Uma Aventura Pokémon
4 Guia
‘’Bom dia senhor Kitz e Kein. Quando voltarem para casa digam a mamãe que estamos bem e que ligarei pra ela.
Até logo, Lamp’’
Este foi o bilhete que Kein encontrou sobre a cama de Lamp quando esteve para visitá-lo e os dois não estavam mais lá. Kitz, que se recuperava, acabara de lê-lo em voz alta:
— É, não tem jeito, esse moleque realmente puxou ao pai.
A manhã em Creminin estava álgida e nublada, parecia que continuaria assim no decorrer do dia. Havia muito trabalho sendo feito na cidade para amenizar os estragos do dia anterior. Os dois receberam alta logo depois de falarem com Pludy. Lamp vestia sua roupa de frio, e junto com Zet – este não precisava de tanta proteção às baixas temperaturas, seus músculos se desenvolviam rigidamente, agindo como um escudo contra o ar gélido – , saíram da cidade rumo às montanhas.
— Acho que foi melhor assim, mas ainda queria ver o senhor Kitz. – disse Lamp, que caminhava com o mapa em uma mão e o caderno na outra – Que bom que não foi nada extremamente grave, o médico falou que ele teve sorte e que vai precisar ficar em repouso por um tempo. Mas com certeza ele estaria bem bravo comigo, não é mesmo, Zet?
O Riolu assentiu.
— Além do mais, veja o que temos!! – o garoto estava entusiasmado – Podemos ir para o primeiro lugar marcado no mapa do meu pai, não é incrível?!
Antes de sair de Creminin ele consultou algumas pessoas para saber mais algumas informações e como deveria se orientar, pois não tinha prestado muita atenção naquela aula sobre escalas e mapas.
— Vamos começar a ler o que meu pai escreveu, já que ainda não vimos as anotações.
Na primeira página do pequeno caderno havia algo como um sumário com nomes de lugares. O Monte Branco era o primeiro da lista. Lamp virou a folha e leu o que se apresentava.
‘’ Monte Branco
Esta cordilheira é um lugar áspero e remoto. Dessa forma, alguns Pokémon que gostam desse tipo de ambiente vivem aqui. Apesar dos altos pinheiros, a vegetação é rasteira e durante a maior parte do ano é muito frio. Um bom lugar para aventurar-se e talvez fazer um acampamento.
Penso que esta é uma boa definição do lugar. Inexplorado e frio, eu gostava do frio. Espero que goste de explorar. Em algum momento chegará no ponto que mais me interessou: o Monte Branco, que tem este nome por estar sempre coberto de neve até nas épocas menos frias. É o ponto mais alto da região, conforme se sobe a cordilheira torna-se mais fácil de ver o caminho. Leia a próxima página quando estiver lá.
’’
— Ele não fala de nenhuma luz no Monte Branco! – disse Lamp, após terminar de ler, ele ficou ainda mais ansioso pra ver o que tinha lá – Vamos seguir então!
Apesar de estar situado em uma cadeia de montanhas e essa se estender por um longo território, o Monte Branco ficava em um ponto próximo a Creminin. E mesmo sendo o pico mais elevado daquela serra, não era tão alto. Normalmente não era necessário muito tempo para atingir o topo. Porém ainda assim era uma grande proeza subir a uma altitude onde o ar já se tornava rarefeito.
— Acho que vamos chegar lá bem antes do entardecer se formos rápidos, mas de qualquer forma podemos acampar esta noite.
E então eles continuaram seguindo, determinados a alcançar a montanha.
— Atchôô!!!- um pequeno floco de neve caiu sobre o focinho de Zet. Logo eles perceberam que começara a nevar gradativamente.
— Parece que o tempo não está do nosso lado. Consigo ver o Monte Branco, mas se a neve apertar vai ser difícil seguir. – disse Lamp.
De fato parecia que uma nevasca atingiria a região, quando acontecia, os cidadãos de Creminin eram aconselhados a tomarem precauções contra avalanches. Quanto a Lamp e Zet, ficava cada vez mais difícil de prosseguirem e, com o tempo, sequer dava para ver cinquenta metros à frente. Além disso, o frio começava a intensificar-se.
— Nunca pensei que pudesse nevar tanto! – disse o garoto – Toda vez que piso no chão meu pé afunda uns dez centímetros! Não está com frio, Zet?
O Riolu permanecia ao seu lado. Já tinham andado por um bom tempo e a essa altura já estavam perdidos no meio da neve. Não era possível ver os pontos de referência que lhe indicaram e ainda mais difícil se localizar em uma floresta de pinheiros.
— Aqui não devia ter uma grande rocha e... Argh!! Acho que já passamos por aqui!! – disse Lamp, que já tinha as mãos congelando.
De repente um som chegou aos ouvidos do menino.
— Não vá!!!
Uma voz feminina, suave e tranquila ecoava de algum lugar.
— É perigoso!!!
Lamp viu ao longe uma linda mulher com um longo vestido branco. Ela resplandecia um leve brilho que a fazia distinguir-se da neve.
— Zet!! Zet!! Você também está vendo?!! – gritou Lamp, com a voz abafada pela forte tempestade.
Então, quando tentou correr para se aproximar da miragem, sentiu a neve abaixo dos seus pés desmoronar.
— Aaaah..., Zet!!! – Lamp berrou enquanto um abismo sem fim abria-se embaixo dele.
Zet tentou segurá-lo, mas a neve estava tão densa que ele sequer via onde seu amigo despencou.
Enquanto caia, Lamp sentiu uma forte lufada de vento gélido vinda do abismo, que o suspendeu no ar. Foi tempo suficiente para que ele, por instinto, segurasse no que parecia ser a raiz de uma árvore.
— Zet, Zet!!! – ele gritou.
O Riolu aguçou seus sentidos ao máximo e conseguiu visualizar Lamp. Realmente estavam na beira de um precipício. O garoto conseguira segurar na base de um pinheiro. Zet fez o melhor que pôde e conseguiu puxar Lamp.
Agora os dois estavam desnorteados. Apesar da tempestade ter amenizado, eles estavam perdidos, cobertos de neve e exaustos.
— Sigam-me!!!
Lamp e Zet vislumbraram novamente a visão da dama da neve e ouviram sua doce voz. E, como por um ímpeto natural de sobrevivência, eles perseguiram aquela voz com a última de suas forças.
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— Meu Deus, o que é isso?!
O velho John não esperava aquela imagem pueril à porta de sua cabana na floresta, ainda mais durante a maior nevasca que já presenciou. Ele rapidamente os trouxe para dentro e levou-os para próximo da lareira.
— O que vocês faziam no meio desse vendaval de gelo? – o idoso perguntou.
Os dois estavam se recuperando do cansaço. Lamp, principalmente, sofria mais com as consequências da exposição ao frio, que poderia ter se agravado caso não houvessem encontrado abrigo.
— Nós estávamos indo para o Monte Branco! – disse Lamp, que agora tomava uma grande xícara de chocolate quente que o ancião preparou.
O homem então puxou sua poltrona para onde Lamp e Zet estavam sentados. O Riolu comia algumas nozes.
— Não acho que seria difícil vocês chegarem ao Monte Branco. Além de que não é época de nevascas. Porém quando viram que ia nevar deviam ter voltado. De qualquer forma, nunca vi uma tempestade dessas.
John, apesar de seus setenta e três anos, não apresentava os sinais de abatimento da velhice.
— Uma mulher nos ajudou! – Lamp respondeu, retornando aos poucos ao seu aspecto normal.
— Uma mulher?! – John perguntou.
— Sim, a dama da neve, ela tinha um vestido branco e nos guiou até aqui, certo Zet?
O Riolu assentiu.
— Pelo visto vocês encontraram Froslass. – John concluiu.
— Froslass?! Quem é ela?! – Lamp indagou.
— Froslass é o Pokémon guardião dessa região. De acordo com as lendas, ela ajuda aqueles que estão perdidos e atrapalha os que vêm para cá com más intenções. Seu aparecimento significa que as nevascas estão chegando, mas desta vez algo não está certo.
Lamp então contou tudo, desde sua saída de casa com Zet até o ataque dos Pokémon à cidade. O idoso ficou admirado com o carisma do garoto e o quanto era destemido.
— Realmente eu estava achando os Pokémon daqui um pouco estranhos. – John falou. – Até ouvi alguns barulhos abafados pela altitude, porém não prestei tanta atenção.
— Mas o senhor por acaso viu alguma luz vinda do Monte Branco? – perguntou Lamp.
— Bom, agora que você falou, eu penso ter visto sim um clarão, mas como estava aqui e a minha casa fica atrás de um pequeno morro, não consegui ver diretamente. – John respondeu.
Nesse meio tempo em que conversavam a neve parou, deixando para trás o alvo cobertor sobre todas as coisas. Lamp e Zet já se preparavam para sair. O idoso ficou surpreso de como a vitalidade deles retornou rápido.
— Se vocês precisam tanto ir ao Monte Branco vou levá-los até lá! – John disse.
— Nós agradecemos, senhor John! Pra falar a verdade nós já estávamos perdidos antes mesmo da nevasca começar. – disse lamp, rindo.
Aproximava-se do entardecer. A neve trouxe com ela as belezas do tempo álgido : os Sandshrew do gelo emergiam de todos os lugares, assim como os pequenos Swinub. Snover podiam ser confundidos com arbustos e os Delibird planavam entre os pinheiros. Realmente fazia sentido que depois da tempestade vinha o arco-íris.
— Veja, Zet, um Ninetales das neves!! – disse Lamp, enquanto caminhavam.
O Riolu corria pelo gelo e escalava agilmente as árvores, brincando com os Pokémon.
— Aliás senhor John, o senhor mora aqui? – o garoto perguntou curioso.
— Sim. –– John respondeu.
— Porque vive sozinho? – Lamp continuou.
— Minha esposa faleceu e meus filhos, bem, eles se tornaram adultos e foram viver suas vidas. Uma casa na floresta me parece um bom lugar para um velho como eu viver de forma tranquila. Algumas pessoas do hospital me visitam com frequência. – redarguiu John, calmamente.
Após alguns minutos de caminhada eles alcançaram o topo, a vista era fantástica. Era possível ver Creminin dali de cima.
— Finalmente chegamos!!! – exclamou Lamp, entusiasmado.
Então ele viu o que parecia ser a entrada de uma caverna.
— Acho que o que você procura deve estar naquela gruta. – John disse.
Dessa forma eles seguiram até o vestíbulo. O local estendia-se para baixo e, após caminharem um pouco, chegaram até um amplo espaço esculpido naturalmente. As paredes continham algumas escrituras em um idioma que Lamp desconhecia. Havia um buraco na parte de cima que permitia a entrada de luz. No centro do saguão havia um pequeno pilar. Após pegar o caderno Lamp observou que na parte mais escura alguém tocava as marcações de uma das paredes. Além disso ele também notara que a aura de Zet intensificou-se e agora o Riolu brilhava intensamente.
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