Um outro Amor Verdadeiro

26 Negócios (Mal)Resolvidos


Notas iniciais
Ficou chato, eu sei. Me perdoem. Mas foi necessário..

[Killian]

Estico meus braços até a outra extremidade da cama. Nada de David. Solto um suspiro aliviado. Não consegui tirar meu ultimo sonho da cabeça, tento que fui dormir pensando nele. Acordei há pouco tempo e meu pau já estava ereto bem antes de abrir meus olhos. Não com a ereção matinal que costumo ter. Um movimento involuntário faz com que o volume salte na cueca. – Dave! – Grito. Sem resposta. – Deve ter ido pra delegacia. Falo pra mim mesmo.

Me levanto e vou até o banheiro. Me encaro no espelho. Cara de sono. Barba cheia e amarrotada. Cabelo bagunçado e alto. Aparência totalmente desleixada. Abro uma das gavetas debaixo da pia de mármore e vidro. Pego um barbeador elétrico. Aparo minha barba. Com a gilete eu tiro os pelos até deixar um cavanhaque bem desenhado e uma linha na altura do queixo que sobe rente as minhas orelhas. Lavo meu rosto. Tomo um banho, ponho roupas leves casuais (uma camisa gola V e uma bermuda) e saio.

Decido não ir à delegacia. Tudo que menos preciso neste momento é encarar Will. Caminho até o píer. Me sento num banco e encaro o oceano. Levo o copo de café na boca. Sinto o calor preencher meu corpo. Hoje está um dia agradável. Céu azul e a temperatura está fresca. Jogo minha cabeça para trás deixando que o sol da manhã ilumine meu rosto. Percebo um movimento ao meu lado. Sinto alguém se sentar ao meu lado.

– Dia bonito, não? – Olho para o lado e vejo Will exibindo um sorriso e levando um copo idêntico ao meu a boca. “Aahh”. Ele solta um suspiro de apreciação.

– O que está fazendo aqui...

– .. Solto? Parece que seu namo.. quer dizer.. parece que o xerife decidiu que minha presença ao meio dele não era mais ‘necessária’. – Encaro-o. Volto a olhar para o mar e bebo mais um gole do meu café.

– Escuta.. – Ele começa a falar novamente. – Sobre o que aconteceu aquele dia. Sobre o que eu fiz. Eu queria dizer que..

– Que sente muito? Que está arrependido? Pois deve..

– Não, não. Muito pelo contrario. – Olho para ele incrédulo e surpreso. – Queria dizer que não parei de pensar no toque da sua boca. Nessa sua barba. Seus olhos azuis. Inclusive, eu bati uma na mesma noite imaginando o restante desse seu peito cabeludinho. – Inconscientemente levo a mão até a gola da minha camisa fechando-a. Ele ri. Seu corpo escorrega pro lado e se aproxima mais até sua perna tocar a minha. Um calafrio percorre meu corpo inteiro.

– Oh! Presta atenção! – Digo me levantando nervoso. Ele gira o corpo e fica de frente pra mim. – Lembre-se que foi eu quem lhe deu esse olho roxo e posso te dar muito mais do que isso.

– Adoraria ver as coisas que pode me oferecer. – Ele abre um sorriso safado e provocador. Me viro e caminho para longe dele.

– Hey! Killian? – Me viro (por que?) – Ficou bonito com essa barba. – Ele pisca um dos olhos. Eu me viro e caminho com mais pressa.

[David]

– Bom dia!

– Bom dia! – Responde Killian ao passar direto por mim e se sentar em uma das cadeiras. Ele se joga.

– O que houve? – Nenhuma resposta. – Killian?!

– Oi?

– O que aconteceu?

– Como assim?

– Uai, você chega, estranho, passa direto e despenca na cadeira e parece estar num mundo totalmente diferente.

– Ah, isso? Bom. Nada não. – ele sorri tentando convencer. Concordo com a cabeça.

– Gostei do que fez com a barba. Ficou diferente. Bonito.

– Serio? – Ele diz com um tom levemente incomodado. Se levanta. Inquieto. Passando a mão na barba. – Estava pensando em tirar ela toda, sabe?

– Por que? Não! Deixa assim. Ficou ótimo.

Ele me encara. Um olhar levemente desesperado. Incomodado.

– Tem certeza que não houve nada?

– Absoluta.

– Ok.

[Killian]

– Onde está Robin?

– Deixei que chegasse mais tarde. Hoje é a folga de August e faz tempo que eles não se vêem definitivamente.

– Entendi. Você soltou o Will? Por que?

– Não tinha motivos para mantê-lo aqui dentro por mais tempo. E além do mais, já estava de saco cheio do seu falatório, das interrupções. Por que a pergunta?

– Não, nada. Só percebi que ele não estava mais aqui. E como você mesmo disse, o ambiente está mais silencioso, sem todo aquele falatório.

– Realmente. – Ele sorri. Caminho até a antiga cela de Will.

– Ei, sempre teve aquela mancha ali no chão?

– Que mancha? – Ele pergunta parando ao meu lado – Filho da mãe. Não acredito que ele mijou na minha cela! – David sai e volta em seguida com um balde com água e um esfregão.

“Inclusive, eu bati uma na mesma noite imaginando o restante desse seu peito cabeludinho”.

Lembro do que Will me disse a poucas horas. Não é urina! É sêmen! Penso comigo mesmo. Engulo em seco. A imagem de Will na cela, totalmente pelado, se tocando me vem à mente. Balanço a cabeça.

– Quer ajuda? – Pergunto a David.

– Não, está tudo sobre controle.

~ 2h depois ~

– Grande Robin!

– Killian. Como você está?

– Bem, e você? – Nos abraçamos.

– Ótimo.

– E August, como está?

– Está bem também. Um pouco cansado. Ele trabalha direto a 3 dias. E hoje ele conseguiu uma folga.

– É, David me disse.

– Falando nele. Onde está o Cavaleiro de Armadura Reluzente?

– Armadura Reluzente? – Não me controlo e solto uma gargalhada. Ele ri junto comigo. – Enfim, ele saiu há poucos minutos. Foi fazer uma ronda ou algo do tipo.

– Ah, sim.

– Auguie vai estar livre o dia todo? Sabe se ele pretende dormir agora à tarde?

– Provavelmente não. Pode ir lá se quiser.

– Desde quando preciso de permissão? Lembre-se que se não fosse por mim você estaria até hoje indo lá pegar remédios e fingir dores só pra ver ele.

–HA! HA! Engraçadinho. – Sorrio.

– Ok. To indo lá. Se Dave perguntar onde estou, já sabe o que dizer.

– Sim. Falarei que disse que iria se encontrar com um amante.

– Exatamente. E que esse amante é o seu namorado.

– Ooh! – Rimos.

~ Minutos Depois ~

– Que bom que decidiu dar uma saída. Precisava espairecer e ao estava a fim de vagar por ai sozinho. Fiquei sentido em te chamar porque soube que trabalhou 3 dias seguidos e aposto que está cansado.

– Relaxa Killian! Foi até bom. Não iria conseguir dormir a tarde mesmo e não queria ficar em casa sozinho igual um zumbi vendo TV.

– E então Auguie. Como estão as coisas? Fora o hospital, claro.

– Ah, fora o caos do serviço, está tudo bem. Robin e eu estamos bem. E você e David?

– Sim. – Sentamos na areia um pouco afastado da água da praia. Observamos o mar. Com ondas calmas e constantes.

– Vai me falar o que está te afligindo ou vai esperar até que eu adquira poderes psíquicos?

Olho para ele e então para o mar. O que eu vou dizer?

– Ah. – Solto um suspiro. – É complicado. Você já ficou com uma pessoa na sua mente como se fosse uma assombração?

– Tipo um fantasma?

– Não. Tipo.. Uma pessoas que mesmo que você não queira ver, pensar, continua ali na sua mente, te perturbando.

– Bom, acho que não. – Olho pra ele. Levemente decepcionado. – Mas o que está acontecendo exatamente?

– Esse cara, nunca fui com a cara dele, e confesso que já até dei um soco nele. Momento de raiva e descontei no primeiro engraçadinho que cruzou comigo. De fato eu sei que não gosto dele. Mas parece que onde quer que eu vá, ele está ali. Me perturbando. Me provocando. E parece que ao mesmo tempo que eu quero dar mais um soco nele para ele se afastar, eu quero que ele fiquei. Não sei! Estou completamente confuso. E tem o David. Como vou falar isso pra ele?

– Ei! Oh! Calma. Primeiro: como você mesmo disse, você não gosta dele. E se ele está ali o tempo todo te perturbando, deve ser por isso que ele não sai da sua mente. Segundo: não tem que falar nada pro David. Quando isso se tornar um problema, quando você realmente se sentir atraído por esse cara, ou caso venha a acontecer algo, caso ele venha fazer algo, é hora de você falar, explicar tudo, antes que ele descubra por si próprio e o problema seja maior.

Concordo com a cabeça. Olho novamente para as ondas. August envolve seu braço no meu ombro.

– Relaxa boy! Tudo vai acabar bem. – “Será?”, penso.

[Will]

~ Momentos antes ~

Vejo Killian virar as costas e andar as pressas para longe do píer. Para longe de mim. Fugindo de forma desesperada. Um sorriso brota no meu rosto.

– Eu ainda te pego de jeito Capitão. – Tomo mais um gole do meu café – Ohh se pego!

~ Tempo atual ~

Me levando do banco do píer onde estava sentado a horas.

– Fiquei Sentado por dias dentro daquela cela! Hora de andar por ai! – Falo comigo mesmo.

Olho para um lado e para o outro e começo a andar sem rumo. Ando cidade à fora. Quando dou por mim estou indo em direção a biblioteca. Biblioteca? Por que estou aqui? Tarde de mais. Abro a porta.

– Bom di.. Você? O que quer aqui? Por favor não quero confusão.

– Ei, clama. Estou sóbrio Veja! – Me apoio em uma das pernas, inclino meu corpo pra frente mostrando que me mantenho equilibrado. – Viu? Totalmente sóbrio.

Ela me olha. Desconfiada.

– Bella? Certo?

– Ahan!

– Escuta, o xerife disse que eu estava com um livro quando você me encontrou aqui. Sabe me dizer qual era?

– Claro. – Ela diz, se vira e começa e procurar entre as prateleiras. – Aqui!

Ela caminha até uma mesa. Sigo-a. – Alice no pais das Maravilhas. – Diz ela passando o dedo sobre o titulo do livro me mostrando-o. Puxo o livro pra perto de mim.

– Uma coisa me intrigou. Por que estava com esse livro? Quer dizer, por que arrombou uma biblioteca em primeiro lugar?

– Sabe quando você se envolve de mais com uma pessoa e não consegue esquecê-la? – Folheio o livro, vendo as paginas, as historias, as imagens. Vejo-a olhar pros pés. De fato ela sabe do que eu estou falando. – E então você acaba endurecendo. Muda tudo o que é. Porque algo te falta. E não é somente a pessoa. – Ela acena com a cabeça. – E quando você vê, já é tarde de mais. Você já é outra pessoa. Uma versão bem diferente do que era antes. Fazendo coisas que não fazia. Se envolvendo com quem não devia, e pior ainda, gostando de tudo isso, de toda essa coisa proibida.

– Mas sempre há tempo de mudar. De voltar a ser como era antes, ou de se tornar bem melhor do que era e do que é agora.

Continuo folheando o livro até uma das ultimas folhas. Paro em uma onde há uma figura de uma mulher loira toda de vermelho indo de encontro ao chão, seu corpo inerte sem vida. Ao fundo, um homem preso em uma cela desesperado. Chorando, clamando, desesperado ao ver sua amada sendo morta.

– Sabe qual é o problema? – Pergunto encarando-a nos olhos. – O problema é que eu não quero mais ser aquilo que eu já fui. Passado é passado. – Uma lagrima escorre do meu rosto até a figura na pagina do livro. Arranco-a com um único puxão forte. Bella não diz uma única palavra. Saio da biblioteca e caminho as pressas pelas ruas da cidade.

Atravesso ruas e becos. Corro. O ar me falta nos pulmões. Ouço risos vindo da direção que estou indo. Tarde de mais. Esbarro em dois homens que vinham na direção contraria. Vendo um semblante conhecido e outro bem familiar. Killian. – Olha por onde anda! – Digo em um tom ríspido e irritado. Me ajeito e continuo seguindo meu caminho.

~ Momentos depois ~

Estou parado de frente ao mar. A pagina que arranquei do livro em uma das mãos. Um isqueiro na outra.

– Eu te amei, amei muito! – Lagrimas escorrem na minha bochecha – Mas é hora de seguir em frente. Eu mereço isso, não mereço? Ser feliz? Um Final Feliz? Mesmo um complicado igual a mim, mas mereço, não?

Encaro a imagem como que esperando uma resposta. Risco o isqueiro e chamas brotam do mesmo. Aproximo-o até a ponta da folha que se incendeia em segundos. Vejo o fogo consumir o papel em uma chama vermelha. Solto o restante da folha e deixo o fogo a consumir até o final. Olho as cinzas se desfazerem no ar. Passo as costas das mãos no rosto secando-o. Puxo o ar. Olho para o céu alaranjado de final de tarde.

– Livre. – Digo abrindo um sorriso aliviado.

Notas finais
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