Uma Nova Chance Para o Amor

14 Desentendimentos e Algumas Fugas


Notas iniciais
Meninas, olá *---* , quero agradecer imensamente a Virna Amorim por ter favoritado e, pela bela recomendação que me fez chorar litros. Muito obrigada, rs' Boa leitura amores ♥

Anastásia Steele

Entro na sala e me deparo com seis meninas espalhadas. Algumas assistindo, outras desenhando. Uma brincando com a Bolinha, e Phoebe encostada na janela olhando a chuva. Passando pelas meninas acariciando cabeças e me sento ao lado de Phoebe vendo-a contar gostas no vidro.

—Oi. —Murmuro sorrindo. Ela me olha dando um sorriso fraco e depois vira para a janela de novo. —Ei filha postiça, o que há?

—Ana... eu estou cansada. —Phoebe diz vindo para o meu colo. —Não aguento mais ficar aqui dentro. Já faz mais de um mês que não vamos nem no quintal. Eu estou me sentindo a Ana do Frozen.

—Está mais para Elsa. —Clara diz e Phoebe mostra língua para ela que faz o mesmo. —Começa a cantar coração de gelo.

—Eu vou é te congelar, pirralha. —Phoebe diz fazendo Clara gargalhar. —Eu não aguento mais.

—Ei, calma.

—Mãe... —Ela diz impaciente, mas mesmo assim sorrio, eu amo quando ela me chama assim. —Eu adoro a nossa família, mas ficar presa aqui, aguentando essas nanicas, está me matando. Ao menos eu poderia sair...

—Olá... —Christian diz entrando na sala.

—Papai! —As mais novas gritam, menos Clara, que ainda tem certas desconfianças com Christian. Ela levanta e balança a cabeça saindo da sala com seu tuto colorido balançando por cima da calça.

Phoebe me olha e suspira se levantando, ela vai passar por Christian, mas ele segura o braço dela.

—Está tudo bem? —Ele pergunta preocupado.

—Não que você se importe. —Phoebe diz puxando seu braço e sai da sala, e nesse momento Christian vai atrás.

Hm... isso não vai ser legal. Já faz umas duas semanas que eles estão brigando direto. E eu imagino o porquê. Phoebe tem 14 anos, e simplesmente está sendo obrigada a ficar dentro de casa e longe de todos os amigos porque dois maníacos estão nos perseguindo. Isso é sem dúvidas muito irritante.

Suspiro pesadamente e me levanto ao ouvir os gritos indo atrás deles. Assim que subo as escadas vejo Clara parada em frente ao quarto de Phoebe onde ela discute com o pai.

—Ei Clara, vai lá pegar chocolate. —Falo e ela me olha apavorada correndo para outro lugar. Paro em frente ao quarto e o que ouço acaba comigo.

—Eu não tenho culpa! —Phoebe grita. —Ela pode ser minha mãe, mas eu não pedi para estar aqui. Eu não aguento mais. Desde que a Ana chegou tudo que nós fazemos é nos esconder e correr riscos. Eu quero a minha vida de volta!

—Ana... —Christian sussurra me olhando e Phoebe se vira.

—Phoebe, para cama. —Ordeno. —Já são quase nove horas.

—Você não manda em mim. —Phoebe diz magoada. —Minhas irmãs podem te idolatrar e o que seja. Mas você não é minha mãe!

—Eu sei disso, mas eu estou mandando você para cama, e você vai obedecer. —Falo calmamente. —Christian, é a sua vez de colocar as meninas na cama, e por favor, cheque todas as janelas. Eu não quero outra gripe.

—Tudo bem... —Christian murmura, mas continua parado. Ele suspira e me olha saindo do quarto. Entro e encaro Phoebe.

—Para a cama. —Ordeno cruzando os braços.

—Você vai me obrigar? —Ela pergunta chorando. —Vai me bater por a caso?

—Não, eu vou fazer melhor. Eu não vou cair no seu joguinho. —Falo deixando-a muda. —Você pode pensar o que for. Que eu tomei seu lugar na vida das suas irmãs ou do seu pai, para mim não importa. Phoebe, entenda que você tem 14 anos, e não é mais do que uma criança que quis tomar o lugar de mãe na vida das irmãs, mas você não é mãe delas. Então eu vou sim cuidar de você, e isso implica impor limites, e eu vou fazer. Você não vai mais falar com seu pai dessa forma, entendeu? E tudo que ele falar é ordem. Ele se mata para te proteger. Então você obedeça, e agora é hora de dormir. Entendeu?

—Você...

—Entendeu Phoebe?

—Sim. —Ela diz desviando o olhar e vai para o banheiro.

Suspiro com o coração apertado e saio do quarto. Eu odeio ter que ser dura com as pessoas, principalmente com as minhas filhas. Mas eu não vou deixar Phoebe achar que é uma adulta e tratar todos como bem quer. Ela tem 14 anos e passou por momentos difíceis, mas há limites que precisam ser impostos para todos.

Caminho pelo corredor e vejo que Christian está no quarto de Ivy e Cassie, ajeitando-as na cama. Passo no quarto no quarto de Allyson e Clara, mas só encontro Allyson, aproximo-me e sento ao seu lado.

—Mamãe, a Phoebe ainda está mal? —Allyson pergunta mexendo nas orelhas do seu ursinho.

—Um pouco, mas ela vai ficar bem. Ok? —Sussurro e ela balança a cabeça. —Boa noite bonequinha.

—Boa noite mamãe, eu te amo.

—Eu também te amo. —Falo dando um beijo em sua testa e saio do quarto atrás de Clara. Procuro primeiro aqui em cima, e depois vu para o andar de baixo.

Quando entro na sala vejo apenas Bolinha se enrolando em um novelo de lã. Sorrio e quando passo por ela tenho minhas pernas atacadas. Empurro-a com o pé e ela corre batendo na parede. Gargalho com a cena. Que gatinha doida. Vou em direção a cozinha e vejo a janela do corredor aberta. Ah, Christian!

Fecho a janela e sigo para a cozinha onde encontro Gail limpando algumas coisas.

—Gail, tudo certo para a chegada da Jesse? —Pergunto e ela logo sorri.

—Ah, sim. —Ela diz com alegria evidente. —Amanhã ela estará aqui.

—Eu fico feliz. Bom... você viu a Clarinha?

—Não... aliás, ela veio aqui pegou alguns biscoitos e saiu.

—Hm, essa garotinha está comendo muitos biscoitos antes de dormir. —Falo desconfiada. —Obrigada, eu vou se a acho. Boa noite.

—Boa noite.

♩ ♪ ♫ ♬

Phoebe Grey

Ah, eu me sinto tão idiota que nem consigo ler! Fecho meu livro e o coloco de lado. Eu sei que papai e Ana estão fazendo tudo, mas está tão difícil ficar presa aqui, se ninguém com mais de nove anos para conversar, que não sejam meus pais. Levanto-me e decido ir tomar chocolate quente. Todos já devem estar dormindo mesmo.

Abro a porta do quarto e vejo Ana passar correndo.

—Ana... —Sussurro, mas ela não me ouve, apenas corre até o quarto de Cassie e Ivy.

—Christian, eu não consigo encontrar a Clara. —Ela diz e eu sinto meu coração se apertar.

—O que? —Ouço papai gritar. —Você já procurou pela casa?

—Sim, a Gail e os outros empregados me ajudaram, mas ela não está em lugar algum.

—Merda!

Papai sai do quarto e passa por mim feito um furacão, indo em direção as escadas. Ana passa logo atrás, e assim que eles somem vejo Ivy, Cassie e Allyson paradas nas portas dos quartos. Jennifer aparece em seguida com a maior cara de sono.

—Pheebs, a Clarinha sumiu? —Allyson pergunta vindo me abraçar entre lágrimas.

—Eu não sei... —Sussurro recebendo minhas outras irmãs. —Venham, fiquem aqui na minha cama, eu vou ver o que aconteceu.

Deixo minhas irmãs na minha cama e vou atrás dos meus pais. Encontro-os na sala. Papai gritando no telefone e mamãe aos prantos enquanto Gail tenta acalmá-la com um chá. Paro na porta e encaro papai, e pelo seu olhar, não está nada bem. A preocupação me sobe. Onde será que Clara se meteu? Isso tudo é por minha causa! Ela me viu discutindo com papai e deve ter ficado apavorada.

Droga! Como eu sou idiota.

—Phoebe... —Papai chama e eu levanto a cabeça encarando-o. Ele se aproxima e segura meus ombros. —As coisas estão ruins.

—Onde está a Clara? —Pergunto preocupada.

—Ela fugiu.

—Fugiu?

—Sim. O Taylor viu as imagens das câmeras. Ela saiu pela janela do corredor, e conseguiu passar sem ser vista, por ser baixinha. Eles estão procurando por ela, e eu preciso que você fique bem.

—Papai. —Sussurro abraçando-o e elas lágrimas começam a cair. —Encontra minha irmãzinha. Eu não vou mais discutir, só a traga para casa.

—Tudo bem, querida. —Papai sussurra olhando para algo e eu me viro vendo minhas irmãs, todas de pijamas, paradas a porta da sala.

—Eu vou leva-las para a cama. —Sussurro olhando para Ana que me dá um olhar de esmagar o coração.

—Tudo bem, querida.

Abaixo-me e pego Jennifer no colo, seguro a mão de Allyson e olho para as gêmeas, elas olham preocupadas para Ana, mas entendem o recado e me seguem de volta para o quarto. Coloco todas na minha cama e espero-as dormir, o que leva muito tempo, já que todas estão preocupadas com Clara.

Quando são cerca de três ou quarto da manhã, minhas irmãs pegam no sono, e eu vou ver meus pais. Entro na sala e encontro Gail ao lado de mamãe que está dormindo no sofá. Acabo sorrindo, não foi difícil ter Ana como mãe, e tão pouco chamá-la assim. Ela é simplesmente a pessoa que qualquer um ia querer como mãe. E eu fui tão boba com ela.

—Gail, onde está meu pai? —Pergunto me aproximando e sento em frente ao sofá.

—Saiu com os seguranças para procurar a menina. —Gail diz preocupada.

—Entendo... —Sussurro com a mesma preocupação. —Vá descansar um pouco, eu fico com a minha mãe.

—Tudo bem. —Gail diz e se levanta pegando as xícaras de chá e indo em direção a cozinha.

—Mamãe... —Sussurro e Ana abre os olhos.

—Oi... —Ela diz e as lágrimas começam a cair. —Seu pai já voltou?

—Nós duas sabemos que ele só vai voltar com a Clara...

—Ah, eu estou tão preocupada. —Ela diz e se senta enterrando o rosto entre as mãos. —Eu não vou suportar perde-la.

—Você não vai perde-la. Todos sabem que ela está viva, e o papai vai encontrá-la. Eu tenho certeza.

—Eu queria ter sua fé.

—Não se preocupe, ela vai voltar. Agora... —Sento-me no sofá e a puxo para meus braços —Eu vou cuidar de você, e fazer um cafuné.

—Obrigada. —Mamãe diz sorrindo e se aconchega nos meus braços enquanto mexo nos seus cabelos.

As horas começam a passar... mamãe acorda e dorme novamente. Gail volta a sala e me oferece algo para comer, mas eu não consigo. Ela vai ver minhas irmãs e volta com as quatro, todas já depois de tomarem banho e com roupas limpas. Meu coração se parte quando não vejo Clara entre elas. Ela é a mais nova irmã, e a mais implicante possível, mas ela tem um jeitinho que é só dela. A Clarinha já é da família, e ela tem que estar conosco.

Papai volta por volta das duas da tarde, ele olha para mamãe e ela começa a chorar instantaneamente, entendo que ele não achou Clara, mas ele explica que há policias e seguranças procurando-a. Meus tios e tias também vem, eles chegam pouco depois de papai, com meus primos. Mamãe fica mais calma com a presença deles, mas a dor está em seu olhar.

Por volta das quatro a filha de Gail chega. Como todos estão meio depressivos, e Gail está ajudando, eu me ofereço para mostrar a casa para ela e o quarto que vai ser dela.

—Minha mãe disse que sua irmãzinha sumiu... —Jesse diz quando estamos no quarto.

—Sim. —Suspiro. —Ela me viu discutindo com nosso pai, e acho que ficou bem assustada.

—A ponto de fugir?

—Bem... eu não sei se é só isso. —Murmuro. —Tudo está acontecendo misturado. Nós estamos sendo perseguidos por dois loucos... inimigos, digamos assim. E temos que passar o dia todo presas aqui. Talvez ela também estivesse mal. Ela ficou dois anos sequestrada, e estar presa deveria estar matando-a.

—Você a conhece bem. —Jesse diz.

—Acho que sim. —Sussurro. —Ela é minha irmãzinha mais chata, a mais irritante, mas nesse momento eu daria tudo para ela estar aqui de novo.

—Vocês não têm ideia de onde ela possa estar?

—Não...

—Meu pai é detetive, sabia? Por isso ele foi embora.

—Sinto muito.

—Não sinta. —Ela diz sorrindo e senta na pontinha da cama. —Ele me ensinou que quando alguém some, crianças principalmente, você deve procurar nos lugares que ela mais gosta...

—É, mas nós fomos a poucos lugares e o único favorito é... espera! —Grito me levantando. —Eu acho que sei onde ela está.

—Sabe? Então conta para os seus pais.

—Não. —Murmuro. —Eu preciso ajeitar as coisas. E só tem dois lugares onde ela estaria. Eu vou atrás dela.

—Ficou louca? —Jesse pergunta.

—É o único jeito. —Murmuro pegando minhas botas e calçando-as. Pego meu gorro e meu casaco.

—Mas se algo acontecer com você?

—Não vai. Nesse momento tem policiais e seguranças em toda a cidade.

—Então eu vou com você! —Ela diz autoritária.

—Tem certeza? —Pergunto confusa. —Por quê?

—Bom, eu quero ajudar. —Jesse murmura. —E se eu tivesse uma irmãzinha, faria o mesmo.

—Está bem. —Digo sorrindo. —Eu preciso de mais um casaco e um cobertor. Lá fora está frio e ela saiu sem nada.

—Aqui. —Jesse fala pegando a sua mochila. —Tem isso e mais algumas coisas. Acho que vai ajudar.

—Ótimo. Vamos.

—Espera, como nós vamos sair?

—Escritório do papai. —Sussurro sorrindo. —Ele nunca tranca a janela, e seguindo pelo canteiro de rosas, a gente sai por uma porta quase secreta, mas só eu e a Clara sabemos disso.

—Isso explica com ela fugiu. —Jesse diz rindo.

♩ ♪ ♫ ♬

Paro em frente ao Pet Shop e olho em volta. Droga! Ela deveria estar aqui.

—Tem certeza que ela está aqui? —Jesse pergunta.

—Sim. Nós fomos a praça, e ela não estava. Aqui é o único lugar. —Murmuro olhando para a vitrine com cachorros.

—Hã... Phoebe... —Jesse sussurra segurando meu casaco.

—O que foi? —Pergunto sem olhá-la.

—Acho que encontrei sua irmã. —Ela diz e eu me viro. —Mas alguém nos encontrou.

Viro-me olhando em volta e vejo Clara sentada em baixo de uma arvore com algo que parece ser um cachorro, e alguns metros de nós, há um carro parado, com um homem dentro nos olhando, e pelo visto, não é a polícia, nem os homens do papai. Sinto um arrepio me tomar.

Droga.

—Nós vamos ser rápidas. —Jesse diz virando devagar. —Vamos fingir que não vimos.

—Mas e se ele vier atrás de nós? —Pergunto enquanto ela me arrasta até Clara.

—Nós corremos. —Ela diz colocando a mão no bolso do casaco.

Andamos rapidamente até a árvore e eu vejo que é realmente Clara, mas é impossível vê-la aqui. A grama está alta e há algumas pedras grandes ao redor.

—Phoebe! —Clara diz assim me vê.

—Clara! —Falo puxando-a para os meus braços e sinto sua pele gelada e seu queixo tremendo. —Ficou maluca? Que ideia foi essa de fugir?

—Você discutiu com o Christian. —Ela diz encolhendo os ombros.

—Aquelas coisas não eram de verdade...

—Não?

—Phoebe, ele desceu do carro. —Jesse diz.

—Clara, nós temos que ir.

—Não! —Ela diz olha para o cachorro, e só agora noto que ele está com uma corda no pescoço, presa a arvore, e essa mesma corda o está enforcando. O cachorro é cor de caramelo e está muito magro. —Nós não podemos deixa-lo.

—Clara...

—Phoebe, eu juro que não implico mais com você! —Ela diz juntando as mãozinhas. —Ele vai morrer. Ele não merece isso!

—Phoebe vamos! —Jesse fala e eu me viro vendo o cara parar por causa de algumas viaturas que estão passando, mas também não nos veem.

—Jesse, me ajuda. —Falo olhando para o cachorrinho e meu coração se parte.

Ela tira a bolsa das costas e pega o casaco me entregando, enrolo em Clara. Jesse tira um canivete do bolso me assustando por alguns segundos, mas consegue soltar o cachorro, ela o enrola na coberta e o encara com horror.

—Que babaca faria isso com um cachorrinho?

—Ei! Vocês! —O cara grita e Clara se apavora.

—Phoebe, é o papai! —Ela diz me agarrando. —Não deixa ele me levar de novo.

—Vamos Jesse! —Grito quando ele começa a correr.

Jesse levanta com o cachorro jogando a alça da mochila sobre o ombro e eu levanto com Clara, sem pensar nós começamos a correr para procurar as malditas viaturas que acabaram de passar, mas nem sinal delas. O homem, que deve ser José, ainda corre atrás de nós e quando estamos virando a esquina sinto meus pés escorregaram no gelo e vou ao chão com Clara em meus braços.

—Agora eu peguei vocês. —José sussurra se aproximando com uma arma na mão, e tudo que ouço quando fecho os olhos é um tiro e meu braço queimar.

Notas finais
Boa noite ♥