preciso acabar com isso logo!
Assim que terminou o Jornal Oficial, caminhei decidido até Katherine. Ela abriu um largo sorriso. Parei diante dela e não medi palavras:
– Quem você pensa que é para se vestir desse jeito? Você realmente não vê a sua situação na competição? Você é Cinco! Já disse que não tem importância! Então não quero que fique bonita! Você não tem esse direito! Pode usar esses vestidos no seu quarto, sozinha. Não em público! Se quiser, pode levá-los com você quando te dispensar!
Katherine não conteve as lágrimas. Saiu correndo do Estúdio. Algumas meninas riam, outras olhavam chocadas. Alice falou ao meu ouvido:
– Como você...
– Nem comece! — cortei-a, olhando-a ameaçadoramente.
Ela logo se calou e se afastou.
– Acho que fez o certo, Alteza — Celeste murmurou — Tem que dar limites a esse tipo de gente.
Ouvir Celeste falando me deu enjôo. Minha vontade era gritar que a companhia de Katherine era bem melhor que a dela! Mas me contive. Celeste era importante, Katherine não.
O meu pai se aproximou de mim:
– George, filho, gostei de como deixou essa Cinco no lugar. Mas não na frente de todos. É melhor concertar isso. Pode nos causar problemas. Se é que me entende.
É claro que eu entendia. Mas agora ele não entendia que eu estava tentando me afastar dessa garota para que os planos dele não viessem por água abaixo. Eu estava tentando preservar os meus ideais.
– Claro, pai
– Então se desculpe com essa garota. Já! — ele mandou.
Obedeci. Segui para o quarto dela tentado controlar os batimentos do meu coração.
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