Notas iniciais
MENINASSSS, Oi, mil perdões pela minha demora, mas eu tive alguns problemas pessoais e ficou meio difícil de postar, porém, eu voltei com esse capítulo e espero muito que vocês possam me perdoar. Capítulo dedicado as meninas maravilindas que favoritaram: Ray Santana, Maria Geovane, Lara, Maria Laryssa17, Susana Silva, Louise, Anastásia Steele e Lady Singer. Obrigada por favoritarem garotas. Beijos, boa leitura e boa noite ♥

Christian Grey

Paro ainda de boca aberta encarando a menininha de grandes olhos azuis. Ela está com as mãos atrás das costas, usa um vestidinho de bolinhas e sapatos vermelhos, e por mais engraçado que seja, sua roupa é uma pouco antiga, mas em bom estado.

A garotinha continua rindo e eu não sei explicar o que sinto, então quando pisco, ela não está mais lá. Um arrepio me percorre e eu olho em volta atordoado. Será que eu estou vendo coisas? Não... isso é loucura. Talvez...

—Papai?

Viro-me com a mão sobre o peito e me deparo com Phoebe. Ela me olha e começa a rir.

—Está tudo bem?

—Sim... —Murmuro confuso. —Pheebs, quem é a garotinha que mora aqui?

—Não tem garotinha. É só uma mulher, eu não a conheço.

—Mas... E a garota que a Ivy diz ser a amiga dela?

—A Ivy acha que Anastásia Steele mora aí, e que elas são melhores amigas. —Phoebe fala revirando os olhos.

—A cantora?

—Sim. Essa mesma. Bom, eu só vim avisar que você precisa trazer analgésicos para a Cassie.

—Ok... mais alguma coisa?

—Na verdade sim. Você pode me trazer algumas revistas e um fone novo?

—Claro.

—Obrigada papai. Tchau.

—Tchau querida. —Digo já me encaminhando para o elevador.

Quando chego ao mercado ainda estou atordoado com o que aconteceu mais cedo. Aquela garotinha... ela tem algo, e eu sei disso. Eu sei que já a vi, em algum lugar. Eu me lembro disso, mas não lembro aonde. E eu não entendo como ela pode sumir assim... a menos que ela fosse um fantasma, e eu não sou do tipo que acredita em fantasmas.

Ando pelos corredores do mercado e sinto uma vibração absurda, a mesma que senti quando, aparentemente, vi a garotinha na porta. Olho em volto pelo corredor e vejo algumas pessoas, mas uma me faz parar. É uma mulher, eu acho. Ela deve ter 1,68, por aí. Têm longos cabelos castanhos, pele branca como porcelana e curvas boneca. Fico atordoado novamente, mas não resolvo incomodar uma pessoa que nem conheço por causa das minhas lutas internas, apenas sigo para o lado oposto, e depois de comprar tudo que preciso, vou para a farmácia, e enfim para a casa.

Quando entro em casa me deparo com mamãe na sala com as meninas que estão ouvindo atentamente mais uma de suas histórias.

—Mãe? Você não avisou que vinha. —Direciono-me a mamãe e lhe cumprimento com um beijo.

—Eu sei querido, me desculpe, mas era coisa rápida. Eu queria lhe entregar isso. —Mamãe fala me entregando um papel pardo grosso. —Eu estava organizando seu quarto antigo, e achei essas fotos na gaveta, achei que você poderia querer ficar com elas.

—Ah, obrigada. Eu vou ver depois. —Falo colocando o papel de lado e sento-me junto com mamãe e as meninas. —Você nunca consegue fazer uma visita rápida.

—É. —Mamãe confessa olhando as meninas que sorriem.

—Quem quer me ajudar com o bolo? —Phoebe pergunta e as gêmeas, Cassie e Ivy, levantam sorrindo. —Vovó, não vá embora antes do bolo.

—Pode deixar. —Mamãe diz sorrindo. —Então, como vão as coisas?

—Bem. —Sussurro sorrindo e aconchego Allyson e Jennifer nos meus braços.

—A Pheebs me contou sobre a Cassie.

—É. —Murmuro frustrado. —Jenny, que tal você e a Allyson irem brincar?

—Nós vamos conversar depois, mocinho. —Allyson fala saindo da sala com Jennifer.

—Cachorrinho? —Mamãe pergunta rindo e eu apenas balanço a cabeça. —É muito sério o que ela tem?

—Anemia... severa. Mas é como se estivesse oscilando. —Digo segurando a mão da minha mãe. —Mas ela precisa querer lutar contra isso, se ela se entregar a doença só irá piorar. É como uma doença psicológica, as células de defesa precisam ser ativadas pelo subconsciente dela, e ela não faz isso, ela finge que está bem, e isso só piora tudo.

—Você tentou falar com ela?

—Todos os dias. Ela não faz nada.

—E se você tentasse incentivá-la? Com algo que ela goste?

—Eu já fiz de tudo, ofereci tudo, mas ela só melhora nos primeiros dias e depois cai de novo. Eu não sei mais o que fazer.

—Querido, fique calmo, você vai encontrar a solução para isso. Eu sei.

—Vovó vem ajudar a gente. —Ivy diz entrando na sala com as mãos já meladas de manteiga.

—Ah, sem dúvidas. —Mamãe diz se levantando com um sorriso. —Nós conversamos depois.

—Tudo bem. —Murmuro sorrindo.

Fico na sala por alguns minutos com a cabeça um pouco atolada de problemas, e quando me levanto vejo Allyson entrando na sala, ela corre para mim sorrindo.

—Ei princesinha. —Murmuro tirando-a do chão e ela aproveita para enroscar as pernas na minha cintura. —E a Jenny?

—Dormiu na cabaninha. —Allyson diz rindo. —Papai, você comprou meu cachorrinho?

—Querida, o que nós conversamos sobre isso?

—Cachorrinho só depois que nos mudarmos. —Allyson diz bufando. —Mas eu não quero ter que esperar até o final do ano.

—Meu bem, faltam só alguns dias. Você vai ter seu cachorrinho.

—Promete?

—É claro que sim. Agora vamos colocar a Jenny na cama.

—Tudo bem. —Allyson diz sorrindo e vai para o chão correndo em direção as escadas.

Sorrio e vou indo atrás dela. Entro no quarto de brinquedos e vejo Allyson levantando a cortina da cabana. Fico bobo ao ver Jennifer dormindo em cima do tapete de E.V.A, abaixo-me e pego-a com cuidado levando-a para seu quarto enquanto Allyson me segue. Coloco meu bebê na cama e ajeito sua manta, depois apago as luzes e me direciono para a saída.

Allyson dá um beijo em Jennifer e corre em direção à saída, mas assim que vou sair sinto meu celular vibrar no meu bolso, pego-o e vejo o nome Elena aparecer. Suspiro pesadamente. Isso não vai ser bom.

Anastásia Steele

Sorrio ao conseguir finalizar a música em menos de um dia. É um belo recomeço! Ivy ainda não saí da minha cabeça, e só de pensar nela alguns sorrisos me escapam. Aquele jeitinho meigo. Sua voz doce cantando uma das minhas músicas. Ela é simplesmente incrível. Sem falar na irmã dela, a garotinha que me deixou a flor, que eu ainda não sei o nome.

—Sonhando acordada? —Mia diz jogando uma bolinha de papel em mim.

—Ei. —Digo jogando a bolinha nela.

—Qual Prin, você está sonhando acordada.

—Prin? Ah, qual é? —Falo revirando os olhos.

—Calma aí princesinha. —Mia diz rindo.

Mia é minha melhor amiga desde que eu tinha uns cinco anos, sem dúvidas ela se tornou minha agente e empresária, e para minha surpresa, minha cunhada. Todos ficaram surpresos quando Ethan e Mia se casaram, eles odiavam um ao outro desde sempre. Os dois estão jutos a nove anos, e tem o filho mais lindo do mundo. João Miguel é o meu principezinho, e eu sou louca por ele.

—A música ficou ótima.

—Você acha? —Pergunto sorrindo.

—Ah, sim. —Mia diz sorrindo e arqueia a sobrancelha. —Essa garota realmente te fez bem.

—Muito. —Murmuro lembrando de Ivy.

—Falando em crianças... olha só isso. —Mia abre sua bolsa e pega algo que eu acho ser uma foto. Arranco da sua mão ao ver que sou eu, quando tinha uns cinco anos.

—Mia, aonde você conseguiu isso?

—Com o Ethan. Olha só suas bochechinhas. —Ela diz gargalhando. —Você é a criança mais linda que eu já conheci, principalmente quando usava vestidos de bolinhas e aqueles sapatinhos vermelhos que faziam barulho.

—Ei. —Falo rindo. —Eu ainda tenho meus sapatinhos.

—Mesmo?

—Sim. Minha mãe guardou, e depois dela a Katherine, ela me deu há algum tempo.

—Posso vê-los?

—Ah, Mia. —Reviro os olhos. —Outro dia. Eu preciso ir ao mercado agora, e você precisa ir pegar o João.

—Ah, sim. Meu filho superelétrico que a Katherine encheu de açúcar. —Mia diz com falso drama. —Eu venho amanhã com o produtor, e, eu quero ver os sapatinhos vermelhos.

—Ok. —Digo rindo e nós seguimos para a saída.

Quando abro a porta ouço apenas a porta da frente se fechar e o barulho do elevador fazendo o mesmo. Troco um olhar com Mia e nós começamos a rir. Balançamos a cabeça e vamos esperar o elevador, e somente na garagem é que nos despedimos. Sigo direto para o mercado, pego apenas uma cesta e vou direto pegar os ingredientes para um bolo. Eu prometi aos meus sobrinhos que teria um bolo pronto amanhã.

Enquanto recolho as coisas na prateleira, tenho uma leve sensação de que alguém está me olhando, mas quando me viro vejo apena algumas pessoas e um homem de terno andando para o lado oposto do corredor. Dou de ombros e continuo andando, mas acabo parando algumas vezes quando sou reconhecida por algumas pessoas e elas pedem para tirar fotos.

Antes de ir para casa passo na Pet Shop e compro ração e algumas coisas para a minha gatinha Nancy. Depois vou direto para casa e fico lá no fim da noite lendo e tendo algumas ideias para novas músicas. Por volta das onze eu vou para a sala e me sento em frente a lareira. Nancy vem para o meu lado e começa a se esfregar na minha perna com um ronronar baixinho. Sorrio e acaricio seu focinho.

Nancy tem cerca de 19 anos, e eu não entendo muito bem como isso é possível. O veterinário diz que é por causa dos cuidados que eu dedico a ela, e talvez seja já que... já que ela é a última lembrança viva que eu tenho de mamãe. Nancy tinha alguns meses quando minha mãe morreu, mas mesmo assim ela adorava essa gatinha, e cuidava muito bem dela, e eu continuei cuidando depois.

Às vezes eu tento tanto medo que ela se vá, e eu sei que isso pode acontecer logo... eu tenho medo que ela morra e leve todas as lembranças que ainda tenho da minha mãe.

Suspiro pensadamente e pego Nancy aninhando-a em meus braços, e como uma gatinha preguiçosa, ela dorme feito um bebê. Sorrio e fico assim por uns minutos, até a lembrança de Bárbara vir. Coloco Nancy em sua caminha e ela continua dormindo tranquilamente.

(Trilha sonora https://www.youtube.com/watch?v=lVnB766KQMA).

Caminho até o meu quarto e quando entro encontro as cortinas brancas dançando com o vento. O frio me bate e eu envolvo meus braços ao redor do meu corpo. Caminho até a minha cama e sento na pontinha pegando o retrato de Bárbara e Joey. As lágrimas então tomam meus olhos, mas rapidamente trato de enxuga-las, coloco a foto de lado e me levanto. Acho que eu realmente preciso de um pouco de ar.

Pego meu casaco e minhas botas e coloco rapidamente, pego as chaves do meu carro apenas e saio. Deparo-me com uma garota do corredor. Ela deve ter uns quatorze anos, tem lindos cabelos loiros, está usando uma regata branca e short preto, e os pés estão descalços. A menina está no celular e andando de um lado para o outro parecendo estar preocupada.

—Papai, essa já é a décima mensagem que eu te deixo... —Sua voz sai embargada e isso parte meu coração. —Eu estou muito preocupada. Você nunca fez isso... só me avisa, por favor.

Ela desliga o telefone e se vira assustando-se ao me ver, e então seus olhos enchem de lágrimas e ela me olha com pavor.

—Desculpe, eu não queria te assustar. —Sussurro aproximando-me.

—Você é Anastásia Steele. —Ela diz um pouco incrédula. —A Ivy me contou que vocês são amigas.

—É, acho que sim. —Murmuro sorrindo.

—Eu sou Phoebe. —A garota diz estendendo a mão e percebo que está tremendo.

—Muito prazer Phoebe. Está tudo bem?

—Eu não sei. —Phoebe diz e começa a chorar novamente. Automaticamente a puxo para meus braços, e ela aperta os braços na minha cintura chorando apavorada. —Me desculpe.

—Ei, tudo bem. —Sussurro secando suas lágrimas. —Me conta o que houve. Talvez eu posso ajudar.

—É meu pai. Ele saiu mais cedo, por volta das sete... são quase meia-noite.

—Talvez ele tenha deixado o celular.

—Não. —Phoebe diz chorando ainda mais. —Eu já olhei isso.

—Hm... calma, acho que eu posso te ajudar. Você pode me emprestar seu celular?

—Claro. —Phoebe me entrega o celular e eu disco o número de Ethan.

—Quem é? —Ele pergunta ao atender.

—Ethan, sou eu.

—Ana, aconteceu algo?

—Não, mas eu preciso de um favor. Você está no trabalho?

—Estou sim, o que você precisa?

—Eu preciso que você encontre um homem, ele é meu vizinho, saiu por volta das sete e não voltou ainda e, não atende o celular.

—O nome dele? —Ethan pede em seu tom de delegado.

—Phoebe, qual o nome do seu pai? —Pergunto afastando o celular.

—Christian... —Ela sussurra e sem eu entende meu coração dispara. —Christian Grey.

—Ethan... —Digo depois de segundos. —Christian Grey.

—Tudo bem, me dê cinco minutos, eu ligo no seu celular.

—Obrigada. —Digo e desligo. —Meu irmão é delegado, ele está procurando seu pai agora.

—Obrigada Srta. Steele.

—Ana, por favor. —Falo sorrindo de forma involuntária. —Você está sozinha?

—Sim, minha avó estava aqui, mas teve que ir.

—E suas irmãs?

—Estão dormindo.

—Elas sabem sobre seu pai?

—Não, eu não queria assustá-las.

—Fez bem. —Digo limpando seu rosto. —Se acalme, vai ficar tudo bem. Enquanto nós esperamos, eu posso te oferecer um xicara de chocolate.

—Eu ia adora... —Phoebe sussurra e pela primeira vez tenho um sorriso, e ele é lindo. —Eu só preciso pegar algo.

Phoebe entra em seu apartamento e volto minutos depois segurando algo que eu acho ser uma babá eletrônica e seu celular. Ela fecha a porta com a chave e caminha em minha direção, guio-a para dentro da minha casa e peço que ela se sente. Vou até a cozinha preparar o chocolate e quando estou no meio do processo recebo uma ligação de Ethan.

—Ei maninha. —Ethan diz calmamente. —Eu achei ele.

—Onde?

—Na avenida central, o carro parou por falta de gasolina, e parece que alguém sabotou isso.

—Ah, meu Deus! —Exclamo surpresa. —Como ele está?

—Bem, ele tem indícios de droga, mas não acho que ingeriu por vontade própria.

—O que você acha que foi?

—Bem... o Sr. Grey me disse que foi ver uma amiga em um bar, e quando entrou no carro, depois de um copo de drink, começou a passar mal. Ele está bem agora, a Mia deu café para ele, eu sou vou conversar com ele, para saber se ele vai prestar queixa ou não, e vou leva-lo. Ele está bem preocupado com as filhas.

—Ethan, você é o melhor irmão do mundo. Obrigada. Eu vou ficar com as meninas até ele chegar.

—Tudo bem. Até logo Aninha.

—Até. —Sussurro e desligo.

Coloco o celular sobre o balcão e termino os chocolates, jogo alguns marshmallows, coloco as duas xícaras sobre uma bandeja e me encaminho para a sala. Paro na porta ao ver Phoebe brincando com Nancy. Nancy se esfrega nela pedindo carinho como só faz comigo, e por mais que eu sinto um pouco de ciúmes, uma sensação boa me traí fazendo-me sorrir.

—Aqui. —Murmuro colocando a bandeja sobre a mesa de centro.

—Ela é linda. —Phoebe fala acariciando o focinho da gata. —Quantos anos ela tem?

—Cerca de 19.

—Uau...

—Sim. A Nancy era da minha mãe.

—Ela... ela se foi? Sua mãe?

—Sim. —Falo encarando os olhos cinzas de Phoebe.

—Quantos anos você tinha?

—Sete.

—Você tem a Nancy desde então?

—Sim, ela é minha última lembrança viva.

—Eu tinha onze quando a mamãe morreu... —Phoebe diz e seus olhos marejam e logo eu me vejo com ela. Uma criança, sofrendo com a perda da mãe. —A Jennifer tinha acabado de nascer, ela estava voltando do hospital e houve um acidente...

—Eu sinto muito.

—Tudo bem. Eu imagino... você também perdeu sua mãe.

Fico em silêncio encarando Phoebe e ela se curva para pegar a xicara começando a beber, então percebo que ela tem a mesma mania, de levantar o dedo mínimo, que eu tenho. Sorrio e pego minha xicara.

—Você tem quantas irmãs?

—Quatro. —Phoebe diz pegando-me de surpresa. —Sim, é engraçado. Principalmente quando se tem apenas pai.

—Sim. —Confesso rindo. —Quais são suas irmãs?

—A Ivy, que você já conhece... a Cassie, Jennifer e Allyson.

—Você é a mais velha?

—Sim. Depois da morte da mamãe eu fiquei responsável pelas meninas... não como mãe, mas eu sou a irmã mais velha.

—Elas recorrem a você?

—Sim. —Phoebe confessa rindo. —O papai é ótimo, e faz desde tranças a se vestir de fada, mas elas ainda estão na minha cama durante a noite.

—Elas devem te amar.

—Sim, e eu amo-as, mas... —Phoebe para e me encara envergonhada. —Desculpe, eu não deveria estar te incomodando.

—Você não está, por favor, continue.

—Eu sinto falta de ser só... eu.

—Como assim?

—Eu não queria ter ficado no lugar da minha mãe, entende?

Por um segundo Ethan e Katherine me vem à cabeça. Sim, eles são meus pais. E eu nem se quer agradeço por isso.

—Não é que eu não goste do que eu faço pelas minhas irmãs. Eu amo fazer tudo o que faço, mas as vezes eu acho que meu pai esqueço que eu também preciso de cuidados. Semana passada foi meu aniversário. —Phoebe ri e balança a cabeça. —Ele lembrou três dias depois.

—Ah, Phoebe eu...

—Não se preocupe, foi engraçado. Depois ele me deixou ir no show que eu quisesse, mas eu não fui, então ele me deu várias coisas como pedido de desculpas... e eu entendo, sabe? A Cassie, ela é irmã gêmea da Ivy, mas as duas são completamente diferentes. Meus pais adotaram elas quando ainda eram bebês. A Ivy é saudável, mas a Cassie vive constantemente doente, e no meu aniversário ela teve que ficar internada, e sabe o que eu pedi de presente?

—O que? —Pergunto com os olhos marejados.

—Que ela ficasse bem, e que voltasse logo para casa. Eu não suportaria perder alguém que eu amo de novo.

—Oh querida. —Seguro a mão de Phoebe e ela sorri e forma tímida. —Posso te perguntar algo?

—Claro.

—Por que você não quis ir ao show? Foi pelas suas irmãs?

—Não... o papai vive me oferecendo viagens e tudo mais, ele insiste em contratar babás, mas eu não quero isso. Eu gosto de ficar com minhas irmãs.

—E por que não foi?

—Eu só tenho uma cantora favorita. Mas os shows dela não acontecem mais?

—Por quê? —Pergunto surpreso.

—Ninguém sabe ao certo. —Phoebe diz e me olha profundamente. —Um dia, enquanto cantava... acho que esse foi o último show dela que eu estive. Ela começou a chorar e abandonou o palco. Só depois nós soubemos que ela havia perdido o marido e a filha... no mesmo dia que a mamãe morreu.

—Phoebe...

Sinto meu coração disparar com a sua declaração e logo sou tomada por lágrimas.

—Eu sinto tanto...

—Não, Ana, todos têm uma dor, e algumas são apenas mais difíceis de lutar. Eu só queria que você soubesse que enquanto as coisas estão difíceis, suas músicas ajudam a melhorar, e você deveria fazer o mesmo. Seus fãs sentem sua falta, e eu também. Você se entregava como eu nunca vi ninguém fazer enquanto cantava. E, eu acho que você deveria voltar com tudo aquilo.

—Eu tenho tendo, mas só não sei se consigo ser a mesma pessoa.

—E você não precisa, até mesmo porque as pessoas se tornam diferentes a cada dia, mas cantar é o que está dentro de você, e como um dom, não importa aonde você esteja, com quem esteja, ou o que esteja fazendo... a música ainda vai estar aí, esperando apenas para ser liberada.

—Por que você acha que sou tão forte.

—Eu não acho, eu sei que você é. Eu acredito em você.

—Acredita?

—Sim. Sem dúvidas. —Phoebe diz convicta e eu sorrio emotiva.

—Obrigada, você não sabe como é bom ouvir isso. —Confesso sorrindo. —Phoebe, você quer ouvir algo?

—Claro. —Ela diz sorrindo.

—Vem comigo. —Coloco a xicara de lado e me levanto, Phoebe faz o mesmo e eu a guio para o meu estúdio.

Phoebe entra e olha encantada para tudo. Seu olhar brilha quando ela vê meu violão cor-de-rosa.

—Eu lembro de você usá-los nos seus shows.

—É... —Sorrio. —Você toca?

—Sim. Às vezes.

—Entendo. —Murmuro sentando-me em frente ao piano. —Eu gosto muito de uma música, ela não é minha, mas eu quero muito cantar para você.

—Mesmo? —Ela pergunta incrédula.

—Sim garota. —Digo rindo. —Senta aqui.

—Isso é sem dúvidas muito legal. —Phoebe diz animada e senta ao meu lado.

—Pronta?

—Muito.

(Trilha Sonora https://www.youtube.com/watch?v=xo1VInw-SKc).

Sorrio e coloco meus dedos sobre as teclas do piano e sinto uma vibração ótima, como não sentia há anos. Meus dedos formigam e de repente é como se algo estive explodindo dentro de mim, pronto a sair. De uma forma inexplicável meus dedos começam a se mover fazendo a melodia das notas de cada tecla ecoarem por todo o estúdio... então, sem que eu posso controlar, minha voz flui suavemente, e é como se eu nunca tivesse parado de cantar.

Como um pequeno barco no oceano

Enviando grandes ondas em movimento

Como uma única palavra

Pode fazer um coração se abrir

Eu posso ter apenas um fósforo

Mas posso fazer uma explosão

E todas aquelas coisas que eu não disse

Bolas demolidoras dentro do meu cérebro

Vou gritar bem alto hoje à noite

Você pode ouvir minha voz?

Desta vez este é o meu grito de guerra

Pegue de volta o meu grito de vida

Provar que este é o grito certo

Meus poderes estão ligados

A partir de agora eu vou ser forte

Eu vou cantar o meu grito de guerra

E eu realmente não me importo

Se ninguém mais acredita

Porque eu ainda tenho

Muita força em mim

Perdendo amigos e perseguindo o sono

Todo mundo está preocupado comigo

No fundo, eles dizem que estou no fundo do poço

E fazem dois anos

Que eu sinto falta da minha casa

Mas há um fogo queimando em meus ossos

E eu ainda acredito, eu ainda acredito

Como um pequeno barco no oceano

Com ondas grandes em movimento

Gosto como de uma única palavra

Pode fazer um coração se abrir

Eu posso ter apenas um fósforo

Mas posso fazer uma explosão

Este é o meu grito de guerra

Pegue de volta o meu grito de vida

Prove que este é o grito certo

Meus poderes estão ligados

A partir de agora eu vou ser forte

Eu vou cantar o meu grito de guerra

E eu realmente não me importo

Se ninguém mais acredita

Porque eu ainda tenho

Muita força em mim

Agora eu ainda tenho muita força em mim

Rachel Platten — Fight Song

Paro minhas mãos com os dedos ainda colados as teclas, e eu não consigo controlar o sorriso bobo nem mesmo o coração disparado. Posso sentir as lágrimas no meu rosto, mas são as lágrimas mais felizes que já caíram em dois anos. Olho para Phoebe e ela parece extasiada encarando-me com os olhos marejados.

—Anastásia isso foi... —Phoebe sorri e me encara incrédula. —Ah, muito, muito obrigada.

—Acho que eu que agradeço. —Murmuro baixinho.

—Eu... —Phoebe para de falar quando seu celular começa a tocar. Ela atende parecendo aliviada. —Papai?

A garota fica alguns minutos no celular enquanto eu tento sair da orbita musical que acabei de entrar. Eu mal consigo controlar as batidas do meu coração, e elas estão num ritmo absurdamente rápido.

—Ana, o papai já está chegando. —Ela diz eufórica. —Eu tenho que ir agora.

—Tudo bem... —Murmuro sentindo algo estranho. Acho que eu não quero que ela vá.

—Eu posso te ver de novo?

—Claro. —Falo sorrindo com esperança.

—Muito obrigada. Isso tudo foi muito incrível. Eu posso vir aqui amanhã?

—Eu vou adorar.

—Obrigada, e, não precisa me levar na porta. —Phoebe diz animada e levanta saindo rapidamente do estúdio.

Sorrio confusa e viro-me encarando meu violão rosa, então uma ideia me surge. Levanto-me rapidamente e o pego indo atrás de Phoebe, e a encontro já na porta de saída que está aberta.

—Ei garota, espera. —Murmuro aproximando-me e ela me olha confusa. Levanto o violão e ela me encara sem entender. —É um presente, de aniversário.

—Você... está brincando, não é?

—Sem dúvidas não. —Falo rindo. —Ele me ajudou muito, e acho que agora é sua vez.

—Ah, isso é tão legal. —Phoebe fala dando pulinhos e eu acabo rindo. Ela pega o violão e sorri amplamente. —Você pode autografá-lo?

—Ah, claro. —Digo e vou até a gaveta do criado pegando um canetão permanente, volto a Phoebe e assino meu nome no violão.

—Ah, meu Deus! Isso é simplesmente a coisa mais incrível do mundo. Como eu posso te agradecer?

—Só cuide bem dele e... volte para me visitar, eu estou doida para conhecer suas irmãs.

—Tudo bem.

—Ah, só mais uma coisa. O que você realmente queria de aniversário?

Phoebe sorri e balança a cabeça.

—O que toda criança já quis um dia. Cachorrinho. —Ela fala sorrindo.

—Tudo bem. —Digo rindo.

—Até logo Ana. —Phoebe fala animada ao ouvir o barulho do elevador.

—Até, Phoebe.

Fecho a porta quando ela se vira em direção ao elevador, e quando recosto-me sobre a porta, com um sorriso absurdo, posso ouvir Phoebe grita animada pelo pai. Caminho ainda sem folego até o sofá e me sento ao lado de Nancy abraçando-a.

—Outro dia no paraíso.

Notas finais
Pois é, kkk o Christian e a Ana ainda não se conheceram ♥