Notas iniciais
A pedido de um dos leitores que acompanham a historia, esse capitulo se baseara no primeiro contato dos casais Captain Charming e Outlaw Wood ao restante da população de Storybrooke. E como o Natal está quase ai, nada melhor que esta data para introduzir eles, né?

[Killian]

– Amor, vamos, nós vamos nos atrasar! E você sabe o quanto eu odeio chegar atrasado a um compromisso!

– Tem certeza que temos que ir Dave?

– Absoluta! E outra, nós já conversamos sobre isso!

– Serio? – Pergunto fazendo uma cara de cachorro pidão.

– Aaaah! Vamos, pare com isso! – David diz se virando de costas para mim. – Você prometeu e concordou em ir. Vamos! Robin já está chegando.

Ding Dong. Soa a campainha.

– Falando nele.

Caminho em direção à porta do apartamento. Abro-a e lá estão Robin e August na porta aos beijos.

– Yuck! Arrumem um quarto vocês dois! – Digo rindo.

– Boa noite pra você também Killian.

– Boa noite Robin. August, como vai? – Abraço um, depois o outro. – David, vamos! Já estamos atrasados e os dois já chegaram! Quantas vezes eu tenho que te dizer que odeio chegar atrasado aos lugares?!

– Muito engraçado você! – Rimos. August e Robin nos olham sem entender nada. – Então, vocês dois estão prontos para fazer isso?

– Mais do que nunca! – Os dois respondem um uníssono.

– Então, lá vamos nós!

Saímos do apartamento e entramos no elevador.

Há alguns dias atrás David pôs nossos nomes em uma brincadeira que o pessoal de Storybrooke costuma fazer.

– Você fez o que? – Pergunto não acreditando no que acabei de ouvir.

– Eu dei nossos nomes para o amigo secreto que nós sempre realizamos no natal.

– E vocês concordaram com isso? – Pergunto espantado para Robin e August.

– Ué, eu não vejo problema algum! – Robin diz.

– Nem eu! – August fala em seguida.

Continuo olhando para David sem acreditar no que ele fez.

– Olha, – ele começa – se você não quiser brincar, tudo bem, peço a Regina para retirar seu nome. Mas fique sabendo que eu vou brincar e sim, vou à festa, queira você ir ou não. – silencio – Killian, escuta, não tem porque temer as pessoas! Não há nada de mais que elas possam fazer! E alem do mais, a essa altura do campeonato, todas já sabem de nós.

– Elas desconfiam...

– Desconfiavam! Desconfiavam até eu te trazer para morar aqui em casa. Desconfiavam até eu começar a andar contigo. Até passarmos muito mais tempos juntos. Por favor, amor, vamos? Vai ser divertido!

– É Killian, larga mão de ser medroso.

– E estraga prazeres por assim dizer.

Encaro os dois. Os três pra falar a verdade.

– Tudo bem, eu vou!

– Aeeeeeh!! – Os três comemoram juntos.

– Você não vai se arrepender. – David diz. “Veremos”, penso.

Dias depois de David me contar isso nós sorteamos os nomes. Cada pessoa pegava um papel que estava dentro de um chapéu e cada papel continha o nome de um participante, e é claro, se alguém pegasse seu próprio nome deveria devolver o papel e retirar outro. E advinha quem eu tirei, ninguém menos do ela, a ex de David, a mulher ao qual ele viveu praticamente boa parte da vida. A mulher ao qual eles tiveram uma filha. A mesma ao qual ele largou para ficar comigo. Eu até que tentei trocar de papel. Mas não rolou.

– Por favor, Regina. Deixa-me trocar de papel?

– Você retirou seu próprio nome?

– Sim. – Ela me encarou com um cara de “eu sei que você está mentindo”. – Aaah, tudo bem! Não tirei eu mesmo, mas..

– Mas nada Capitão. Tu conhece as regras, se não tirou si mesmo, não tem por que trocar de papel. Mas olhando pela sua cara eu imagino que sei quem tirou, e sim, será um cena muito, como posso dizer, “interessante” de se assistir. Até o natal Killian, diga a David que eu mandei um abraço para ele.

E agora aqui estamos nós quatro, os dois casais e os únicos gays de Storybrooke indo para uma festa com toda a cidade.

Saímos do prédio onde David mora e vamos caminhando em direção a Granny’s que não fica muito longe, apenas uma caminhada de cerca de dez minutos. Robin e August conversam todo o caminho, na verdade eles berram, suas vozes altas preenchem toda a rua silenciosa. David e eu caminhamos lado a lado, de mãos dadas, silenciosamente.

Alguns minutos se passam e nós chegamos a frente do Granny’s. Paro na frente da entrada e deixo que Robin e August entrem na frente. Respiro fundo. – Tudo vai dar certo! – David sussurra no meu ouvido antes de me dar um beijo. Solto o ar lentamente. – Vamos! – Digo deixando que ele me leve até a entrada. David abre a porta e imediatamente sou inundado pelo calor, pela luz e pelo barulho do local. Barulho ao qual para instantaneamente quando todos param para olhar para nós. Ameaço soltar minha mão da de David, mas ele aperta com um pouco mais de força.

– Até quem fim vocês chegaram! – Emma, filha de David grita vindo em nossa direção. – Henry já estava quase me fazendo buscar vocês dois.

David me solta e abraça sua filha.

– Oi meu bem.

– Pai. – Ela para e olha para mim. – Killian. Tudo bem? – Ela fala e me abraça.

– Sim, tudo ótimo. E contigo?

– Também. Venham, vou mostrar onde podem deixar seus casacos, está frio lá fora, mas aqui, nem tanto.

Seguimos Emma até um dos cantos do restaurante onde os casacos de todos estão pendurados. Nesse momento todas as pessoas já voltaram a conversar e a fazer o que estavam fazendo. Nos sentamos na mesa onde Robin e August se sentaram. David sai por alguns minutos para cumprimentar os outros e me deixa aqui, segurando vela. Uma ou outra pessoa vem a nossa mesa para nos cumprimentar. Regina. Bella. Gold. Henry. Ruby. E então, a ultima pessoa que eu pensei que fosse fazer isso vem até a mesa.

– Killian, podemos conversar?

– Snow.. ah, han.. Claro, quer falar sobre o que?

– Será que podemos conversar lá fora, aqui dentro está muito barulho.

– Tudo bem. – Me levanto. Robin e August nem ao menos percebem que eu sai da mesa. Pegamos nossos casacos e andamos até os bancos do lado de fora do restaurante. O vendo frio bate em meu rosto e me faz tremer. – E então?

– Killian. Escuta, sim, eu fiquei chocada quando David me largou. Bom, chocada não é a palavra certa. Eu fiquei triste quando isso aconteceu, como qualquer pessoa ficaria. Como você sabe nós passamos muitas coisas juntos, passamos anos juntos e isso fez com que criássemos um elo forte. E é claro, tem a Emma, fruto do nosso amor. Só que eu quero que você saiba que eu não guardo nenhum rancor, nem dele, nem de você. Eu entendo os motivos de termos terminados. David e eu já não tínhamos mais aquela conexão que só o amor verdadeiro pode criar. Não aconteceu nada daquilo que as pessoas estavam falando. Que nós brigamos e que eu disse que ele estava me traindo, etc. A verdade foi que ele veio conversar comigo, ele me explicou toda a situação e falou sobre o que aconteceu com vocês na Terra do Nunca. Ou seja, terminamos numa boa. Sim, eu sinto falta dele, mas estou aprendendo a viver sem ele. Para falar a verdade eu estou até interessada em um cara, ele trabalha onde dou aula, mas isso não vem ao caso. O que eu quero que tenha certeza é que eu não te odeio, nem ao menos quero que você morra por ter tirado David de mim e bla bla bla!

– Snow.. eu.. eu nem sei o que dizer.

– Bom, e agora que vocês dois estão juntos, você meio que faz parte da família, então ou nós nos damos bem ou temos que fingir. E é melhor a primeira opção. Então, saiba que nós, nem eu, nem Henry, nem Emma guardamos algum rancor ou coisas do tipo de você. E estávamos pensando em fazer um almoço para comemorar o natal amanhã, o que acha de vir se juntas a nós? Você e David?

–Bom, eu acharia isso maravilhoso. –Digo. Nos levantamos e começamos a andar aos arredores do restaurante. Conversando. Rindo. Brincando. Caminhamos de volta ao restaurante, distraídos, até que alguém aparece do nada na esquina e se esbarra em mim.

[David]

Volto para a mesa onde estava com Killian, mas só encontro Robin e August nela.

– Robin, você viu o Killian? Onde ele está?

– Ele está... uai, ele estava aqui até agora pouco.

– Bom, aquela mulher, ai, qual é o nome dela?! Mary, isso.. Mary Margaret, ela veio aqui e depois os dois saíram juntos.

– E para onde eles foram? – Pergunto. Minha voz está repleta de preocupação.

– Para fora do restaurante. Mas por que toda preocupação? – Me apresso indo em direção à saída. – Ela é a ex do David. – Ouço Robin dizer atrás de mim.

Saio do Granny’s. Tremo drasticamente quando o ar gelado bate em minha pele. Sai às pressas e esqueci de pegar meu casaco. Não há sinal de Killian nem de Mary em local algum. – Killian! – Grito enquanto saio a procura deles. – Snow! – Nada. Continuo caminhando. Ouço vozes e sigo em direção a elas. Viro em uma esquina e acabo esbarrando em alguém.

– Au! – Reclamo.

– David! Por que tanta pressa?

– Killian! Ahh! – Abraço-o. – Ah, você está bem?

– Estou ótimo. Mas por que toda essa preocupação? Eu só sai um minutinho para dar uma volta com a Snow. Alguma coisa aconteceu enquanto estive fora?

– David, relaxa. Nada de mais aconteceria com ele.

– É David. Estávamos apenas conversando, Snow estava me contando algumas historias. Estávamos falando de como era na Floresta Encantada e de como foi a primeira viagem de navio dela. – eles riem. – Foi, literalmente hilário!

– Realmente! – Riem novamente.

– Então está tudo bem com vocês?

– Claro David! – ela responde.

– Tudo bem! Agora será que podemos voltar pro Ganny’s? Estou congelando aqui fora!!!

– Oh dó gente! – Killian me abraça e seguimos em direção ao restaurante.

[Killian]

Chegamos ao restaurante e na mesma hora, Regina chama a atenção de todos.

– Atenção todos! Agora que estamos todos reunidos, vamos começar o Amigo Secreto! Quem vai ser o primeiro?

– Eu! – Henry grita. Henry pega seu embrulho e caminha até o centro do restaurante.

E assim se iniciam a troca de presentes. Henry fala seu discurso e em seguida entrega seu presente ao Whale. Por sua fez, Whale faz o mesmo e entrega seu presente a Bella. E assim vai até que chega a vez de David.

– Meu Amigo Secreto, é um homem que por bastante tempo foi considerado como traidor, como a pior raça de todos nós. E por diversos anos, eu mesmo pensava isso dele. Mas com o tempo, aprendi a deixar nossas diferenças de lado e assim, aprendi a gostar dele. E com o tempo, nossa amizade foi crescendo, e crescendo e mesmo decepcionando ele de uma forma imperdoável, deixamos nossos problemas de lado e hoje eu posso dizer que ele é o amor da minha vida!

– Aaaaaaaaah! Marmelada! Marmelada! Marmelada! – Todos gritão em uníssono.

– Ei! Ei! Ei! Não posso fazer nada ué! E meu amigo secreto é você, Killian!

Caminho em sua direção. Pego a pequena caixa em sua mão, lhe abraço e lhe dou um beijo. Todos gritão de felicidade.

– Abre Killian! – Ouço Robin gritar do fundo do restaurante. Começo a retirar o embrulho da caixinha. Puxo a tampa e retiro um a chave que esta dentro dela.

– Para que serve essa chave? – Pergunto a David.

– Essa chave é a chave do seu novo barco. Entrei em um consenso de que o seu estava “ultrapassado”.

– Haha! Não acredito! – Grito. Beijo-o novamente.

– Tá, tá, tá! Agora que tal você dizer quem você tirou? – Regina diz visivelmente irritada.

– Tudo bem. Minha Amiga Secreta, até hoje a noite era uma das habitantes de Storybrooke ao qual eu temia olhar na sua cara. Mas eu redescobri que ela, mais do que ninguém, é a pessoa que possui o coração mais bondoso e capaz de perdoar qualquer coisa.

– Mary Margaret! – Regina grita.

– Como eu estava dizendo! – Digo olhando de relance para Regina. Minha Amiga Secreta é ela, Mary Margaret!

Todos aplaudem e em seguida eu entrego o presente dela. Nos abraçamos e em seguida o jogo continua. Alguns minutos depois o jogo termina, e por fim, a festa de verdade começa. Comida, bebida e musica. Algumas pessoas foram embora, mas o pessoal de sempre (Regina, Emma, Mary Margaret, David, Robin, August, Ruby, etc) continuam no restaurante, bebendo, dançando e conversando.

A festa rola até umas duas horas da madrugada. E então todos vão para suas casas. Robin e August dormiram na casa de David por ser mais perto do Granny’s então vamos nós quatro para o apartamento dele. A festa foi boa, estava preocupado a toa. Uma ou outra pessoa agiu como se nós quatro fossemos aberrações, mas não demos ideia, e alem do mais, as pessoas nos ajudaram, então tudo ficou bem.

David está visivelmente bêbado. De nós quatro, ele foi o que mais bebeu. Eu também bebi, mas como já estou acostumado a beber rum, cerveja não faz efeito nenhum em mim.

Pego a chave no bolso de David e abro o portão do edifício. A essa hora o porteiro já está dormindo, e eu não quero acorda-lo a toa. Subimos até onde fica o apartamento e eu abro a porta.

– Robin, o quarto de hospedes fica aqui. – digo apontando para a porta a minha direita. – A cama não é muito espaçosa, mas acho que dá para vocês dois dormirem. Se quiserem tomar um banho, tem toalhas limpas no armário do banheiro. Aqui, toma. – digo entregando-lhes cobertas e travesseiros. – boa noite! Agora me deem licença que eu tenho um bêbado para tomar conta. – digo puxando um David sonolento atrás de mim.

Vamos para o quarto. Retiro as roupas de David e as minhas. Levo-o para o banheiro e tomamos banho juntos. Praticamente eu que dou banho em nós dois. Seco-o e vamos até a cama. David já está praticamente dormindo quando o deito na cama. Cubro-o para que ele não sinta frio durante a noite já que está sem roupa alguma. Dou-lhe um beijo na testa e me deixo ao seu lado. Apago em poucos minutos.

Notas finais
E então?! Muitos poderão achar que ficou tudo meio perfeitinho de mais. A aceitação da Snow e do resto da população. Mas bom, é o que todo gay quer não é? E pra que ficar gastando energia com os que não "aceitam"?!?! Vamos focar naqueles que nos aceitam por quem nós somos, focar na felicidade e no bem estar. Na nossa felicidade e no nosso bem estar! David, Killian, Robin, August e Eu, desejamos a você um ótimo natal! E um maravilhoso ano novo! Até 2015!!!