Um segredo obscuro - Dramione
3 Capítulo 3
Não era a primeira vez ou a última vez que Hermione acordaria de ressaca. A boca estava seca, como se tivesse passado dias sem tomar água. Levantou-se da cama, a contragosto. Os raios de sol se infiltravam pela cortina. Poderia ser cedo. Poderia ser tarde. Não importava. Ela ainda tinha uma semana pela frente, para continuar em Mountain Black. Não havia passagens de retorno. Não havia possibilidade de simplesmente escapar daquela cidade. Suspirou, passando a mão pelo rosto, afastando os cabelos cacheados. Deveria sair daquele quarto quente e infernal. O som do ventilador velho estava testando sua paciência.
Vestiu uma roupa simples para caminhada. Uma calça jeans puída, camiseta branca sem mangas e seu par de botas de couro preto, com cano baixo. Era seu item importante para viagem. Confortável e prático de se combinar com outras roupas. Não que ela estivesse se importando com o que vestir. O que sempre pediu era ter o máximo de conforto, não era algo estético. Saiu do quarto em seguida, escutando o som de risadas. Desceu as escadas rapidamente, passando pela recepção vazia. Ao que parecia, estava sempre vazia. Ao menos, ela não teria que cruzar com Gina. A noite anterior não fora nada promissora. Com certeza, inflara a irá da antiga amiga, mas, não se importava. Ela sua hospede e não poderia ser deixada do lado de fora, apenas por um toque de recolher estúpido.
O telefone vibrou dentro do bolso da calça, assim que ela estava saindo pelos portões do hotel. O dia estava claro. O sol apino brilhava, como se prometesse uma ótima semana. Contudo, para Hermione, nem o tempo firme parecia melhorar seu humor caústico. O estomago doía. O gosto amargo na boca persistia. Precisava de água e não queria de maneira alguma pegar na cozinha do hotel. Não sabia se encontraria Gina. Não queria encarar seu olhar raivoso e talvez, carregado de julgamento. Julgamento do que, ela nem fazia ideia. Mas, sentia-se em constante pressão.
Fitou o celular na mão, não reconhecendo o número. O DDI era dos Estados Unidos. Ela reconhecia. Devia ser alguém que a conhecia. O que limitava o número de pessoas que a conheciam naquele maldito país. George, Molly, Gina, Harry, Rony ou seus pais. Nenhuma das opções pareciam boas. E ela não sabia o que esperar de uma ligação deles. Nem esperava uma ligação de nenhum deles. E Gina não contava, pois ela a tratava com indiferença fria.
— Alô — atendeu a chamada desconhecida, ignorando o fato de que a tela estava trincada, formando uma teia de aranha.
— Alô, é a senhorita Granger? — indagou uma voz familiar.
— Sim — respondeu, secamente. Não sabia do que se tratava, por isso, não iria ser simpática.
— É o Thomas Hardy, o xerife.
— Ah — ela reconheceu imediatamente o seu nome — Em que posso ajudar, xerife?
— Na verdade, eu queria comunicar...bom, achei que você deveria saber. O enterro de Fred Weasley vai ser no cemitério da cidade. Acho que vai ser bom você passar por lá, dar seu apoio aos familiares. Bom...no caso...- então ele pigarreou, parecendo um tanto constrangido com aquela conversa. Ela também obviamente se sentia igual — Você o encontrou primeiro. E a senhora Weasley, bom...ela quer entender o que se passou. Não sei mais o que responder a ela.
Talvez, pensou consigo mesma, porque você não tenha feito um bom trabalho.
— Ah, claro — Hermione concordou. Afinal, queria participar do enterro do seu único amigo que sobrara naquele continente — Que horas vai começar?
— Estavam velando o corpo desde as oito da manhã. Então, acredito que já vai começar o enterro.
— Merda! — ela praguejou — Desculpe, devo ir.
Desligou o telefone em seguida. Precisava chegar antes que o enterro terminasse. Não sabia o por que. Mas, tinha uma grande necessidade de participar do enterro de Fred. Atravessou a rua, para entrar em seu carro alugado. O cemitério era cinco quilometros de distância e não iria caminhar abaixo do sol escaldante. Então, teve a visão do seu carro, um sedan preto, com o vidro da frente estilhaçado, igual ao seu celular. Ela prendeu a respiração, sentindo-se tensa. Olhou para os dois lados da rua. Algumas pessoas passavam pela calçada, não parecendo notar sua tensão. Sua irritação, prestes a explodir. Havia um bilhete grudado no para-brisa. Ela o puxou, lendo. O sentimento de medo e perseguição se instalou imediatamente.
"Dê o fora dessa cidade, esquisita"
**
Dirigiu até o cemitério, observando as ruas. Os habitantes iam e vinham pelas calçadas. Nenhum conhecido até o momento. A cada esquina, ela procurava saber se algum deles havia quebrado o vidro do seu carro e deixado aquele bilhete nada amistoso. Se ela pudesse, já teria saído daquela cidade no mesmo dia, contudo, não iria embora. Não sem antes comparecer no enterro de Fred. Depois, pensaria em sair dali e ir para a próxima cidade. Não ficaria nem mais um segundo em Mountain Black.
Chegou a uma rua erma e calma. Havia algumas mansões por perto e uma floresta de pinheiros ao redor. Estava perto das montanhas, de cor terrosa. Parou o carro próximo ao cemitério, cercado por grades altas. Saiu do carro, olhando para os lado desconfiada e temerosa. Seu coração estava acelerado, esperando o próximo ataque. Que não veio. Ela adentrou o cemitério, passando pelo caminho de aslfato, que circundava o gramado e as lapides no chão. Não havia estatuas de anjos espalhadas, apenas um campo aberto, se estendia e mais ao fundo, a visão da montanha, encoberta por nuvens. Havia alguns mausoléus, claro, das famílias mais ricas da cidade.
Logo Hermione divisou o local onde estava sendo enterrado Fred. Pode ver a família Weasley reuniada, enquanto o reverendo fazia o rito, com uma bíblia na mão. Hermione ficou logo atrás, distante deles. Observou o caixão acima da vala que fora aberta, apoiado em um armação de metal. Dois coveiros estavam aguardando, com suas pás, para colocar abaixo o caixão e tapa-lo com um monte de terra ao lado. Ao redor da cova, havia outras pessoas que ela não conhecia. Pode ver Roy, o atendente do bar Lower's, perto da família Weasley. Seu olhar era inconsolável. Estava com os braços cruzados, olhando fixamente para o caixão. Hermione começou a sentir que não deveria estar ali, naquele momento tão intimo. Contudo, ela se convenceu que deveria ficar, afinal, Fred era seu amigo.
Escutou o choroso silencioso de Molly. Ela estava de costas, vestida de preto, segurando um lanço. Arthur a abraçava, tentando consola-la. Gina também estava ali. Estranhou o fato de Rony não estar ali, nem ao menos Harry.
Logo Gina percebeu a presença de Hermione, veio até ela. Trajava um vestido preto, leve, usando um chapéu fedora sobre a cabeça. Seu olhar era irado, mas não continha nenhuma lágrima. Era como se não tivesse chorado pela morte do irmão.
— O que você está fazendo aqui? — exigiu.
Hermione engoliu a seco. Nunca recebeu um olhar tão agressivo dela. Não sabia como se portar diante daquilo.
— Eu só queria me despedir — balbuciou, apertando os punhos, pela tensão que sentia.
Gina estava prestes a revidar, ou quem sabe, expulsa-la de alguma forma violenta, contudo, George se aproximou, vestindo um terno preto. Ele fitou Hermione com surpresa. O gêmeo de Fred parecia muito abatido, contudo, era muito diferente dele. Era alto e forte. Ao contrário de Fred, que quando Hermione o viu pela última vez, parecia muito magro para sua estatura. Prendeu a respiração, esperando que ele a tirasse do cemitério a força. Mas, ele fez algo que a surpreendeu.
— Gina, por favor. Se contenha — pediu, segurando a irmã pela cintura. Seu olhar era um pedido de desculpa a Hermione. Podia se ver que seus olhos azuis estavam vermelho, com algumas veias saltando ao redor, como se tivesse parado de chorar naquele instante.
— Me solta — Gina exigiu, se afastando dele. Deu as costas a Hermione, não sem antes lhe lançar um olhar mortal. Depois, foi para perto da família, se postando ao lado de Molly.
— Eu sinto muito — Hermione murmurou a George — Eu não queria...
— Está tudo bem — George a interrompeu, com uma voz calma. Depois, lhe deu um sorriso, que não chegou aos seus olhos. Era visível o quanto estava abatido — Eu sei o quanto vocês eram amigos. Desculpe por ele nunca atender as ligações.
— Eu não entendo por que ele se recusava a falar comigo — Hermione disse, sentindo a garganta apertar — Teve momentos que ele desaparecia. Quando ele foi para Londres, para me ver, tudo parecia tão bem...Eu não entendo.
Pela primeira vez, ela sentia a fragilidade tomar conta de si. Ela não queria chorar, mas derramou algumas lágrimas insistentes.
— Ei — George disse, se aproximando dela, para abraça-la. Hermione hesitou por alguns segundos, contudo, aceitou o abraço. O abraçou com força, como se assim, pudesse abraçar Fred — Eu sinto muito — ele alisou seus cabelos, de forma carinhosa.
Hermione se aconchegou, deixando extravasar toda sua dor. Não era o que esperava para Fred. Nunca foi. Ela o queria ali, agora. Sorrindo como sempre. Fazendo piadas. Fazendo-a rir, como só ele sabia fazer. Seu humor irônico era algo que ela sempre amou. Sempre amaria. Se afastou de George, depois do que parecia minutos, sentindo-se constrangida. Limpou o rosto, enquanto ele a fitava. Parecia estuda-la.
— Não imaginava que você voltaria — ele comentou — Achei que nunca fosse voltar.
— E eu não voltaria. Mas, Fred...ele...- parou para respirar, sentindo a garganta e olhos ardendo — Ele disse que precisava de ajuda. Não quis me dizer o que era. Eu vim no primeiro voo que consegui.
George anuiu com a cabeça.
— Não sei o que estava acontecendo com ele. Faz meses que cortou laços conosco. Ele andava...bom...
George se calou, de repente. Os olhos avermelhados, prestes a derramar uma lágrima. Engoliu a seco e colocou as mãos dentro do bolso da calça social.
— Eu sei — Hermione disse, consciente do que estava acontecendo. Depois que Fred não foi aprovado em nenhuma faculdade e ter fraturado o joelho, ele nunca mais foi o mesmo. O uso constante de entorpecentes era algo que fazia, para aliviar o estresse. Enquanto George seguia com sua carreira militar, ele havia se perdido em seu próprio mundo.
— Hermione? — escutou a voz de Molly. Ela havia notado sua presença. Se aproximou, com o rosto inchado.
— Senhora Weasley — Hermione engoliu a seco.
Não havia raiva, ou acusação em seus olhos. Havia tristeza. Uma dor profunda, por ter perdido seu filho favorito. E Hermione sabia, era seu filho favorito.
— Hermione, não sabia que...havia voltado — Molly disse, com a voz rouca.
— Eu sinto muito, Molly. Sinto mesmo — Hermione disse, de forma sincera. Molly era como se fosse sua segunda mão. E ao invés de manter contato, ela se distanciou.
Molly começou a chorar copiosamente. Não sabia como se portar diante daquilo, mas fez a única coisa que poderia fazer, abraça-la. O abraço foi algo sincero. Ao menos, Molly não a odiava como a filha. Depois que a senhora Weasley se acalmou, ela convidou Hermione para se juntar a ela, perto de Arthur. Não soltou a mão de Hermione, como se fosse seu porto seguro. Hermione apenas estava incomodada pelos olhares agressivos de Gina. Não queria ficar ali, se não era bem-vinda, mas George, Arthur e Molly estavam a tratando tão bem, que resolveu ficar.
O enterro finalmente havia terminado. Hermione ficou, enquanto a família ia embora. Observou a terra cair sobre o caixão de madeira escura. Engoliu a seco, apertando os punhos. Queria entender quem poderia ter feito aquilo com Fred. Seria possível ser uma dívida com algum traficante ou fora algo premeditado? Não saberia dizer. Contudo, sentia que algo muito mais profundo estava por trás da sua morte. Ficou ali, estática, sem se mover, observando os coveiros fazerem seu trabalho. Todos estavam deixando o cemitério. Até a família Weasley havia partido. Molly havia lhe pedido que fosse até sua casa, que seria bem-vinda. Gina, no entanto, parecia furiosa, mas se manteve calada. George, claro, quis leva-la embora, mas Hermione não quis. Ela não conseguia ficar na presença dele, não sem lembrar do que acontecera anos atrás. Não era algo que gostaria de lembrar.
Quando os coveiros terminaram, foi que ela notou não estar sozinha. Roy estava do outro lado da cova, observando-a. Ela engoliu a seco. Seria possível que ele tivesse estragado seu carro, por ela ter perguntado de Fred, na noite anterior? Ele se aproximou dela, deixando-a em estado de alerta. Se preparava para correr, mas ele não parecia ter a intenção de ataca-la. Ele parecia abalado.
— Eu sinto muito por ontem — ele disse, fitando-a com um olhar culpado — Não sabia que você era Hermione.
— Fred falou de mim para você? — perguntou Hermione, surpresa.
— Sempre falava — Roy disse, passando a mão pela nuca — Ele sempre dizia que você era insistente. Que queria leva-lo para Londres.
Hermione se sentiu um pouco ofendida por isso. Queria dar um emprego a Fred, mas ele se recusava a ter sua ajuda. Disse que faria sua vida, pelos seus próprios meios.
— Mas, ao menos, ele parecia gostar de você. Gostava mesmo — Roy disse, em um tom saudoso — E não era para menos, você é muito atraente.
Hermione corou e riu. Não poderia deixar de rir naquela situação.
— Eu não sei se ele gostava de mim mesmo, Roy. Ele me evitava a maior parte do tempo — Mas, sempre voltava, pedindo sua ajuda, para o que fosse. E ela não conseguia negar nada a a ele.
— Ah, ele era assim. Um pouco desapegado. Um tanto arisco, eu diria. Mas, a gente queria bem ele. Trabalhou no Lower's durante um bom período, até que desistiu.
— Então, foi assim que vocês se conheceram? — indagou.
— Ah, sim. Logo eu percebi que nós tínhamos algo em comum. Problemas familiares. Éramos desajustados. Então, bom, houve uma simpatia. Uma espécie de camaradagem.
— Não parece só isso. Você está realmente mal por ele ter morrido.
— Parece que não sou só eu que consigo ver através dos outros — Roy provocou, mas evitou olha-la — Bom, eu vou nessa. Quer uma carona?
Hermione negou com a cabeça. Observou Roy tirar um maço de cigarro do bolso e puxar um. Depois, acendeu um cigarro. A fumaça espiralava no ar e o cheiro intoxicante a irritou profundamente.
— Então, até mais. Espero vê-la por ai — Roy disse, dando uma piscadela para ela e se afastou.
Hermione suspirou, sentindo-se exausta. Fisicamente e emocionalmente. Pensou em ir atrás de Roy. Havia se esquecido de perguntar se Fred estava com algum problema. Se ele conhecia quem poderia tê-lo assassinado. Alguém deveria conhece-lo. E se Roy era seu amigo, estava mais próximo de descobrir a verdade.
Afastou-se do túmulo de Fred e seguiu pelo caminho de asfalto, esperando alcançar Roy. Ele andava mais rápido do que ela. Até que o viu. Ele seguiu pelo caminho contrário, com um ramo de flores. Narcisos amarelos. Engoliu a seco, pensando em desviar o caminho, mas ele a parou.
— Olá — Malfoy disse, em tom baixo.
— Oi — ela respondeu, sentindo a tensão de encontra-lo. Por cima do ombro de Malfoy, pode ver Roy desaparecer pelos portões de saída — Se me der licença eu...
— Espere — Malfoy disse, segurando seu braço.
Ela o fitou impaciente.
— O que você quer? — exigiu ela.
Ele a fitou, um tanto constrangido.
— Eu queria dizer que sinto muito...bom...pela morte de Fred Weasley. Me portei como um idiota no bar, ontem.
— Ah, claro — ela se soltou, sem paciência para qualquer desculpa — Você deveria parar de me seguir. Se continuar parando do lado de fora do hotel, vou chamar a polícia.
Ele a fitou, confuso.
— Eu não parei no hotel, ontem — ele se defendeu.
— Então você admitiu que parou antes? — indagou, irritada. Havia se esquecido completamente de Roy.
— Não eu...olha...me desculpe. Eu apenas fiquei preocupado com você. As pessoas...elas...tem algo errado com essa cidade, se você quer saber.
Hermione o fitou, sem entender. Nada do que Malfoy lhe dizia fazia qualquer sentido.
— Ok. Depois você me conta o que tem de errado com essa cidade. Eu vou embora.
Ela estava se afastando, quando ele, insistente a seguiu.
— Escute um pouco o que tenho a dizer, Granger — ele pediu — Você não sabe com quem está lidando.
— Ah, é? Eu deveria me preocupar com sua ameaça? — ela parou, abruptamente.
Ele a fitou, dessa vez, demonstrando sua irritação.
— Você é uma cabeça dura. Não viu o que foi feito com seu carro?
De repente, ela começou a sentir medo. Olhou para ele. Para sua raiva estampada em seu rosto.
— Foi você — acusou — Foi você. Seu maldito!
— O que? Não! Eu...por que eu me daria o trabalho de destruir seu carro? — retrucou, de incrédulo a nervoso — Quer saber, eu não vou ficar aqui, discutindo uma pessoa como você.
Ele lhe deu as costas, então. Ela ficou ali, parada, vendo-o seguir seu próprio caminho. O que ele queria dizer com não iria discutir com uma pessoa como ela? Era como se tudo voltasse em sua mente. Cada palavra dura e maliciosa que ele havia dito a ela, quando eram crianças. Ela o seguiu, desejando sacudi-lo, gritar com ele. Mas, ele estava se afastando, apressado. Ela precisou segui-lo no mesmo ritmo. Até que percebeu que ele havia parado em frente a uma lápide. Ele se ajoelhou, deixando os narcisos sobre a lápide de pedra. Hermione, a certa distância dele, pode ver a foto de Narcissa Malfoy. Engoliu a seco. Ao que parecia, ele não estava a seguindo, daquela vez, mas, visitando o túmulo de sua mãe. Deu meia volta, se sentindo péssima.
Seguiu para fora do cemitério, indo direto para seu carro. Estranhamente, o pneu parecia vazio. Deu um pequeno chute no pneu, constatando isso.
— Mas...o que? — ela exclamou.
O que estava acontecendo naquela cidade? Por que estavam a perseguindo? Engoliu a seco, irritada. Teria que chamar um guincho. Tentou encontrar um no Google. Não havia nenhum aberto daquela tarde. Irritada, começou a caminhar de volta para o hotel. Cinco quilomêtros era um bom caminho a pé. Seus pés não iriam aguentar. Pensou em chamar um táxi, contudo, o telefone dava ocupado o tempo todo. Continuou a caminhar, sobre a sombra das árvores, até que não havia mais tantas árvores ao redor, apenas casas. O sol estava apino, queimando sua nuca e cabeça.
Um carro passou próximo a ela. O Mustang de cor bordo. Ela apressou o passo, quando percebeu que o veículo estava estacionando na calçada. Continuou andando, sem olhar. Apenas com o olhar fixo para a placa de PARE na esquina.
— Entra no carro — escutou a voz de Malfoy.
— Você é louco! — ela guinchou, virando o rosto, para encara-lo. A janela do passageiro estava aberto. Ele a fitava com óculos escuros. Um ray ban.
— Entra no carro — insistiu ele, continuando a seguir, de forma lenta — É melhor entrar.
Ela engoliu a seco. Poderia sair correndo, mas seus pés estavam doendo. Com bolhas, possivelmente. Não sabia se poderia confiar naquele homem, contudo, ele não parecia prestes a mata-la. Parecia apenas solicito. Ela parou de andar e ele desligou o motor. Abriu a porta para ela, em seguida. Ela entrou, fechando a porta. Se recusou a por o cinto. Se tivesse que escapar, era só abrir a porta rolar. Ele ligou o carro novamente, dirigindo em silêncio.
— Por que você está sempre me perseguindo? — ela indagou, depois de minutos em silêncio.
— Eu não estou — ele negou com a cabeça — A cidade é pequena. Dificilmente eu poderia evita-la.
— Mas, sua casa é para o outro lado do cemitério — ela o acusou.
Malfoy deu de ombros.
— Eu resolvi dar uma volta — respondeu, de forma seca.
— Sei — ela disse, descrente.
O silêncio mais uma vez se tornou presente. Hermione não sabia o que dizer. Nem sabia se queria dizer. Mas, sentiu pena dela. Sentiu pena de ter perdido sua mãe. Deveria ser algo difícil de aceitar. Apesar disso, ficou permaneceu calada, até ele estacionado em frente ao hotel.
— Melhor procurar outro lugar para ficar — Malfoy disse — Sair da cidade seria o melhor para você.
Ele tirou o óculos de sol, segurando-o pela armação. Seu olhar era estranho, como se ela fosse um grande problema para ele.
— Estou sendo ameaçada de novo? — indagou, com raiva. Estava cansada daqueles avisos.
Ele não negou com a cabeça. Ficou em silêncio. Seu olhar era desconcertante. Ela se sentiu paralisada, de repente. O olhar dele viajou dos seus olhos, parecendo mapear seu rosto, até o pescoço, então, subiu novamente. Não deixou transparecer nada, nem um vincar de testa, ou um olhar malicioso. Parecia que ele estava indiferente a sua presença. Ela procurou o trinco da porta. Tentou destrava-lo, mas a porta não se abriu.
— Pode abrir? — pediu e a batida do seu coração parecia explodir em seus ouvidos.
Ele anuiu com a cabeça. Pode ouvir a porta destravar, depois que ele havia apertado algo em sua porta. Ela se preparou para sair, mas ele segurou seu pulso. O toque não a machucava, mas era firme. Ela engoliu a seco, sentindo o aroma do seu perfume, pois seu rosto estava muito próximo do seu. Não havia nada que demonstrasse que ele faria qualquer coisa. Muito menos beija-la, mas ela sentia que ele faria exatamente isso.
— Melhor seguir meu conselho — ele disse, em tom de aviso — Não confie em ninguém.
Então, a soltou. Ela aproveitou o instante, para escapulir do carro, sem bater a porta. Andou apressadamente até o hotel, sentindo o coração acelerado. O corpo queimando. O olhar frio dele não saia da sua mente. Entrou no hotel, sem ver nada. Foi direto para o quarto, abrindo a porta com as mãos tremulas e bateu a porta, com força, chaveando-a. Não estava se importando com o calor que fazia do cômodo. Apenas pensava nas palavras dele. Na forma como fora grosseiro, ao fita-la daquela maneira, parecendo analisa-la. Não havia desejo em seus olhos. Mas, isso a perturbou demasiadamente. Ela correu até a janela, procurando o carro Mustang bordo. Estava lá parado no mesmo lugar. Ele estava com a janela aberta e parecia olha-la. Ele continuou ali, por longos minutos. Ela continuou na janela, esperando que ele saísse. Então, ele deu partida no carro e se foi. Ela se afastou da janela, deitando na cama, sobre a colcha.
Muitas perguntas vinham a sua mente. O que diabos estava acontecendo naquela cidade? E o que havia de errado com aquele ele? Não ficaria ali, para pagar para ver. Iria embora pela manhã.
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