Um outro Amor Verdadeiro
3 No dia seguinte
Notas iniciais

[David]
Quando acordo já esta amanhecendo, Killian continua ao meu lado. O cheiro de sexo ainda esta ao nosso redor, o que me faz lembrar da nossa ultima noite. Abro um sorriso.
– Hora de acordar capitão!
– Tem certeza? – Responde com a voz rouca e adormecida enquanto vira de frente pra mim.
– Sim. – Respondo beijando-o. – Temos que voltar pro acampamento, lembra?
Levanto e começo a botar minha calça. Quando me viro Killian ainda esta deitado e virou para o outro lado, vê-lo ali, só de cueca me excita e me seguro para não voar pra cima dele.
– Vamos, levante-se! – Digo jogando minha camiseta nele em uma tentativa frustrada em tentar acordá-lo.
Ele se vira e fica me encarando. Encaro de volta aqueles lindos e sedutores olhos azuis. Sua barba meio castanho claro meio loira junto com seu cabelo bagunçado lhe dão um ar de desleixo, o que tenho que admitir, o deixa mais sexy ainda.
Me ajoelho perto dele para pegar minha camiseta de volta e ele agarra meu braço me puxando para mais perto, apoio minha mão livre sobre seu peito para não cair por cima dele. Sinto sua respiração, forte e regular sobre a palma da minha mão. Deslizo-a sobre seu tórax acariciando-o e o beijo. Ele me puxa pra cima dele, fazendo com que nossos corpos fiquem com o maximo de contato possível. Continuo beijando-o enquanto ele passa sua mão por toda região das minhas costas. O contato me excita e meu corpo pede mais. Mais dele.
– Não. Temos que ir! – Minha voz é uma mistura de prazer, vontade e relutância.
– Tudo bem. – Diz ele finalmente me soltando.
[Killian]
Me levanto, ainda sonolento. David esta quase todo vestido, e eu ainda estou só de cueca. Olhá-lo me excita ainda mais. Tento disfarçar mas não tem como, o volume na minha cueca é grande de mais. Quando percebo que ele esta olhando diretamente pra ela, me sinto ainda mais tentado e avanço em sua direção.
– Não Killian! – Sinto a tão conhecida mistura de excitação e relutância em sua voz. Sei que ele quer mais tanto quanto eu quero. – Temos que ir.
Em uma coisa ele esta certo. Temos que ir. Mas só por que é o certo a fazer, não quer dizer que temos que fazer. Certo?!
– Como quiser Vossa Alteza. – digo recuando e pegando minhas próprias roupas. Meu sobretudo esta empoeirado e cheira a suor. Dou uns tapas nele, o que resolve o problema da poeira, mas o suor não tem jeito. Visto-o mesmo assim. Sentir o cheiro de David grudado em minha roupa me deixa louco.
– Precisamos tomar um banho. – Ele fala, e eu só afirmo com a cabeça.
Descemos a colina mais rápido do que a subimos. As energias de David estão de volta.
– Que tal passarmos naquele lago antes de voltarmos para o acampamento, tenho certeza que as meninas ainda estão dormindo.
– Boa ideia Capitão.
Damos a volta pelo acampamento, esta cedo, e como eu suspeitava todas continuam dormindo. Seguimos direto para o lago. Lavamos nossas roupas e as estendemos em uma arvore próxima. Entramos no lago pelados. David nada até uma pequena cachoeira do outro lado do lago e eu o sigo.
Entramos em uma pequena caverna logo atrás da cortina que a cachoeira forma.
Encaro-o de cima a baixo, analisando todo seu corpo. Seus olhos são tão azuis quanto os meus. Sua barba rala e sua pele clara fazem com que seus olhos se destaquem. Fixo meu olhar em seus lábios, avermelhados e carnudos que tanto beijei noite passada.
“– Eu nunca pensei que estar com um Pirata fosse tão bom.
– E eu nunca pensei que estar entre a realeza pudesse ser tão prazeroso – Nos beijamos enquanto acariciamos um ao outro. Ele desliza as mãos nas minhas costas deixando marcas onde suas unhas passam. Sinto arder a região que ele me arranha, mas não me importo, isso só me anima mais. Continuo beijando-o ensandecidamente (loucamente). Agarro-o pelas pernas e o suspendo até a altura da minha cintura firmando-o ali. Ele suspira de prazer enquanto beijo seu pescoço..”
– Então, o que acha Capitão? – Pergunta David me tirando as lembranças da nossa noite.
– Han? – Pergunto distraído ainda o encarando.
– A cachoeira! O que acha da cachoeira!
– Legal! – Respondo não dando a mínima pra cachoeira, enquanto avanço para cima dele mais uma vez.
[David]
Voltamos para a margem do lago e esperamos até nos secarmos. Nossas roupas já estão secas, então as vestimos.
Não consigo tirar a noite de sexo com Killian da minha cabeça. Fiquei impressionado com tamanho prazer que senti ao ficar com ele, sua força e seu apetite sexual me surpreenderam.
Ele esta agachado, calçando suas botas, ando em sua direção e puxo-o por um de seus braços e o beijo. Um beijo quente que me excita em segundos.
– Temos que ir. – Fala ofegante olhando-me nos olhos.
Dessa vez eu que banco o teimoso. – Temos? – Digo lhe agarrando novamente.
– Sim! – Diz separando-se de mim. – Vamos voltar pro acampamento.
Sigo-o em direção ao acampamento. Regina já se encontra de pé. Emma e Snow continuam dormindo.
Esperamos até que todas acordem e Killian conta uma nova historia cheia de mentiras. Eu apenas concordo com a cabeça quando uma delas olha pra mim. Agradeço mentalmente a ele por tomar a iniciativa de contar os fatos a elas, sou um péssimo mentiroso perto dele.
– Ao chegarmos a base da colina, fomos surpreendidos por um grupo de 5 ou 6 lacaios de Peter Pan. Apesar da desvantagem conseguimos afugentá-los. Subimos até o topo, só que o sextante não estava mais lá. – Killian explica enquanto lança um olhar que demonstra tristeza para todos nós. – Quando estávamos voltando, no meio do caminho, demos de cara com outro grupo de Pan, dessa vez com mais garotos. Aguentamos enquanto foi possível, mas eram muitos então tivemos que recuar mata adentro e nos esconder em um local seguro.
Todas parecem acreditar na historia, pois nenhuma delas faz nenhuma pergunta ou questionam algo. Fico feliz com isso.
[Autor]
~ Quebra de tempo: duas semana depois ~
Rumplestiltskin acabou salvando Henry (seu neto), após lutar com Peter Pan, aprisionando-o de uma vez por todas. Rumplestiltskin, também conhecido como Sr. Gold, a pedido de Neal (sim, ele continua vivo) preparou para David um antídoto que o curou definitivamente, assim ele conseguiu viver em Storybrooke sem que ficasse tomando diariamente uma dose da mesma água que Killian deu para salvá-lo.
~ Tempo Atual ~
[Killian]
Finalmente estamos de volta, não aguentava nem mais um segundo naquela ilha! Emma se mudou para Boston com Neal e Henry pouco tempo depois de sairmos da ilha. Agora que Storybrooke se tornou uma cidade calma, comum, sem nenhuma ameaça mágica, todos retornaram para suas vidas, trabalhos e blá, blá, blá.
Eu continuo no mar. Tentei arrumar um emprego em terra firme, mas essa vida não se encaixa comigo. Estou trabalhando como pescador. Infelizmente minha Jolly Roger foi destruída na ilha. Agora sou capitão de um barco de pesca comum, mas é o melhor de toda Storybrooke isso eu posso garantir. Esse trabalho não é lá grandes coisas, mas só de continuar navegando fico feliz.
[David]
Depois que Emma se mudou, eu assumi seu posto como Xerife. Ela costuma vir nos visitar todo fim de semana, até porque Henry precisa passar um tempo com Regina, já que ela é sua mãe adotiva.
Administrar uma delegacia não é muito difícil, mas mesmo assim acabei contratando um ajudante. Robin Hood é um caçador e excelente rastreador, o que ajuda bastante na área.
– Robin, acabou o relatório do ultimo caso que te pedi?
– Já esta na sua mesa.
– Obrigado. – Digo entrando na minha sala com ele vindo logo atrás.
– Então David, vocês já se resolveram?
Alguns dias atrás eu e Mary Margaret (Snow) tivemos uma briga por causa do problema com o envenenamento e água que me curou na ilha. Mesmo com isso resolvido, ela não me perdoou. Isso mesmo, estamos separados. O que Regina não conseguiu em anos, a magoa fez em dias.
– Não. – Respondo me jogando na cadeira analisando o relatório.
Roubos não são muito comuns em Storybrooke, porem recentemente tem acontecido sequestros de pescadores. “Serio, quem sequestra pescadores?”, penso. Eles são achados alguns dias depois do sumiço, ensanguentados e sem nenhuma ideia de quem fez isso com eles ou para onde os levaram.
Pedi para que as pessoas evitassem andar pelas docas e apenas alguns pescadores continuam perambulando pelo local. Killian é um deles, que se recusa a sair do lugar.
– Eu já disse, não vou sair daqui e nem parar de trabalhar por causa de um ou dois sumiços de pescadores bêbados que não se aguentam em pé!
– Faça como quiser. Só mantenha os olhos abertos e me ligue caso veja qualquer coisa! – Disse desistindo de tentar convence-lo. Killian é do tipo de pessoa que não se consegue mudar sua opinião por nada. Ainda mais quando se fala em se afastar do seu "navio".
Depois que voltamos de Neverland nós não temos nos falado muito. Ele parece estar me evitando, culpo a mim mesmo por isso. Nos dias que se seguiram depois do que houve conosco eu acabei ignorando-o. Então até entendo que ele esteja com raiva.
– Sinto muito– Responde Robin me livrando dos meus pensamentos.
– Não se preocupe com isso – Digo sorrindo.
– Robin, se importaria de tomar conta das coisas enquanto dou uma saída? Preciso resolver umas coisas.
–Não se preocupe Sr. Nolan!
–Te devo essa Sr. Hood! – Digo me levantando e pegando minhas chaves.
Desde que começamos a trabalhar juntos, Robin pegou a mania de me chamar pelo sobrenome, no começo foi estranho, mas hoje não me importo muito. Acabei pegando sua mania também, o que se tornou um costume entre nós.
Dirijo o carro de Xerife até as docas e caminho direto até onde sei que o barco do Killian fica ancorado, o barco esta lá, mas não há sinal algum dele. Ele não é do tipo que costuma acordar tarde. Ando até o barco. Essa historia de sequestro tem me preocupado bastante.
Caminho pelo deck e vou em direção da cabine. Nada. Volto e ando até a escotilha que leva até a sala onde sei que as camas costumam ficar. Naturalmente nesta só existe uma, já que Killian costuma dormir aqui enquanto sua tripulação dorme em um hotel próximo das docas.
– Killian! –Chamo enquanto desço o lance de escadas.
E lá esta ele, deitado ao lado de uma mulher que não reconheço.
– KILLIAN. – Grito novamente para me certificar que é ele. Mas sei que é , pois vejo seu braço com o gancho pendendo sobre a borda da cama.
[Killian]
Acordo assustado com alguém me gritando. Levanto e vejo a silhueta de alguém próximo a escada. Meus olhos demoram para se acostumar com a pouca luz que entra pela escotilha. Minha cabeça lateja. Ressaca. A ultima coisa que me lembro é de entrar em um bar e.. a garota! Lembro-me de uma garota. Olho para o lado e ali esta ela. Puts! Nem ao menos lembro seu nome.
Viro e me deparo com David me encarando com um olhar inexpressivo.
– David, o que você esta...
Nem completo a frase e ele já esta saindo escada a fora.
Levanto para segui-lo, mas percebo que estou sem roupas. Boto minha calça e saio, mas não há sinal dele em lugar algum.
– Gancho, o que esta fazendo aqui fora? – Ouço uma voz feminina atrás de mim.
– Eu.. É..– Começo me embolando, sem saber o que falar.
Ela é bonita, tenho que admitir. Seus olhos cor de mel junto com sua pele levemente bronzeada a tornam bastante sexy. Seus cabelos são um pouco mais escuros que os de Emma. E seu corpo é tão esbelto quanto o dela.
– É melhor você ir. Tenho que resolver uma coisa. – Digo dando-lhe um selinho.
– Tudo bem! – Ela diz sorrindo e me beijando novamente.
Desço para acabar de me vestir. Lá fora esta frio, então decido usar meu sobretudo. Todos “normalizaram” suas vidas e eu comecei a usar roupas comuns também, mas continuo com meu sobretudo.
[David]
Saio de lá irritado. Mas com o que?! Killian? Não, claro que não. o que é então?!
Jogo o volante pra esquerda e por pouco não bato em um hidrante. Paro o carro e fico ali no meio da avenida. Não tem ninguém na rua, o que me deixa mais tranquilo.
CIUMES. CIUMES. CIUMES. CIUMES. CIUMES.
A palavra ecoa na minha mente como o barulho de um tiro em uma caverna. Ligo o carro e dou uma arrancada. Dou a volta em alguns quarteirões para evitar pensar em Killian e na situação que acabei de ver.
Pouco tempo depois acabo voltando para a Delegacia. Robin esta ao telefone. Passo direto por ele e entro na minha sala. Bato a porta, apoio os cotovelos sobre a mesa e seguro minha cabeça com as mãos. Fico assim, em silencio por alguns segundos até que ouço a porta abrir.
– Você esta bem?
Enxugo o rosto e tento disfarçar para que ele não veja que estava chorando. Tarde de mais.
– Você esta... – Olho pra cara dele e ele para antes de completar a frase.
– Sim, eu estou bem! É só que.. – Digo levantando e enxugando o restante de lagrimas no meu rosto. – Não é nada.
Ficamos em silencio por alguns minutos, o que chega a ser constrangedor.
– Quem era no telefone? – Pergunto e ele começa a falar. Não presto atenção em nada que esta dizendo, nem si quer escuto. Só vejo Killian e aquela mulher deitados na minha frente. Então eu faço a coisa mais estúpida que eu poderia fazer nesse momento. Me aproximo de Robin e o beijo.
Ele me empurra e se afasta de mim. Seu rosto esta uma mistura de confusão e horror.
– David, que diabos acha que esta fazendo?! – Ele grita ainda pasmo.
"Serio, que merda eu estou fazendo?!"
Continua...
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