Um outro Amor Verdadeiro
6 Killian cadê você?
Notas iniciais

[David]
Depois de tomarmos banho, voltamos rapidamente para Delegacia pelo mesmo caminho que viemos. Ainda não me sinto bem em uma moto.
Assim que chegamos vejo Killian parado perto da Delegacia. Peço a Robin que compre algo no Granny’s para comermos, já que não comemos nada antes de sairmos. Ele rejeita o dinheiro que o ofereço e vai a pé em direção ao restaurante que não fica muito longe de onde estamos.
Abro a Delegacia e deixo a porta aberta por que sei que Killian esta me seguindo. Sigo direto para minha sala e espero até que ele chegue.
– Uau! Nunca esperei ver o Grande David Nolan montado em uma moto – Ele diz enquanto bate palmas.
– Bom dia pra você também!
– Onde estavam? – Olho cinicamente para ele, meio que surpreso com a pergunta.
– Desde quando se interessa por onde eu tenho andado?
– Desde quando você responde uma pergunta com outra pergunta?
Me levanto e pego um copo de água no filtro perto da minha sala. Volto e pego o comprimido que esta em cima da mesa. Tomo-o em um gole só.
– O que houve com sua mão? – Ele pergunta aparentemente notando só agora que minha mão esta enfaixada.
– foi um acidente...
– Ah.. No mesmo dia que você beijou seu parceiro? Aquilo também foi um acidente? – Ele praticamente cospe as ultimas palavras. Fico um pouco atordoado com o que ele diz. “Como ele soube disso?”.
– Han?
– Ah qual é David, não se faça de bobo. Eu vi vocês se agarrando. –Ele espera que eu diga algo, mas como não o digo continua. – Estão juntos há quanto tempo?
– Não estamos juntos! – Digo já nervoso com o rumo da conversa. – E se alguém aqui deve explicações esse alguém é você!
– Eu?! Do que esta falando?
– De você agarrado com seja lá quem na cama!
– Ah, então é isso?! É vingança ou algo do tipo?
– Não se trata de vinganças Killian..
– Se trata do que então?
– Não sei... – Digo. Minha voz não é mais que um sussurro.
– David..
Sua voz esta tão baixa quanto a minha. Ainda de cabeça a baixo noto que ele começa a se aproximar.
– David me desculpe. Eu não quero brigar com você, ok?!
– Eu também não – Digo ainda sem forças para encará-lo.
Alguns segundos se passam sem que nenhum de nós dois diga uma palavra. Então eu finalmente quebro esse silencio constrangedor.
– Sabe.. Não temos nada um com o outro.. Nós ficamos uma vez! E depois disso eu nem se quer fui homem o suficiente para falar direito com você, eu só te ignorei e ignorei! – Meu rosto esquenta e sinto que estou prestes a chorar. “Agora não!”, penso. – E depois de todo esse tempo eu simplesmente apareço no seu barco como se nada tivesse acontecido e exigindo explicações e você...
– Ei! Calma! – Ele interrompe meu turbilhão de palavras. Recupero o fôlego e respiro para poder me acalmar.
Poucos centímetros separam nossos corpos e eu consigo até mesmo sentir seu hálito quente e fresco no meu rosto.
– Eu só queria saber por que?!... por que isso esta acontecendo!
Tudo que eu queria agora era abraçá-lo. Mas não consigo mexer um músculo. Estou completamente travado ali, igual um idiota.
– David. Ei parceiro! – Diz enquanto enxuga algumas das lagrimas que descem pelas minhas bochechas. – Só tem uma coisa que você precisa saber...
E então o que eu supostamente precisava saber eu acabo não sabendo, por que Robin entra na delegacia e Killian se afasta de mim aparentemente constrangido.
– Aqui está o que você me pediu. – Robin diz entrando na minha sala não notando que estou acompanhado.
[Killian]
“Fala serio, isso é hora desse panaca chegar?”, penso encarando o ajudante de David entrando sala adentro.
– Ahn, estou atrapalhando?
– Não. – Diz David. “Sim, esta sim!”, penso irritado.
– Robin, este é o Killian Jones. Killian este é Robin Hood, meu ajudante. – David nós apresenta.
– Prazer em conhecê-lo.
– O prazer é todo meu. – Digo tentando controlar o máximo a raiva em minha voz.
– Bom, estarei na minha mesa se precisarem de alguma coisa.
– Não se incomode com isso, eu já estava de saída. – Digo caminhando em direção a saída.
– Killian... – David me chama. Há tristeza em sua voz e eu luto para não me virar e ir em sua direção.
– Se cuida David! – Interrompo-o e saio deixando os dois a sós.
[Robin]
David ficou um pouco triste assim que Killian saiu da Delegacia, ele tenta disfarçar, mas sinto que esta chateado.
– Então, quem era seu amigo? – Digo puxando assunto.
– Killian é um grande amigo. – diz destacando bem o ‘grande’ – Ele nós ajudou a resgatar Henry quando ele foi levado para Neverland e...
Continuo escutando David falar animadamente das historias de aventura e desavenças que ele e o Grande Capitão Gancho tiveram no passado. Confesso que senti uma leve pontada de ciúmes ao ouvi-lo falar assim dele. Ficamos ali por aproximadamente uma hora falando disso e David só para quanto o telefone toca.
– Alo? – Fala pegando o telefone. – Calma, calma! Fale mais devagar!
Ele escuta a pessoa ao telefone por alguns segundos.
– Como assim? – Me surpreendo com o grito repentino que ele dá. – Não, não pode ser!
Começo a ficar preocupado, mas em momento algum o interrompo.
– Ok! Estou indo verifica isso agora!
– O que houve? Quem era no telefone? – Pergunto assim que ele devolve o telefone ao gancho.
– Era a Ruby. Aparentemente Killian sumiu. Seu gancho foi encontrado perto do seu barco.
– David você esta bem? – Digo notando que a cor sumiu do seu rosto.
– Sim. Vamos!
– Eu dirijo. – Digo tomando a chave de suas mãos e seguimos em direção ao carro.
Não demoramos muito para chegar as docas no lugar onde David disse que Gancho costumava manter seu barco.
Uma pequena multidão se formou no local e eu aciono a sirene para que eles possam sair da frente.
[David]
Não demora muito e chegamos aonde Ruby esta parada. Assim que Robin para o caro eu saio e sigo ao seu encontro.
– Ruby! O que houve?
– Aqui! – Diz ela me entregando algo embrulhado em uma camisa xadrez.
“Por favor não! Por favor não! Por favor não!”. Mas sim, é o gancho que Killian costuma usar. Ele só tem um, e quando ele não o usa ele costuma usar uma mão falsa, mas ele nunca deixaria seu gancho assim, jogado por ai.
– Não, não, não, não! Não pode ser!
– David, tudo bem?
Não respondo, apenas corro em direção ao barco que Killian mora com um resto de esperança de que ele esteja lá dentro, na cama com uma mulher qualquer.
Mas não há nada. Nem ninguém! Ele não esta lá...
– David! – a voz de Robin ecoa atrás de mim. Não respondo, não tenho forças para isso.
– David. – Ele toca meu braço me trazendo de volta a realidade. – Você acha que foi o mesmo cara?
Não respondo.Sei do que ele esta falando mas me recuso a responder. Me recuso a acreditar nisso!
– David, você acha que foi o mesmo sequestrador... – Antes que ele complete a frase eu me lanço para cima dele jogando-o contra a parede mais próxima sufocando-o com um dos braços.
– NÃO DIGA ISSO! – Falo, a raiva toma conta de mim.
Solto-o e volto a encarar o gancho em minhas mão. O que vou fazer? Não sei.
– David, nós vamos achá-lo. Mas pra isso temos que sair daqui e começar a procurar por provas.
De uma coisa ele esta certo, temos que começar a procurar provas. Mas se vamos achá-lo eu já não sei.
Robin e eu formamos uma ótima dupla, mas não achamos nenhum dos outros pescadores desaparecidos. Eles simplesmente aparecem dias depois do mesmo jeito que sumiram. Misteriosamente.
Alguns aparecem mortos com escoriações por todo o corpo, outros vivos, mas por um fio. Pensar nisso me desespera e eu começo a chorar.
– Ei, nós vamos achá-lo, ok? Eu te prometo! – Robin tenta me confortar, mas a única coisa que eu consigo fazer é continuar ali chorando, ajoelhado encarando o borrão que é o gancho em minhas mãos.
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