Uma Noite no Campo

4 Capítulo 4 - Lembranças da meia noite.


Notas iniciais
Não está betado.

O caminho de volta ao Santuário foi muito silencioso. Silencioso até demais eu diria. Nem eu e nem Ikki tivemos coragem para falar mais nada depois daquele breve histórico de todas as coisas que fiz, no caso que fizemos. Aquelas palavras, pronunciadas com aquela voz enrouquecida, misturado com aquele olhar malicioso que ele me lançava o tempo inteiro enquanto narrava a noite que passamos na cabana me deram a mais plena certeza de que não só eu o queria, mas ele também me desejava da mesma forma.

E essa constatação me levou a outro problema: Shun. O irmão mais novo do Ikki, meu amigo, a pessoa que se declarou para mim poucos instantes antes de sentir o fogo da fênix na minha pele. Como iria explicar que eu não poderia ficar com ele porque na verdade eu queria o seu irmão? Era cruel eu sei, mas era a verdade e eu nunca quis enganá-lo, mentir para ele, por isso eu precisava contar, não sei se sobre a noite passada, mas pelo menos sobre meus sentimentos.

Meus sentimentos. Outro terreno fértil para problemas. Pois que não tinha a menor idéia do que sentia por Ikki. Quer dizer, era fato que sentíamos um tesão absurdo um pelo outro, que só não transamos de fato em respeito ao Shun, mas sentimento... Será que eu o amava? Ou pior, será que ele me amava? Logo Ikki que sempre se mostrou tão arredio, tão bruto comigo... E Shun sempre tão amável, ele me amava sem dúvida. Será que valeria a pena trocá-lo por um homem como Ikki? Balancei a cabeça negativamente tentando afugentar esse pensamento. Não era justo com Shun que eu o tratasse dessa forma. Ele merecia alguém que estivesse com ele por inteiro.

Suspirei pesadamente enquanto caminhava na direção da pequena casa da vila dos cavaleiros, onde moravam os irmãos Amamyia. Eu ainda estava incerto do que iria dizer, mas fui mesmo assim. Não sou de ficar enrolando assuntos, principalmente quando envolve os meus amigos. Era fim de tarde e estava uma temperatura agradável, uma garoa fina refrescava e dava um ar ainda mais intimista para o momento. Assim que cheguei bati na porta, não queria dar tempo para o arrependimento.

Ainda bem que quem me recebeu foi o próprio Shun. Não sei como seria minha reação se visse Ikki depois do que aconteceu. Ele me sorriu abertamente e eu sorri constrangido. Isso vai ser mais difícil do que imaginei...

- Oi Hyoga! Por favor, entre... – Ele me ofereceu e eu não recusei, entrei meio timidamente e sondei para saber se estávamos sozinhos. Aparentemente sim. – Fica a vontade! – Ele provavelmente percebeu meu desconforto. — Eu estava preparando um café. Você aceita? — Ele perguntou indo em direção a cozinha.

- Eu aceito sim. – Um café seria uma boa idéia. Talvez a cafeína me desse mais coragem. – Você está sozinho? – Perguntei assim que cheguei à cozinha. A curiosidade foi maior que eu.

- Estou. O Ikki passou a noite fora e assim que chegou tomou um banho e saiu de novo. Eu acho que ele foi pro templo do Shaka. – Ele dizia enquanto coava o café.E ainda bem, pois assim ele não percebeu a expressão contrariada que se formou involuntariamente em minha face.

- E porque você acha isso? - Era bom que estivéssemos sozinhos, mas o que ele poderia ter ido fazer na casa do loiro indiano?

- Ahh porque ele sempre vai pra lá. – Ele disse tão naturalmente que me assustou. Será que eles...?

- Sempre? Eu não sabia que eles eram assim tão amigos. – Eu disse quase como num sussurro, sentindo pela primeira vez uma coisa em meu estômago que era estranho e difícil definir. A palavra ciúme gritava na minha mente apesar de eu relutar contra ela. Não posso estar com ciúmes....

- É, mas eles são. Estranho não é? – Shun riu divertido enquanto colocava o café na mesa me indicando para sentar junto com ele. – O Ikki é todo explosivo e impulsivo e o Shaka é todo pacífico e racional. Mas por incrível que pareça eles se dão muito bem. É como dizem, os opostos se atraem. – Shun ia dizendo sem perceber o estado que me deixava. Sentia-me sendo tragado pela cadeira, olhando fixamente para aquela mesa apesar de não ser ela quem eu estava enxergando. Sim, os opostos se atraem...

- Você acha que eles têm alguma coisa? – Foi inevitável e mais forte que eu. Ele me olhou curioso e desatou a rir. Eu não entendi e fiquei esperando o que ele diria.

- O Ikki e o Shaka?? Claro que não, Hyoga! – Ele disse enquanto ria ainda mais de mim.

- Por quê? Os opostos se atraem como você disse... – Não sei por que ele achou aquilo tão absurdo afinal se eles se dão bem, porque não?

- Sim, mas não é o caso deles. Você fala isso porque nunca os viu juntos, mas na verdade eles são só amigos. Ou melhor, o Shaka funciona meio que como um irmão mais velho que ele nunca teve. Acho que aquela luta gerou um respeito mútuo entre eles que se estendeu para a vida. E, além disso, pelo que sei, o Shaka já tem outro. — Eu arregalei os olhos ao ouvir tais palavras.

- O Shaka?? – E eu que sempre pensei que ele fosse meio assexuado.

- Sim, pelo que sei rola alguma coisa entre ele e o Mu. – Pisquei algumas vezes diante da informação. É.... até que ver aqueles dois juntos faz um pouco de sentido. – Mas você veio aqui pra falar do Ikki? – Shun interrompeu meus pensamentos. Respondi de imediato, sem pensar, mas acabei me arrependendo.

- Não! – A negação saiu meio que por impulso, mas ela por si só já era uma mentira e eu vim aqui justamente porque não quero mentir pra ele. Droga! Eu estava começando a me enrolar, massageei meu pescoço meio sem jeito, pensando numa forma de consertar. – Quer dizer, mais ou menos... – Eu disse e vi pela expressão dele que ele não tinha entendido. Claro, nem eu entendi o que acabei de dizer!

- Bom... então essa não é uma visita só de amigo... – Ele concluiu hesitante.

-Não Shun... eu... eu vim aqui conversar com você. Sobre o que você me pediu... – Definitivamente eu não tinha o menor jeito pra isso e acabei deixando o clima ficar mais tenso do que eu gostaria.

- Olha Hyoga... Você não precisa me dizer nada agora. Eu disse que te daria um tempo e é o que farei. O tempo que você precisar... – Ele argumentou não sei se pelo meu nervosismo com a situação ou se intuiu o que eu iria dizer.

- Não.... Eu não preciso mais de tempo... Eu já tenho a resposta. – Eu disse sem a menor convicção e espero que ele não tenha percebido. Ele respirou fundo e voltou a me encarar.

- E então?

- Eu.. eu quero que saiba que eu gosto muito de você Shun, de verdade. Você é uma pessoa muito especial e seria ótimo se ficássemos juntos porque nós nos damos muito bem, como você mesmo disse. E... bem, como vê eu pensei muito sobre o que você falou, pensei por toda essa noite... – Confesso que eu menti ai, mas eu tinha que justificar o que estava falando e é claro que aquilo não estava fazendo o menor sentido nem pra mim mesmo. Parei para respirar e beber mais café. Acho que a essa altura ele já saiba a minha resposta, o ar triste que ele adquiriu é inconfundível. — E eu cheguei a conclusão de que... o melhor tanto para mim quanto para você... o melhor é continuarmos só amigos, apesar de tudo o que falei. Por que... eu acho que você merece alguém que te ame de verdade, entende?

- Hyoga, eu até entendo, mas eu não concordo. Quer dizer, a menos que você ache que não pode me amar. Você acha que não conseguirá me amar? – Eu odeio quando ele faz aquele olhar.

- Não! Não é isso! Você é uma pessoa adorável, você é encantador, prestativo, é bonito, qualquer um poderia amar você com facilidade! – Tentei consertar, mas acho que a emenda saiu pior que o soneto!

- Então... se você acha isso... então porque não pode me amar? Se agente se entende tão bem, somos amigos, se eu sou tudo isso o que você falou, então... porque você não poderia aprender a me amar? Nós dois estamos sozinhos e... – Ele parou por um instante e me encarou surpreso. – Você... você está sozinho não está?

- Estou solteiro. – Eu não menti, eu não menti.

- Eu quis dizer, perguntei se está sozinho, se eu o seu coração está sozinho... – Ele me questionou e eu não soube o que dizer e por isso me calei. Eu não tinha uma resposta, eu realmente não sei o que sinto por ele. E é óbvio que ele interpretou meu silêncio como uma confirmação.

- Hyoga... Porque não me disse antes? Porque me deixou na esperança se seu coração... – Ele sussurrou e eu me senti péssimo vendo seus olhos marejarem.

- Não! Shun, eu não sabia... quer dizer, eu não sei! – Acabei me levantando, angustiado. – Eu não sei o que sinto por ele... mas sim, tem uma pessoa. – Eu prometi a mim mesmo que seria sincero, e eu serei!

- Como não sabe?

- Eu não sei Shun, eu não sei o que eu sinto. Eu confesso que eu nunca achei que teria uma chance com ele, então eu nunca dei bola, eu sempre deixei pra lá, ignorava o que sentia. Mas agora, hoje eu descobri que eu tenho uma chance. Então... eu...

- Você quer tentar com ele... – Shun chegou à conclusão mais óbvia, apesar de eu não ter confessado nem pra mim mesmo até agora, sim, era isso mesmo o que eu queria. Suspirei resignado.

- É... eu quero tentar... com ele. – Eu disse voltando a sentar, um pouco mais conformado com dor que eu estava causando a ele. Não queria isso, mas como eu poderia evitar? Mentir seria bem pior!

- E eu o conheço? – Eu o encarei e tenho certeza que devo ter ficado mais branco do que já sou. Literalmente engoli o resto do café em um só gole, tomando a coragem necessária. Eu cheguei até aqui e não iria voltar.

- Errr... conhece. Você conhece sim.

E quem é? – Ele perguntou. Fechei os olhos firmemente pra não ver seus olhos nessa hora em que eu precisava ser forte.

Esse cara é... é o Ikki. – Mantive meus olhos fechados esperando que ele gritasse ou falasse alguma coisa. Mas ele ficou em silêncio e então resolvi abrir os olhos. Ele estava estranhamente inexpressivo. Eu queria dizer alguma coisa, perguntar, mas não me vinha nada que eu pudesse falar sem piorar as coisas então preferi ficar calado.

- O... o Ikki? O meu irmão? – Vi uma única lágrima sair manchando aquela inexpressão. Eu confirmei com um gesto de cabeça, na esperança de não precisar mais abrir a boca porque sabia que eu estava causando uma dor a ele e eu não queria isso. Ele se levantou de repente e saiu da cozinha. Fui atrás dele.

- Shun... – Chamei enquanto ele pegava uma bolsa.

- Eu preciso respirar. – Ele disse sem me encarar. Assim que ele abriu a porta se deparou com Ikki. – Merda! – pensei.

- Shun? Hyoga? – Ikki chamou estranhando nossas expressões. Mas com certeza ele deve ter estranhado ainda mais o fato do irmão não só não ter respondido como passado por ele como um furacão. – Shun? – Ikki tentou ir atrás, mas algo, talvez Shun, o impediu. Eu não vi a cena, pois ainda estava dentro da sala. Mas vi quando ele voltou me encarando com aquele olhar furioso que eu conhecia muito bem. – O que fez com ele? – Perguntou agressivamente enquanto fechava a porta. Eu não me intimidei, apesar de me sentir culpado.

- Eu contei a verdade. – Afastei-me um pouco, esse talvez fosse o segundo round do dia. Porque se foi difícil dizer ao Shun que quero Ikki, mais ainda vai ser dizer isso ao próprio.

- Como assim a verdade? Disse a ele que nos beijamos? Que passamos...

- Não! – Eu o interrompi voltando para a cozinha e pegando mais café. – Eu não disse todas essas coisas, até porque eu ainda não lembro... exatamente. – Sei que devo ter corado, mas não fugi ao seu olhar.

- Então que verdade disse a ele? – Ele perguntou cruzando os braços numa postura defensiva.

- Que agente não pode ficar junto... – Eu senti que ele recebeu um tranco, como se não esperasse por isso, mas disfarçou bem. – Disse a ele que, apesar dele ser uma ótima pessoa, ele merece alguém que o ame e o faça feliz. – Senti que minhas palavras ajudarão a desfazer a pose defensiva dele, então continuei. – E que eu não poderia ser essa pessoa, porque eu não o amava.

- Você não podia ter feito isso... por sua culpa ele vai sofrer muito. – Ele parece estar meio incrédulo com o que eu disse, talvez não esperasse isso.

- E o que eu deveria ter feito? O enganado para que ele pensasse que o amava? Depois sofreria ainda mais! – Confesso que fiquei satisfeito por tê-lo deixado sem palavras.

- Eu vou atrás dele.. – Ele disse, mas antes que saísse eu gritei.

- Ele disse que queria respirar. – Ele voltou e me encarou.

- Eu sou o irmão dele! – Ele disse num quê de raiva que eu não entendi. Porque estava tão raivoso? Eu estava fazendo o melhor pro Shun! Sofrido, reconheço, mas o melhor!

- Porque está com tanta raiva? Fui sincero com ele! Eu não queria que ele sofresse, mas o que poderia fazer?

- Poderia tê-lo amado... – Ele meio que sussurrou e saiu. É óbvio que não aceitei esse tipo de resposta e fui atrás dele.

- Eiii!! Esse não é o tipo de coisa que dá pra escolher!! – Argumentei.

- Não tem quem não gostaria de amar o Shun!!

- Isso é verdade. Mas eu não tive essa escolha. Meu coração já está ocupado por outro. – E funcionando a mil por hora, a propósito. Complementei mentalmente, sentindo meu coração pular e ir até a boca. Ele me encarou novamente por algum tempo e me senti todo arrepiar.

- Eu vou atrás dele... – Ele disse, mas eu o impedi segurando em seu braço.

- Não vá. Você não é a melhor pessoa pra falar com ele agora. – Eu disse me aproximando ainda mais a ele, me perdendo na intensidade daquele olhar.

- E porque não? Já disse, sou o irmão dele! – Ele praticamente sussurrou porque estamos muito próximos.

- Porque eu contei a ele... – Minha garganta ficou tão seca que eu tive que engolir minha própria saliva. – Você é o irmão dele, mas é também quem ocupa o meu coração. Senti minhas pernas tremerem e eu o soltei pra fugir daquele olhar, mas não adiantou, pois ele me segurou e me encarando profundamente nos olhos, disse:

- Você não podia ter feito isso, você me prometeu. – Ele disse e eu estranhei, como assim eu prometi? Quando? De repente uma luz e mais memórias me vieram.

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Flash Back

Eu sentia minha cabeça latejar e um cheiro forte de vinho praticava me embebedava de tão intenso. Senti o corpo de alguém ao meu lado, colocando um pano em minha cabeça, mas eu não conseguia nem imaginar quem fosse. As idéias estavam confusas, lembrava-me do beijo do Shun e também do beijo do Ikki, mas as cenas meio que perderam a ordem das coisas e tentar lembrar e seqüenciar tudo me deixava com ainda mais dor de cabeça.

Forçei-me a abrir os olhos, discernindo um moreno com expressão preocupada o encarando. Aos poucos a imagem foi ficando mais nítida e reconheci o dono dela.

- Ikki? – Chamei confuso.

- Sou eu Hyoga. O Ikki. Você está bem? – Que tom de voz curiosa. Ele parecia até carinhoso. Mas então esse não era Ikki. Olhei mais uma vez. Sim era Ikki. – Consegue me ouvir? Você está bem?

- Eu estou com dor... de cabeça. – Disse mais para acalmá-lo do que outra coisa. A verdade é que eu queria ficar em silêncio. O ouvi suspirar e talvez murmurar um pedido de desculpa. Não, essa eu precisava ouvir direito. - O que?

- Desculpe-me pelo soco. Eu me descontrolei... – Ele disse num tom mais alto. Impressionante, mas Ikki estava me pedindo desculpas pelo soco... mas espera aí, que soco?

- Soco? Que soco? – Eu realmente não me lembro de nenhum soco.

- Eu te dei um soco, não se lembra? – Ele perguntou realmente preocupado, mas eu queria mesmo era saber por que ele me socou!

- E por quê? — Levei minha mão a cabeça e senti algo molhado. Tentei sentir o cheiro e sim, era o vinho.

- Por que... porque eu sou muito impulsivo, um idiota. Eu não devia ter feito isso. – Eu o encarei e aquilo parecia muito surreal. Ver Ikki me pedindo desculpas era muito novo, mas eu gostei.

- Não se preocupe. Tudo bem. – Eu o tranqüilizei e ele me sorriu. Céus, que boca mais gostosa que ele tem. A imagem do nosso beijo não saia da minha mente assim como a visão daquela boca carnuda entreaberta, num convite tentador pra ser provada.

- Tem certeza de que está bem? Está zonzo...

- Eu estou com dor de cabeça e... sei lá, parece que estou flutuando. – Eu ri de mim mesmo, pela minha própria voz fanha. Deve ser algum efeito do álcool. – Tem certeza que foi só um soco, não acredito que causou tanto estrago. – Ele riu mais ainda, mais sedutor, mais sexy.

- Você tropeçou e caiu de cabeça numa rocha. – Ele explicou, mas eu estava mais atento ao movimento de sua boca do que outra coisa. Por Athena, desde quando fiquei tão tarado? Eu ri.

- O que foi? – Ele perguntou o motivo de minha risada.

- Não é nada... é só que... eu me lembrei de uma coisa. – Disfarcei. Ele retirou o pano da minha cabeça e colocou numa cômoda ao lado. – O cheiro está bom. Eu posso provar? – Realmente o cheiro do vinho estava delicioso. Tanto que até me deu água na boca. Ele me encarou surpreso e depois para a garrafa também na cômoda.

- Bem, não tem taça. Eu vou pegar um copo. – Eu segure seu braço antes que ele se levantasse.

- Não precisa. – Dizendo isso eu peguei a garrafa e provei da boca da garrafa mesmo. Não fiz de propósito, mas a julgar pela cara dele, acho que ele gostou de me ver bebendo na garrafa. Sorri olhando para ele e bebendo um pouco mais e quase entornei tudo, deixando uma gota sair da minha boca de propósito.

- Não vá entornar! Eu não quero ter que levar beberrão pra casa. – Ele disse em tom divertido e eu acabei rindo também. Até que esse novo Ikki era uma delícia. Seria tão bom se ele fosse assim sempre.

- Ikki... eu queria te fazer uma pergunta. – Eu pedi meio incerto se deveria mesmo.

- Faça. – Sempre direto. Eu sempre admirei a capacidade dele de falar qualquer coisa assim, na lata.

- Por que... Porque você me beijou? – Eu perguntei a ele e ele devolveu o meu olhar e sem titubear, respondeu.

- Porque eu queria te beijar.

-Então você beija assim... é só querer e você beija?

- Não, quer dizer, mais ou menos. Eu me senti encorajado pelo que você disse.

- E o que eu disse mesmo? – Rimos.

- Você disse que aceitou beijar o Shun porque era só um beijo e não tinha nada demais num beijo.

- Ahhh é. Eu me lembro disso...

- Então, como não tinha nada demais, eu me senti encorajado de te beijar.

- Entendo. Realmente não tem nada demais um beijo. – Mordi o lábio inferior, pensando que também não teria nada demais beijá-lo agora, afinal quem dá um beijo dá dois, três...

- E você? Porque aceitou beijar o Shun?

- Porque ele disse que queria uma chance... e eu achei que poderia dar a ele. Por isso eu o beijei, mas eu não posso dar essa chance porque eu não sinto nada por ele. – Não sei se é o vinho, ou se é o clima gostoso entre nós, mas a verdade é que eu me senti bem a vontade explicando tais coisas a ele.

- Eu sei, mas você deu falsas esperanças a ele.

- Não, eu não dei. Eu expliquei tudo a ele. Ele sabe que esse beijo não quer dizer que vou ficar com ele. Ele disse até que eu tinha tempo para me decidir. – Acho que ele não concordou muito, mas teve que aceitar.

- Você acha que consegue levantar? – Ele mudou tão drasticamente o assunto que eu fiquei sem entender.

- Eu.. eu não sei. Por quê?

- Pra irmos embora. – Ele disse como se aquela resposta fosse óbvia.

- Eu não quero ir embora. – Eu disse e tomei mais do vinho. Aquilo estava tão gostoso que eu queria fazer durar no tempo. Olhei para ele e sorri. – Vamos ficar um pouco, até eu ficar menos tonto. – Ele hesitou, mas acabou concordando. E então desatamos a conversar sobre coisas banais e outras nem tanto. Eu sempre fui fraco pra beber, mas não ao ponto do que fiquei. A verdade é que não estava bêbado, apenas mais solto para bater aquele papo gostoso sem muitas reservas. Senti que pela empolgação do momento, acabei contando coisas demais sobre meus amigos, mas não me importei. Ikki não é do tipo fofoqueiro mesmo.

- Você é bem fraco pra bebida hein.. – Ele comentou rindo.Talvez ele achasse que eu estivesse bêbado e inevitavelmente algumas idéias passaram pela minha cabeça.

- Parece que sim. – Concordei lambendo meus lábios. Bem, se ele achava que eu estava bêbado, eu poderia me aproveitar um pouquinho disso não é? – Ikki, posso te pedir outra coisa?

- Pode...

- Me beija... – Senti que ele me encarou confuso. – Me beija do jeito que você me beijou nas pedras. – Pedi mais uma vez, surpreendendo a mim mesmo pela cara de pau. Porém, para todos os efeitos, eu estou bêbado, então tudo bem.

- Hyoga eu... – Não dei muito tempo para ele pensar e logo encostei meus lábios nos dele, provocativo e senti que ele estremeceu. – O Shun...

- É só um beijo, como o outro... – Sussurrei rente a sua boca e lambi seus lábios, me insinuando completamente. – Eu nunca fui beijado assim sabe?

- Nu.. nunca foi beijado como? – Ele perguntou roucamente encarando fixamente a minha boca. Eu sorri malicioso.

- Eu nunca fui beijado com tanto desejo, com tanto tesão, você beija muito bem. – Não esperei por mais resposta e o abracei enfiando minha língua daquela boca deliciosa, deleitando-me com o fato dele ter correspondido muito bem, me beijando com a mesma fome com que me beijou mais cedo. Minha mão puxa, suavemente, o pescoço dele para mim, para que eu possa encaixar a minha boca na dele perfeitamente. Dar vazão ao que eu estava sentindo foi algo que só posso definir como espetacular e o seu gosto era melhor do que eu me lembrava, me fazendo sorrir em meio ao beijo. Ele me envolveu por inteiro, abraçando minha cintura e deitando-se sobre mim. E assim, tão de repente como começou, ele parou. A milímetros de distancia da minha boca, com nossos corpos completamente colados um no outro, separados apenas por nossas roupas, ele parou e ficou me olhando enquanto eu ofegava em busca de ar.

- Não podemos fazer isso com o Shun... – Ele sussurrou tão sem ar quanto eu.

- Eu... eu já disse que não sinto nada por ele. Ele vai ter que entender...

- Mesmo assim, você deu uma esperança pra ele... – Ele disse mordendo o lábio inferior enquanto espalmava minhas mãos em seu peito e mamilo, ainda por cima daquela incomoda camisa.

- Ikki, eu quero você... sempre quis. – Levei minhas mãos a sua nuca e o trouxe para mais um beijo faminto. Beijamos-nos apaixonadamente novamente, enquanto eu tentava retirar sua camisa, sem sucesso. Mas novamente ele me interrompeu, separando nossas bocas. – Eu sempre quis você Ikki... sempre, sempre, sempre... – Acabei confessando diante daquele olhar tão quente sob mim.

- Não dá, não percebe que o faremos sofrer. – Ele disse e logo depois se afundou em meu pescoço, cheirando, lambendo e beijando suavemente. Eu sorri, ele não quer me marcar. Vamos ver até onde ele agüenta! Envolvi seu quadril com minhas pernas e ondulei insinuante, buscando roçar nossos membros um no outro e arranquei um longo gemido dele. Devagar ele voltou a me encarar e me encarou com uma luxuria que até me arrepiei.

- Você está me provocando... – Ele disse e eu sorri.

- Estou sim. E daí? – Respondi na lata e ri junto quando vi um sorriso malicioso brotar em seu rosto bonito. A coisa foi muito rápida, de repente ele se ergueu e me puxou meio violentamente, arrancando as nossas camisas, e depois voltou a se deitar sob mim. Voltou a explorar meu pescoço enquanto eu me regozijava com o toque de seu peito nu completamente em cima do meu.

- Prometa que vai conta pra ele comigo presente.... – Ele pediu, mas eu estava tão absorto com seu toque que eu acabei concordando sem saber exatamente do que ele falava. Ele me beijou inteiro, retirando as minhas peças restantes com muito cuidado e sensualmente, sempre olhando em meus olhos. Sempre tomando cuidado para não me marcar. Quando chegou ao meu sexo eu gritei. Era muito prazer e eu não sabia se poderia agüentar. Gozei plenamente em sua boca e ele não só aceitou como me tomou com gosto. Ele esperou um pouco e se deitou ao meu lado, massageando o próprio membro. Não precisou muito para que eu entendesse o recado e tomá-lo todo na boca. Ter Ikki assim foi uma explosão de felicidade sem fim. Ouvi-lo gemer e gozar em minha boca foi como estar no paraíso. Deitei-me sobre ele, desejando ardentemente senti-lo dentro de mim, mas não sei por que ele me interrompeu.

- O que foi? Você não quer estar dentro de mim? – Perguntei sensualmente, mas ele fugiu do meu olhar fechando os olhos.

- Eu quero. E eu vou ter, mas não agora. Eu o terei depois que ele souber que você é meu. – Ele disse e eu soube que era por causa do Shun.

Fim do Flash Back

Continua...

Notas finais
N/A: Eu nunca mais faço previsão de capítulos!! kkkkkk pois é, esse ainda não foi o último. Mas o próximo será!! ¬¬ Eu espero rs....
Beijo e obrigada pelos reviews!!
Qualquer coisa estarei no meu twitter:
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