Uma Aventura Pokémon
5 Surpresa
— Vocês não deveriam ter vindo até este lugar. – O indivíduo falou com uma voz grave, porém com pouca intensidade, enquanto caminhava até o pequeno altar segurando uma pedra vermelha com as mãos.
Lamp e John não ouviram muito bem, mas agora podiam observar quem estava ali. Tratava-se de um homem com uma longa capa preta. No entanto, o garoto mudou de foco rapidamente, direcionando-se para Zet – que havia se deslocado até próximo de uma das paredes da caverna. Este permanecia incandescente. A aura do Riolu expandiu-se em cor amarela. Estava ofuscando o olhar de quem o observava. Lamp foi até ele.
— Olá, senhor! – John disse. O ancião também percebera como estava Zet, porém estava curioso sobre quem era aquele homem e o que fazia ali. – O que faz aqui sozinho ?! – exclamou, tentando estabelecer comunicação.
Apesar do estado da aura de Zet, o Pokémon parecia estar consciente. Dessa vez, Lamp não sentiu algo ruim vindo dele.
— Ei, Zet, o que houve ?. – disse o garoto.
O Riolu – que continuava brilhando – olhou para Lamp e balançou a cabeça. Nesse meio tempo, John andou até chegar mais perto do altar para falar com o homem, pois ele não havia respondido nada.
— Acho que terei que me livrar da poeira por aqui. – o homem falou – colocando a pedra sobre o altar – após ver que John vinha em sua direção.
Então, logo após dizer isso, ele de alguma forma começou a canalizar uma energia escura em sua mão direita. Rapidamente, mirando em Lamp e Zet, lançou uma pulsação das trevas na direção deles. Lamp estava muito concentrado em seu amigo, e portanto não viu imediatamente que iria ser atingido por aquilo. Entretanto, Zet se lançou para a frente do raio, e sua aura foi canalizada em um tipo de luz amarela que revidou o ataque.
— O quê?!! – O homem da capa ficou surpreso depois de desviar do golpe lançado de volta contra ele com um pulo lateral. – Como você fez isso?!! – gritou.
— O que foi isso?! – John gritou, sem entender o que aconteceu.
Lamp se assustou e, assim como John, não entendeu o que aquele homem fez. Contudo, ele ficou ainda mais surpreso com Zet e como a aura dele os protegeu.
— Zet, como você…? – Lamp dizia, quando foi interrompido pelo homem, que dessa vez falou alto:
— Não sei o que esse pokémon fez, mas esse velho sofrerá as consequências!! – disse com uma voz sombria, virando-se para John.
Foi só neste momento que Lamp percebeu John próximo ao altar. Então viu que um buraco estava se abrindo abaixo do idoso.
— Ei, o que está fazendo ?! – Lamp gritou para o homem, enquanto este erguia sua mão em direção ao ancião.
Assim, o menino começou a correr até onde John estava, o senhor estava sendo sugado para baixo como em areia movediça.
— Aaah!! Eu estou preso!! – John gritou, mexendo os braços em busca de algo para apoiar-se, mas sem êxito.
Lamp chegou até a borda do círculo formado, que parecia mais um buraco negro.
— Não chegue perto se não quiser ir junto também!! – O homem gritou com uma voz sarcástica, abrindo um largo sorriso e dando uma alta gargalhada, a qual ressoou fortemente.
A luz da lua cheia refletia no local pelo grande buraco no teto, iluminando o espaço. Soprava também uma forte rajada de vento frio pela entrada.
— Ei!! Pare com isso!! – Lamp gritou desesperado, vendo que John já havia sido quase completamente puxado para o buraco.
— Corra daqui, menino!! – O idoso gritou.
Logo após dizer isso, John desapareceu na abertura, e esta se fechou.
— Argh, já fiz o que tinha pra fazer aqui. Vou embora. – O indivíduo falou, retomando um semblante mais sério.
Lamp correu, subindo as escadas do altar desesperadamente, gritando para alcançar o homem, mas o que ele viu foi o sujeito se transformando em um Honchkrow e voando pelo buraco no alto do saguão.
— Aaaah!!! Volte aqui!!! O que você fez com o senhor John?!! – os gritos dele ressoavam devido ao eco.
Tudo aconteceu muito rápido. E agora o silêncio havia tomado conta do lugar, com o som do vento soprando de forma mais leve. Foi então que o garoto parou para pensar e digerir tudo. Por sua culpa o idoso havia desaparecido. Ele se sentou de joelhos no chão, próximo às escadas do altar.
— Ah não, se eu não tivesse trazido ele até aqui isso não teria acontecido! – disse, batendo as mãos no chão pedregoso da gruta e com algumas lágrimas escorrendo pelo rosto.
Lamp não entendia o que tinha ocorrido. E as circunstâncias pioraram quando ele olhou para frente e viu Zet desmaiado no chão. O Riolu não estava mais com sua aura o rodeando. No entanto, a alguns metros dele, havia uma luz amarela brilhante flutuando no ar.
— Zet!! – o menino gritou, erguendo-se e correndo até o amigo.
Chegando até ele, o Pokémon recobrou a consciência e levantou-se.
— Zet, o que aconteceu? Você está bem? – Lamp disse, abraçando o Riolu. – Nós precisamos encontrar aquele homem!
Então os dois focaram suas atenções na forte luz brilhante à sua frente. Era perceptível que aquele fulgor possuía as mesmas características da aura que rodeava Zet. Lamp chegou a relacionar as duas coisas, mas como o seu parceiro estava bem, todas as suas preocupações estavam voltadas para o desaparecimento de John. Assim, Lamp lembrou:
— É verdade!! Com certeza meu pai deve ter escrito alguma coisa sobre tudo isso!! – ele disse, velozmente pegando o caderno de anotações.
Foi então que se pôde ouvir o retumbar de alguns passos vindos da entrada. De repente, uma mulher apareceu correndo. Ela usava um uniforme atlético camuflado. Parecia uma guarda florestal.
— Ah não! Parece que cheguei tarde demais!! – ela disse, ofegante. – O cochilo da tarde complicou a minha situação.
A mulher seguiu até o altar. Lamp a observava do outro lado da sala, ainda tentando compreender a situação. Ao se virar, ela viu os dois no chão. Lamp largou o caderno e foi até a moça.
— Por favor, por favor!! Você precisa me ajudar!! O homem sumiu com o senhor John! – o garoto bradou ininterruptamente.
A mulher olhou para Lamp, surpresa. Definitivamente não esperava ver uma criança dizendo aquilo por aquelas horas e naquele local.
— Hãm?! – ela exclamou.
Lamp começou a falar rapidamente.
— Ei! Vamos devagar! – a mulher disse, com uma expressão interrogativa.– Quem é John? Que homem sumiu com ele?
Lamp resolveu contar tudo que havia acontecido com eles.
— Nós estávamos explorando e então subimos até aqui com um senhor amigo nosso. – Lamp iniciou, agora falando de forma mais clara. – Quando chegamos, um homem com uma capa nos atacou e colocou o senhor John em um buraco. Depois disso ele se transformou em um Pokémon e desapareceu.
— Espere! Um homem com uma capa? – ela indagou.
— Sim! Ele nos atingiu com uma magia, mas o Zet revidou. – Lamp continuou.
— Humm! Olha, se eu fosse uma pessoa normal eu não acreditaria nessa sua história!! – ela disse – Mas eu não sou uma pessoa qualquer!! Eu sou uma exploradora!! – concluiu, orgulhosa.
Lamp internamente se sentiu bravo com a tranquilidade que a mulher apresentava, mas entendeu que era realmente algo muito surreal para se acreditar. Além disso, ele animou-se pela mulher ter dito ser uma aventureira.
— Mas pelo visto ele esteve mesmo aqui!! – a mulher retomou a fala, agora assumindo um semblante mais sério.
— Você fala do homem?! – Lamp exclamou. – Você conhece ele?!
— Bem, tenho certeza que são poucas as pessoas que usam uma capa e podem se transformar em Pokémon! Eu vim até aqui atrás dele. – A mulher concluiu. – Aliás, meu nome é Malie. Qual é o seu nome?
— Eu me chamo Lamp! Aquele Riolu ali é o Zet – O garoto disse, apontando para Zet, que vinha na direção deles.
— Uh, que corrida! Acho que bati meu recorde! – Malie falou, expirando fortemente – Eu vou te contar o que ocorreu aqui e o que sei sobre aquele cara.
Assim, eles se sentaram em algumas pedras que havia ali. Lamp pôde sentir que aquela pessoa era boa e que podia confiar nela.
— Primeiramente, se aconteceu com o seu amigo o que eu acho que aconteceu, então ele está bem. – Malie começou falando. – Não aconteceu nem vai acontecer nada com ele.
Ao ouvir isso, Lamp foi preenchido com um alívio imenso.
— É sério?! – ele perguntou, animando-se.
— Sim! Mas ele estar bem não significa que tudo está certo. – ela redarguiu. – Ele foi levado para um lugar muito longe! Na verdade, não foi levado para lugar nenhum.
— O quê?! – Lamp exclamou, extremamente confuso.
— Humm.. Bem, isso não fez muito sentido. Ele foi enviado para o vazio, é isso!
O garoto se irritou.
— Ah, fala sério!! Como assim vazio?
A moça se mostrou pensativa e então inspirou fundo.
— É uma longa história. – ela iniciou. – O seu amigo está em um lugar onde não há vida, onde não há movimento, tudo é estático. O vazio é uma outra dimensão, muito diferente da nossa. Lá o tempo passa de forma diferente. Nós não temos as mesmas sensações como fome e sono. Você já deve ter ouvido falar de algo parecido – concluiu.
O garoto pensou que aquilo falado por ela era tão maluco quanto o que havia acontecido, mas lembrou de algumas lendas contadas para crianças e que tinham alguma relação com isso.
— Realmente! – ele disse. – Quando eu era mais novo diziam que se agíssemos muito mal iríamos para um lugar assim.
— E agora você pode entender que aquele desalmado envia pessoas e Pokémon para um lugar como esse. Hoje não foi a primeira vez.
Lamp ficou aflito por um momento, pois pela descrição que Malie fez, parecia ser impossível voltar do vazio.
— Mas, espere! Dá pra trazer o senhor John de lá, certo? – Lamp indagou, ansioso pela resposta.
— É possível, porém quase impossível. – a moça respondeu.
— Lá vem você de novo misturando as palavras! – Lamp a repreendeu.
— Haha! Tenho essa mania. – Malie falou, desajeitada e rindo. – A verdade é que eu não conheço ninguém que tenha ido lá e voltado. No entanto, eu descobri que é possível, mas não é fácil. De certo modo, eu estou seguindo aquele cara pra poder tirar de lá várias pessoas e Pokémon que ele enviou.
Lamp se encheu de esperança. O garoto já demonstrara que não importava a situação, se tivesse alguma chance então devia acreditar.
— Então eu e o Zet vamos com você! – ele falou. – Além disso, você disse que é uma exploradora, não é?
Malie abriu um largo sorriso.
— Haha! Você chegou na parte boa! – ela disse, eufórica. – Eu sou uma das melhores.
— Então é por isso que você sabe tanto! – Lamp argumentou.
— Bom, eu acabei descobrindo algumas coisas sobre o mundo. E também por tentar descobrir os motivos daquele homem estar fazendo essas coisas.
— Acontece que eu também sou um explorador! – O garoto disse, orgulhoso. – Eu e o Zet estamos tentando desvendar alguns mistérios que o meu pai deixou para nós.
— Uou, isso é incrível! – Malie exclamou, com os olhos brilhando. – Mas você deve saber que a minha missão não é algo simples. Há muitas coisas que eu ainda não contei.
Lamp já estava decidido a fazer o que fosse necessário para salvar John. Ele se tranquilizou ao ouvir as palavras de Malie e percebeu que provavelmente tudo dependeria de seu esforço para trazer John de volta. Quanto a moça, ela estava perplexa com Lamp. Adorou a personalidade do menino. Mas, rapidamente, o garoto lembrou:
— Ah, sim! A luz! – ele deu um pulo olhando para trás.
As expectativas dele não foram atendidas quando ele viu que o outro lado da sala estava escuro novamente. Não havia mais nenhuma claridão lá.
— Luz ? – Malie perguntou.
— Não está mais lá. – Lamp falou com uma voz frustrada. Não tinha percebido em que momento o brilho sumiu.
— Ah, sim! Vou dar uma olhada nas escrituras!. – Malie disse.
Então ela correu até a parede onde Zet estava próximo anteriormente. Pegou uma lanterna no seu cinturão e focou nos símbolos.
— É! Também não entendo essas! – ela falou.
Assim, ela se virou para perguntar algo a Lamp. Logo viu que o garoto e Zet estavam deitados no chão e a pouca luz que entrava no lugar naquele momento incidia na direção dos dois. Parecia que todo o cansaço a que foram submetidos abateu-se sobre eles naquele momento e aparentavam dormir profundamente.
— Não se culpe tanto pelo que aconteceu com o seu amigo, Lamp. – Malie falou baixa e suavemente – Não dá pra ter controle sobre tudo.
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