Um outro Amor Verdadeiro
11 Afinal quem é você?
Notas iniciais

[Robin]
Acordo ainda com minhas roupas. O quarto esta totalmente escuro e... espera! Esse não é o meu quarto!
Não faço a mínima idéia de onde estou ou de como cheguei aqui e a ultima coisa que eu me lembro é de estar em um dos corredores do hospital e, e nada! Não me lembro de mais nada depois disso.
Me levanto e sinto o chão frio sobre meus pés, calço minhas botas e caminho pela casa, não é grande mas é bem aconchegante. Vou em direção a uma porta que provavelmente é a que sai deste lugar e ela esta trancada, óbvio, já que só eu estou aqui.
No meio da porta está pendurada uma chave e um bilhete. Pego-o e começo a ler.
“Robin, você desmaiou ainda no hospital. Decidi trazê-lo para o meu apartamento porque os quartos do hospital estão ocupados e provavelmente você não iria querer passar a noite em uma maca qualquer. Alem do mais, não tinha endereço algum na sua ficha medica. Deixei algumas toalhas próximos à cama caso queira tomar um banho. Na geladeira tem comida, caso acorde com fome.
Devo chegar lá pras 20:30.
p.s.: Caso decida sair, deixe a chave embaixo do vaso de plantas próximo a porta.”
E é isso, sem nome nem nada. Eu poderia muito bem vasculhar todo o apartamento para poder descobrir quem mora aqui, mas não seria o certo a fazer, afinal ele, seja lá quem for, me “hospedou” aqui.
Então volto ao quarto e pego uma das toalhas brancas que estão em uma bancada ao lado da cama. Olho o despertador que fica numa mesinha do outro lado e vejo que são 19:35. Esta quase na hora de eu descobrir quem é este cara, penso e ando pelo apartamento a procura do banheiro.
[David]
Assim que ouço a voz roca e abafada de Killian dizerem que me ama sinto um calor crescer dentro de mim. Felicidade. Nunca me senti tão feliz em minha vida.
Vejo-o dar um sorriso fraco por debaixo da mascara e meu coração acelera. Retribuo o sorriso enquanto seco algumas das lagrimas que descem pelo meu rosto.
– Killian... – Sussurro beijando-o nas bochechas.
Ele tenta se levantar e para sem sucesso algum soltando um gemido de dor.
– Ei, calma! Você ainda tem muito o que recuperar, ok?!
Ele não responde nada e somente acena com a cabeça.
– Agora durma. Eu estarei aqui para o que der e vier, não importa por quanto tempo, eu sempre estarei ao seu lado.
Poucos segundos se passam e o efeito do remédio toma conta do seu corpo novamente e ele dorme. Não se passaram nem 5 minutos desde que Killian acordou e Whale aparece no quarto. Ao informá-lo que Killian acordou por breves segundos ele pergunta espantado.
– Acordou? Como assim?
– Isso mesmo que eu te disse doutor, há poucos minutos atrás ele acordou, tudo não se passou de meros segundos, mas ele acordou.
– Ele chegou a dizer alguma coisa?
– Sim. Quer dizer, não... – Não sei o que dizer, falo a verdade? Não, não posso, e por que eu não posso?
– David. Ele disse alguma coisa?
– Não, não disse. Só resmungou uma ou outra coisa, mas nada de mais.
– Hnm.. entendo! É provável que ele não acorde mais por hoje. Daqui a poucas horas uma enfermeira virá aqui e injetará no soro mais uma doze dos remédios para ele. Qualquer mudança informe-a ou me ligue se achar necessário.
Afirmo e ele sai em direção à porta.
– David..
– Sim doutor!
– Tem certeza que não quer ir para casa descansar?!
– Absoluta! – Digo após olhar de soslaio para Killian.
– Tudo bem, boa noite.
Ele fecha a porta e some em poucos segundos corredor a fora. Viro-me para Killian e o observo dormir. Alguns minutos se passam até que eu mesmo cedo ao sono.
[Robin]
Tomo um baita banho quente e demorado. A água escorre pelo meu corpo e leva com ela todo o cansaço e a sujeira que impregnava meu corpo. Nunca me senti tão leve e vivo. Saio do banheiro de toalha e caminho até o quarto onde deixei minha calça.
– Acho que isso me pertence. – Digo para o cara que está pondo minha calça sobre a cama. – Me desculpe pela bagunça, pensei em arrumar tudo depois do banho.
– Não se preocupe. Robin, certo?
– Sim, e você é...?
– Digo meu nome se prometer não desmaiar novamente.
– Não se preocupe! – Digo correspondendo ao sorriso que ele me deu.
– Booth, August W. Booth. Também conhecido como Pinóquio. (Isso ai pessoal, August ainda é adulto)
–Ah, Pinóquio hein..
– Pois é. Você esta se sentindo melhor?
– Depois desse banho, bem melhor, obrigado.
– Bom. – Ele me avalia dos pés a cabeça. –Então Robin, é melhor se trocar, não acha?
Só agora me lembro que estou só de toalha. Meu rosto fica vermelho na hora e eu tento disfarçar o máximo possível para que ele não note.
– É acho que sim... – Digo ainda corado enquanto ele sai do quarto fechando a porta atrás de si.
Me troco o mais rápido que posso, quando saio vejo que August está na cozinha preparando algo.
– Esta com fome Sr. Hood?
– Não querendo abusar da sua hospitalidade, mas estou faminto.
– Que bom, pois estou preparando o meu famoso frango ao molho de madeira.
Ele começa a rir. No começo eu não entendo o por que, mas acabo entendendo a piada que ele fez sobre si mesmo, é besta, mas acabo rindo junto.
Alguns minutos se passam até que a comida fica pronta. Passamos todo esse tempo conversando sobre nós mesmo, assuntos do tipo o que fazemos, o que gostamos, o que não gostamos, etc.
– Pensei que você trabalhasse com seu pai, Gepeto certo?
– Eu trabalhava.
– O que houve com vocês?
– Éh.. Ele morreu há alguns meses. Ai Whale me arrumou um emprego no hospital.
– Oh, me desculpe, eu não sabia. Sinto muito!
– Éh.. eu também.. Mas não se preocupe com isso! Passado é passado. Pode pegar aquele vidro ali, por favor?
Me viro e olho para onde ele esta apontando.
– Esse? – Digo indicando-lhe um dos vidros da prateleira.
– Não. O de tampa amarela.
Pego o vidro certo e o entrego.
– E você Robin, seus pais estão vivos? Tem namorada ou algo do tipo?
– Bom, meus pais morreram anos atrás, e não tenho namorada nem nada do tipo. Estava ficando com uma pessoa, na verdade foi só uma vez e eu estava realmente gostando dela, ou ainda gosto, nem sei.. mas digamos que o coração dela pertence a uma outra pessoa.
– Hnm, que pena! Mas aposto que encontrará alguém que o mereça logo logo.
– Deus te ouça.
Continuamos a preparar o jantar, na verdade ele continua. Depois de lavar as vasilhas me ofereço para arrumar a mesa enquanto ele acaba de vigiar o frango no forno. Por diversas vezes peguei-o me olhando, e digamos que isso me deixou meio que desconfortável.
Não demora muito e ele termina o que estava fazendo. Nos sentamos para comer e August busca na cozinha com uma garrafa de vinho.
– Você bebe, certo? – Faço que sim e lhe entrego minha taça, que é cheia instantaneamente.
– Desculpe, é que eu acabei pegando o costume de comer e tomar vinho graças a uma ex-namorada.
– Não se preocupe. – Digo sorrindo para ele.
Comemos sem dizer uma palavra. Apenas trocamos um ou outro olhar.
– Seu frango estava ótimo! – Digo quando terminamos e enquanto ele recolhe os pratos. – E esse macarrão, meu Deus! Precisa me falar qual é o seu segredo.
– Foi mal! Segredo de família!
– Bom, então acho que terei que prende-lo e fazer um interrogatório para descobrir o que é.
Rimos e ele me serve mais um pouco de vinho. Papo vai papo vem e quando dou por mim já é quase meia-noite.
– Uau! Está super tarde. É melhor eu ir andando. – Digo e me levanto.
– Tem certeza?
Não sei bem o que ele quis dizer com isso, mas acho que esse cara ta me cantando.
– Bom, acho que sim. – Digo jogando com ele para tentar descobrir se ele quis dizer o que eu acho que quis.
– Ok, então eu te acompanho até a porta. – Acho que eu estava enganado, penso.
Ele se levanta e segue em direção a saída. Vou para o quarto e busco o restante das minhas coisas. Ele ainda está me esperando no vão da porta. A porta está aberta e ele esta apoiado em um dos lados com o braço esquerdo.
– Muito obrigado por tudo August! – Digo apertando sua mão. – Foi um prazer te conhecer.
– O prazer foi todo meu.
Continuamos ali parados, um encarando o outro.
– Bom, então é isso... – digo e me virando e indo em direção ao elevador.
– Robin.
– Sim? – digo enquanto me viro para encará-lo.
– Nós vemos por ai!
Afirmo com a cabeça e vou em direção ao elevador. Assim que as portas se abrem ouço o bater de porta, olho para trás e vejo que ele já se foi. Aperto o botão que vai para o hall do prédio e as portas se fecham instantaneamente.
Eu podia jurar que esse cara estava me dando mole ou algo parecido. Seu jeito de me olhar, o jeito de falar e as incontáveis vezes que o peguei me ‘espionando’, tudo isso foi muito suspeito, mas acho que estava enganado.
Saio do elevador assim que ele para no salão de entrada do prédio.
Cumprimento o porteiro que abre o portão para mim. Não sei bem em que parte da cidade eu estou nem a que distancia da minha casa.
Estou a pé e felizmente, pelo que o porteiro me disse, tem um hotel 24h aqui perto, sigo as direções que ele me deu. Chego à uma hospedaria e peço um quarto para o homem que esta no balcão da recepção, ele me entrega uma chave escrita 17-B e me indica a direção até o quarto.
Entro em um quarto simples, uma cama de casal larga, TV, rádio, um banheiro com uma ducha enorme e uma banheira normal. Tomo mais um remédio e me certifico que a porta está trancada antes de me deitar. O sono não demora a chegar e eu apago em poucos minutos.
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