Uma Garota Perdida
17 Morrer é a única solução
Notas iniciais
POV-Samantha
Acordei em meu quarto, torci para que tudo tivesse sido apenas um pesadelo, só que quando vi a marca das cordas em meus braços, um flash back passou pela minha cabeça. Chorei ao lembrar daquilo, eu fui enganada, estrupada e espancada! De repente ouvi alguém batendo em minha porta, era a Allison.
–Ai graças a Deus, você acordou!-disse ela vindo até mim.
–Quanto tempo eu fiquei desmaiada?-pergunto me sentando na cama.
–Uma semana! Ficamos preocupados com você.-respondeu ela colocando a bandeja que antes estava em suas mãos, agora está em minha comoda.
Allison se sentou na cama, ficou me olhando por um bom tempo, talvez estivesse pensando em algo para me dizer. Mas aquele olhar eu conheço, é um olhar de pena, de preocupação e de...culpa!
–O que foi? Por que me olha desse jeito?-pergunto, já me sentindo incomodada com esses olhos azuis em cima de mim.
Ela suspira e diz:
–Não é nada, apenas tome seu café e descanse, está bem?
Assenti, ela me deu um beijo na testa e saiu.
Tentei comer, pelo menos os biscoitos, mas não consegui. Parecia que meu estomago estava entupido, pois tudo que eu comia saía pra fora novamente. Desisti de comer e resolvi dormir.
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Acordei com minha cabeça latejando de dor, me levantei e abri a porta lentamente, tentando fazer movimentos leves. Acho que não tem ninguém em casa, desci as escadas e fui até a cozinha, quando apontei na porta Ian estava lá, sentado a mesa pensativo.
–Oi.-digo com um sorriso meio tremulo no meu rosto.
Ele se levantou, veio até mim e me abraçou bem forte.
–Pai!-digo me encolhendo em seu peito, como se eu fosse uma criancinha de 6 anos assustada.
Talvez eu seja mesmo!
Ele me levou até o sofá e disse:
–Você se lembra de tudo?
–Não!-respondi enquanto balançava a cabeça negativamente.
–Quer saber como saiu de lá?
Assenti.
–Bom, aquele homem que estava junto com Justin, se chama Tom, ele era um amigo meu de quando eu era da polícia.
Arregalei os olhos quando ele disse isso, Ian não me disse que tinha sido policial.
–Como assim polícia?-pergunto meio assustada.
–É uma longa história! Antes de virar advogado, fui policial e Tom era meu parceiro, Justin é filho dele. Nós dois éramos uma dupla incrível, até o momento em que ele começou a se envolver com mafiosos e bandidos, apenas para ganhar dinheiro extra. Num dia, estávamos resolvendo um caso onde um homem tinha sido assassinado e esquartejado, a investigação nos levou até Márcio Garcia que era o mafioso mais procurado daquela época, Tom e Márcio eram parceiros de negócios, e Tom implorou para que eu dissesse que Garcia era inocente.
–E o que você fez?
Ian estava meio nervoso, pensativo, com uma expressão séria, depois de muito silencio ele finalmente falou.
–Eu fiz o que era certo! Testemunhei contra Garcia, acusando ele de assassinato e por fim ele acabou sendo preso. Mas não foi por isso que Tom criou ódio de mim, foi porque eu o entreguei ao chefe de polícia daquele época, contando todo o seu envolvimento com mafiosos, e principalmente com Garcia.
Eu não sabia o que dizer. É muita informação, e muitas perguntas em minha cabeça. De tantas perguntas, eu escolhi fazer a que mais me incomodava.
–Por que eles fizeram aquilo comigo? Por vingança?-perguntei olhando para a parede como se estivesse falando sozinha.
–Vingança! Uma vez contei ao Tom que tinha uma filha que não conhecia, e que quando eu tivesse com minha vida resolvida, iria te procurar. Acho que ele fez o mesmo e usou isso para se vingar de mim.
''Então eu fui abusada por um garoto e por pouco o pai dele não fez o mesmo, tudo para ele se vingar de você!''
Foi isso que veio em minha mente, mas eu preferi não dizer. Isso o faria se sentir mais culpado ainda.
–Me desculpe, Samantha! Você acabou sendo envolvida em algo que nem sabia, tudo por causa do meu passado. Queria poder mudar tudo o que aconteceu naquele lugar, tudo o que eles fizeram com que você!
Seus olhos estavam brilhando, por causa das poças de lágrimas que se formavam neles. Eu levantei um de meus dedos, levei até a seu rosto e limpei as lágrimas antes que elas começassem a cair.
–Está tudo bem! A culpa não foi sua.-sussurrei tentando acalmar meu pai com um sorriso falso no rosto.
Ele me abraçou e beijou minha testa.
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Subi para o meu quarto, por ordem do Ian de que eu devia descansar. Mas é que eu não quero ficar aqui, trancada, tendo que reviver aquele momento todo em minha mente.
''Estou sozinha novamente! O que eu tenho que fazer para poder descansar, tentar não me torturar e nem sem torturada? Por que a única pessoa que eu quero amar não pode estar aqui para me ajudar?
Ao terminar de escrever isto em meu diário, resolvi sair daquele quarto e andar, para tentar espairecer um pouco.
Estava frio lá fora, então vesti uma calça jeans, uma blusa branca comprida e por cima um casaco preto e meu All Star. Desci as escadas, não tinha ninguém em casa, apenas deixei um bilhete em cima da mesa e sai.
Fui andando até um lugar meio afastado da cidade, um parque onde na primavera parece ser o lugar mais mágico de Greenville, já no inverno, é como se fosse um lugar onde só almas torturadas vagam. Me sentei de frente para o lago, e o fitei por bastante tempo, até que minha mente começou a ter ideias.
''Qual será a sensação de morrer afogada? Será que eu devo experimentar?''
Tentei parar de pensar nisso, mas era difícil, ainda mais estando de frente para um lago, num lugar onde ninguém poderá me socorrer e talvez essa seja a melhor forma de acalmar a minha mente. Morrer é a única solução!
Olhei para o lado, me certifiquei de que não vinha ninguém. Me levantei, tirei o casaco e o tênis, fui andando em direção a água, senti meu corpo estremecer só de meus pés a terem tocado e de repente um vento gélido veio e fez com que meus longos cabelos negros voassem. Andei mais para o fundo, até a água chegar em meu pescoço e eu não sentir mais terra firme.
Finalmente, a água gelada invadindo minhas vias aéreas e quando se instalaram em meus pulmões, era como se eles estivessem queimando. Ar eu já não tinha mais, faltava pouco para a dor angustiante acabar e eu conseguir finalmente descansar. Fechei meus olhos e comecei a imaginar o Kevin ao meu lado, senti uma ponta de arrependimento me invadir, sei que tudo o que eu sonhei acaba aqui. Se eu morrer, nunca mais irei vê-lo! Talvez esse seja o único arrependimento que levarei desta vida...
Segurando meu último suspiro
A salvo dentro de mim
Todos os meus pensamentos são sobre você
Doce luz extasiada
Que acaba aqui esta noite
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