Um novo The Big Four
16 Porque fiz isso?
Notas iniciais
Saí da sala de aula sozinha (como natural). Segui direto para cantina. Mas, como eu não poderia ficar quieta um minuto se quer! Meu terrível (porem lindo) pesadelo ruivo, me impediu a passagem para a cantina. Quando o avistei ao longe, virei descaradamente na direção contraria. Mas quem disse que ele se deixaria abalar?
Senti sua mão forte em meu pulso, e me virei para encara-lo. Maldita hora em que me deparei com seus olhos em chamas. Ele me soltou devagar, mas não saí correndo como deu vontade.
— Acho que precisamos conversar – ele disse, sem tirar os olhos dos meus.
— Não acho que precisamos conversar – falei na defensiva – conversamos bastante na roda gigante.
— Sim, antes de você sair correndo.
— Eu não sai correndo!
— Saiu correndo sim! Igualzinho ia fazer agora – nessa ele me pegou.
Olhei para o chão um pouco, me sentindo um pouco sem graça por ele ter razão… logo depois dele ter me beijado, a roda gigante parou, e eu pulai para fora, correndo para a avenida mais próxima, e me jogando dentro do primeiro taxi. E ia fazendo o mesmo agora…
Levantei a cabeça lentamente, e acabei por me deparar com um saco, meio amassado, do McDonald’s.
— Não quero conversar na cantina – ele disse, ao ver que eu vi – tem muitos olhos e ouvidos. Por isso comprei seu almoço… para você não ter motivos pra deixar pra depois – ele soava mais severo do que sem jeito, parecia ter feito isso um milhão de vazes.
— Quer me comprar com Mcdonald’s? – eu ri alto.
— Porque? Você prefere Subway? – ele fingiu estar confuso, mas logo riu comigo.
Pensei por um instante… “Oque poderia dar errado”.
— A sua sorte é que adoro McDonald’s – cedi. Ele sorriu, não um sorriso de vencedor, ou de malícia, aquele sorriso lindo que dá até gosto de ver.
Eu lentamente peguei o pacote, e fiquei feliz em ver uma caixa de McCheddar dentro dele.
Deny me guiou até o pátio principal, que como esperado, não tinha ninguém. Ao contrário do resto das vezes, não fomos até a macieira, ele me levou aonde costuma ficar, parecia mais um esconderijo pra mim! Era uma parte isolada, entre o muro externo e a parede que encosta nele, onde só percebi que era do pátio auxiliar por causa do teto de estufa. Acredite se quiser, mas lá tinham bancos de pedra, e uma arvore que parecia ter sido plantada especificamente pra esconder quem estava naquela parte. “Parecia mesmo um ponto de encontro de desocupados-sem-futuro” pensei, e ri por dentro ao lembrar da minha mãe chamando o Deny assim.
— Sobre o que quer falar? – perguntei, sentando no banco de pedra, e me preparando para comer.
— Como “sobre o que” ?! Sobre nós, ora! – ele sentou na grama, de frente para mim.
— Existe “nós” – perguntei, já com o sanduiche na boca.
— Essa é uma ótima pergunta! – ele pareceu mais irônico que estressado.
Apesar de sentado na minha frente, Deny não se permitia olhar para mim. Passamos uns segundos calados, mas logo começou a ficar desconfortável.
— Eu não sei mais o que fazer com você – ele disse devagar, e baixo, mas não impediu que as palavras me acertassem com força.
— Como assim? – falei rápido, com medo da resposta, mas ele pareceu entender, e pareceu não saber como explicar.
— Eu não sei mais o que fazer com você – ele falou mais rápido e mais alto, mesmo assim pausadamente. Parecia frustrado – eu já te levei pra sair, já me declarei, já te beijei – ele contou nos dedos – mas você ainda não gosta de mim! O que não faz sentido, porque você continua na minha cabeça!
Parei. Será possível o Deny estar apaixonado por mim? Não! Sem chance! Ele é um canalha!
Ele estava frustrado, falava rápido, eu continuava escutando ele falar, mas parecia distante. Como se… eu estivesse presa na minha própria bolha, sem saber direito o que rola lá fora…
E se estivesse? Não! Não mesmo! Impossível! Deny não estava apaixonado! E eu tenho que tirar essa ideia da cabeça!
P.V.O. Jack:
— Jack, meu amigão! Como vai você? – Soluço e sua cara de pau, chegaram gritando ao meu lado, enquanto eu ia para a cantina.
— Olha! Ele lembrou que eu existo! – fui irônico, mas ele pareceu não se importar nem um pouco.
— Vamos, não seja rabugento! A vida é linda! – ele levantou os braços e virou a cara para o teto. Eu apenas ri do seu papel de idiota.
— E isso tudo porque fez as pazes com a juba de fogo? Caraca! – zombei cruzando os braços.
— Pois é, estacionei meu trem! – com a vermelha? É ruim em! – você deveria tentar.
— Não me faça rir! – brinquei – você sabe que não sou cara de uma menina só!
— Você não devia fazer isso com a Rapunzel… — ele de repente não estava mais feliz/saltitante, estava sério, e me olhava com reprovação.
— Não meta ela nisso – fechei a cara. Quem ele pensa que é pra me olhar assim? – e olha só quem tá me dando concelhos amorosos! Um cara que demorou cinco anos pra ganhar uma bitoca!
— Mas a Merida é outra coisa – ele voltou a olhar para frente – a Rapunzel não consegue esconder que gosta de você. E você é orgulhoso demais pra assumir a menina!
— Palavrão, Soluço! Eu e ela jamais funcionaria!
— E porque não? – ele parou de andar, e eu dei uns três passos antes de para a virar para ele, mas sem encara-lo – porque, Jack? – não faz pergunta difícil que você me quebra! Porque? Ora “porque”. Não sei porque! – porque ela é boa demais pra você.
Eu sabia que era. Na funda sabia que aquela era a verdade. Mas dói admitir, dói. Eu não quero admitir, não quero mesmo. Mas é inútil. Qualquer “eu + ela” evaporar se eu admitir. E eu não quero que evapore. Estou me segurando a uma mentira? Estou! Mas não quero admitir a verdade.
— Vamos. A Merida deve estar doida atrás de você – me virei e continuei a andar para a cantina, Soluço não demorou à me acompanhar, mas ninguém falou mais nada no caminho.
Mal chegamos à cantina, e Soluço já foi abordado pela juba de fogo, que se jogou em cima dele em um abraço, e logo depois lhe presenteou com um selinho, o idiota sorria como criança quando vê neve. Seria exagero falar que a escola parou para ver a cena? Acho que não. Eu fico feliz por ele, serio, cinco anos é muito tempo.
Sem esperar pelas duas pessoinhas, peguei meu almoço, e andei até a mesa de sempre, reparando, sem muita demora, a falta da minha loira. “Minha loira” … eu tinha que parar com isso. Quando os pombinhos se juntaram a mim, me limitei a não perguntar sobre ela. Não que eles fossem responder naquele transe.
Escutei a risada da Rapunzel, planando como música, por toda a cantina… eu não demorei pra achar ela, estava no balcão, pegando sua comida. Segui o som, e achei a dona dos longos cabelos dourados. Faz tempo que não ouvia Rapunzel rir daquele jeito. Ela começou a se afastar do balcão, e pude ver seu lindo sorriso, mas estava mesmo querendo o motivo de tanta risada. Ela se aproxima da mesa, e percebo que tem alguém a seguindo! É o… aquele é… Flynn? Ai cara! O que o idiota do Flynn tá fazendo com a Punze?!
— Está entregue – disse Flynn, quando os dois chegaram perto da mesa. Ele pôs a bandeja da Punze na mesa, e fez a velha “cara de babaca” pra ela. Idiota.
— Muita gentileza sua, Flynn – Rapunzel sorria feito boba. E eu estava odiando aquilo.
— Sempre à postos – ele disse antes de sair. E pode até achar que eu não vi, mas percebi que ele alisou o braço de Rapunzel com o dedo indicador, antes de virar e sair.
Mas o que, pelas mil nevascas, tinha sido aquilo?
Rapunzel passou a mão onde o idiota tinha tocado ela, e sorria para si mesma. Mas o sorriso se desfez quando sentou à minha frente, e começou a comer, sem ao menos olhar para mim. Decidi que íris ter respostas, e ponto final.
— Então… desde quando conhece o Flynn? – perguntei. Ela me olhou por um breve instante, mas tempo para perceber que estava menos brava do que hoje mais cedo.
— Hoje – ela voltou para o prato – ele sentou do meu lado, na aula de geometria – en?
— Mas isso é impossível! – não pude mais me fingir de são — Ainda não tivemos aula de geometria hoje! E sou eu que sento do seu lado nas aulas de geometria! — vociferei.
— Era – ela corrigiu, na maior calma do mundo – mudei minhas aulas… algumas delas.
Parei. Mas o que diabos estava acontecendo com o raio de sol que iluminava nossos dias?
P.V.O. Beterraba:
— Deny, quer parar?! – falei alto. Não queria parecer com raiva – você tá parecendo um personagem de novela mexicana!
Ele me olhou de baixo, ainda estava sentado no chão, pedindo ajuda com os olhos. Ficamos calados por um instante, e ficou desconfortável novamente. Eu abri a boca para falar algo impensado, mas Deny foi mais rápido, e se levantou. Ele não falou nada, só continuou olhando para o chão, e me estendeu a mão em seguida. Enfiei o ultimo pedaço de sanduiche na boca, e levantei num pulo, passando a mão na saia. Mesmo com toda essa articulação, relutei antes de segurar a mão dele, e mesmo depois de toca-lo, a insegurança não passou. Deny não deu o mínimo de importância pra isso.
— Eu tenho uma ideia – ele disse – mas você tem que prometer que não vai fugir – tirei bruscamente minha mão da dele.
— Eu não fugi! – gritei – eu só… saí de perto de você… (muito rápido).
Me senti totalmente idiota e infantil por ter feito aquilo. Na hora pareceu certo, e depois eu vi que estava errado. Mas dizer em voz alta era terrível.
— Tá. Ok – ele levantou as mãos em rendimento – então, você tem que prometer que não vai sair correndo e pular dentro de um taxi.
Ele me estendeu a mão, outra vez, eu me aproximei devagar… “eu vou me arrepender disso” pensei… não… cansei de ter medo… segurei a mão dele com força. Ele arregalou os olhos pra mim, e eu fiquei totalmente sem graça, porque diabos eu fiz aquilo? Pelaluacheia.
— Tá, me conta o plano – falei rápido, e sem contato visual.
— Ele começa assim: você me dá uma segunda chance… — ele começou, mas eu cortei na hora!
— Opa! Eu já lhe dei uma segunda chance! Pra falar a verdade, essa é a terceira! – eu não soltei a mão dele (porque em parte, ele não deixou), mas gesticulei muito com a mão livre.
— Escuta – ele disse calmamente, segurando minha outra mão – eu só preciso de mais uma. Uma última. Para fazer você gostar de mim. Se essa não der certo, eu sumo da sua vida. Prometo. Eu só preciso de mais uma… — eu fiquei tentada a aceitar… minha mãe sempre disse que todos devem ser repensados (claro que ela estava falando dela, mas a gente colabora). Decidido! Eu vou… — mas – aimeupaieterno! – você tem que colaborar.
— Você tá de onda com a minha cara, né? Só pode – falei, com uma emoção quem nem eu mesma soube diferenciar.
Ele soltou risadinhas pelo nariz, e abriu aquele sorriso lindo de gente com futuro. Ele deu um passo à frente (que por algum motivo, não senti meu espaço sendo invadido), olhou nos meus olhos, e sorriu, inseguro.
— Eu não faço a mínima ideia do que sinto por você – ele começou – e espero, sinceramente, que não seja nada grande – nós dois rimos pelo nariz. E então, seus ombros desabaram, ele largou minhas mãos, e se virou para o chão – prometo que não vou decepcionar você – maigódi.
Ai meu coração! Como eu tinha o coração mole! Minha nossa!
Levei minha mão direita ao seu peito, e ele instantaneamente (como eu esperava) olhou para mim (com cara de ponto de interrogação.
— Você nunca me decepcionaria – falei, solene.
Sinceramente eu não sei porque eu disse aquilo, tipo, isso nem faz sentido!
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