Um outro Amor Verdadeiro
7 I will find you, I will always find you! - parte 1
Notas iniciais
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[David]
Já se passaram três horas desde que Killian desapareceu. Já tentei ligar para o telefone dele, mas como eu esperava ninguém atende. Voltamos às docas para dar mais uma vistoria no local e Robin acaba encontrando um lenço branco jogado próximo de onde Ruby encontrou o gancho de Killian.
– Uau! – Exclama ele meio atordoado. – É provável que ele tenha usado isso para apagá-lo.
Pego o lenço e o cheiro. Realmente o cheiro é bastante forte e apagaria um homem adulto em questão de segundos.
– Você realmente acha que foi o mesmo cara, não acha?
– Olha, não posso ter certeza, mas ao que tudo indica, sim!
O que Robin diz diminui ainda mais minhas esperanças. “Droga Killian! Eu disse pra você sair da merda desse lugar!”, penso nervoso e impotente sem saber o que fazer.
– Hey! Você acha que essas câmeras funcionam?
Robin me chama e aponta para a quina de um galpão. Nela tem uma câmera apontada para onde nós estamos.
– Bom, é o que vamos descobrir. – Digo e começo a ir em direção ao prédio. O proprietário não está (obvio), então ligo para o numero que esta escrito em uma placa na porta do galpão mas cai direto pra caixa postal.
– Ninguém atende. – Digo.
– Você acha que a prefeita tem acesso a essas imagens?
Isso. Regina. Ela é a prefeita então é bem capaz que ela tenha as imagens dos circuitos de seguranças de toda a cidade. Como eu não pensei nisso antes?
[Killian]
~ 4 horas atrás ~
Saio da delegacia e caminho em direção as docas.
Sair e deixar David e Robin, seu ajudante, a sós pode não ter sido a melhor ideia que eu já tive, mas me recuso a voltar lá.
Não esta muito cedo, mas ainda sim não há muitas pessoas na rua. A maioria das lojas estão fechadas e o fluxo de carro é bem pouco.
Se passam alguns minutos até que eu chego no porto onde meu barco fica ancorado. Não há ninguém aqui, o que não me surpreende. Continuo seguindo em direção ao meu barco até que ouço um barulho vindo de um beco perto.
– Tem alguém ai? – Grito indo em direção ao som.
Ninguém responde. Preparo meu gancho para qualquer coisa que esteja escondida ali.
– Droga! – Grito rindo do susto que levei quando um gato pula do beco em minha direção.
– Se controle Killian!
Viro as costas pro beco ainda achando graça da besteira que é tomar um susto de um gato. Dou poucos passos me afastando do beco quando sinto alguém me agarrando pelas costas e me imobilizando. Forço meus braços tentando me liberar, mas seja lá quem for que estiver fazendo isso esta me prendendo com muita força.
Dou uma cabeçada para trás, e acerto em cheio. Ouço o grunhido de um homem. Sinto um liquido escorrer pela minha nuca. Devo ter quebrado o nariz desse idiota, penso. Mas isso não foi o suficiente para fazer com que ele me soltasse.
O desespero começa a crescer dentro de mim e eu luto para me soltar, mas nada faz com que ele me solte.
Ouço passos vindo em nossa direção e eu grito por ajuda. Mas seja lá quem estiver vindo continua a caminhar lentamente em nossa direção.
Essa nova pessoa para ao meu lado, mas não consigo vê-la.
Me surpreendo quando ele cobre com um pano branco e úmido meu nariz e minha boca. Sinto um cheiro muito forte e começo a me sentir tonto. Grito e me debato tentando me soltar, mas me sinto mais fraco a cada segundo.
Antes de apagar completamente tudo que ouço é uma voz dizendo: “Calma. Calma Capitão. Tudo vai ficar bem”, sinto que já ouvi essa voz em algum lugar, mas apago antes que eu consiga me lembrar aonde.
[David]
~ Tempo atual ~
Disco o numero de Regina e ela atende ao primeiro toque.
– David que surpresa. – Fala a voz feminina do outro lado da linha.
– Boa tarde senhora Prefeita.
– Boa tarde Xerife. Em que posso ajudá-lo? – Ela passa a usar um tom de voz mais formal.
– Mais um marinheiro desapareceu. – Dou uma pausa para poder controlar o pavor em minha voz. – E eu queria saber se você tem acesso às imagens das câmeras que ficam nas docas.
– Hnm.. Só um momento. – Ela diz e em seguida escuto o som de teclas de computador serem digitadas.
Alguns minutos se passam até que eu volte a escutar sua voz ao telefone.
– Me desculpe Xerife, mas minhas câmeras de segurança não se encontram nas Docas. Somente na entrada, mas não no interior dela.
– Tudo bem. Muito obrigado Regina.
– Foi o Killian que sumiu não foi?
Desligo o telefone sem responder sua pergunta. Não sei por que, mas não quero responde-la, mas afinal toda cidade já deve estar sabendo disso.
– E então? – Ele pergunta já sabendo a resposta.
– Nada! Ela disse que as câmeras aqui dentro não pertencem a ela.
Começo a caminhar em direção ao carro, mas Robin não esta me seguindo.
– Hey, onde esta indo?
– Conseguir as imagens dessa bendita câmera ué!
Ele está bem próximo do portão do galpão e só agora eu noto que esta segurando uma barra de ferro.
– Robin não... – Grito, mas antes que eu consiga dizer qualquer outra coisa para impedi-lo ele já arrombou o cadeado que mantinha o galpão fechado.
– Droga! – Digo indo atrás dele.
O galpão esta todo escuro e demora até que me acostumo com a pouca luminosidade.
– Robin – Chamo-o.
– Aqui!
Ouço sua voz a minha esquerda e logo em seguida ouço um estalido e um gerador de energia é ligado. O galpão é enorme e a direita de onde estamos tem uma escada de aço que leva a uma sala no segundo andar.
Subimos a escada e vamos em direção a porta. "SALA DE SEGURANÇA" , esta escrito na porta. Naturalmente ela esta fechada, Robin avança para arrombá-la mas eu o impeço e começo a trabalhar em uma coisa que aprendi com Emma.
Quando ouço o ‘click’ lanço um sorriso para Robin que esta com uma interrogação na cara.
– Você tem seus truques, e eu tenho os meus. – digo sorrindo e entrando na sala.
Dentro dela tem alguns computadores e varias telas de vídeo-monitoramento. Robin se senta e começa a mexer neles.
Felizmente nenhum dos computadores tem senha, o que facilita nosso trabalho.
– Então, conseguiu? – Pergunto já angustiado com a demora.
– Calma... e, pronto!
Assim que ele fala, as telas ligam simultaneamente exibindo imagens das câmeras que monitoram dentro e fora do galpão.
– Seja lá quem for o dono desse lugar – diz ele – gosta de mante-lo bem vigiado.
– Acha que consegue encontrar as imagens?
Ele não responde e começa a trabalhar de novo no computador.
– Essas são imagens de 5 horas a trás. – Diz apontando as telas.
– Adiante alguns minutos. – peço. – Ai, Pare!
Em uma das telas, provavelmente a da câmera que Robin me mostrou lá fora, encontrasse um homem se debatendo.
– Alguém o está segurando pelas costas. – aceno com a cabeça concordando sem tirar os olhos da tela.
Alguns segundos se passam e o corpo de Killian fica lento e ele provavelmente desmaia.
Não há mais nada. Killian é puxado para trás e não conseguimos em momento algum ver quem e quantos são.
– Então, o que sabemos até agora? – Robin quebra o silencio.
– Bom, aparentemente mais de uma pessoa fez isso. – Digo. – Mesmo que preso pelas costas, uma só pessoa não conseguiria segura-lo e apagá-lo usando aquela flanela.
– Isso. – Robin concorda. – Ei, olhe!
Ele fala e aponta para uma das telas. Nela eu vejo uma dupla de homens pondo algo (aparentemente um corpo) dentro do porta-malas de um carro.
– Acha que consegue aproximar a imagem? – Pergunto.
– Desculpe, não tem como.
Continuo observando a cena. Os dois entram no carro e saem. Infelizmente nenhuma das câmeras gravam o rosto deles ou a placa do carro.
– Bom, agora sabemos que eles trabalham em dupla. – Diz Robin desligando as telas.
– Sim. – Digo frustrado. Saber quantos são não nos ajuda em nada. Ainda não sabemos quem são ou para onde levaram Killian.
– Vamos! – digo saindo da sala.
[Robin]
Seguimos de volta para a delegacia. Peguei as fitas de gravação enquanto saiamos. Repassamos-as varias e varias vezes até que David desiste e volta para sua sala.
Ele esta esgotado, não parou um segundo desde que Killian desapareceu há cerca de 9 horas.
– David, você precisa ir dormir se quiser.
– Eu não estou cansado.
– Bom, se o fato de ter olheiras em volta dos seus olhos e de você estar com uma aparência horrível quer dizer que você esta bem, então ok!
Ele olha para mim irritado e eu até o entendo. Ele esta frustrado por não conseguir fazer nada a respeito do desaparecimento de seu amigo.
– Escuta, vai dormir. Se alguma coisa acontecer eu te chamo, tudo bem!?
Ele segue ainda relutante e se deita em uma das camas das celas que temos aqui. O colchão não é nada confortável, mas o cansaço faz com que ele adormeça imediatamente.
[David]
Sigo o conselho de Robin e me deito em uma das celas. Durmo, mas um sono repleto por pesadelos.
Por muitas vezes a imagem de Killian sendo torturado de diversas maneiras vem e me atormentam.
Agora me encontro em uma sala escura. Ela cheira a sangue e no centro está Killian pendurado com os braços amarrados por uma corrente, com uma fraca luz vindo por cima dele.
Uma risada sinistra começa a encher a sala e eu começo a correr para onde Killian se encontra.
Quanto mais eu corro para perto dele, mais longe ele parece estar. Seus gritos ecoam por toda parte e o som do seu sangue pingando em uma poça no chão parece estrondosamente alto.
– Killian! – Grito, mas ele parece não me ouvir.
– KILLIAN!!! – Grito o mais alto que posso tentando superar seu gritos mas nada acontece.
Fico rouco de tanto gritar. E os gritos e gemidos de Killian continuam ecoando pelo local.
Acordo suando. Ainda estou dentro da cela. Não sei por quantas horas eu dormi, mas sei que não quero dormir de novo.
Demoro para conseguir controlar novamente minha respiração e ainda consigo ouvir aquela risada sinistra e doentia do meu sonho e o cheiro de sangue ainda parece impregnar o ar.
[Robin]
Não se passaram nem duas horas desde que David dormiu e ele acorda gritando o nome de Killian.
Corro em direção a cela onde ele se encontra. Ele esta sentado segurando a cabeça com as mãos.
– Você esta bem?! – Digo preocupado.
Ele não responde, mas noto que esta chorando.
– David, ele vai ficar bem! Tudo vai ficar bem!
– Não, não vai! – Ele grita e volta a soluçar de novo. A agonia e a tristeza transbordam de sua voz.
Não sei o que dizer então tudo que faço é senta-me ao seu lado e abraçá-lo tentando lhe dar o máximo de conforto que eu consigo.
[Killian]
Acordo amarrado e pendurado pelos pulsos por uma corrente. A única luminosidade que tem é uma fraca luz que está em cima de mim.
A ultima coisa que me lembro é de alguém me segurando pelas costas nas Docas.
Minha cabeça dói e sinto gosto de sangue na boca. Tento me soltar, mas isso só faz com que eu sinta mais dor.
Grito. Mas ninguém responde. Estou sozinho.
Alguns minutos se passam e uma porta se abre ao longe.
– Quem esta ai? – Grito.
– Ah, finalmente você acordou Capitão.
Ouço uma voz masculina, calma e ritmada.
– Me tira daqui seu ...
– Olha as maneira! – O tom de sua voz me assusta. Ela é suave e gentil mas é perceptível a ameaça em cada palavra dita.
– Quem é você?
– Achei que tivesse uma memória boa Capitão. – sua voz vem de outra direção. Ele provavelmente esta me rodeando, penso.
– Enfim... – Ele diz se aproximando de mim. Quando a luz fraca banha seu rosto eu me surpreendo quando reconheço quem é.
– Eric?!
Continua...
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