Um romance Percabeth
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Faziam-se pouco mais de cinco semanas desde que o professor chamou minha atenção e a de Percy na aula. Nossa amizade se intensificou um pouco mais, de fato ele se tornou uma companhia indispensável e a dupla oficial dos trabalhos passado em sala, entretanto nossas conversas nunca fugiram de assuntos relacionados à aula ou sobre musicas e séries/livros que temos o gosto em comum. Toda vez que chegávamos perto de um assunto mais pessoal, como os pais, o dia-a-dia, amizades e até objetivos de vida, Perceu por algum motivo mudava de assunto, voltando para algo mais leve e casual. Nunca conversamos fora da escola, nem por mensagem ou pessoalmente, por mais que gostasse muito de sua companhia, estava começando a achar que era o “resto”, a última opção que sobrou de amizade, não que eu tenha muita experiência com pessoas.
Hoje sexta-feira, faltando apenas uma semana livre, antes de entrar na temida semana de provas e se tudo der certo, encerrar com chave de ouro o último semestre do primeiro ano no ensino médio.
— Qual é Annabeth, o que custa ir no mercado com sua mãe? – Lá estava Atena Chase, insistindo mais uma vez que eu saísse do meu quarto para fazer coisas que naturalmente as pessoas fazem como ir ao mercado, porque na concepção dela, eu não parecia ser gente comum. Minha mãe estava com aquela cara emburrada de quando não gosta de ser contrariada, e por um segundo, parecia que eu estava olhando para um reflexo meu do futuro, porque Atena é a minha cópia, só que mais velha. Cabelos louros, indecisos se são enrolados ou liso, magra e alta, e extremamente branca.
— Mãe, não gosto de fazer compras, principalmente já que você nunca compra algo que eu quero e também porque não tenho paciência... – disse, mas sabia que teria que ir.
— Primeiro que eu sou sua mãe e você vai ir e pronto, segundo que você sempre quer algo extremamente caro e não sou rica para ficar fazendo todas as suas mordomias e terceiro, não tem paciência para comprar algo que garante sua sobrevivência, mas fica O DIA TODO assistindo algo que REQUER muita paciência – disse mamãe, como eu disse, eu teria que ir de qualquer forma – você tem 5 minutos para se trocar, ou vai ir assim mesmo – completou.
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— Filha, vou ir buscar algumas bolachas enquanto isso pode procurar a massa de tomate? – Pediu Atena.
— Tudo bem – concordei.
Eu realmente gostaria de saber porque minha mãe resolveu vir do outro lado da cidade, em um mercado novo, só por ser novo, sabendo que não teria promoções e que estaríamos totalmente perdidas não achando nada do que queríamos, dobrando nosso tempo por ali.
Quando finalmente encontro o corredor que continha macarrões e que na minha concepção a massa deveria estar ali, por olhar tanto para as prateleiras e não por onde ando, acabo trombando em um moço que estava repondo os produtos na prateleira, derrubando inúmeros pacotes de macarrão no chão.
— Ah meus Deuses, me desculpe, se algo foi danificado pode deixar que eu pago, me desculpe, juro que não foi intencional, eu só estava procurando massa de tomate, moço não fica bravo comigo!! – Já comentei que sou dramática? E enquanto eu fazia todo este pampero, juntando os produtos no chão, eis que a voz que eu menos esperava me surpreende.
— Annabeth? — Disse Percy Jackson.
— Percy? – disse, quase não acreditando que ele era o garoto que trombei – Caramba, não sabia que trabalhava aqui – completei, realmente estava surpresa, nem sabia que ele trabalhava.
— Pois é – parecia meio sem graça – se puder não contar para ninguém sobre isso!? – pediu, ele estaria envergonhado, de um trabalho digno ou seria outro motivo?
— Se você quiser... Mas tem vergonha do seu trabalho? – Pedi.
— É por ai... Obrigada – Disse, ele parecia triste – E não se preocupe com os produtos, não devem ter estragado – completou.
— Tudo bem – concordei.
Fiquei alguns segundos olhando para ele, ninguém dizia nada, sua expressão era de vergonha e tristeza, parecia muito cansado. A imagem que sempre tive dele, do garoto lindo da sala, que sempre parecia alegre, neste momento me intrigava muito, quantos segredos será que ele esconde?
— Percy sou sua amiga – comecei – Estou me sentindo uma inútil por não saber o básico sobre você, e como exemplo que você trabalha – disse, indignada.
— Eu meio que quis ocultar essa parte para você... – ele estava hesitante – só queria que fosse diferente, nossa amizade, acho que fiquei com medo que o que aconteceu antes se repetisse – ele disse pensativo.
— O que aconteceu antes? – Pedi, de fato ele deveria esconder muita coisa de mim.
— Anna, será que podemos conversar sobre isso outra hora? É complicado para mim, você sabe que evito falar e não é de hoje e preciso voltar ao trabalho, é importante. – Disse, estava apreensivo, contudo o argumento do trabalho era suficiente.
— Tudo bem – E com um aceno de cabeça me despedi, sem ao menos me lembrar da massa de tomate.
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A sexta terminou e eu não me atrevi a mandar nenhuma mensagem a ele, era um assunto particular e como antes resolvi abrir esse espaço, para ele pensar e vir até mim e esclarecermos as coisas.
Porem ele não me chamou no sábado e nem no domingo, e durante a segunda senti sua falta na aula.
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Naquela noite em questão, as 23h Percy deu sinal de vida:
Whatsapp on:
— Anna, ta aí? – dizia sua mensagem.
— Oi, sim – respondi.
— Consegue chegar meia hora antes do horário de início da aula amanhã para a gente poder conversar? – pediu.
— Por mim tudo bem – concordei.
— Boa Noite Anna — se despediu.
— Boa noite Percy – disse, imaginando o que será que me aguarda no dia seguinte.
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A desculpa que precisava ensaiar com um colega para apresentar um trabalho, colou perfeitamente com a minha mãe e até antes do horário combinado eu já estava no colégio. Percy, como na maioria das cenas que nos encontramos, me surpreende que ao eu adentrar na sala para guardar a mochila ele já estava presente e mais, com uma enorme apostila que aparentemente ele lia fazendo inúmeras anotações. Ele estava as 6:45 da manhã estudando e nem parecia fazer revisão para as provas da semana seguinte.
— Bom dia Percy — Disse, quebrando o atual silencio da sala.
— Bom dia – respondeu, logo fechando seu material e se posicionando na carteira.
Sentei-me em sua frente, como sempre.
— Então, o que tem a me dizer? – Pedi.
— Bem, tenho que te contar a minha história – revelou.
— Você me esconde tanta coisa assim? – Indaguei, não sabia que reação ter.
— Na integra não, mas contar minha história te fará entender melhor minhas ações – Percy disse.
— Pode começar — concordei.
— No inicio deste ano, eu queria muito vir para este colégio, o melhor da cidade e o fato de só ter ensino médio, meio que significou um recomeço para mim. Sempre fui tachado de nerd, minha idéia para este ano era perder esta imagem, contudo permanecer com as notas altas. Meu objetivo é cursar medicina, mas você sabe que hoje em dia é bem difícil entrar nas faculdades públicas, por isso passei a estudar muito, mas para estudar muito eu dependia de investimento. Nas férias antes das aulas começarem, por minha mãe não conseguir pagar, comecei a trabalhar, fiz vários bicos, até trabalhei (e trabalho) passeando com cães, devo isso ao bronzeado que muitas meninas dizem que eu tenho, por trabalhar o dia todo em baixo do sol, de qualquer forma consegui pagar o cursinho particular. Depois que as aulas começaram, fiz amizade com Luke e após alguns meses aquela turminha que você tanto cita foi formada. Durante todos esses meses, antes da aula passeio com cachorros (que é o motivo de eu perder o ônibus que pego para vir pro colégio, já que um dos animais sempre escapa de mim), tento me dedicar bastante durante a manhã, trabalho à tarde, no momento no mercado e faço cursinho a noite. Eu consegui manter a vida social, nos fins de semana e por mais que eu dissesse que trabalhasse meus antigos colegas nunca se interessaram em saber desta parte da minha vida. Até que no último bimestre eu contei ao Luke, o considerei meu melhor amigo, contei meus objetivos e meus empregos, e as dificuldades que eu e minha mãe passávamos e a partir daquele momento ele passou a esnobar de mim. De início achei que fosse brincadeira, mas depois passei a me incomodar profundamente... que Luke é filhinho de papai todos sabem, mas chegou a um nível que ele queria que eu fizesse suas tarefas, EU MAL TINNHA TEMPO PARA AS MINHAS, fazia elas de madrugada depois do cursinho... óbvio que neguei, mas ele continuou a mudar sua personalidade, saindo para fumar e até já me ofereceu drogas, e muitas outras atitudes idiotas, conta de novas amizades que ele passou a se envolver...
— Desculpe te interromper, mas eu estou bastante chocada com sua realidade – comentei, eu simplesmente não esperava nem um pingo disso tudo.
— Sei que boa parte dessas atitudes de Luke eram influenciadas pelo pai, ele tem muitos problemas com tal, mas independente disso ele não tem o direito de desfazer das pessoas e eu simplesmente não aguentava mais. Foi por isso que acabei não te contando sobre meu trabalho e tudo mais, queria te conhecer antes, para evitar reações como as do Luke – confessou.
— Eu nunca faria isso o que ele fez – disse convicta, Percy é um guerreiro.
— Eu sei querida – E ele sorriu, como em dias não sorria.
— E qual foi o motivo da briga, que acho que o estopim da amizade de vocês? – Pedi.
— Ele envolveu você, em suas atitudes medíocres — disse, desviando o olhar.
— Como assim? – Indaguei.
— Muito antes disto tudo acontecer entre nossa amizade, eu havia comentado com Luke que... – ele estava vermelho? Era isso mesmo produção?
— Que? – Insisti.
— Que achava você bonita – revelou e logo continuou- E ele colocou na cabeça que você era minha crush e não perdia tempo para me zoar sobre isso, nada de mais... Só que depois do nosso desentendimento, naquele dia em questão ele estava zoando de você, com aquele apelido ridículo “Annanerd” o que me irritou e para provar que ele havia se tornado extremamente babaca, ele queria minha ajuda para pregar pegadinhas em você, como naqueles filmes norte americanos adolescentes e bem, eu surtei, não participaria daquilo... Foi quando decidi mudar de lugar e te ver sozinha, com aquele olhar perdido pelo meu grito... Achei que se eu estivesse por perto, ele não tentaria nada com você. – Finalizou e colocou as mãos no rosto, parecia muito envergonhado e como se tivesse tirado um peso dos ombros.
— Isso é sério? – Perguntei para garantir.
— Sim – garantiu.
— Tenho orgulho de você! – Dizendo me levantei e puxei sua mão para que ele levantasse também, por confiar nele, antes que ele dissesse qualquer coisa o abracei e ele retribuiu, e não havia outro lugar no mundo que eu quisesse estar, se não nos seus braços.
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