Notas iniciais
Olá meninas... bom, quero falar sério com vocês. Muito. Nenhuma autora, aqui do Nyah e de nenhum outro lugar, é obrigada a postar capítulos ou escrever livros, mas elas fazem isso por paixão, sabe? Amor, gratidão à vocês. E olha só, eu estou viajando, como qualquer pessoa faz, eu sei que estou demorando para postar, mas eu estou postando. Eu poderia muito bem deixar de escrever e ir aproveitar as férias, mas mesmo assim estou me esforçando para dar capítulos novos para você sempre que posso. Quase não tem internet aqui, e eu sempre que posso, corro aqui e posto, mas fica difícil quando só vem critica. Como qualquer autora, eu amo receber comentários, mas na boa? Nenhuma leitora deveria passar por isso. Muitas vezes eu vou empolgada pra ler o comentário, e são coisas do tipo 'ai, você demora muito pra postar', 'nossa, posta mais rápido' , 'você não corrige seus capítulos' e bla´blá. Acredite, escrever é legal, ótimo, ler ainda mais, mas escrever é muito difícil. As vezes falta inspiração. Falta tempo. Você começa a escrever e não acha bom , então apaga e começa tudo de novo. Fica horas e horas pensando em algo bom. Não é tão simples quanto ler, e é bem chato ter que ficar lendo isso. Eu postava todos os dias, e estava ótimo para todos, mas eu tenho prioridades também, um vida, e eu preciso viver. Eu vou continuar sim escrevendo, mesmo que muitas das minhas leitoras tenham parado de comentar e não recomendem mais. Vou postar diariamente sempre que pude, mas se for pra ficar comentando essas coisas, que na minha opinião são uma bosta, porque quem fica de mimimi, não está no meu lugar, não comente. Graças a Deus, é a minoria, mas irrita, de verdade. E não venham falar que eu não aceito crítica, porque a partir do momento que não te leva pra frente, deixa de ser crítica para ser ofensa. Então, assim como eu penso e repenso mil vezes no que escrever para vocês, pensem e repensem no que vocês vão escrever para as autoras. Capítulo dedicado as meninas que favoritam: Lua Chase Jackson, Rose Steele Grey, Stella Taylor e Ana Salvatore *--* As novas leitoras sejam muito bem-vindas ♥ ♥ ♥ Boa noite! ♥

Anastásia Steele

Encaro Christian sentado à minha frente ainda sem dizer nada. Ele está torcendo nervosamente os dedos enquanto encara a gatinha branca nas minhas mãos. Sua expressão ainda parece ser a mesma de quando éramos mais novos, e ele vinha me contar algo que tinha aprontado. As lembranças vêm como um furacão. Todos os nossos segredos. Nossas brincadeiras. Tantas coisas que, até hoje, só ele sabe sobre mim... e talvez só eu saiba sobre ele.

—Há tanto... tanto que eu quis te dizer. —Christian sussurra e eu posso sentir a dor em sua voz. —Eu te deixei sozinha... e eu me sinto um lixo por isso. Nós éramos melhores amigos.

—Os melhores amigos do mundo. —Sussurro rindo e enxugo uma lágrima solitária que caiu com o efeito das lembranças. —Eu não consigo entender. Você prometeu estar comigo, e acima de tudo, prometeu me dizer sempre a verdade.

—Ana... eram tão complicado. Eu só tinha 16 anos. Eu tinha uma filha, e não sabia como escolher entre você e ela.

—E quem foi que disse que você tinha que escolher entre uma de nós? —Falo pegando-o de surpresa. —Eu jamais deixaria isso acontecer, e você sabe bem, mas o problema não é esse, e sim que você me magoou demais quando foi sem me explicar o que estava havendo, e agora saber que você foi embora porque você achou que eu te faria escolher entre eu e a sua filha, dói ainda mais.

—Eu não sabia o que fazer.

—A verdade seria um começo. —Murmuro prendendo as lágrimas. —Eu sempre soube quem a Elena era, e sempre deixei claro minha impressão sobre ela, mas dói que você não tenha confiado em mim para dizer a verdade. Eu iria entender.

—Eu sinto muito. —Christian sussurra olhando dentro dos meus olhos e eu vejo uma lagrima escorrer pelo seu rosto. —Eu me arrependi a cada dia, a cada semana, mês... cada momento longe de você era uma tortura maior.

—Mas você continuou sua vida. —Digo encolhendo os ombros. —Teve cinco filhas maravilhosas.

—Sim. —Christian diz rindo e enxuga as lágrimas. —Me parece que você também.

—Não Christian. —Falo rido com amargura. —Minha vida parou a partir do momento que você me deixou. Meu marido só estava comigo pelo dinheiro. Minha filha morreu com dois anos de idade. A dor ainda continua, só que maior.

—Mas... eu pensei.

—Pensou o que? —Sorrio com amargura. —Que só porque você seguiu em frente e foi feliz sem eu, eu seria sem você?

—Não... sim. —Ele confessa abaixando o olhar. —Eu fui um tolo. Eu só não sabia que era tão importante para você.

—Não sabia? —Gargalho com escarnio e sinto as lágrimas escorrendo. —Você era a única pessoa que eu confiava desde a morte da minha mãe. Você era tudo.

—Era?

—Sim. Era. Ou você achou que depois de quase quinze anos tudo ia estar do mesmo jeito? Você me deixou. E o que está aqui —Aponto para meu próprio peito e Christian encara. —vai levar mais do que um ‘sinto muito’ para ser curado. Então é melhor você ir.

—Não me mande embora.

—Eu não estou mandado. Estou pedindo que me dê espaço. Eu quero repensar em tudo. Longe de você.

—Tudo bem. —Christian sussurra derrotado e se levanta caminhando em direção a porta, mas para no meio do caminho. —Ana, eu nunca deixei de te amar.

Meu coração dispara com sua declaração, as lágrimas caem feito um dilúvio e eu já não sei o que sentir. Não é justo ele voltar depois de tanto tempo e me dizer isso.

—Não é justo. —Digo colocando o gatinho no sofá e me levanto fazendo-o parar novamente. —Não é justo depois de tanto tempo você voltar e dizer isso.

—Eu sei. —Ele murmura e se vira me encarando com aqueles olhos acinzentados. —Nada é justo. Te perder por medo também não foi.

—Você é o culpado. —Acuso. —Você me deixou, e agora que voltou está bagunçando tudo. Você não sabe o quanto foi doloroso para mim. Eu tive que reconstruir tudo. Sem você. Sem a mamãe. Eu chorei praticamente todos os dias, e sabe o que mais? Eu não tenho mais 14 anos. Eu não sou aquela garotinha indefesa que corria para os seus braços sempre que precisava. Eu passei quinze anos sem você. Quinze. Você não tem o direito de destruir tudo que eu construí.

—Ana...

—Eu construí isso! —Grito gesticulando com os braços em volta da sala. —Eu construí a minha carreira, a minha vida. Eu caí, Christian. Milhares e milhares de vezes. E você não estava aqui! Eu chorei sozinha, no meu quarto. E você não me abraçou como fazia sempre. Não me ofereceu chocolate quente todas as noites. Eu levantei tudo o que tenho sozinha. E hoje, quando eu descobri toda a verdade, eu pensei que poderia te perdoar, mas eu descobri que não posso. Não posso porque eu guardei tanta magoa sua, que eu acabei me destruindo por dentro. E eu nunca vou voltar a ser boa como antes. Muito menos a mesma com você, como nós éramos antes. Então, por favor, saia.

Christian me dá um olhar ferido, assim, como o meu, mas não tão ferido, então ele sai pela porta fechando-a em seguida, e isso é o fim. Desabo no chão corrompida pelas lágrimas, pela dor, pela saudade. Pelo desespero. O medo. Tudo que eu senti durante esses anos longe dele. Ele prometeu que cuidaria de mim. Que estaria ao meu lado. Mas foi só as coisas ficarem difíceis para ele se mandar.

Eu tive que montar meu império. Minha fortaleza. Longe de tudo que eu amava, até mesmo meus irmãos, porque graças a ele, eu nunca consegui confiar em ninguém novamente. Ele não pode voltar assim. Não pode.

—Ana?

Levanto a cabeça devagar e encontro o olhar assustado de Phoebe na porta. Ela está segurando a maçaneta e seu rosto está repleto de lágrimas. Rapidamente Phoebe corre até onde estou, ela cai de joelho no chão segurando meus braços.

—Não chora, Ana, por favor.

—Eu não consegui, Phoebe. —Falo entre soluços. —Eu não consegui perdoar seu pai. Ainda dói muito. Muito.

—Não chora, você não precisa perdoá-lo. Não agora. —Ela diz secando minhas lágrimas e eu vou me acalmando. —Isso vai levar tempo. Muito. Eu imagino quanto ele te magoou.

—Eu queria tanto...

—Tudo bem, Ana. —Phoebe diz me ajudando a levantar. Caminhamos até o sofá e eu me sento pegando a bolinha de pelos. —Que graça.

—Seu pai quem me deu. —Sussurro sorrindo, um pouco mais calma.

—Ana... por que você não reconheceu meu pai?

—Eu não sei. —Confesso me aconchegando mais no sofá. —Nós éramos tão novos... eu nem lembrava do nome Grey. Quando nós éramos mais novos ele adorava Trevelyan.

—Sério? —Phoebe pergunta surpresa.

—Sim. —Digo sorrindo. —Sua avó era a favorita.

—Acho que agora ele igualou. —Phoebe fala soltado risinhos. —Meus avós o adoram... assim como o tio Elliot, e tia Amélia.

—Amélia? —Pergunto confusa.

—Sim. —Phoebe dando um sorriso confuso. —Eu não a conheci. Mas tem muitas fotos dela na casa dos meus avós.

—O que houve com ela?

—Ela morreu. Ela estava voltando de uma viagem para Paris, os seguranças foram pegá-la no aeroporto e o carro capotou no caminho. Ela tinha só onze anos.

—O Christian nunca me falou que tinha uma irmã. —Falo confusa.

—Mas vocês se conheceram quando eram bebês.

—Sim. —Murmuro forçando as lembranças. —Eu acho que me lembro de ouvir sobre ela. Uma vez ou outra. Mas ela sempre estava viajando.

—A tia Amélia estava doente. —Phoebe esclarece. —Ela teve câncer com três anos, e viajava para fazer tratamentos. Em vários lugares.

—Phoebe, como era sua tia? —Pergunto um pouco mais desconfiada.

—Fisicamente?

—Sim.

—Branquinha. Cabelos pretos, muito longos. Olhos azuis e um sorriso bem marcante.

—Entendo. —Murmuro pensando em algo absurdo. —Você pode me passar o número da sua avó?

—Da minha avó? Por quê?

—Depois eu explico. Eu tenho que sair agora. Você pode cuidar da gatinha? —Pergunto lhe entregando.

—Tudo bem. Eu te mando o número por mensagem então. —Phoebe diz quando me vê correndo para calçar os sapatos e pegar a chave do carro.

—Obrigada. —Digo saindo e encosto a porta.

Eu posso estar louca, mas senão estiver, eu sei muito mais sobre o passado da Mia do que todos nós pensávamos.

♩ ♪ ♫ ♬

Entro no restaurante e peço uma mesa em um dos cantos mais reservados. Assim que me sento vejo que Phoebe já me enviou o número de Grace, coloco para chamar e levo o celular ao ouvido.

—Alô. —A voz suave de Grace do outro lado me faz ter mais lembranças da infância. —Quem é?

—Olá. —Sussurro e posso ouvir um riso suave. —Eu não sei se você vai se lembrar de mim, mas eu sou uma velha amiga do seu...

—Anastásia. —Ela diz e eu sorrio. —Esse seu ‘olá’ todo meigo é impossível de não reconhecer. Quanto tempo.

—Sim. —Muito tempo. —Sussurro com a voz embargada. —Grace, eu liguei por algo muito importante.

—Aconteceu algo, querida?

—Talvez. Eu estou em um restaurante agora, na avenida principal. Você pode chegar aqui?

—Acho que sim. Meu turno acaba em dez minutos. Eu posso estar aí. Mas é sobre o que?

—É importante. Apenas isso.

—Tudo bem, eu estarei aí logo.

—Obrigada. —Murmuro desligando.

Cerca de quinze minutos se passam e eu vejo Grace atravessar a porta do restaurante. Ela me avista e eu aceno com a mão, logo estou de pé cumprimentando-a com um beijo no rosto. Espero Grace se sentar e me sento em seguida vendo sua aparência preocupada.

—Você está tão linda. —Grace diz me fazendo sorrir.

—Obrigada! —Exclamo calmamente. —Desculpe te fazer correr até aqui, mas é importante.

—Tudo bem, mas eu confesso que estou curiosa.

—Eu imagino. Digo tentando manter a calma. —Grace, você sabe que eu e o Christian fomos amigos ainda muito novos.

—Sim. —Ela diz confusa.

—Mas eu nunca conheci a Amélia.

—Sim. —Grace sorri amargamente com alguma lembrança. —Ela...

—Tinha câncer. —Completo e Grace apenas balança a cabeça. —A Phoebe me contou.

—Minha neta? Você a conhece?

—Sim, e ela me disse mais algumas coisas que me fizeram ligar alguns pontos.

—Desculpe, eu realmente não estou entendendo.

—Grace, a Amélia morreu com onze anos, quando estava voltando de Paris?

—Sim.

—Ela tinha cabelos pretos, e amava que a chamassem de Mia, e ela tinha uma manchinha, no formato de uma estrela atrás da orelha.

—Sim... —Grace diz com lágrimas nos olhos. —Como você...

—Grace. Seis anos após a morte da Amélia, eu estava voltando de viagem com meus irmãos, nós passamos na praça, perto da sua antiga casa. Lá nos conhecemos uma menina. Ela falava francês fluente, tinha cabelos pretos, olhos azuis chamativos e uma manchinha atrás da orelha, e tudo que ela lembrava era de um carro capotando, e de ficar andando dias nas ruas, até chegar na praça e ficar lá por seis anos. Nós a levamos no médico, e descobrimos que ela havia tido câncer, mas estava curada.

—O que? —As lágrimas começam a escorrer pelo seu rosto impecável enquanto ela cobre a boca com as mãos. —Como... é o nome dessa garota?

—Ela dizia se chamar Mia, era a única coisa que sabia.

—Ah, meu Deus! —Grace exclama chorando ainda mais. —Ana, por favor, me diga que você sabe onde ela está.

Abro minha boca, mas vejo Mia entrar pela porta do restaurante com João Miguel e Ethan. Eles costumam a almoçar aqui todos os dias.

—Grace... —Sussurro olhando Mia que nem nos percebeu ainda. —Sim, eu sei... hoje em dia ela é uma ótima pessoa. Ótima empresária. Tem um marido e um filho lindo.

—Eu posso vê-la?

—Sim. —Digo olhando para Mia que agora me viu, e está vindo em minha direção com Ethan e João.

—Ana, que surpresa. —Mia diz sorrindo e eu vejo Grace fecha os olhos como se lembrança de algo.

—Mia, Ethan. —Falo sorrindo e me levanto olhando preocupada para Grace. Cumprimento meu irmão e minha cunhada e depois meu sobrinho.

—Como foi com as meninas? —Mia pergunta e eu sorrio.

—Bem. —Digo calmamente. —Mia, eu quero te apresentar alguém... essa é a mãe do Christian, Grace Grey, Grace, essa é Mia.

Grace fecha os olhos e se levanta com cuidado se virando para Mia. Minha cunhada me olha confusa, depois encara Grace, então seu sorriso se desfaz aos poucos. Ela ri e desfaz o riso umas três vezes, até que as lágrimas começam a cair de seus olhos.

—Eu conheço você, não é? —Mia pergunta chorando e Ethan me olha preocupado, mas apenas balanço a cabeça. —Eu já te vi... eu sonho com você todas as noites.

—Amélia... —Grace sussurro com carinho e Mia chora ainda mais.

—Era... era assim que você me chamava. —Mia diz. Ela encara Grace por segundos sem dizer nada, então dá um passo para trás, como se algo forte a tivesse antigo. Ethan a segura quando Mia coloca as mãos na cabeça e todos do restaurante começam a olhar. Mia se endireita e encara Grace incrédula. —Você é minha mãe?

Notas finais