Notas iniciais
oieeee, demorei mas postei, perdão galera

Estava organizando algumas papeladas de pacientes para entregar, conferia quais necessitavam de atualizações e quais podiam ir direto para mesa de Tsunade-sama. Minha mente vagava, mas mesmo pensando em outras coisas eu conseguia fazer meu trabalho adequadamente. Não era nada muito complexo, apenas puxado, por causa desse motivo chamei Ino para me ajudar. Ela cantarolava baixinho e eu apenas olhava os papéis. Era uma manhã tranquila de trabalho, sem nada muito caótico e era possível até admirar o cantarolar dos pássaros com o da Ino.

— Ei, Ino. — Chamo ainda com os meus olhos grudados na minha tarefa. O som de papel dobrado era a única coisa realmente alta na sala.

— Hum? — Responde, também sem interromper sua atividade.

— Como foi perder a virgindade? — Silêncio. Continuo olhando a papelada, parece que a senhorita Sato está com algumas informações desatualizadas, mandarei fazer um check-up nela. O silêncio perdurava. Ainda não obtivemos autorização dos pais de Takahashi para realizar sua cirurgia, espero que eles não ajam irracionalmente, senão terei que conversar com eles eu mesma. Os pássaros também pararam de cantar? Provável que o senhor Itsuo passe a entrar no estágio dos cuidados paliativos, preciso que a psicóloga acompanhe ele. Ino ainda estava na sala? Aquele silêncio começou a me incomodar. Levanto meus olhos da papelada e ela me encarava com os olhos arregalados e a boca aberta.

— Se você não queria responder era só falar. — Jogo os papéis na mesa e dou atenção para loira, talvez eu não tenha sido delicada o suficiente para tratar do assunto.

— Como você quer que eu reaja? Isso foi muito súbito. — Com uma mão ela começa a se abanar, como se a sala estivesse subitamente quente, dou de ombros.

— Fiquei curiosa apenas. — Digo simplesmente, era verdade.

— Dá para tirar essa sua expressão de médica e encarar o assunto como uma mulher? — Suspiro e bagunço meus cabelos com uma mão. Ok, sim eu estava me desassociando, desde que tive aquele momento com Kakashi e senti seu… Hã… Volume, eu fiquei com medo. Li todos meus livros sobre reprodução sexual, mas acho que não eram os livros adequados para tratar do assunto.

— Tá bem, eu estou curiosa. Admito! Agora que estou me abrindo mais para… Experiências… Isso passou pela minha cabeça e olha, meus livros de medicina não ajudaram muito. — Ino não esconde a risada e eu fico vermelha na hora, em resposta jogo minha cara na mesa e ela ainda ria um pouco.

— To agindo igual uma idiota né? — Sinto a mão da loira bagunçar meus cabelos, como um gesto de carinho.

— Não, não, você apenas está procurando informação nos locais errados. — Levanto meu rosto e minha amiga balançava na cadeira, animada. Seu sorriso sapeca transparecia seus pensamentos. — Olha, Testuda, você sabe que cada experiência é única né? — Balanço a cabeça concordando. — Pois bem, para mim foi algo que doeu bastante no início e sinceramente, fiquei pensando ser algo divertido para meu parceiro. Depois, com o tempo fui me descobrindo, o que eu gostava, o que queria e tornou-se bom. — Apoiava meu punho na bochecha enquanto ela explicava. Sua memória não pareceu nem um pouco prazerosa.

— Isso foi esclarecedor, então será bem ruim. — Suspiro. No fim, dentro das calças de Kakashi realmente tem uma arma que pode me machucar, ou melhor, vai me machucar.

— Você gosta de livros né, Sakura? — Olho para Ino desconfiada, a pergunta foi um tanto súbita, concordo e isso a faz ter uma expressão suspeita, levanto minha sobrancelha na hora, questionando-a. Se aproximando lentamente até mim, ela diz baixinho. — Leia os livros Icha Icha. — Arregalei os olhos, suo um pouco, ela descobriu entre mim e Kakashi? Meu Deus deixei óbvio? — Relaxa, seu sensei não precisa saber, eu tenho um exemplar, te empresto. — Meus músculos relaxam, Ino não pareceu notar a minha verdadeira fonte de preocupação.

— Eu sei que é um livro quente, mas sério? Icha Icha? — Eu estava desconfiada.

— Confia em mim, o livro trata da perspectiva masculina, mas você consegue ter uma ideia do prazer feminino. Veja como funciona para você, amanhã te entrego. — Abro minha boca em choque. Porém minha companheira estava certa, Icha Icha é bem famoso por algum motivo e isso também vai me fazer conhecer mais profundo o Kakashi.

— Tá bem então. — Voltamos a trabalhar, mas dessa vez Ino parecia cantarolar de modo mais animado e seus ombros até mesmo mexiam junto ao ritmo da música. Essa loira gosta desses assuntos mesmo, seguro um riso, mas eu ficava aliviada em poder falar sobre esse assunto com ela.

O restante do dia foi tranquilo, o trabalho se deu de forma mais burocrática e não tive de lidar com muitos pacientes. Me despeço de todos e me encaminho para casa. Assim que sai da vista do hospital, escuto uma voz agradável.

— Yo, Sakura-chan. — Kakashi caminhava na minha direção, me fazendo sorrir.

— Boa noite, Kakashi-sensei, passeando? — Falo inocentemente, sabendo que ele estava esperando meu turno acabar para me acompanhar até em casa. Ele era esse tipo de homem.

— De certa forma. — Ele me lança uma piscadinha e eu pisco de volta. Caminhar ao lado dele fazia meu coração bater mais rápido. Cada troca de olhares era carregada de sentimentos não ditos, e o simples ato de estar ao lado dele fazia com que eu me sentisse em paz.

— Como foi seu dia? — Kakashi perguntou, a voz dele suave, mas cheia de interesse genuíno.

— Tranquilo, apenas muita papelada. Ino me ajudou. — Respondi, apreciando a brisa da noite que acariciava meu rosto.

— Ino, hein? Aposto que ela tinha algumas histórias interessantes para contar. — Ele riu, e o som me fez sorrir ainda mais.

— Ah, sim. Ela sempre tem. — Falei, lembrando da nossa conversa anterior e sentindo minhas bochechas esquentarem. Kakashi parou por um momento, virando-se para mim com um olhar curioso.

— Algo que eu deveria saber? — Ele estava perto, mas não muito. Seu olho fixo em mim me fazia lembrar mais ainda do assunto que tive com Ino, o fato dele ser muito atraente não muda que a minha primeira vez irá doer bastante. Seguro a vontade de suspirar.

— Nada demais, apenas conversa de garotas. — Tentei desviar o assunto, mas sabia que ele era perspicaz. Alguém que esteve na Anbu não deixa nada passar batido.

Ele sorriu de forma enigmática, mas não pressionou mais. Enquanto caminhávamos, ele me contou sobre uma missão engraçada que teve com Guy-sensei, fazendo-me rir. Esses pequenos momentos de partilha nos aproximavam ainda mais e eu os adorava.

Quando finalmente chegamos à minha porta, ele parou e me olhou nos olhos com seu olhar intenso.

— Sakura, você sabe que pode contar comigo para qualquer coisa, certo? — Senti meu coração aquecer. Como queria poder beijá-lo, mas as pessoas ainda andam aos montes na rua e eu tive que me contentar com um sorriso companheiro.

— Eu sei, Kakashi. Obrigada. — Ele assentiu, dando um passo para trás, me fazendo já sentir falta da nossa proximidade.

— Tenha uma boa noite, Sakura-chan.

— Você também, Kakashi-sensei. — Respondi, observando-o se afastar antes de entrar em casa, com um sorriso nos lábios e a certeza de que, não importa o que acontecesse, estávamos juntos nisso.

(...)

Um gritinho escapa dos meus lábios ao mesmo tempo em que Ino gargalhava. Nós estávamos em seu quarto, fui pegar o famoso livro com ela em vez dela levar ao hospital, como sou curiosa por natureza quis folhear aquelas páginas na mesma hora. Só não imaginei que seria tão… Visual?

— Ino, isso daqui é anatomicamente impossível de fazer! Não tem como eles fazerem essas posições. — Era provável que minha face estivesse roxa ao invés de vermelha, aquilo era tudo muito explícito, a cada página que virava aumentava o sentimento de vergonha, mas também de curiosidade. Minha amiga não conseguia parar de gargalhar, deitada na sua cama ela segurava seu abdômen que subia e descia no ritmo das suas risadas.

— Aí, eu-eu não consigo m-mais ri-rir. — Sem fôlego ela tenta falar e eu ainda estava atônita. Ino respira bem fundo a fim de voltar a sua compostura. — Sakura, sinto de dizer que algumas poses aí são bem possíveis, essa experiência em campo eu fiz. — Mostro careta para ela, não queria saber desses detalhes.

— Impossível, impossível, impossível. Como? — Largo o livro na cama e massageei minhas têmporas.

— Olha, Testuda, nessas horas tu não sente muita dor, teu corpo quente e a adrenalina faz você aguentar muitas e muitas coisas. Eu ainda acho que vai ser mais fácil contigo, você vive treinando. — Balanço minha cabeça, não quero imaginar esse tipo de coisa por agora. Ainda escutando a risada da minha amiga comecei a me perguntar como Kakashi consegue ler isso com tanta naturalidade, não à toa que ele gosta bastante da máscara dele.

— Como Kakashi consegue ler isso em público com a maior cara de pau? — Penso alto, franzindo minhas sobrancelhas.

— Ficou com tanto choque que tirou até o sensei. — Ino rir e eu me toco, mordo minha bochecha internamente. Tenho que me policiar mais.

— Realmente, não é à toa que uma vez ele brigou muito com Naruto quando ele tentou ler esse livro às escondidas quando éramos crianças. — Minha testa ainda estava franzida, mas ela suaviza ao pensar no platinado. Suspiro, Kakashi sempre se chama de degenerado e eu rebato todas as vezes, mas não podemos negar que nos conhecemos na infância e isso tem um peso muito grande. Eu estar aqui, no quarto de Ino, lendo Icha Icha pois quero fazer sexo com o homem que me viu crescer deve ser algo pertubador só para os outros imaginarem, será que eu e ele temos esse direito de estar juntos? Essa relação está condenada porque ele foi meu sensei?

click

Recebo um peteleco na testa que doeu bastante, olho para Ino como uma cara de “Você é doida?” e ela cruza os braços seriamente. Seus olhos semicerrados e a boca apertada em um linha não correspondia com a personalidade da minha amiga

— Testuda, sei que você sempre foi uma aluna aplicada e usa desses comportamentos em várias áreas da sua vida, mas tem coisas que só experimentando que se aprende. É bom se preparar para quando for acontecer, mas não fique neurada pensando em várias técnicas e posições, não é uma prova que você tem que tirar 10. Só aproveita o momento com a pessoa que você escolher na hora. Ok? — Mordo meu lábio e depois acabo sorrindo para Ino, dou um abraço nela e ela retribui na hora.

— Obrigada, Porca

Depois do surto inicial, eu embalei bem o livro e levei para minha casa, a senhora Yamanaka disse que eu podia jantar com elas, mas acabei por recusar. Vergonhosamente, eu queria logo ir para casa e ler o livro, tudo era muito absurdo, mas a escrita era tão boa. Estava muito curiosa.

Notas finais
Espero que gostem