Uma Noite de Amor
8 O Beijo
Notas iniciais
Amélia Borelli.
Depois do treino das animadoras de torcida, Lorena e eu fomos ao Mc Donalds tomar um Milk-shake para refrescar. Estávamos muito cansadas, tínhamos treinado mais que o normal, o jogo seria domingo agora e precisávamos estar preparadíssimas.
— Eu não entendo o que a Viviane tem contra mim – falei sentando na cadeira de fora no local, ali estava fresco e eu estava com muito calor.
— Viviane é uma idiota, não ligue para ela – Lorena respondeu tomando goles de sua bebida – aliás, ela nem é tão boa assim, só se acha.
Ouvi algumas risadas e conversas um tanto altas vindas do outro lado da rua, eram os meninos do time de basquete do nosso colégio. Estavam todos conversando totalmente alegres e brincalhões, e por algum motivo reconheci uma voz familiar, se parecia muito com a do Leo. Notei que era exatamente ele que estava junto com os demais, o que era estranho, pois não sabia que o mesmo participava do time.
— Fecha a boca, senão vai cair a baba – disse Lorena chamando minha atenção.
— O que? – falei me dispersando dos pensamentos.
— Você olhando o Leonardo, está dando muito na cara, amiga – falou ela rindo.
— Só não sabia que ele faz parte do time, faz poucos dias que começaram as inscrições e ainda os testes não vieram à tona.
— Estranho mesmo, mas aquele Mike é lindo, não é? – disse Lorena colocando sua mão direita em seu queixo dando um leve suspiro apaixonado.
Rimos e encaramos os meninos, eles estavam indo em direção ao Mc Donalds, meu coração começou a dar batidas mais fortes ao longo dos passos do Leo. Ele ainda não havia percebido minha presença, porém, Lorena era amiga de alguns jogadores e os mesmos nos notaram.
— Lorena, cada dia mais linda neste uniforme de líder de torcida – falou um garoto moreno dos olhos pretos.
— Vai à merda, Charlie – disse a Lo num tom brincalhão.
Sorrimos todos juntos, notei um olhar sobre meu corpo, levantei meus olhos e fui diretamente à procura do par de olhos verdes. O vento batia em seu cabelo, seu olhar era de profundo entusiasmado com cansaço, sua testa estava suada, em suas mãos segurava uma bola de basquete. Seus lábios se abriram lentamente em um largo sorriso, sua boca se mexeu dizendo um baixo “oi”.
***
O sábado finalmente havia chegado minha ansiedade não cabia dentro de mim. Recebi uma mensagem do Leonardo, com o endereço de sua residência. Minha mãe resolveu me levar até lá, assim passaria mais tempo comigo e claro, saberia onde eu estava indo.
Sua rua era típica da cidade de Campinas, porém muito calma pelo que havia percebido. A melodia do som dos passarinhos dançava pelos meus ouvidos, o vento que não estava muito forte balançava algumas árvores que cercavam as casas. Eu estava em frente ao número 110, a residência dele.
Não precisei nem descer do carro, uma mulher alta e muito bela com traços semelhantes ao do Leo abriu a porta e foi em nossa direção. Logo atrás veio o Leonardo sorridente como sempre.
— Olá, meninas! Como vão? – falou a mulher muito simpática.
— Oi, estamos ótimas e vocês? – disse minha mãe e logo descemos do carro.
O Leonardo estava muito quieto, apenas me observando com seus olhos de canto, trocamos alguns sorrisos até que o papo de nossas mães terminou e finalmente adentramos a casa.
Era tudo muito aconchegante a moradia, sua mãe era um amor de pessoa muito simpática. Não tive oportunidade de conhecer seu pai e nem sua irmã mais velha, mas conheci a mais nova Cecília, pelo que percebi todos eram muito amorosos. Senti-me muito feliz e confortável na presença deles.
Fomos para o escritório onde faríamos o trabalho, sentei em uma cadeira ao seu lado, meu coração estava prestes a sair pela boca, eu sentia o cheiro do seu perfume de tão próximos que estávamos. Eu estava muito nervosa, minha mão começou a tremer.
— Então, temos que falar sobre Barroco, alguma sugestão de como podemos constituir o trabalho? – disse o Leo quebrando o silêncio.
— Han... Claro, estava pensando e...
Conversamos, brincamos, rimos, discordamos, mas no final conseguimos finalizar nosso trabalho. Tínhamos jeito para trabalharmos juntos, assumo que adorei isso tudo.
Liguei para minha mãe ir me buscar, já que tínhamos terminado nosso dever. Ela chegaria daqui quinze minutos.
— Vem cá, quero lhe mostrar algo – disse ele e assim o segui.
Fomos para o fundo da casa, onde havia um balanço e muitas flores.
— Que lindas! – disse encantada.
— Achei que iria gostar, são da minha mãe – falou ele.
— São magníficas, eu amei. – falei e sorrimos.
— Quer que eu te balance? – perguntou o Leo.
Fiquei receosa com sua atitude repentina, mas cedi. Ele estendeu sua mão e eu segurei a mesma, nossas mãos se encaixavam perfeitamente, seu toque era de arrepiar todo o meu corpo. Sentei no balanço, assim o Leo começou a empurrar na mesma hora delicadamente.
— Vamos tirar nota dez em literatura – disse o garoto sorrindo enquanto me balançava.
— Vamos sim – disse retribuindo seu sorriso.
— Quanto tempo você é animadora de torcida?
— Não faz muito tempo, menos de um ano. – respondi e ele sentou ao meu lado parando de me balançar.
— Sério? – disse ele com indignação.
— O que foi?
— Nada não.
— Fala – disse insistindo.
— É que você é muito boa, parece que treina há anos – falou me encarando.
— Não é para tanto assim – falei fitando o chão timidamente.
— Claro que é – ele disse e meus olhos desviaram para seu olhar.
— Você participava de algum time no outro colégio? – perguntei curiosamente.
— Han... Não, não participava – ele disse meio tristonho por isto nem perguntei por que.
— Mas, você se inscreveu para basquete, não é?
Ele olhou para o chão de uma forma pensativa, meu desejo era saber o que estava se passando em sua cabeça.
— Ainda não, para falar bem a verdade, eu não sei o que escolher.
Ele estava com sua fisionomia triste, como se não soubesse o que fazer, não queria vê-lo daquela forma. Não ele. Aproximei-me e entrelacei nossas mãos em um movimento só, seus olhos se desviaram do chão para meu rosto.
Senti minhas bochechas corarem, meu estômago revirar, minhas mãos tremiam e meu coração disparava. O vento bagunçou meu cabelo e uma mecha caiu em meus olhos, o Leonardo a tirou e assim nos olhamos por longos segundos. Sentia o clima, e sentia mais ainda o que estava por vir. Eu queria aquilo e finalmente isso iria acontecer. Poderia congelar aquele momento para sempre.
Suas mãos envolveram minha cintura e eu segurei sua nuca, nossos olhos se fecharam e quando dei por mim, nossas bocas estavam coladas. Seu beijo era doce e delicado, naquele momento até nossas almas estavam ligadas. Eu só precisava disso.
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