Uma Noite no Campo

3 Capítulo 3 - As declarações de Ikki


Pisco os olhos algumas vezes, com o coração acelerado e a respiração ofegante. Então pelo menos um beijo eu tive e lembrar-se disso foi tão gostoso, mas ao mesmo tempo tão... estranho. Quer dizer, então será que eu vim para essa casa por livre e espontânea vontade? Mas então porque não consigo me lembrar? Agora, mais do que nunca, preciso encontrar Ikki e saber o que aconteceu.

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Se antes já achava minha condição surreal, agora tinha certeza absoluta. Eu não conseguia acreditar que tinha beijado Ikki de Fênix. Ou melhor, que ele tinha me roubado um beijo! Um beijo delicioso por sinal, mas um beijo roubado do cavaleiro mais anti-social, arrogante e encrenqueiro do Santuário! Aquele mesmo cara que volta e meia brigava comigo sem motivo aparente, que sempre deixou sua antipatia por mim muito evidenciada, que demonstrava só se importar com Shun...

- Ah o Shun... – Sussurrei para mim mesmo, massageando minhas têmporas com ambas as mãos, lembrando do meu amigo. O beijo era uma lembrança perturbadora não só pelo surpreendente beijo, mas pelo fato de ter correspondido, mesmo depois de ouvir de Shun um pedido para que lhe desse uma chance.

Senti-me mal pelo meu amigo. Como iria explicar uma situação dessas? Quer dizer, que tipo de situação afinal era essa? Porque até então só havia rolado aquele beijo e — rezando para que nada além do beijo tenha acontecido — assim a minha situação pode não ser tão constrangedora se não for revelada a ninguém. Afinal o beijo fora só um beijo, não estávamos tendo nada e nem pretendíamos nada com isso. Certo?

Levantei-me da cadeira bebendo o resto do café num único gole, lavando e guardando a xícara logo em seguida. Olhei pela janela e tentei me localizar, mas o local era um amplo campo sem nenhum sinal de vida inteligente por perto e não estava conseguindo reconhecer direito o lugar. Segundo Ikki, eles não estavam muito longe do Santuário, talvez estivessem numa área de isolamento nos arredores, onde as amazonas costumavam treinar, e onde os cavaleiros e soldados não podiam entrar. Isso explicaria a ausência dos soldados por perto. Mesmo sendo cedo, já era hora de alguns soldados estarem fazendo suas rondas e, se não estavam, provavelmente ali era o local de treinamento das amazonas. Mas onde exatamente e principalmente, porque estavam ali, não sabia dizer. A lembrança parou naquele beijo, talvez até fosse melhor não me lembrar do resto. Suspirei profundamente.

Mas ao mesmo tempo, era preciso tirar aquela história a limpo! O que ele pretendia com aquele beijo afinal de contas? Ele sabe bem como o irmão se sente e, tendo visto o pedido do irmão, não faz sentido que ele tenha decidido querer alguma coisa justo agora. Seria muita covardia e Ikki podia ter muitos defeitos, mas esse não era um deles. Então, o que o faria roubar-me aquele beijo?

Comecei a andar pela casa a procura de Ikki. Uma parte de mim acreditava que ele tinha ido embora, mas a outra teimava em dizer que ele estava lá. Voltei ao quarto, mas estava vazio, então fui até a sala. Meu coração disparou quando o encontrei, ele estava na varanda na direção da porta da sala, em pé e de costas para a sala, apenas com um short preto, mostrando toda aquela musculatura das suas costas se movendo enquanto movia os braços. Minha boca ficou seca de repente ao encarar aquela imagem. Não, ele não estava me seduzindo, mas era exatamente o que estava fazendo. Ele emanava uma virilidade inebriante por todos os poros do seu corpo de uma forma muito natural, sem nem perceber o quanto seduzia as outras pessoas.

Respirei fundo e me aproximei. Encostei-me no batente da porta e cruzei meus braços, numa postura de indiferença que eu estava longe de sentir, mirando o horizonte. Ele estava ao meu lado bebendo seu café e também não me encarou. Talvez ele estivesse constrangido, o fato era que ficamos um tempo assim, sem falar nada. Eu não sabia como começar, o que eu perguntaria?

- Escuta Ikki. Por acaso nós dois transamos ontem à noite? – Cogitei mentalmente. Não, essa não era uma boa. Talvez: — Porque você me roubou aquele beijo, hein? – Não, também não. Ah! Já sei!

- Nós estamos na área de treinamento das amazonas? – Perguntei carregando no meu tom frio. Ele me olhou de rabo de olho e respondeu secamente.

- Sim. – Ah como ele me irritava quando fazia isso! Não custa me dizer a verdade logo de uma vez?

- Pensei que homens não pudessem entrar aqui.

- E não podem mesmo. – Ele disse como se aquilo não representasse nada. Foi inevitável, tive que voltar meus olhos para ele, franzindo o cenho.

- Então não devíamos estar aqui. – Eu disse. Não é óbvio? Praguejei mentalmente.

- É... não devíamos. – Disse colocando mais café em sua boca. Virei-me para encará-lo de forma até um pouco rude, só pra ver se ele se tocava. Ele só podia estar de sacanagem com a minha cara! — Eu costumo vir aqui quando preciso pensar. – Ele disse finalmente. Arqueei uma sobrancelha.

- Faz sentido você escolher um local proibido para pensar. Você não tem muita empatia com regras. – Eu disse ironicamente. Ele não disse nada, me ignorando completamente. Voltei a mirar o horizonte, contando até dez, pois era impressionante a capacidade que ele tinha de me tirar do sério.

- E porque me trouxe aqui? – Perguntei logo de uma vez, mesmo temendo a resposta.

- Eu não te trouxe. – Ele respondeu e eu arregalei os olhos, voltando a olhá-lo.

- Como não?

- Você veio sozinho, me seguindo. Eu não queria que me seguisse, mas você é muito teimoso! – Ele disse arredio e finalmente demonstrou algum sentimento naquelas belas feições. Eu pisquei algumas vezes, confuso. Eu o segui? Mas porque eu o seguiria? De repente mais uma lembrança veio a minha mente.

Flash Back

Aquele beijo era algo inusitado e talvez por isso ainda mais gostoso. Completamente abandonado em seus braços, deixei-me levar pelo ardente beijo que Ikki me dava, sem me importar com nada. E mesmo que eu quisesse me importar, não conseguiria. Seu beijo era tão inebriante que eu não conseguia nem pensar direito. Ele me beijava com um fogo, com um desejo que até me assustou. Não imaginava que ele pudesse sentir tanto desejo por mim, coisa que estava muito evidenciada com aquele beijo, aquela língua molhada vasculhando a minha boca, suas mãos grandes e fortes me apertando, sua virilidade pressionando a minha, causando arrepios e gemidos entrecortados. Um sonho secreto sendo realizado.

Mas tão de repente quanto começou o beijo terminou com ele me encarando seriamente. Eu ainda estava com os olhos fechados, sentindo seu corpo colado ao meu, sua respiração quente no meu rosto, suas mãos em minha cintura. Completamente descompassado, forcei-me abrir os olhos e me arrepiei com a intensidade daquele olhar.

- O... o que está... fazendo? – Perguntei sussurrando e com a voz embargada.

- Nada... – Ele disse e se afastou ainda mais, virando-se de costas e passando as mãos pelo cabelo. Ele parecia arrependido e isso me incomodou. Muito. Sai do meu torpor e intimei:

- Como nada? Você me beija e depois diz que não é nada? – Perguntei cruzando os braços, começando a me revoltar.

- Exatamente. Não é nada. Da mesma forma que você beijou o meu irmão e não foi nada. – Ele disse agressivo sem olhar para mim e começou a andar na direção oposta à que viemos. Eu o segui.

- Você está enganado Fênix! O beijo que dei no seu irmão foi... – Não consegui concluir. Foi o que? Nem eu sei. Mas assim que me ouviu ele parou e me encarou revoltado.

- Foi o que? – Perguntou ainda mais agressivo.

- Foi... err.... eu... – Eu não sabia o que dizer e o pior, não conseguia pensar em nada para dizer. Corei levemente. O que eu iria dizer? Que estava testando? Tentando ver como me sentia com o beijo do Shun? Certamente ele me daria um soco, e com razão.

- Você é patético! – Ele resmungou e voltou a andar a passos largos. Eu continuei seguindo-o.

- Escuta aqui... sei que o que fiz não foi a coisa mais legal do mundo. Mas isso não te dá o direito de me ofender. – Gritei com ele. Ora, quem ele pensa que é!

- Vai pro inferno! – Ele gritou de volta e parou para me encarar furiosamente. – E pára de me seguir! – Seus olhos mostravam uma revolta tão grande que até me assustou. Esse cara só pode ter algum problema para me beijar como se fossemos loucos amantes e logo depois me olhar como se fossemos os piores inimigos. Ele voltou a andar me deixando sem ação.

- Eiiii espera! – Gritei ao perceber que ele já se encontrava a uma boa distância. Corri para alcançá-lo. – Você não me respondeu! Porque me beijou?

- Não enche meu saco, caralho! Já disse que não foi nada. Você não beijou...

- É eu beijei, mas não do jeito que você me beijou! – Gritei no impulso, e me arrependi no momento em que ele parou para me encarar.

- E de que jeito eu te beijei? – Ele perguntou arqueando a sobrancelha. Tenho certeza que corei violentamente. Ótimo Hyoga, agora como você vai explicar que não beijou Shun com o mesmo tesão que Ikki o beijou? Respirei fundo escolhendo as palavras.

- Eu beijei o Shun, mas não como você me beijou. Posso até dizer que você se aproveitou para me agarrar. Se eu não te conhecesse, diria que você gostou e muito... – Acabei rindo involuntariamente. Não posso negar que imaginar que Ikki me desejava tanto quanto mostrava aquele beijo me fez ficar satisfeito.

- Tanto quanto você... – Ele respondeu e voltou a andar. Pisquei os olhos algumas vezes, sem acreditar na resposta dele. Sinceramente já estava esperando por uma grosseria ou até mesmo alguma briga mais séria. Mas pelo contrário, ele não me contradisse. Ao contrário, praticamente confirmou o que eu disse, e isso significava que...

- Ikki!! – Gritei chamando-o quando o notei longe novamente.

- Mas você é muito mala mesmo. – Ele resmungou ao perceber minha presença perto dele, mas não me importei, tinha coisa mais importante para resolver.

- O que você quer dizer com essa resposta? – Indaguei enquanto andava um pouco atrás dele.

- Ahh... Joguei pedra na estátua de Atena... – Ele resmungou e voltou seus olhos para mim, mas ainda andando. – Quero dizer que o beijei porque tive vontade, não beijei mais ou menos do que costumo beijar. – Ele riu de canto. – Mas pelo visto você se impressionou. – O segurei pelo braço com força para que ele parasse e o puxei para que me encarasse.

- Você SÓ teve vontade de beijar o cara que seu irmão gosta? – Frisei o só de propósito. — E depois ainda diz que eu sou o garanhão? – Perguntei e tive certeza que atingi meu objetivo. Seu olhar misturava ódio e confusão e conclui que seria melhor soltá-lo. – Você é muito hipócrita isso sim!

- Você não sabe de nada. Cala essa boca! – Ele disse bem baixinho com aquele tom de ameaça característico. Eu não me intimidei. Cruzei meus braços e perguntei:

- E desde quando você gosta de beijar homens? Não sabia que você era gay... – Perguntei seriamente, mas não tive tempo de ouvir a resposta. Ele deve ter ficado com muita raiva das minhas palavras, pois senti um golpe e logo depois tudo ficou preto.

Fim do Flash Back

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- Se você não tivesse me seguido nada disso teria acontecido. – Ele disse retirando-me das minhas lembranças.

- Bom, se você não tivesse me beijado eu não teria te seguido. – Contra-argumentei. Ele olhou para mim por alguns segundos e depois entrou. Eu o segui novamente.

- Ikki, eu... O que aconteceu depois que te segui... eu...

- Não se lembra? – Ele me interrompeu como se aquilo fosse até esperável por ele. Estranhei.

- É... Não me lembro a partir da nossa conversa. Estávamos indo a algum lugar e...

- Eu te bati. – Ele disse tranquilamente enquanto sentava no sofá. – Você caiu e bateu a cabeça numa pedra e ficou desacordado. Resolvi trazer você pra cá. – Eu arregalei os olhos. Bom, se eu bati a cabeça isso explica porque minha memória está meio falha.

- Você... – Confesso que eu estava meio chocado com aquilo. – Porque me trouxe para cá e não para o Santuário?

- Porque você é um cavaleiro. Imaginei que talvez você pudesse ficar zonzo quando acordasse. Nada mais grave. Se eu te levasse para o Santuário iriam perguntar o que aconteceu e eu teria que explicar porque te bati... Não está sentindo o calo? – Ele apontou para minha cabeça e imediatamente levei minhas mãos a minha cabeça procurando até que achei o calo. Gemi um pouco de dor.

- Então... Estou desacordado desde então? – Perguntei meio sem graça.Minha memória pode estar falha, mas ainda me lembro perfeitamente do beijo dele e do fato de termos acordado nus na mesma cama. Será que ele...?

- Não... Você acordou uma hora depois. – Ele me olhou de cima a baixo e tive a impressão de ter visto luxúria em seus olhos. Eu devo ter corado um pouco, pois estava muito sem graça, mas mesmo assim me aproximei e sentei no sofá ao lado.

- E... o que aconteceu? Eu não me lembro. – Eu perguntei e ele me encarou nos meus olhos. Senti-me estremecer na mesma hora.

- Eu cuidei do seu corte enquanto estava desacordado. Sangrou um pouco então usei o vinho que tinha aqui para limpar e impedir uma infecção. – Lembrei-me de imediato do cheiro de vinho que senti quando acordei.

- Obrigado. – Disse sem jeito pelo modo como ele me olhava, tão sedutor, tão intenso.

- Depois você acordou como imaginei: meio zonzo. Ou melhor, você estava sem memória. Lembrava quem éramos, mas só isso, confundia os fatos e as pessoas, estava desorientado. Você estava engraçado. – Ele riu e eu suspirei discretamente. Será que ele estava sendo tão sexy assim de propósito?

- Engraçado? – Tentei rir para descontrair, mas não funcionou.

- Você parecia um bêbado desnorteado. Falou um monte de coisa que eu não entendi, reclamou do grude do meu irmão, zombou do Seiya, pegou o resto do vinho e tomou tudo de uma vez... – Ele dizia rindo levando as mãos ao cabelo.

- Eu fiz isso?- Perguntei sem entender. Fiz tudo isso só por ter batido a cabeça?

- Fez. Eu não sei o que te deu, mas você parecia angustiado, querendo falar... eu até entendo. O Shun também é assim. Às vezes precisa desabafar. Estranhei porque você não parecia ser disso, mas talvez por isso mesmo você tenha sentido essa vontade de falar coisas que costuma guardar para si... sei lá... Também não procurei saber.

- E o que mais? – Comecei a temer pelas coisas que possivelmente eu tenha falado. Coisas que guardo para mim e que deveria continuar guardado somente comigo.

- Você falou que meu irmão te pediu uma chance e por isso o tinha beijado ontem, que você até pensou em dar essa chance a ele, mas desistiu porque não gostava dele para isso... que não queria magoá-lo. – Arregalei os olhos.

- Eu contei isso? Céus...

- Contou... Depois você falou... – Ele voltou a me encarar nos olhos com uma intensidade que eu me arrepiei. Foi inevitável. – Você disse que adorou o meu beijo, que nunca tinha sido beijado daquela forma. — Ele dizia devagar sem desviar dos meus olhos e minha garganta secou imediatamente. — Que se sentia mal pelo Shun, mas que sempre quis sentir o gosto da minha boca... — Minha respiração se alterou e eu tive que contar mentalmente até dez para me manter calmo.

- Eu disse... disse tudo isso? Eu...

- Sim, você disse. — Ele respondeu calmamente.

- Eu... Me desculpa fênix... eu...

- Depois você tentou me beijar... tentou me roubar um beijo. - Eu arregalei os olhos novamente, completamente sem ação. Não duvidava que eu tivesse feito tudo isso, já que realmente sempre quis sentir o gosto da boca dele. Inclusive isso justificava porque eu me sentia daquele jeito quando acordei. Diante do meu silêncio, ele prosseguiu. - Eu tentei explicar que aquele beijo foi um erro, mas você disse que queria só mais um. Eu expliquei que eu não conseguiria, era difícil para mim. — Confesso que não entendi o que ele quis dizer.

- Como assim? O que era difícil? — Ele desviou o olhar, meio sem jeito.

- É difícil pensar nisso... que só o beijarei uma vez... — Eu senti meu corpo retesar e logo depois relaxar, tombando no encosto do sofá, completamente incrédulo. — Eu te expliquei que... que eu te beijei porque... porque a verdade é que eu sempre quis beijá-lo. Eu sei dos sentimentos do Shun, mas sei também que você não o correspondia... então fiquei perturbado quando o vi beijando o meu irmão, porque aquilo não fazia sentido. Quando você disse que o beijou porque não tinha nada demais... que era só um beijo... eu... eu senti que tudo bem se te beijasse uma vez porque seria só um beijo. Mas...

- Mas o que? — O incentivei a continuar. Ele voltou a me encarar com aqueles olhos intensos.

- Mas... o gosto da sua boca ficou impregnado em mim e eu quis continuar, eu quis muito continuar... eu queria sentir de novo o gosto da sua boca, mas também o gosto da sua pele, sentir sua carne macia em minhas mãos, eu quis você pra mim. — Ficamos nos encarando fixamente depois daquelas declarações dele. Nenhum de nós dizia absolutamente nada, apenas nos olhávamos. Eu não sei o que ele estava pensando, mas eu estava me sentindo num turbilhão de emoções. Ao mesmo tempo em que eu também o queria e estava radiante por aquelas palavras, também tinha o Shun. E eu definitivamente não queria magoá-lo.

- Eu também quero. Você... — As palavras vieram sem que eu tivesse muita consciência delas. Sim, eu o queria. Mas Shun não saía da minha cabeça. Como seria aquilo?

- Você me disse. — Ele respondeu com um sorriso tão lindo que me fez perder o fôlego. - Mas tem o Shun, e eu não farei nada que possa magoá-lo.

- Eu também não quero magoá-lo...

- Eu sei e é por isso que não podemos continuar. — Ele disse e seus olhos perderam toda aquela intensidade. Eu novamente não soube o que dizer. É claro que entendo e até concordo com ele, mas ao mesmo tempo isso não é justo.

- Ikki... eu... nós acordamos... - Porque se Ikki estava dizendo que não queria continuar, será que nós? Será que chegamos a fazer?

- Nós não transamos. — Como sempre ele foi muito direto. Mas então? — Pelo menos não efetivamente, pois não contive a vontade de beijar você por inteiro. — Aquelas palavras, ditas daquela forma me arrepiaram completamente. Eu fiquei calado por um tempo até que ele se levantou.

- Onde você vai? — Perguntei.

- Para o Santuário. Você parece bem e não há mais razão de ficarmos aqui. — Ele disse e pegou uma camisa. — Você não vem? - Ele perguntou. Eu me levantei e o segui meio atordoado, mas o segui mesmo assim. Agora teria que encarar Shun e isso não seria nada fácil.

Continua...

Notas finais
N/A: Peço desculpa pela demora, está complicado mesmo.
Sei que disse que seriam três capítulos no máximo, mas pometo que o próximo será o ultimo.
Beijos!!
Por favor, que puder deixe review!! =)