Uma Nova Chance Para o Amor
10 Noite de Natal
Notas iniciais
Anastásia Steele
Encaro-me no espelho um pouco entorpecida comigo mesma. Uau!
—Você está maravilhosa. —Mia diz animada e troca um olhar com Katherine.
—Nós arrasamos. —Katherine diz batendo na mão de Mia, reviro os olhos.
Mas elas estão certas. Eu estou linda. Meu cabelo está preso em um coque despojado com mechas caindo. Meus olhos estão contornados com uma maquiagem preta com sombra rosa pálida. Meus lábios estão vermelhos como sangue. Eu estou usando um vestido preto de seda. Ele é incrível. Vai até os pés e o tecido dança com o vento. Minhas costas estão amostra, e há outros detalhes com joias.
—Eu amei. —Sussurro me encarando.
—Digna de uma princesa. —Katherine diz animada e bate palmas.
Mia e Katherine também estão lindas. Ambas com cabelos soltos. Mia com cachos e Katherine com o cabelo escorrido e dividido ao meio. O vestido da minha irmã é azul marinho de seda, e tem um belo decote. Já o de Mia é vermelho, com uma fenda na perna direita e as costas abertas.
—O Elliot e o Ethan estão nos esperando lá embaixo. —Katherine diz olhando no celular. —E eles disseram que não podem mais ficar sozinhos com a Ava e o João, porque eles são crianças loucas.
Solto uma gargalhada assim como Mia.
—Vamos antes que eles acabem com o que sobrou dos dois. —Mia diz rindo e pega sua bolsa. —Ana, nos vemos na casa dos meus pais?
—Sim. —Digo sorrindo.
—Até logo. —Katherine diz me lançando uma piscadinha e sai do quarto com Mia.
Sorrio abobalhada com a minha própria imagem. Caminho até a cama e pego Mimi no colo – nome que Jennifer deu para a minha nova gatinha. Acaricio sua barriguinha gorda e ela boceja sem abrir os olhos.
—Gatinha dengosa. —Sussurro colocando-a em sua caminha. —Hoje à noite está sendo tão mágica.
—Você acha?
Viro-me assustada e vejo Christian na porta do meu quarto. Uau! Ele está lindo, com um smoking preto, cabelos rebeldes como sempre e um sorriso torto que me deixa entorpecida. Levanto-me e caminho até ele o abraçando. Seu cheirinho logo está em todo o lugar e meu coração dispara como tem feito ultimamente quando ele está por perto.
—Você está tão linda. —Christian sussurra me afastando para me olhar. —Minha Prin.
—Muito obrigada. —Sussurro sorrindo. —Onde estão minhas filhas?
—Ah! —Ele ri. —Nossas filhas, já foram.
—Então eu vou aturar só você?
—Rará, engraçadinha.
—Muito. —Digo batendo os cílios.
—Nós estamos atrasados.
—Cinco minutos? —Provoco e ele revira os olhos.
—Vamos logo pirralha.
—Vamos. —Digo rindo e pego minha bolsa.
♩ ♪ ♫ ♬
—Coloque o cinto. —Christian ordena quando já estamos no carro.
—Sim senhor. —Falo semicerrando os olhos e ele ri.
—Você está engraçadinha hoje.
—Eu? Claro que não. —Digo me fingindo de inocente.
—Claro que não. —Ele murmura ligando o carro e logo estamos nas ruas de Seattle.
O caminho todo é um silêncio total, não um silêncio ruim, mas aquele tipo de silêncio que aproveitamos a companhia da pessoa. Christian vez o outra aperta meu joelho suavemente e me oferece seu sorriso, e eu fico com o coração acelerado com isso. Pensamentos diversos me invadem, mas eu fico em silêncio apenas sorrindo. Nossa amizade sempre prevaleceu, não é?
Quando são oito e cinco, paramos em frente à casa dos pais de Christian. Ele desce do carro com elegância total e vem abrir a minha porta estendendo sua mão. Ele entrelaça nossos dedos e meu coração quase salta pela boca, mas eu mantenho a compostura. Caminhamos até a porta e assim que entramos eu vejo minhas cinco meninas favoritas correrem para os nossos braços.
—Como vocês estão bonitas. —Digo pegando Jennifer no colo.
—Você está linda. —Phoebe diz encantada e eu ruborizo.
—Mamãe, vamos ver a arvore. —Allyson diz animada e puxa a minha mão fazendo-me soltar Christian. Ela corre animada me puxando e logo estamos na sala, aonde uma bela arvore cheia de enfeites está montada. —Olha só.
—É linda. —Murmuro tocando um dos enfeites que é uma borboleta.
—Eu pendurei essa. —Cassie diz surgindo atrás de mim. —A Jenny pendurou o ursinho, a Ivy os óculos do papai Noel.
—Eu pendurei aquele. —Allyson diz apontando para o biscoito.
—Ah, é lindo. —Digo sorrindo. —E a Phoebe?
—Eu coloquei a estrela. —Phoebe diz sorrindo e se senta no sofá com Christian. —O vovô sempre me deixa colocar.
—Ah, Ana, você está tão linda. —Grace diz entrando na sala com Carrick e eu vejo Mia e Katherine sorrirem atrás deles.
—Ah, obrigada. —Sussurro sorrindo e ruborizo.
—Ana, você pode me ajudar com os biscoitos? —Mia pergunta vindo me puxar. —Por favor.
—Tudo bem. —Falo revirando os olhos e vou com ela para a cozinha.
Mia tira alguns biscoitos do forno e junta com outros que já estão na mesa, ela me dá alguns confeitos e nós começamos a arrumá-los.
—Sabe, eu estou curiosa.
—Sabia. —Digo revirando os olhos. —O que você quer saber, Mia Grey?
—Eu gosto de Grey. —Ela diz sorrindo amplamente e eu sorrio. —Você e o Christian... estão juntos?
—Não Mia, você sabe, nós somos amigos.
—Ah, Ana, meu irmão te adora, e eu tenho certeza que não é como amiga.
—Você está ficando louca. —Digo jogando alguns confetes sobre um biscoito de estrela. —Nós sempre fomos amigos.
—Ah, Ana, vai dizer que você não viu? É só olhar para ele que está na cara.
—Pode parando. —Murmuro impaciente.
—Tudo bem. —Ela diz se sentando frustrada. —É minha impressão ou as meninas estão te chamando de mãe?
—Hã... —Sorrio e me sento. —Algumas sim, outras não.
—Ana, elas te adoram.
—E eu adoro elas. —Sussurro sorrindo. —Mia, posso perguntar algo? Sobre a mãe das garotas?
—Se eu souber responder. —Mia diz sorrindo.
—A Elena é mãe de todas elas? —Pergunto confusa. —Eu sei que ela é mãe da Phoebe, mas e das outras?
—Hm. —Mia murmura pensativa.
—Eu estava falando com a minha mãe sobre isso ontem. Ela me disse que a Elena abandonou o Christian e a Phoebe quando ela tinha uns cinco anos. Ele viveu alguns meses sozinho, até conhecer a Rachel. Minha mãe disse que ela era ótima, e cuidava bem das meninas. Depois veio as gêmeas, a Allyson, e por fim a Jennifer. Mas a Rachel morreu poucos dias depois e, eu ouvi dizer que ela era muito sua fã.
Semicerro os olhos para Mia e suspiro pesadamente. Nós continuamos com os biscoitos, mas agora em silêncio. Quando terminamos tudo, damos uma organizada na cozinha e nos juntamos aos outros. A ceia começa por volta das dez, por tradição. O jantar é animado. Muito. Carrick e Grace começam a contar histórias dos filhos, e do que eles aprontavam, e é claro que todos, inclusive eu, dão muita risada. Porém, minhas risadas cessam quando Katherine começa a contar o que eu aprontava quando tinha uns cinco ou seis anos.
Quando eu era criança eu achava que poderia alcançar a lua. Isso me faz sorrir. Hoje em dia eu nem sei mais do que sou capaz. É tão engraçado como a nossa capacidade muda quando crescemos. Uma hora alcançamos a lua, outra não pode tirar os pés do chão.
—Já é hora dos presentes. —Grace anuncia e eu acordo dos meus devaneios. —Vamos para a árvore.
Grace e Carrick se levantam assim que as crianças saem correndo da sala de jantar. Depois deles vão Mia, Ethan, Katherine e Elliot. Encaro Christian sentando a algumas cadeiras de distância e sorrio. Ele levanta sua taça de vinho para mim e toma mais um golo do que ainda há. Jogo a cabeça um pouco para o lado e sorrio.
Christian se levanta e eu espelho o movimento com o coração um pouco acelerado. Quando estamos parados, um em frente ao outro, eu começo a observar seus lábios. Sua boca contornada. Sua mandíbula quadrada. Seus olhos cinzas escuros com pupilas dilatadas. Isso de alguma forma me deixa fraca, vulnerável.
E ele sorri, deixando escapar o cheiro de vinha da sua boca, e esse cheiro, do seu hálito, de alguma forma me embriaga fazendo um desejo desconhecido crescer dentro de mim. Christian levanta a mão e com as pontas dos dedos começa a deixar um rastro de carícias pela minha mandíbula. Fecho meus olhos e inclino o queixo sentindo minha pele pinicar sobre seu toque.
Ouço o primeiro folgo disparar e seus lábios tocam os meus. Meu coração começa a bater rápido, e eu mal consigo distinguir o que são os fogos lá fora e as batidas aqui dentro. Então ele começa a mover seus lábios, movê-los sobre os meus. As batidas aumentam mais. Meu sangue ferve de uma forma extraordinária quando ele pede passagem e sua língua começa a se mover contra a minha, numa dança quente e sensual.
Meu corpo reage ao dele, a cada toque. A cabeça vibração. De uma forma extraordinária eu sinto que estou ligada a ele. E isso eu já não posso explicar.
Christian se afasta com cuidado, levando meu lábio inferior com uma mordida de dentes, mas logo o solta. Ele sorri de forma torta encostando sua testa na minha, e eu acho que estou sorrindo.
—Feliz Natal, Anastásia. —Christian sussurra com os lábios próximos aos meus.
—Feliz Natal, Christian. —Sussurro encarando seus olhos cinza e ele sorri amplamente.
—Vamos?
—Sim.
Christian se afasta com delicadeza e segura minha mão. Nós entramos na sala e vemos as crianças animadas sentadas em frente a árvore enquanto abrem os presentes dos tios e avós. Katherine e Mia trocam um olhar e eu ruborizo. Elas ficam me encarando enquanto faço meu caminho até as crianças e me sento. Christian por sua vez saí da sala para atender um telefonema, eu acho.
—De quem é a vez? —Grace pergunta sorrindo.
—Nossa. —Phoebe diz animada e pega uma caixa quadrada com fita rosa. —Nós cinco fizemos isso para a senhora vovó, e para o vovô Carrick.
—É mesmo? —Grace diz sorrindo quando pega a caixa.
—Sim. Para você sempre se lembrar dos melhores momentos.
Grace sorri emocionada com as palavras de Phoebe, ela desembrulha a caixa e de dentro tira um álbum com capa toda personalizada. Ela sorri e acaricia a foto colocada na capa com as pontas dos dedos, e quando abre, todos vemos páginas customizadas com recortes de fotos desenhos e outras colagens.
—Ah, é tão lindo. —Grace diz sorrindo e encara as meninas. —Eu amo tanto vocês.
—Nós também te amamos vovó. —Cassie diz sorrindo.
—Ana, acho que só falta você e o Christian. —Carrick diz sorrindo de uma forma paterna.
—Ok. Eu acho que o Christian foi atender um telefonema, então eu vou. —Digo sorrindo e pego os presentes das crianças. Entrego primeiro o de Ava e ela sorri de forma sapeca. —Ava, você me pediu muito.
—Ah. —Ava solta um gritinho e abre a caixa descobrindo o violino rosa. —Ah. Eu amei. Amei. Amei.
—Como você conseguiu? —Katherine pergunta abismada.
—Nem queira saber. —Digo rindo e pego o presente de João Miguel. —Não quebre dessa vez.
Miguel ri, e desembrulha o presente revelando o grande trem todo feito de madeira para montar.
—Uau! —João diz abrindo os braços com os olhinhos brilhando e eu sorrio toda boba, assim como Mia. —Eu adorei, titia.
—Que bom meu amor. —Falo sorrindo e pego o presente de Jennifer.
—O que é? —Ela pergunta com os olhinhos brilhando.
—Abre. —Sussurro e ela começa a desembrulhar a pequena caixa com cuidado.
Jennifer me olha desconfiada me fazendo rir. Ela termina de abrir a caixa e abre a boca surpresa ao ver uma boneca toda em porcelana com a sua aparência. Ela me olha e olha a boneca, e então começa a rir e vem me abraçar.
—Obrigada, mamãe.
—De nada meu amor. —Sussurro com os olhos marejados.
—É a minha vez mamãe. —Cassie diz vindo para os meus braços. Sorrio e lhe entrego a caixa, ela desembrulha e solta um gritinho ao ver um kit de estudo sobre borboletas com vários utensílios com desenhos também de borboleta.
—Ah, esse é o melhor natal de todos. ——Cassi diz batendo palmas e me abraça. —Obrigada mamãe, eu te amo.
—Eu também te amo. —Falo sorrindo e vejo Grace secar algumas lágrimas. Pego outra caixa menor e entrego a Ivy. —Esse é o seu.
—O que é?
—Abre. —Sussurro e ela o faz. Ela olha confusa o colar de outro com a frase ‘Melhores Amigas Para Sempre’ e depois me encara. Puxo o outro colar, igual, do meu pescoço e ela abre a boca surpresa.
—Melhores amigas? —Ivy pergunta com os olhinhos cheios de lágrimas e eu balança a cabeça sorrindo.
Ela se levanta e me abraça apertado. Sinto as lágrimas molhando meu ombro, mas não reclamo, apenas a aperto mais.
—Obrigada, Ana. —Ela sussurra choroso. —Você é a melhor mãe e amiga do mundo. Eu amo você.
—Eu também amo você, meu bem.
Ivy me solta e vai para os braços de Grace que a embala sorrindo. As duas sorriem para mim e eu limpo algumas lágrimas.
—É a minha vez, mamãe? —Allyson pergunta jogando a cabeça para o lado. Balanço a cabeça e lhe entrego a grande caixa. Ela chacoalha com cuidado e me olha com desconfiança fazendo todos rirem. Allyson desembrulha e grita animadamente ao ver um kit de pratos, xícaras, talheres e outras coisas, todos feito com porcelana para a sua casa de boneca. —Isso é tão, tão legal. Obrigada mamãe.
—De nada, meu amor. —Digo rindo da sua euforia. Olho para Phoebe e vejo-a olhar as irmãs emocionada.
—Ana, antes de você me entregar o presente, posso dizer algo? —Phoebe pergunta e eu balanço a cabeça. —Eu... eu sei que você deve sentir falta da sua mãe e da sua filhinha, mas obrigada por ter entrado nas nossas vidas, e obrigada por nos tornar suas filhas, e fazer esses momentos tão especiais. Obrigada por nos amar. Por trazer a tia Amélia de volta... e o principal, obrigada por fazer a nossa família feliz novamente.
Encaro Phoebe sem palavras.
Não Phoebe, são vocês que me fazem feliz novamente.
Enxugo as lágrimas e puxo Phoebe para um abraço apertado. Ela senta ao meu lado e deita a cabeça no meu ombro. Pego com cuidado sua caixa de presente, e lhe estendo.
—Segura direito. —Digo rindo e ela balança a cabeça.
—Ah, meu Deus! —Phoebe grita tirando o filhinho de cachorro de dentro da caixa.
—Cachorrinho. —Allyson e Jennifer dizem juntas
—Ah, Ana. Esse é o melhor de todos natais. Muito obrigada. —Phoebe diz enxugando algumas lágrimas e eu faço o mesmo.
—Agradeça ao seu pai. Ele me ajudou a escolher. —Sussurro sorrindo.
Phoebe sorri amplamente e levanta com o cachorro ainda em mãos, ela corre em busca do pai enquanto nós ficamos na sala abrindo o resto dos presentes. Alguns minutos se passam e todos ficam em alerta e param de falar ou fazer qualquer outra coisa quando ouvimos o grito de Phoebe. Um arrepio me passa. Não é o tipo de grito que me assustaria, como perigo, mas o tipo de grito de dor, que uma mãe conhece bem.
Troco um olhar com Grace e nós levantamos correndo indo atrás de Phoebe. A encontramos próxima a escada, gritando com Christian que não diz nada, apenas olha perdido.
—É verdade? —Ela pede. —Nós vamos para Nova Iorque?
—O que? —Pergunto sentindo meu coração se apertar.
—Que história é essa? —Grace pergunta encarando Christian.
—Desculpe. —Ele murmura encarando Grace. —Eu não queria falar sobre isso. Não hoje. Eu recebia uma boa proposta de um futuro sócio. Ele deu a ideia de transferirmos a GEH para NY, e eu achei a ideia boa...
—Você não pode fazer isso. —Phoebe diz magoa e vem me abraçar. —Ana, não deixa ele nos tirar de você, por favor.
Encaro Christian sem conseguir dizer nada. Ele... ele está me deixando? De novo.
—Eu não sei o que dizer. —Murmuro sentindo, e quase posso ouvir, meu coração se quebrar novamente.
—Ana... eu sinto muito. —Christian sussurra me olhando nos olhos, mas ainda dói.
Dói como antes.
Ele está me deixando de novo, e agora está levando elas? Isso... não.
Solto Phoebe sem dizer nada, apenas atordoada, corro para fora da sala e segundos depois Ethan e Katherine estão ao meu lado, me puxando para um abraço que me faz desabar. Isso não é justo. Ele não pode estar fazendo isso de novo. Ele disse que não iria, mas ele vai.
—Ethan, me leve para casa, por favor. —Imploro segurando a camisa de Ethan e ele me dá um olhar destruído.
—Katherine, cuide de tudo aqui, eu volto quando ela estiver melhor. —Ethan diz me levando para o carro.
—Eu vou atrás. —Katherine diz. —Com a Mia e as crianças.
—Faça como for, então. —Ethan diz abrindo a porta para mim.
Olho para Katherine e balanço a cabeça, entro no carro e meu irmão fecha a porta, depois dá a volta e entra começando a dirigir em direção a saída da casa.
—Eu não entendo... —Sussurro quando já estamos na metade do caminho. —Ele me disse que não iria mais embora. Eu confiei nele, Ethan, eu fui uma tonta.
—Ana, se acalma, por favor. —Ethan pede. —Não vá se trancar de novo.
Fecho meus olhos preferindo o silêncio. Ele não pode estar fazendo isso comigo. Não pode.
Sou jogada para frente quando Ethan freia o carro, por estar sem o cinto, pato a cabeça, mas não me machuco, eu acho. Só dói um pouco. Olho para o lado confusa sem entender o que aconteceu, e tudo que vejo é a cara de espanto do meu irmão.
—Ana... —Ele sussurra olhando algo na estrada.
Viro-me e a pessoa que vejo faz meu coração disparar. Minhas mãos tremes, e se isso for um sonho, eu não quero acordar nunca. Abro a porta do carro devagar e desço olhando para ela... Ah, meu Deus.
—Clarinha... —Sussurro sentindo as lágrimas rolarem.
—Mamãe! —Ela grita e a sua voz me faz chegar ao paraíso.
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