Uma Nova Chance Para o Amor
9 Noite Feliz
Notas iniciais
Anastásia Steele
—Você é minha mãe?
—Mia... minha menininha. —Grace diz chorando e puxa Mia que vai de bom grado para seus braços.
—Minha mãe. —Mia diz soluçando enquanto abraça Grace.
—Nós vamos tirá-las daqui, e você vai me explicar isso direitinho. —Ethan sussurro do meu lado.
—Tudo bem. —Murmuro encolhendo os ombros.
♩ ♪ ♫ ♬
—Então foi isso... —Sussurro depois de explicar tudo a Ethan. Encaro Mia e Grace conversando sentada no sofá enquanto nós estamos no bar da minha casa. —Eu só... juntei as peças.
—Mas como você descobriu que era ela?
—Não. Primeiro eu vi o Sr. Grey olhá-la de um jeito diferente. —Murmuro me lembrando da festa na casa dos Grey. —Depois eu ouvi algumas coisas sobre a Amélia, e lembrei de como nós encontramos a Mia. Só poderia ser ela.
—Ana, Ana. —Ethan diz balançando a cabeça. —Isso é incrível. Eu estou muito feliz pela minha mulher, Deus sabe como, mas preocupado com você.
—Comigo?
—Você está colocando os Grey na sua vida de novo. —Ethan diz olhando para Phoebe que está brincando com Miguel e a gatinha no chão.
—É complicado. —Murmuro encolhendo os ombros.
—Ana, isso realmente não é da minha conta, mas só me prometa que não vai se trancar numa maldita bolha de novo.
—Eu vou tentar. —Digo rindo e o abraço.
—Elas são tão parecidas. —Ethan fala encarando Mia e Grace que são uma segurando a mão da outra, e elas realmente se parecem.
—Sim. —Digo rindo. —A Mia já conheceu o novo namorado da Katherine?
—Ainda não. A Kate está fazendo mistério para nós. —Meu irmão revira os olhos. —Mas você já sabe quem é.
—Sim. —Sorrio e reviro os olhos. —Elliot Grey.
—Outro Grey? —Ethan fala fazendo careta.
—Ih, nem vem. —Digo rindo. —Até sua mulher é uma Grey. E falando nisso, eu quero só ver a reação dos outros ao vê-la novamente.
—Ela parece estar tendo lembranças deles.
—Acho que ela só precisava de uma força, mas nós não tínhamos ideia de quem era a família dela.
—Infelizmente. Ela sofreu longe deles.
—Muito.
Ouço a campainha tocar e vejo Grace e Mia se virarem ao mesmo tempo para olhar a porta. Phoebe ri com a cena me levando a rir. O olhar de mãe e filha estão aflitos, e eu acho que seja hora de mais reencontros. Passo pelas duas sorrindo e vou abrir a porta onde encontro Christian, Elliot e Carrick. Uau. Agora juntos eles são bem parecidos.
—Que bom que vieram. —Sussurro sorrindo.
—Nós estamos curiosos. —Elliot diz revirando olhos.
—Claro que estão. —Falo mordendo o lábio e sorrio. —Por favor, me sigam.
Viro-me indo em direção a sala e os três me seguem obedientemente. Quando entramos na sala, vejo Mia olhando a vista da janela e Grace ao seu lado.
—Grace?
—Mamãe?
Grace se vira sorrindo com uma emoção enorme nos olhos e encara o marido e os filhos. Ela caminha até Carrick e o abraça deixando-a ainda mais confuso.
—O que você faz aqui? —Carrick pergunta segurando os ombros de Grace de forma suave.
Olho para Christian por relance e o vejo olhar Mia; enquanto o pai e o irmão tentam entender a presença de Grace na minha casa, Christian está olhando Mia e ele parece confuso, incrédulo, esperançoso e tantas outas coisas. Ele fica a olhando-a mesmo de costas, e então, quando ela se vira, as lágrimas tomam seu rosto.
—Mia? —Christian diz olhando a irmão que começa a chorar, e eu estou chorando. Carrick e Elliot param de falar e encaram Mia, ambos incrédulos. —Amélia? Minha irmãzinha.
—Eu não sou sua, Christian. —Mia diz revirando os olhos e Christian sorri com alguma lembrança.
—Você sempre vai ser só minha. —Ele diz e vejo Elliot começar a chorar.
Mia sorri balançado a cabeça e corre para os braços do irmão que a tira do chão a girando em um abraço apertado. Olho para Ethan que tem lágrimas nos olhos, e aproveito para secar as minhas. Todos presentes na sala estão tomados por uma emoção muito grande, até mesmo Phoebe e Miguel que olham tudo atentamente.
—Minha princesinha? —Carrick pergunta e Mia solta Christian para encarar o pai.
—Oi papai. —Mia diz chorando e sorrindo, ela joga a cabeça para o lado segurando as mãos e Carrick olha incrédulo.
—É a minha princesinha. —Carrick afirma com absoluta certeza e Mia vai correndo para os seus braços.
Encaro Elliot que ainda parece perdido. Ele está passando as mãos pelos cabelos, repetidas vezes, e apenas encara Mia, entorpecido com tudo. Grace se aproxima dele e sussurra ‘é a nossa menina’. Elliot olha ainda confuso enquanto as lágrimas tomam seus olhos e contornam seu rosto continuamente. Alguns minutos mais tarde, quando minha cunhada solta Carrick, ela encara o irmão e sorri amplamente como se lembrasse de algo muito bom.
—Eu gostava mais de quando você tinha cachinhos. —Mia diz e Elliot cobre a boca com a mão.
—Mia?
—Oi Lelliot. —Ela sussurra sorrindo e encolhe os ombros.
Elliot caminha até Mia e segura seus ombros observando-a de cima a baixo. Ele faz isso umas duas vezes antes de desabar em lágrima e cair de joelhos em sua frente abraçando sua cintura. Todos chorando ainda mais com a cena. Mia acaricia os cabelos do irmão e logo ajoelha em sua frente, se aconchegando em seus braços.
Grace olha tudo maravilhada, ela sorri para mim e se aproxima me abraçando apertado.
—Obrigada por trazer a minha filha para casa. —Grace diz em meu ouvido e eu sorrio amplamente.
Logo ela se afasta e minutos depois eu vejo a família toda se abraçar apertado, e por um segundo, eu lembro como isso me fez falta, mas apenas sorrio. Ethan se aproxima e me abraça encostando a cabeça na minha.
—Obrigada. —Ele diz e sei que está sorrindo.
♩ ♪ ♫ ♬
Encaro meu sobrinho e as quatro filhas mais novas de Christian correndo pela minha casa e sorrio. Estou sentada no chão e Phoebe está nos meus braços. Grace, Carrick, Mia e Ethan estão conversando no sofá e Christian e Elliot em outro. Carrick está maravilhado, eu não sei se é mais com o neto ou a filha, mas ele parece encantado com ambos.
Vejo um mini furacão loira correr em minha direção e atrás vejo Katherine entrar na sala. Phoebe se desvia e Ava se joga nos meus braços. Katherine olha tudo confusa e sorri quando seu olhar e de Elliot se cruzam, mas é para o meu lado que ela vem, e se sentam pegando Ava no colo.
—Elliot! —Ava grita sorrindo e corre para os braços de Elliot fazendo todos olharem. Mia e Ethan olham incrédulos para Katherine que se encolhe.
—Então ele é o seu namorado? —Mia pergunta.
—Vocês estão namorando? —Grace pergunta incrédula, mas parece se divertir. —Katherine e Elliot? Vocês sempre se odiaram quando crianças.
—Sim. —Ava grita sorrindo. —O Elliot é meu novo papai.
Elliot dá um sorriso torto e abraça Ava afagando seus cabelos. Grace sorri emocionada e troca um olhar com Carrick.
—Está noite está se saindo muito boa. —Carrick diz sorrindo. —Já que estamos todos aqui, nós queremos fazer um convite.
—Convite? —Mia pergunta confusa.
—Sim. —Grace sorri. —Daqui dois dias é Natal, e nós queremos todos vocês na nossa casa.
Encolho-me desconfortável e encaro meus irmãos. Ethan e Katherine me olham e eu balanço a cabeça negativamente.
—O Ethan e a Katherine vão adorar. —Digo sorrindo antes que eles falem algo. —Mas eu não posso. Eu tenho alguns shows programados, e não posso perder tempo.
—Mas é Natal, Ana. —Cassie diz parando de brincar e se senta no chão. —Ninguém trabalha no Natal.
—Algumas pessoas sim. —Sussurro provocando e ela revira os olhos.
—Mas Natal é para estar com a família. —Ivy diz inconformada. —E agora todos nós somos uma família.
—É verdade Ana. —Elliot diz sentando ao lado de Katherine. —Nós somos uma família.
—Vocês sim. —Murmuro olhando todos em volta e meu olhar para no de Christian. —Eu não. Com licença.
Dou um sorriso mínimo e me levanto saindo da sala antes que isso vá mais longe. Eu realmente não quero discutir como o Natal é bom e todos devem estar juntos. Isso nunca é real. Não foi real quando a mamãe se foi, e depois quando minha filha se foi, também no Natal.
Entro no meu quarto e sento no meio da cama puxando uma parte da colcha para abraçar.
—Você ainda faz isso? —Christian pergunta entrando sem pedir.
—E você ainda entra sem ser convidado? —Retruco e ele arqueia uma sobrancelha para mim.
—Vai para lá. —Christian diz sentando ao meu lado e me empurra. Exatamente como fazia quando éramos mais novos.
—O que você quer? —Pergunto sem paciência.
—Qual era o dia que sua mãe mais gostava?
—Aposto que você ainda lembra. —Falo sem paciência alguma.
—Responda! —Ele ordena e eu reviro os olhos.
—Ela amava os natais. —Digo e sinto a dor da lembrança. —Ela diz que era o dia mais perfeito. A Magia do natal, o amor de toda a família e blá, blá, blá.
—E você não acreditava nela?
—Pode parando! —Empurro Christian e me levanto sentindo as lágrimas cair. —Você tem sua mãe, seu pai, seu irmão, e agora sua irmã de volta. E tem as suas filhas que são o máximo, mas o que eu tenho Christian? O que uma criança de sete anos fez para merecer perder a mãe no natal? E depois, ela perdeu o melhor amigo, dias antes do natal, e sabe o que mais? Minha filha. Ela só tinha dois anos, e morreu no natal. Você entende que o Natal não significa nada além de dor? Eu não quero comemorar. Não quero sair por aí sorrindo e fingindo que eu sou feliz, porque eu não sou!
—Ana...
—Não, não Christian. Eu não sou como meus irmãos. Eles são felizes. Tem suas famílias, mas o que eu tenho?
—Eu. —Christian sussurra e eu paro sem palavras. Ele se aproxima e para a alguns poucos centímetros de distância. —Eu não sou nada. Só um homem cansando com cinco filhas, e que perder a garota mais incrível do mundo porque foi um idiota, mas você me tem, Ana, você é a única pessoa que sempre me teve por completo. Você me tem em suas mãos, para destruir e fazer o que quiser. Eu posso não ser muito.
—Você é... —Sussurro abaixando o olhar.
Eu estou tentando, juro, tento me manter forte, mas quando ele está perto, e diz essas coisas, como quando éramos mais novas, é como se todos os problemas se fossem. É como se eu ainda precisasse dele. E eu preciso. Ele é a única pessoa que eu consegui amar depois da morte da mamãe. Ele é o único que nunca saiu da minha cabeça. Que fez falta dia após dia. E agora que ele está aqui, me olhando com seus olhos cinza, como se implorasse para ficar, eu sinto que não devo manda-lo embora.
Ele é tudo que falta em mim.
Christian me puxa para seus braços e eu sinto muitas coisas caírem. Barreiras. Mágoas. Dor. Insegurança. O medo de nunca tê-lo novamente. Tudo isso se vai quando inalo seu cheiro, que ainda me parece o mesmo, embora, agora mais maduro. Mas estar em seus braços ainda me traz a mesma proteção.
—Não me deixe outra vez. Eu preciso de você. —Imploro entre lágrimas.
—Nunca. —Ele sussurra beijando o topo da minha cabeça. —Eu te amo coisa pequena.
—Eu também te amo. —Falo sorrindo e aperto meus braços ao redor da sua cintura.
—Mamãe!
Solto Christian sorrindo ao ouvir Jennifer me chamar; ela corre para dentro do quarto diretamente para os meus braços. É tão bom me sentir mãe novamente, e perto dessas crianças é tudo o que sinto.
Levanto-me com Jennifer nos meus braços e olho para Christian. Ele sorri meio confuso como se algo absurdo passasse por sua cabeça. Eu ainda o conheço tão bem. Sorrio e balanço Jennifer em meus braços fazendo-a gargalhar.
—Nós podemos entrar? —Viramos e vemos as outras quatro paradas na porta.
—Claro. —Digo sorrindo e vou me sentar na cama com Christian e as meninas.
Allyson e Cassie vão para o colo de Christian, Ivy e Jennifer vem para o meu e Phoebe senta no nosso meio.
—Ana, você não vai passar o natal conosco? —Allyson pergunta preocupada.
—Eu não sei. —Digo rindo.
—Mas é claro que vai. —Christian fala revirando os olhos e as meninas riem.
—Nós podemos comprar presentes? —Jennifer pergunta de uma forma absurdamente fofa e todos riem.
—Mas é claro que sim. —Phoebe diz. —E nós vamos comprar presentes para a Ana.
—Eba! —As meninas gritam animadas e Christian ri.
—Mamãe! —Jennifer diz sorrindo e me abraça. —Minha.
—Ah, que abraço gostoso. —Falo sorrindo.
—A Ana não é nossa mãe. —Allyson fala rindo.
—Mas poderia ser. —Phoebe fala segurando na minha mão e eu sinto meus olhos marejarem e sou tomada por uma emoção maternal. —Ela seria a melhor mãe do mundo.
Encaro Christian que parece bobo e enxugo as lágrimas que caíram.
—Ana. —Cassie diz saindo dos braços de Christian e ajoelha na minha frente. —Você quer ser a nossa mãe?
—Mas é claro que sim. —Digo emotiva e as cinco sorriem pulando em cima de mim num abraço em grupo.
Quando me recupero da emoção, e enquanto converso com as meninas, encaro Christian com um sorriso bobo, e por um segundo, acho que tive o mesmo pensamento absurdo que ele. Ah, não!
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