Uma Garota Perdida

18 This has to end, once for all!


POV-Ian

Depois que Samantha subiu para o quarto, resolvi ir na delegacia, como vocês devem imaginar Tom está preso e eu pretendo resolver de uma vez por todas o passado, antes que ele tente algo contra a minha família novamente. Quando cheguei na delegacia, o delegado veio até mim, nos cumprimentamos e ele me levou até a sala de interrogatorio, onde Tom estava.

Passando por aqueles corredores, me trazia flash backs da minha antiga vida de policial, honestamente, fico até aliviado de ter deixado essa vida para trás. A corrupção entre policiais é muito maior do que as pessoas pensam. Quando chegamos na sala, Tom estava sentado na cadeira, quando ele me viu, sorriu. Um sorriso amarelo e sínico na cara, como se estivesse feliz em me ver.

–Olá, meu velho amigo!-disse ele se aproximando de mim.

–Não sou seu amigo.-digo olhando diretamente em seus olhos.

–Por que toda essa raiva? Eu mal toquei na sua filha.-o sorriso voltou em seu rosto e ele se afastou um pouco.

Ele quer me tirar do sério, quer fazer com que eu tente algo contra ele. Mas eu não vou entrar no joguinho dele.

–Tom, por que foi atrás dela? Porque não veio atrás de mim e me matava pra acabar com isso de uma vez.

Nisso ele se aproximou novamente, em seus olhos, eu consegui ver o ódio que ele sente por mim. Sei que isso é improvável, mas eu sei o que vi.

–Porque é muito mais divertido ver você sofrer se sentindo culpado, e vendo rastejar até aqui e tentar me ameaçar ou implorar para que eu não toque na sua filha novamente.

Não disse nada, apenas o olhava tentando entender como uma pessoa pode ter tanto ódio assim.

–Sabe eu achei que a sua filha seria mais corajosa, que ela fosse mais como você, só que rapidamente ela se entregou ao meu filho.

Meu sangue fervia enquanto ele disse aquilo, Samantha não é fraca, ela só não conhece a força que tem.

–Foi tão prazeroso ver o medo estampado naqueles olhos azuis e poder presenciar a dor que ela sentia ao ser espancada.

Fechei meu punho, eu já estava me preparando para socar a cara dele, mas se eu fizer isto estarei dando o que ele quer. A raiva correndo pela minhas veias, eu queria me controlar, mas quando fui ver já era tarde. Eu já estava em cima dele, dando vários socos em sua cara, alguns policiais tiveram que entrar e me tirar de lá. Quando eu estava saindo, Tom gritou:

–Você pode achar que tudo acabou, mas na verdade, está apenas começando!

Fui levado até a sala do chefe da polícia.

–Ian o que estava pensando? Não pode deixar ele fazer isso com você.-disse James me olhando.

–Ele sequestrou minha filha e deixou o filho dele abusar dela! O que você queria que eu fizesse? Deixasse barato?-digo gritando.

Eu estou com raiva, muita raiva, não vou conseguir me acalmar ficando aqui. Eu quero voltar lá e espancar ele, até que ele não consiga mais respirar!

Ian se acalme, você não é assim!

–Olha eu sei o que ele fez, sei do passado de vocês. Mas desse jeito você estará dando o que ele quer. Ian você é inteligente e já foi um ótimo policial, sabe como funcionam as coisas.

–Eu preciso sair daqui! -digo saindo da sala e indo embora igual a um touro bravo.

Deixei a delegacia e fui direto para casa, se eu continuasse ali iria acabar fazendo merda. Quando cheguei em casa, não tinha ninguém, apenas um bilhete da Samantha.

''Cara família, resolvi sair um pouco do meu quarto, não aguento ficar trancada em um lugar onde minha mente me tortura. Então resolvi dar um basta nisso e acabar com tudo de uma vez. Eu peço desculpas, mas vocês irão conseguir viver sem mim! Adeus...''

Oh meu Deus! Minha filha vai se matar! E agora? Como irei encontrá-la, se nem sei por onde começar. Isso é tudo minha culpa, eu devia ter sido mais cuidadoso, não devia ter deixado ela sozinha.

Involuntariamente, peguei as chaves do carro e saindo porta a fora, acabei esbarrando em uma mulher.

–Me desculpe!-digo ajudando ela a se levantar.

–Está tudo bem!-disse ela.

–Se me der licença, eu tenho que ir!-digo enquanto virava as costas e a deixava lá.

–Espere!-gritou ela.

Parei e esperei ela vir em minha direção.

–O senhor é o pai da Samantha?

–Sim, sou eu! Você sabe onde ela está?

Ela respirou fundo, fechou os olhos por alguns segundos e disse:

–Venha comigo!

A mulher que me levava em direção ao seu carro, se chama Annie, me lembrei dela daquele dia do hospital em que Samantha desmaiou. Ela parou em frente ao hospital e nisso meu coração gelou.

–Ela tentou se matar!-disse Annie olhando para mim com preocupação.

–O quê? Como? Ela ainda está viva?-perguntei enquanto saía do carro.

–Se acalme por favor! Eu vou lhe contar, apenas entre comigo.

Obedeci. Entramos no hospital, e fomos até uma sala mais reservada.

–Sente-se!-disse Annie enquanto fechava a porta.

Me sentei em um sofá branco que tinha lá, e ao lado tinha uma mesa onde ficava a máquina de café e alguns biscoitos. Acho que é a sala de descanso dos enfermeiros.

–Onde está a Samantha?-perguntei cheio de nervosismo e com medo da resposta que vinha a seguir.

Annie se sentou ao meu lado e começou a falar.

–Eu estava andando no parque, quando a vi dentro d'água se afogando, no mesmo instante, pulei e a tirei de lá. Ela não estava respirando quando a tirei, então trouxe-a imediatamente para o hospital, agora ela está descansando.

Coloquei as mãos em meu rosto, eu estava processando tudo aquilo e tentando compreender o motivo de minha filha ter tentado se matar. Sei que ela já sofreu bastante, mas ela ainda tem muito o que viver.

–E quando vou poder vê-la?-digo enquanto tirava as mãos do rosto e olhava para Annie.

–Daqui a pouco! Mas antes, eu quero falar algo com o senhor.

–Diga!

Eu já estava esperando algo pior, mas o que Annie me disse foi como uma inspiração para fazer as coisas melhorarem.

–E será que vai dar certo?-perguntei.

–É o único jeito!-disse ela -Vai ser melhor assim!

–Tem razão! Mas como vamos fazer isso acontecer?

–Bom, precisamos de um motivo bem convincente.-disse Annie parecendo pensantiva.

Comecei a pensar também e a ideia que veio em minha mente, é perfeita!

–Já sei o que fazer, mas precisarei de algum tempo.-digo me levantando.

–Quanto tempo?-perguntou Annie se levantando também.

–Dois meses! Será que dá para esperar?

–Dá sim! Agora venha, vamos vê-la.

Saímos da sala e fomos para o quarto onde Samantha descansava, ela parecia estar calma e tranquila.