Uma Noite no Campo

5 Capítulo 5 - Tempestade de rosas e espinhos


O que foi? Você não quer estar dentro de mim? – Perguntei sensualmente, mas ele fugiu do meu olhar fechando os olhos.

Eu quero. E eu vou ter, mas não agora. Eu o terei depois que ele souber que você é meu. – Ele disse e eu soube que era por causa do Shun.

Fim do Flash Back

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Fiquei estático com as minhas recordações, mas mais ainda pelas implicações das minhas lembranças. Eu vi Ikki sair da minha frente tão rápido que mal deu tempo de dizer alguma coisa. Mas também, mesmo que tivesse tempo, de nada adiantaria. Eu ainda estava chocado demais pelas últimas lembranças que me ocorreram naquele curto instante de tempo para dizer o que quer que seja. Então era isso. Aquelas palavras pronunciadas de forma tão rouca e ao mesmo tempo suave, aqueles beijos quentes, aquele fogo no coração, aquele momento tão único e inesperado, revelou verdades que eram até então impensadas por mim.

Eu quis fazer e dizer muitas coisas naquele momento, mas a única que fui capaz de fazer foi escorar-me na parede, repassando todas aquelas palavras intensas e carregas de significados. E por mais estranho que parecesse, eu me senti um grande idiota. Sim, porque apesar de minha total falta de memória, eu não percebi em nenhum momento sequer qualquer coisa que indicasse os verdadeiros sentimentos de Ikki, apesar de agora eu perceber claramente, estarem muito evidentes mesmo antes de tudo isso ter acontecido.

Ele nunca foi uma pessoa que se importasse por qualquer coisa ou com qualquer pessoa, mas tudo comigo era importante o bastante para ele se abalar, reclamar e às vezes até brigar. Estava sempre atento a tudo o que eu fazia ou falava, mostrava-se arredio sem motivo aparente, mas apesar da grosseria constante, sempre estava disposto a me ouvir, mesmo que fosse para me contrariar.

Inconscientemente um sorriso adornou meu rosto, feliz pela constatação dos sentimentos de Ikki. Feliz pela constatação de ser correspondido, extasiado por me sentir tão desejado por ele, e até um pouco constrangido por não ter percebido isso antes. Mas ao mesmo tempo, nossa! Ainda tem o Shun e eu conheço muito bem o Ikki para saber que ele passaria por cima de tudo só pelo bem estar do irmão. Mas infelizmente eu não poderei permitir isso porque também eu devo lutar pelos meus próprios sentimentos. Shun terá que entender...

Foi pensando nisso que, após pensar alguns instantes, corri para o local onde provavelmente Shun se escondera. Tenho absoluta certeza que aquelas pedras nos arredores das ruínas da antiga cidade de Atenas ainda servem de refúgio para ele, já que há muito ele me confidenciara ser este o lugar que usava para pensar e ficar um pouco sozinho.

Antes de chegar ao local, porém, e agora estando um pouco mais calmo, fiquei em dúvida se deveria prosseguir. Quando saí da casa deles estava muito afoito por aquela descoberta, mas fico pensando se deveria mesmo falar agora com o Shun. Provavelmente ele queira um tempo para pensar sozinho, o que é muito natural, já que ouvir o que ouviu de mim não deve ser nada fácil. E se assim fosse, ele não iria querer falar comigo, muito menos sobre o assunto a que vim tratar. Entretanto, a minha ansiedade já estava me consumindo por inteiro. Eu sabia que tinha que agir rápido, antes que a tristeza de Shun me impedisse de viver aquele sentimento com Ikki.

Acabei ficando num grande impasse, sem saber direito o que fazer, no meio das ruínas, observando de longe a figura de Shun sentado sozinho mirando o chão de forma desoladora. Aquilo cortou o meu coração, Athena sabe que nunca foi minha intenção magoá-lo, mas sei que foi exatamente isso o que acabei de fazer. O que devemos fazer nessas horas? O que é mais correto? Seria justo eu abdicar de um sentimento puro e verdadeiro que tenho por Ikki, e que sei ser correspondido, em nome da amizade que tenho por Shun, para que ele não sinta a dor que sente agora? Mesmo sabendo que eu nunca poderia amá-lo? Eu não poderei viver meu amor por ele me amar? Seria justo eu mentir para ele e viver um tórrido romance as suas costas, para que assim, sem saber da verdade, ele não sofra?

É inevitável o sofrimento que causo, apesar de saber que não sou responsável. Porque o amor não é daquelas coisas que podemos comandar. O amor é, sem dúvida, uma faca de dois gumes, corta da carne de um para alimentar o outro. O amor tem duas faces, uma linda, doce, adorável; e outra feia, cruel, ferrenha. E vivemos nesse meio, numa busca incessante pela sua beleza e fugindo dos seus espinhos. Mas não raras são às vezes em que suas presas se agarram nos corações dos homens e soltam espinhos por todos os lados, aferroando o primeiro coitado que aparecer na frente.

E o que devemos fazer, nós homens, diante dessa tempestade de rosas e espinhos? Estamos completamente a mercê dessa loteria de céu e inferno e nada podemos fazer a respeito, a não ser esperar e fazer o máximo para não magoar ninguém, porque já basta os espinhos do amor para ferir e magoar principalmente àqueles que amamos. Aprendi isso e também que a honestidade sempre vale mais a pena, porque a desilusão de uma mentira intensifica o poder lesivo dos espinhos, e se nós já o temos, pra quê fazer ou dizer coisas que podem piorar ainda mais a dor daquele que foi ferido?

Suspiro pesadamente, ao me dar conta que os espinhos do meu amor respingaram na pessoa mais doce, sensível e adorável que conheço. A última pessoa a quem gostaria que sofresse por minha causa, justo ela se deparou com tais espinhos, mas também é certo que esses espinhos respingaram e continuarão a respingar em todos nós, pela inevitável e terrível sensação de ser o causador da dor de uma pessoa tão querida.

- Hyoga? – A voz de Shun me desperta de meus devaneios e pisco os olhos, como para confirmar que não só ele me viu, como veio até mim. Aquele aperto no meu coração volta a me espremer o peito com intensidade ao notar sua face molhada pelas lágrimas.

- Ah... oi Shun. – Cumprimento meio sem graça por tê-lo invadido em um espaço tão especial para ele.

- Eu sabia que você viria aqui. Esse é o problema quando revelamos um local secreto pra alguém, não conseguimos ficar sozinhos. – Ele disse baixinho e olhando para o chão, melancólico, me deixando ainda mais sem graça.

- Perdão... – Foi a única coisa que consegui dizer diante daquele olhar tão triste. E no fundo, era o que eu mais queria... que ele me perdoasse por tudo o que fiz a ele.

- Tudo bem. Eu entendo que deve estar preocupado, mas tudo bem, estou bem na medida do possível. Eu só queria ficar um pouco sozinho. Diz isso pro meu irmão também... que está tudo bem. – Ele disse e se virou voltando para onde estava. Eu fiquei impressionado com a atitude dele. Quer dizer, é claro e evidente que ele estava sofrendo, mas estava agindo com uma dignidade ímpar. Com uma sobriedade que era difícil imaginar até para mim que sou seu amigo há tanto tempo. Não acusou ninguém, não gritou e nem xingou. Agiu com a classe de alguém que sabe ser superior, mas que não se vangloria disso. E minha admiração, que já era grande, ficou ainda maior.

- Shun? Eu queria falar com você... – Eu sei que ele quer ficar sozinho, mas eu não tenho a paciência dele e nem a sua grandiosidade.

- Não pode ser uma outra hora? – Ele disse sem me encarar. Eu sorri sem graça.

- É que... você é um grande cara, sabia? – Não consegui evitar e externei o meu espanto. Ele me olhou, mas não de muita bola para o que eu disse, então continuei. – Sei que você quer ficar sozinho, eu entendo. Mas é que eu precisava muito falar com você, explicar que não foi nada planejado. Você saiu de lá da sua cozinha e eu não tive muito tempo para me explicar...

- Hyoga...

- Não, espera... Eu... eu quero que entenda que não fizemos nada de propósito e que eu jamais quis te magoar. Eu juro!

- Eu entendo... – Ele disse com um olhar complacente que me desarmou completamente. Mordi meu lábio inferior pensativo e então sentei ao lado dele sem me importar com o olhar inquisitivo dele.

- Essa sua sabedoria e classe pra lidar com essa situação me desconcerta, Shun. – Ele estreitou os olhos sem entender e dei um meio sorriso, meio entorpecido pela situação delicada. – Eu não sei o que fazer.

- Você disse que queria investir nele... Se está pensando em não fazer isso por minha causa, desista. Eu não quero empatar a vida de ninguém.

- Você não está empatando... mas também me sinto responsável. Estou sendo sincero quando digo que não quero que sofra. – O silêncio pairou entre nós e eu não sabia mais o que fazer. Eu queria pedir a permissão dele para ir atrás do Ikki, mas não achei que seria legal com ele.

- Isso não será possível Hyoga. – Ele disse e eu voltei a encará-lo. – Eu amo você e isso não vai mudar de repente. É claro que eu não vou levar na boa o fato de você estar apaixonado pelo meu irmão, mas é a verdade não é? Eu não posso fazer nada quanto a isso. Até por que... na verdade você nunca gostou de mim pra isso não é mesmo? Eu sei que tem gente que acha que... eu não posso desistir... que eu tinha que lutar por você... mas eu não vou fazer isso.

- Por quê? – Perguntei curioso devolvendo o olhar intenso que ele me dava.

-Por que... bom, porque eu acho que quando agente ama, não tem armas que tire esse amor do nosso coração. Então, se eu lutasse por você, seria uma luta perdida. E com certeza só estenderíamos um sofrimento fazendo isso.

- Você fala como se eu estivesse...

- Amando. Sim, você ama o meu irmão. – Ele disse e mirou o horizonte. Acabei sorrindo, mas foi de constrangimento.

- Como você sabe se nem eu sei...

- Está na sua cara Hyoga. Está estampado nos seus olhos, quando você me falou dele, o que mais me feriu não foram suas palavras, mas seus olhos, eles mostraram mais do que um simples gostar, eles mostraram amor. – Ele disse com olhos marejados e apertando forte a minha mão. Eu engoli em seco e nada disse, também tive vontade de chorar quando ele abaixou o rosto e deixou as lágrimas escorrerem e pingar de seu rosto, silenciosamente. Meus olhos também marejaram pela infelicidade desse destino e beijei sua cabeça, deitando a minha na dele e o abraçando, tentando com isso reconfortar a ele e a mim também.

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Passaram-se longas duas semanas desde aquela tardezinha com Shun nas ruínas em que eu simplesmente não vi mais nem ele e nem Ikki. Não sei se eles conversaram e decidiram sumir, ou se brigaram, ou se fugiram, eu não sei. Muitas hipóteses apareciam em minha mente nesse período e muitas delas pareciam absurdas, outras nem tanto, mas nenhuma delas respondia realmente as minhas dúvidas.

Segui minha vida da forma que deu, ansioso e temeroso pela volta de algum deles. Eu falei com todos os outros cavaleiros, mas ninguém sabia do paradeiro deles. Quer dizer, tinham duas pessoas que sabiam, mas elas não me revelavam. Atena e o mestre do Santuário me falaram a mesma coisa: “Pediram para não contar onde estavam.”

E assim não tive outra escolha a não ser esperar. E só Athena sabe como foi angustiante essa espera. E essa noite em particular estava me deixando ainda mais angustiado. Eu tinha a sensação de que eles não voltariam e eu me sentia extremamente culpado por isso. Afinal eles deixaram tudo aqui, amigos, uma vida, Shun principalmente. E nessa noite quente de inquietação e eu acabei indo para a cabana onde tudo explodiu. Não que eu tivesse ido propositadamente, mas ao caminhar sem rumo, meu coração enganou minha mente e me trouxe aqui.

Agora, neste exato momento em que vejo essa cama novamente, sinto que meu coração está querendo me pregar uma bela peça. Sentei naquela cama bem organizada e fiquei pensando na noite em que estive lá com ele. E meu coração apertou com saudades, mas permaneci ali, de olhos fechados e tentando sentir o cheiro dele naquele ambiente.

- Sabia que iria te encontrar aqui. – Arregalei os olhos e levantei ficando de frente pra ele. É claro que era ele, aquela voz que eu reconheceria em qualquer lugar, estava ali, só de bermuda exibindo aquele peitoral de tirar o fôlego e um sorriso malicioso que até me arrepiou.

- Ikki... – Eu fiquei meio sem fala, sem conseguir me mover, mas me esforcei, principalmente para não gaguejar. – Como? – Preferi falar o menos possível. Ele sorriu mais abertamente e se aproximou devagar, ficando a poucos centímetros de mim, tão perto que eu podia sentir sua respiração contra minha face.

- Eu disse que eu sabia que estaria aqui.

- E como você sabia? – Indaguei roucamente pela proximidade.

- Porque eu sabia que não iria agüentar de saudades minhas. – Ele riu sensual e eu tive vontade de agarrá-lo ali naquele momento.

- O que? Mas você se acha muito, sabia? – Eu tentei ralhar, mas meu tom em nada mostrava indignação.

- Então estou enganado? Não foi por minha causa que veio aqui? – Ele perguntou enquanto roçava os lábios nos meus. Levei minhas mãos inconscientemente aos seus braços tentando me manter em pé.

- Eu... eu... – Tentei dizer alguma coisa que com certeza seria alguma mentira deslavada, mas ele não me deu tempo e me beijou a boca com luxúria, me puxando para si com uma fome que me fez esquecer temporariamente o Shun e me deixar levar totalmente por aquele beijo quente e molhado. Mas logo eu me lembrei de Shun e me afastei dele, sem obter totalmente sucesso. Sem largar meu pescoço, tentei manter a serenidade e lembrá-lo do irmão.

- Ikki... espera... o Shun... – Tentei dizer, completamente sem vontade de que ele parasse, apesar de racionalmente saber que deveríamos parar. Mas ele parou seus beijos mesmo assim e me encarou, mas não me soltou de seu abraço.

- Nós dois conversamos sobre o que aconteceu e eu expliquei tudo pra ele. – Ele me disse seriamente e eu temi pelo que ele pudesse ter dito.

- E... e como foi? – Perguntei me aninhando em seus braços. Ele suspirou.

- Foi difícil... mas foi necessário. Disse a ele como me sentia e acho que ele entendeu. Você sabe como ele é um grande homem, acho que ele entendeu sim. Ele disse que faria uma viagem até a ilha de Andrômeda e ficaria por lá um tempo. Eu acho que ele vai ficar bem sim, eu conheço o meu irmão e tenho certeza que ele vai superar e vai encontrar alguém muito legal para ele. – Eu concordei com a cabeça.

- Eu também conversei com ele.

- Eu sei...

- Sabe? Sabe como? – Perguntei arqueando uma sobrancelha.

- Ele me contou. Disse que vocês conversaram e que ficou tudo bem entre vocês. Eu disse a ele que estava disposto a largar tudo se isso o fizesse se sentir melhor, mas ele negou. – Ele falava seriamente, mas depois ele parou e me olhou fundo nos olhos e comentou sorrindo maliciosamente. – Ele disse para que eu viesse aqui e ficasse com você, porque você me amava de verdade. – Arregalei os olhos e corei um pouco.

- E-ele disse isso? – Ele confirmou com a cabeça e me apertou ainda mais no abraço. Eu ri sem jeito. – Ele é meio exagerado né... – Desconversei sem graça.

- Sério? Que pena, eu adorei saber que você me amava, assim eu me senti correspondido. – Eu acho que devo ter perdido o ar de tão surpreso que fiquei. Completamente estático eu fiquei encarando aquele rosto tão lindo e viril me encarando com um sorriso sacana e eu pensei que eu só poderia estar sonhando.

- O... o que quer dizer com isso? – Perguntei.

- Quero dizer que seria muito bom se você me amasse porque ai eu seria correspondido, já que eu te amo também. – Ficamos nos encarando por alguns segundos que pareceram horas, sem conseguir acreditar no que estava ouvindo. Meu coração acelerou absurdamente e eu me senti frio e quente ao mesmo tempo.

- Vo-você me ama? – Perguntei ainda incrédulo e ele voltou a me beijar no pescoço e eu me senti derreter em seus braços. Não contive um gemido sentido sua boca e língua em minha pele e fechei meus olhos. Ele aproximou a boca de minha orelha e sussurrou.

- Sim, eu amo você. – Eu sorri e tremia como nunca antes. Segurei seu rosto e o forcei a me encarar.

- Eu também amo você Ikki. – Revelei sentindo-me encher de uma alegria que eu jamais senti antes e o beijei, não da forma louca e selvagem como o beijei antes, mas sim um beijo calmo e terno, aproveitando cada pedacinho daquela boca gostosa, num ritmo cadenciado que me deixava flutuando. Eu queria aproveitar com muita calma aquele sabor, aquela pele, aquele cheiro, e eu não tinha a menor pressa.

E foi nesse ritmo lento e constante que me senti sendo levado para a cama. Ele me deitou com calma e carinho e eu sorri. Muito diferente da vez passada, ele estava extremamente cuidadoso e carinhoso e eu quase me senti uma virgem, mas eu gostei. Não sabia desse lado tão carinhoso dele. Assim que se acomodou em cima de mim, ele parou seus beijos e ficou me encarando por um longo tempo. Tentei beijá-lo novamente, mas ele sorriu brincalhão segurando minha mão em cima da minha cabeça e voltando a me fitar.

- Vai ficar só me olhando? – Perguntei impaciente, ansioso por mais de sua boca, de sua pele de seu toque. Ele confirmou sorrindo.

- Eu gosto de te olhar, você é tão lindo. – ele disse com um olhar de veneração que me deixou envergonhado e ele sorriu. – Fica ainda mais lindo com vergonha. – Ele disse beijou as maças do meu rosto e eu suspirei. Um momento de ternura e romance vindo dele era surpreendente, mas eu já estava ficando acostumado com todas aquelas mudanças.

- Você também... – Eu disse olhando e sorrindo carinhosamente para ele. – Me beija Ikki... – Pedi não agüentando mais aquela distancia e ele finalmente me atendeu e me beijou. Os nossos lábios se encontraram novamente, dessa vez com ardor, as línguas se buscando e se sugando lascivamente. As mãos percorrendo a pele um do outro, tentando aprofundar a carícia ainda mais, se esfregando e se entregando ao prazer do contato dos dois corpos febris.

Logo as roupas não eram mais um empecilho para o contato total das peles e elas voaram sem destino rumo ao chão, enquanto estávamos totalmente entregues um ao outro. Ficamos nesse contato ensandecido até o ar faltar, então ele desceu os lábios novamente pelo meu corpo, mordiscando, lambendo e chupando, ouvindo meus gemidos que eu sei o excitava ainda mais, percorrendo um caminho que ele já conhecia muito bem.

Até que só os beijos já não davam mais vazão ao que estávamos sentindo e eu, enlaçando as pernas na cintura de Ikki, fiz um pedido mudo para que ele me tomasse logo, pois já não estava mais agüentando de tanta vontade de senti-lo por inteiro dentro de mim. E Ikki, completamente ofegante, atendeu prontamente ao meu pedido e me possuiu cuidadosamente, mas com vigor e paixão, deixando se levar pela onda de excitação que o fazia perder completamente a cabeça.

Os gemidos e os toques eram intensos, assim como o calor naquele quarto. O cheiro de suor e de sexo impregnava o ambiente deixando-nos ainda mais desejosos do corpo um do outro, nos oferecendo um ao outro vorazmente naquele momento de entrega total, deixando todos os medos e inseguranças de lado para deixar o amor que sentiam aflorar. E foi num desses momentos, em que o clímax aproximava-nos a beira da insanidade, declarando juras de amor eterno, feitas no calor do momento, mas ambos sabíamos que nenhuma palavra e nenhum ato foram feito em vão, pois éramos homens honrados e sabíamos da responsabilidade que aquele amor trazia.

Não era apenas uma questão de saciar o corpo com sexo selvagem, apesar da enorme tensão sexual que existia entre nós. Mas não era só isso. Era um sentimento de cumplicidade, de carinho, de amizade que ia muito além do sexo. E só isso já trazia grandes riscos, por serem guerreiros, por serem homens, por Shun. Principalmente por Shun, sabíamos que nada poderia ser em vão nenhuma palavra ou ato, sob pena da injustiça de espalhar os espinhos enquanto usufruíamos da tempestade de rosas; dessa crueldade recair sobre nossos ombros. Mas aquele não era momento de preocupação, pois o amor que sentíamos era muito maior que todos os medos e inseguranças. E foi assim que, entregando-nos nos braços um do outro, terminamos aquela noite, naquela cabana, onde tudo começou.

Fim!

Notas finais
N/A: Desculpem a demora, motivos no twitter!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!