Uma Nova Chance Para o Amor

12 Banho de Chuva na Simplicidade


Notas iniciais
Meus amorees, olá :D :D :D , como vocês estão? Estou muito feliz com os comentários, vocês são as melhores leitoras do mundo todo ♥ Espero que gostem do cap. Beijos ♥

Anastásia Steele

Christian entra na sala trazendo Clara em seus braços, e não sei por que, mas a cena de alguma forma absurda, mexe comigo. Sorrio para ele que sorrio de volta, e alguns pigarreios são ouvidos.

—Tem vinho na geladeira, e torta de maçã. —Sussurro e vejo meus irmãos e cunhadas se levantarem e irem para a cozinha, deixando apenas as crianças nos sofás dormindo.

—Oi. —Christian diz dando seu sorriso caloroso e meu coração dispara, principalmente quando ele começa a se aproximar.

—Oi... —Sussurro olhando em seus olhos quando ele já está parado na minha frente. —Então você é o moço bonzinho?

—Acho que sim. —Ele diz sorrindo para Clara que sorri envergonhada e esconde o rosto entre suas pequenas mãos.

—Onde estão as meninas? —Pergunto preocupada.

—Em casa... elas dormiram, finalmente. —Christian diz exasperado.

—Eu vou vê-la depois.

—Eu sei, mas será que eu posso falar com você antes?

—Claro. —Murmuro suavemente. —Clara, por que você não vai dar ração para a Bolinha?

—Está bem mamãe. —Clara diz descendo dos braços de Christian e pega a gatinha indo em direção a cozinha.

Seguro a mão de Christian e o conduzo até meu quarto. Sento-me na pontinha da cama e ele se senta também, viro-me para ele e o olho com expectativa. Ele ri e balança a cabeça negativamente, segundos depois seus dedos estão percorrendo meu rosto com cuidado. Jogando a cabeça para o lado ele sorri de forma tímida.

—Eu sinto muito. —Christian fala me olhando e vejo a sinceridade em seus olhos.

—Eu não. —Murmuro deixando-o surpreso. —Você estava tentando me salva, e salvar minha filha. E agora ela está aqui.

—Ana... você é ótima. —Ele fala sorrindo. —Mas ainda corre perigos.

—Eu sei. —Suspiro pesadamente e encaro a parede.

—O que você pretende fazer?

—O Ethan acha melhor eu sumir por um tempo, com a Clara. Ficar em um lugar onde ninguém me conheça.

—Impossível. Cantora famosa.

—Não mais. —Digo calmamente.

—Como assim?

—Eu desisti da minha carreira há três dias.

—Você o que? —Christian grita se levantando.

—Ei. —Levanto e o encaro.

—É a sua vida. Cantar.

—Não Christian. —Murmuro calmamente. —Cantar sempre foi para oprimir minha dor. Eu me entregava a música para não me entregar a ninguém, ao amor. Eu vivia só para isso, mas eu preciso viver, viver de verdade. Sabe quanto dinheiro e status eu juntei? Eu tenho dinheiro suficiente para viver de forma maravilhosa até o fim da vida e ainda deixar uma boa herança. Eu tenho propriedades em muitos lugares..., mas essa garota não sou eu.

—Não?

—Não? —Falo sorrindo entre as lágrimas. —Eu ainda sou aquela menina. Lembra? Aquela que você irritava, aquela que adorava a vida e adorava viver. Eu a perdi por muitos anos..., mas depois de conhecer suas filhas, eu me reencontrei. E é para isso que eu quero viver. Para mim. Eu quero ser feliz de verdade. Sem mentiras. Quero abraçar meus irmãos, chama-los por apelidos carinhosos novamente. Eu quero me olhar no espelho em um dia quando eu acordar e me sentir maravilhosa e cantar... só estava me afundando mais. Eu amo cantar, mas cantar não é tudo que eu sou.

Christian me olha em silêncio e fica assim por segundos, eu, parada, fico esperando sua reação e então, depois de um suspiro, aliviado, ele me puxa para os seus braços, apertando-me em um abraço necessitado e caloroso. Seus lábios colam as meus sem eu perceber e minhas pernas bambeiam. Sua língua encontra a minha com suavidade fazendo meu corpo tremer. Minhas mãos começam a formigar e voam para os seus cabelos de forma involuntária, puxando-os com cuidado.

Meu corpo treme mais, meu coração está num ritmo acelerado, assim como o seu que posso sentir grudado ao meu, então ele se afasta, se curvando um pouco apoia as mãos nos joelhos. Sorrio e ele solta um riso abafado.

—Anastásia Steele, como eu te amo. —Christian fala e eu sinto minhas bochechas queimarem. —Eu tive uma ideia.

—Que ideia? —Pergunto quando ele se endireita.

—Só me dê alguns minutos. —Christian diz saindo do quarto e eu olho confusa para a porta, por onde ele acabou de sair.

Caminho até a janela e me sento no banco embutido, por um segundo, como um flash, a minha vida se passa toda pela minha cabeça. A infância perfeita ao lado da minha mãe, sua morte, os cuidados que meus irmãos tiveram comigo depois. A amizade de Christian, sua partida, a chegada de Mia e minha carreira começando. O nascimento dos meus sobrinhos. A explosão da minha carreira, logo em seguida conhecer José, o nascimento de Maria Clara, dois anos depois a suposta morte... a volta de Christian, o pensamento de faz sorrir. Conhecer suas filhas, e agora ter minha filha de volta. Não, a vida não poderia ter sido melhor.

Eu sei que ainda há muito a saber, sobre José e Elena, e isso me apavora, porque eles ainda podem fazer mal a minha família, e eu não acredito que José é capaz de tudo isso. Eu sabia como ele era interesseiro, mas isso? Isso é demais! Nós fomos casados, e agora eu sinto que eu nunca o conheci.

Pensando em tudo, desistir da minha carreira foi o maior passo. Isso sempre foi minha zona de conforto, era sempre para a música que eu corria quando tudo estava mal, mas agora eu percebo que nunca vivi de verdade, e me ‘aposentar’ é o melhor que eu faço para mim... é claro que eu ganhei muitas pessoas maravilhosas em toda a minha jornada, mas é como minha mãe sempre dizia: “As pessoas vão entrar e sair da sua vida, e tudo isso porque elas têm que deixar uma marca em você, positiva ou não, e depois elas vão seguir em frente, e deixar marcas em outras pessoas, e assim é o ciclo da vida”.

Agora, anos depois da sua morte, eu entendo tudo que ela me dizia. E eu ainda posso ouvir cada palavra. Ela foi a minha maior professora, eu aprendi a ser alguém do bem com ela, e perdi essa pessoa que ela me ensinou a ser..., mas eu descobri, hoje, que ainda posso ser aquela garota.

Sinto um toque sobre meu ombro e me viro assustada vendo Christian, ele ri e balança a cabeça.

—Sonhando acordada?

—Acho que sim. —Murmuro sorrindo. —Aonde você foi?

—Falar com seus irmãos.

—Sobre?

—Você disse que o Ethan acha melhor você estar em um lugar onde ninguém te conheça, ao menos que ninguém possa te achar.

—Sim.

—Eu tenho o lugar perfeito.

—Tem?

—Sim, uma casa em Aspen Colorado. Ninguém, fora a família, sabe sobre essa casa.

—E o que você está propondo, Sr. Grey?

—Que você e sua filha, aceitem morar comigo e minhas filhas por um tempo, até a poeira abaixar. Uns dois meses ou mais. O que me dizer?

Mordo o lábio para prender o sorriso, mas balanço a cabeça. Christian sorri de forma ampla e me puxa para seus braços.

—Ah, Anastásia, como eu te amo.

—Eu também te amo, Christian.

♩ ♪ ♫ ♬

Horas mais tarde...

Christian Grey

Entro no quarto de Phoebe depois de fazer as malas das quatro mais novas. Aproximo-me da cama e sorrio ao ver minha menina dormindo. Menina. Acho que ela já não é mais minha bebê. Minha princesinha. Ela é uma moça tão bonita e determinada, e já abriu mão de tantas coisas. Agora é a minha vez de abrir mão das coisas por ela.

Algo se mexe na cama e eu sorrio ao ver o cachorrinho ao lado de Phoebe. Acho que ela deu o nome dele de Toby, algo assim.

Acaricio os cabelos de Phoebe e ela acorda assustada.

—Pai?

—Desculpe, eu não queria te acordar. —Murmuro. —Você ainda está muito chateada?

—Eu não sei. —Ela diz se sentando. —Você está de terno ainda, que horas são?

—Cerca de quatro Horas. —Digo calmamente.

—Aconteceu algo?

—Sim. Eu preciso te explicar algumas coisas. Promete me ouvir?

—Sim. —Phoebe diz preocupada.

Suspiro pesadamente e começo a contar tudo para ela. Desde a primeira vez que José e Elena me ligaram até a noite passada com o aparecimento de Maria Clara.

—A filha da Ana está viva?

—Sim. —Murmuro sorrindo.

—Eu não entendo. Por que você está me contando agora se nós vamos embora?

—Filha, nós, a Ana e a Clara, ainda corremos muitos riscos. Por isso, você precisa fazer suas malas, nós estamos indo para Aspen.

—Aspen? —Phoebe pergunta apavorada. —Por quê?

—Proteção. —Murmuro me levantando. —Agora vá?

—Papai, mas e a Ana? —Ela pergunta chorando. —Ela... eu não quero ficar sem ela.

—Você não vai. A Ana aceitou vir conosco.

—Mesmo?

—Sim, agora as malas. —Falo rindo e ela corre para o closet.

Ah, Phoebe...

♩ ♪ ♫ ♬

Anastásia Steele

Termino de arrumar minhas malas e vou até a sala onde Clara está vendo TV. Paro a porta e sorrio. Eu mal posso acreditar que ela realmente está aqui. Clara se vira como soubesse que estou olhando-a. Ela sorri e se vira de novo para a TV.

—Quer chocolate quente?

—Você ainda tem minha xícara de gatinho?

—Claro que sim. —Falo revirando os olhos. —Eu só doei suas roupas, filha. Os brinquedos e o resto eu guardei tudo, e você vai ter tudo de volta.

—Em Aspen? —Ela pergunta sorrindo.

—Sim. Agora vem.

Clara suspira e desce do sofá me seguindo até a cozinha, pego-a no colo e coloco-a sentada em cima do balcão. Ela sorri amplamente quando pego sua xícara de gatinho e começo a preparar seu chocolate quente com marshmallows.

—Mamãe, o tio Christian tem filhas, não é?

—Sim. —Murmuro entregando sua xícara e me encosto no balcão.

—Cinco?

—Sim.

—Mas são muitas filhas.

—É. —Digo rindo.

—Quantos anos elas têm?

—A Phoebe é a mais velha, tem 14, a Ivy e a Cassie são adotadas, asiáticas, e são gêmeas...

—Gêmeas? —Phoebe diz bastante animada.

—Sim.

—Quantos anos elas têm?

—Nove. —Falo sorrindo. —A Allyson tem cinco e a Jennifer dois.

—Uau. —Clara diz sorrindo.

—Ana?

Clara me olha e sorri assim como eu quando ouvimos a voz de Christian.

—Na cozinha. —Dizemos ao mesmo tempo e rimos.

Christian entra na cozinha e nos olha de cima abaixo. Eu estou usando uma regata branca e short preto, e Clara está com a roupa parecida, ou igual, e nossos cabelos estão presos em coques.

—Vocês realmente são parecidas. —Ele diz rindo e vem me dar um beijo, depois em Clara.

—Tio Christian, quem é a mãe das suas filhas? —Clara pergunta pegando nós dois de surpresa.

—Hã... elas não têm. —Christian diz e eu o encaro. —Na verdade, a mãe delas morreu, mas elas arrumaram uma mãe de coração.

—Quem? —Clara pergunta animada.

—A sua mamãe... —Christian sussurra deixando minha filha boquiaberta.

—Uau! —Ela exclama colocando as mãos nas bochechas. —Então quer dizer que eu tenho cinco irmãs? Isso é tão legal.

—É sim. —Christian diz rindo e coloca Clara no chão. —Vamos lá conhecer suas irmãs, então?

—Sim. —Maria Clara grita sorrindo.

Sorrio com a cena dos dois. Isso é tão mágico de alguma forma.

Clara segura minha mão e a de Christian e começa a nos puxar para a sala. Assim que entramos encontramos nossas cinco outras filhas sentadas no sofá, uma do lado da outra, em ordem de tamanho esperando ansiosamente por nós. Phoebe sorri assim que me vê, ela levanta fazendo as outras levantarem, e todas, todas mesmo, encaram Maria Clara que não parece nenhum pouco envergonhada.

Ela solta a nossa mão e caminha primeiro até Phoebe que se abaixa em sua frente. Clara sorri para mim e depois volta sua atenção a Phoebe. E com o jeitinho que eu conheço bem, para memorizar as pessoas, ela acaricia o rosto de Phoebe com as duas mãos, usando as pontinhas dos dedos.

Phoebe fecha os olhos e sorri com o toque de Clara.

—Você a Phoebe, não é? —Clara pergunta e Phoebe abre os olhos sorrindo.

—Sou sim, e você deve ser a Maria Clara.

—Clarinha. —Clara fala e Phoebe sorri.

Minha pequena caminha para o lado e para em frente a Ivy. Ivy ri e tira os óculos. Clara sorri para ela e para Cassie também, ela levanta as duas mãozinhas e acaricia os rostos das duas ao mesmo tempo. Cassie e Ivy sorriem amplamente com o toque.

—Vocês são parecidas. Muito. —Clara diz rindo e as gêmeas riem.

—Eu sou a Ivy.

—E eu a Cassie.

—Ivy usa óculos e tem um estilo legal. —Clara diz memorizando. Ela olha para a presilha de borboleta no cabelo de Cassie e sorri. —E a Cassie gosta de borboleta como a mamãe.

Troco um olhar com Christian e vejo a mesma emoção e orgulho em seus olhos. Viramos ao mesmo tempo para ver Clara continuar a conhecer as novas irmãs. Ela para em frente a Allyson que ri jogando a cabeça para o lado. Allyson pega na mão de Clara e a coloca sobre seu rosto fazendo algumas lágrimas caírem sobre meu rosto.

Maria Clara começa a acariciar o rosto de Allyson, e para a nossa surpresa, ela faz o mesmo. As duas sorriem ao mesmo tempo e eu acho a cena mais linda do mundo.

Segundos depois Clara está em frente a Jennifer, e sapequinha como é, ela abraça Clara sem mais nem menos. Clara ri.

—A Jennifer tem cheirinho bom, e gosta de abraços. —Clara diz sorrindo e solta Jennifer dando um passo para trás. Ela olha as cinco meninas e bate palmas. —Mamãe eu amei minhas novas irmãs.

Sorrio e enxugo algumas lágrimas, viro-me para Christian e o vejo sorrir.

Isso é perfeito. Eu não poderia estar mais feliz. Não mesmo.

Notas finais
Boa Noite ♥