Notas iniciais
Demorou um pouco, mas está ai! Boa leitura ♥

Amélia Borelli.

Todas as vezes que lia algum livro de romance eu me perguntava se um dia teria uma história de amor parecida com a dos meus personagens. Eu seria capaz de amar tanto alguém alguma vez na vida? Existem os príncipes encantados, garotos que se pareciam com tal? Ou isto servia apenas para o mundo da ilusão?

Acredito que, pela primeira vez estou conseguindo respostas para minhas tão sonhadas perguntas. Com um sorriso no rosto e um copo de café em mãos olhando a estreita rua de minha casa pela janela, eu sonhava alto com o beijo suave do garoto mais encantado de minha vida.

A passagem de ontem me fez pensar em uma lembrança da infância. Eu havia ido brincar na pracinha central de Campinas, muitos adultos gostavam de levar seus filhos para passearem pelo local, já que era perfeito para um tarde de alegria e sensações múltiplas. Até hoje freqüento o espaço, só que agora não mais para brincar de pega-pega ou divertir-me na gangorra, e sim para ter uma leitura calma e deliciosa. Um lugar magnífico para imaginações.

‘’Havia um pequenino menino vestido de branco e azul, seu rosto não era memorável, mas sabia que toda tarde por volta das 14 horas, ele estava lá brincando de carrinho. Certa vez, não havia ninguém para dividir comigo a gangorra, assim vendo minha tristeza, o pequeno garoto veio socorrer-me em minhas preces e nos divertimos juntos no brinquedo. A partir disto, todo o dia nos encontrávamos e brincávamos sempre. Escrevemos em um tronco de árvore nossas iniciais, seríamos amigos para a eternidade. Porém, certo dia um garotinho estúpido começou a jogar areia com maldade em meu amigo, assim nunca mais nos vimos. Passei a frenquentar a pracinha apenas com a Heloísa a partir de então. ’’

Esta lembrança veio à tona por simplesmente o Leo ter me beijado num balanço, o cheiro das flores de sua mãe me lembravam das árvores e canteiros que havia pela praça, fora um momento tão incrível que não existe palavras para descrever este ocorrido, era como se eu estivesse revivendo minha infância novamente. Pode ter sido um pouco cedo nosso beijo, mas não parecia errado e sim certo. Tudo com ele é correto.

É domingo, dia de apresentação, dia de jogo. Era para eu ter dormido muito bem à noite, mas os acontecimentos fizeram com que eu me mexesse para lá, e para cá na cama. Nada mais importava, eu estava feliz e ninguém me tiraria isto.

***

Não sabia se o suor vinha do clima que estava, ou do meu nervosismo extremo pré-jogo. Estava sentada inquietamente com Marlene, nossa maquiadora, passando sombra em meus olhos dando fim a maquiagem de nossa apresentação. Faltava uma hora e meia para o jogo, eu ouvia o som da torcida gritar para seus respectivos times favoritos. Cada minuto que se passava, aumentava mais ainda o barulho. Quando dei por mim todas estavam maquiadas, já era hora de colocar nossas vestes.

Comecei a ficar mais nervosa só em pensar que o Leo poderia estar sentado em uma das arquibancadas, e por o caso eu cometesse algum erro drástico e fizesse tudo dar errado. As meninas pareciam animadas, eu parecia perdida totalmente sem rumo algum, e com um pressentimento muito ruim.

— Cinco minutos! – gritou Viviane, sinal que começaria a qualquer momento. O tempo estava passando muito rápido.

Ficamos em nossas respectivas filas andando silenciosamente rumo ao campo, avistei a multidão e agora estávamos todas em nossas posições. Viviane fez sinal, respirei fundas três vezes seguidas e um sorriso brotou em meu rosto, já estávamos animando o pessoal, dando abertura ao jogo.

Cantando contagiante me aproximei das bases laterais que eram Emily e Heloísa, pressionando-me em um impulso para fazermos a elevação elevador. O salto foi concluído, mas quando estava voltando para as meninas me segurarem infelizmente não senti firmeza em meu lado direito, fazendo assim com que eu caísse com tudo no chão tendo um barulho gigante no campo. Notei que todas pararam de se movimentar, os torcedores fizeram silêncio e eu só conseguia sentir muita dor em minhas costas e pernas, um eco fragor caminhava por dentro de minha cabeça.

Algumas pessoas se aproximavam, mas não reconhecia ninguém estava tudo embaçado. Senti alguém me tocar, era o Leo. Ele estava com semblante de preocupação, logo atrás dele vinham médicos pedindo para o mesmo se afastar. Mas, o que os médicos estavam fazendo ali? Por qual motivo eu estava jogada no chão? Por que minha cabeça doía tanto?

De repente, tudo girou em rápidos movimentos circulatórios e em um único gesto cerrei meus olhos.