Notas iniciais
Eu não vou nem dizer nada! nem lembro da ultima vez q postei mas tudo bem! aqui está! Divirtão-se!

Eu e Deny andávamos pelos corredores a caminho do meu armário. Quando chegamos, ele (ao invés de ir em bora) parou perto de mim, e ficou me olhando. Foi estranho.

— Pare com isso – falei.

— Parar com o que? – ele disse, rindo.

— Me olhar desse jeito – respondi, fechando o armário – dá medo – acrescentei baixo. Ele riu.

— Te dou medo? – ele falou entre risos, e deu um passo à frente, na minha direção, e eu dei um passo para trás, na direção contraria. Ele fechou a cara – Bete… prometeu que colaboraria.

— Não – rebati – você me fez prometer que colaboraria. Mas eu nunca disse que me jogaria nos seus braços – falei, firme.

— Então tá – ele deu de ombros. E em movimentos mais rápidos do que eu posso processar, ele invadiu meu espaço, me roubou um beijo, e quando entendi o que tinha acontecido, Deny já estava correndo no final do corredor.

Bati o pé com foça! “Como deixei isso acontecer?” me indignei. Ai, do nada, comecei a rir (você também riria no meu lugar).

— Idiota – foi a última coisa que eu disse rindo, antes de virar para o corredor da frente, e ser atacada por um furacão loiro. Depois de gritar como quem acha uma barata voadora, comecei a gritar feito uma mãe dando bronca – PELA LUA CHEIA, RAPUNZEL! EU JÁ NÃO DISSE PRA PARAR DE SAIR DO NADA?!

— Desculpa! – ela respondeu, rindo toda animada… “rindo?”. Parei imediatamente.

— Vocês são abduzidas com muita facilidade, gente – falei com um tom de repreensão sarcástica.

— Não se pode mais ser feliz? – ela perguntou, ainda em tem do brincadeira.

— Pode, mas no caso de vocês, tem que ser um de cada vez, e a vez agora é da Merida, porque quando Merida tá feliz, ninguém mais consegue ser feliz! Talvez o Soluço, mas ai…

— Bete, foco! – Rapunzel me interrompeu, estalando os dedos.

— Ah, claro. Porque a alegria? – perguntei, voltando para o mundo.

— Ótimas notícias! – ela e animou ainda mais.

— Você se reconciliou com o Jack! – chutei, animadamente. Punze pareceu não gostar da ideia, e ignorou totalmente.

— Achei o cara perfeito! – começou – ele é alto, senta do meu lado em geometria, é encantador, tem o sorriso mais perfeito de todos, e pareceu gostar de mim – ela ficou toda vermelha.

— Tá, então… é o Jack – concluí perfeitamente. Ela (novamente) não concordou comigo, e me repreendeu com o olhar – não, serio, olha: alto, confere; senta do seu lado, confere; parece gostar muito de você, confere! Se tem um sorriso perfeito, e se é encantador, ai eu deixo pra você. Mas que é alto é!

— Bete, sai dessa! — Rapunzel estava mesmo com raiva, o que me fez lembrar do motivo. Suspiro. Dai-me paciência.

— Ok. Parei de brincar – falei – diga pra mim quem é o felizardo.

— O nome dele é Flynn Ridar, ele é atacante no time de basquete da escola…

— Existe atacante no basquete? – interrompi.

— Acho que foi isso que ele disse, ou será que não? – ela coçou a nuca, e depois deu do ombros – não lembro, lembro que ele faz basquete, e que é muito fofo! – eu ri.

— Que aula você tem agora? – perguntei, olhando a hora no meu celular.

— Breu… – gemeu Punze. Eu ri de novo.

— Vem, vamos – falei, rindo e arrastando a outra pelo braço.

A aula do Breu foi supernormal. Reparei que o casal encrenca tinha sentado junto (mais para o fundo da sala), enquanto eu e Punze sentamos do meio para a frente (em cadeiras respectivas, e não lado a lado). DETALHE IMPORTANTE! O Jack não foi visto.

Tivemos mais várias aulas depois disso, e no final de tudo, Rapunzel saiu correndo para chegar no clube de escultura, deferente de mim que caminhei lentamente pelos corredores, e ainda consegui chegar primeiro no clube de música!

Dentro da sala, eu observava tudo com cuidado, estava entulhada, e desorganizada (e não sei porque, pois havia faxineiras por toda parte no E.I.T.F.). Algo me chamou a atenção: o piano; um lindo piano de cauda, negro como a noite (perfeitamente lindo). Passei os dedos pelas teclas, acho que a última vez que toquei piano foi na primeira semana de aula… me sinto totalmente diferente, como se não me reconhecesse.

Meu pensamentos foram interrompidos pela batida da porta abrindo, e a entrada do meu lindo (e encantador) professor de música. Ele estava segurando muitas coisas, não esperei reconhecer o que eram para ajudá-lo! Segurei umas caixas de instrumentos de corda, algumas baquetas, e umas pastas com papeis; só o suficiente para que ele pudesse olhar para onde andava.

— Olha quem chegou cedo hoje! – brincou ele, ao pôr o que trazia no amontoado do canto direito, enquanto eu ajeitava tudo bonitinho debaixo da janela norte. Eu ri pelo nariz.

— Não cheguei cedo, os outros que estão atrasados – falei, sem jeito.

Noop— disse ele – você está dez minutos adiantada – ele tirou o celular do bolso do casaco e me mostrou as horas, conferi o horário no meu celular, e depois no relógio em cima da porta, ele tinha razão – e se me lembro bem – ele continuou – ALGUÉM me deve um dueto – ele endireitou a coluna, pondo as mãos na cintura, e sorriu como um deus grego.

— V-você quer…? Agora? – gaguejei, eu não tinha preparado nada! E estava superenferrujada! Não é como andar de bicicleta!

— Você tem uma ideia melhor? – ele riu, e eu queria morrer de tão vermelha por parecer lerda e lenta.

— Bom, sim… quer dizer, não! Eu só… não. Eu… é, eu acho uma boa, aqui… e… agora… — (nossa que articulação, em Beterraba!) ele riu da minha trapalhada, e eu acabei fazendo o mesmo.

— Ok – ele disse. Então se virou e começou a procurar alguma coisa na pilha de entulho – eu estava fazendo uma pesquisa sobre a conversão de música pop atual, para uma versão mais instrumentalmente clássica, para ajudar o pessoal que não sabe cem por cento das coisas. Já ouviu falar no “método do conhecido”? – ele me olhou, esperando pela resposta.

— Am… sim! É a teoria de ensinar uma coisa desconhecida, com uma coisa conhecida como exemplo, facilitando o ensino – respondi rápido e sorrindo por 1: saber a resposta; e 2: não ter gaguejado. Ele sorriu, confirmando que eu estava certa, e meu sorriso se alargou.

— Exatamente – voltou para a pilha – nessa minha pesquisa, acabei achando uma música perfeita! Conhece “all of me” do John Legend?

— Claro! Ela é linda! Totalmente perfeita! – me empolguei.

— Eu… achei! – finalmente retirou uma pasta azul da pilha, o que eu deduzi ser a partitura da música em questão – ele fez um dueto com a violinista Lindsey Stirling, que foi simplesmente o máximo! – ele andou até mim, e me entregou a pasta, depois sorriu confortante e disse: — e eu gostaria de saber se você gostaria de repeti-la comigo…

— Absolutamente! – disse sem hesitar, pegando a pasta azul. Ele sorriu vitorioso e correu para a primeira caixa de violino que achou, enquanto eu me acomodava no piano. Então, com as mãos prontas para martelar as teclas, me dei conta… — eu… eu não canto.

Ele se virou bruscamente, e me olhou por um segundo.

— Eu canto – sorriu confortante outra vez, e eu já estava derretendo com tanta bondade!

Então começamos a MUSICA.

(Obs: assista o vídeo, depois volte para ler.)

Quando voltei em mim, percebi que uma mini plateia se acumulou no porta, e pelo chão da sala. Todos aplaudiram quando terminamos, mas eu só conseguia focar no sorriso estonteante do meu lindo professor. Ele me olhou feliz, e eu sorri para não deixar o dele morrer. Foi mágico!

Finalmente a aula de música acabou, mas não para mim, eu já estava saindo quando o professor me chamou.

— Você foi ótima! – disse ele, ao se aproximar.

— Obrigada. Você foi melhor – sorri, segurando meus cadernos com as duas mãos. Ele sorriu mais ainda.

— Escuta… é… vai ter um concerto teste para os alunos da Universidade de Corona, no teatro, no centro da cidade… — ele parecia nervoso, sem saber como formular a última frase – eu estava pensando… se nós… quer dizer…! você! Se poderia aparecer por lá… no sábado… sete da noite… — fiquei cor de beterraba!

— Num concerto?? E-eu?! – meu deus, me mata.

— Não! Não, não, não… não… — ele disse mais alguns “nãos” até formular outra frase – tocar não! Assistir! Eu vou me apresentar em solo… — meu deus, que mico, me mata² — quer dizer, na verdade é um concerto teste aberto, então, se você estivesse interessada…

— NÃO! – disse rápido, e alto demais – digo… não… eu prefiro assistir – sorri sem jeito, e ele sorriu de alegria.

— Ótimo! Então posso contar com você?

— Claro! – sorri – sábado; as sete; teatro central.

— Precisa de um mapa? – nós dois rimos.

— Eu me viro…

— Ok. Te vejo lá – e saiu correndo da sala.

Depois de clube de música (e muitas perguntas idiotas do tipo “como consigo um pra mim”) eu fui para o clube de poesia. Me inscrever em poesia, na minha cabeça, era uma vida de rimas lindas e boas de se fazer, mas isso foi arruinado ao descobrir que minha professora de poesia era uma lagartixa morta de saia! Não sei se podemos mudar os grupos depois de uma semana de participação, mas espero que sim.

Eu assisti a terrível aula de poesia, me sentindo derreter, e não esperei o sinal parar de tocar para ir correndo para bem longe de lá. Pensando em todas as possibilidades de consequência de faltar o jantar, fui até meu armário deixar os últimos cadernos do dia. Fechei o armário, e rezei para conseguir andar até o pátio auxiliar sem ser abordada por ninguém. Nota mental: comprar abundancias de qualquer coisa comestível, que me permita não morrer de fome por faltar os jantares.

Caminhei até o pátio auxiliar com a cara enfiada no livro (não estava lendo, só me escondendo), e consegui chegar, com sucesso, sem esbarrar em ninguém.

Como esperado, o pátio estava vazio, e eu pude me deitar na grama, entre uma paredinha e outra de era. Eu fiquei ali, deitada, com o livro sob a barriga, olhando para o nada, imaginando “porque eu nunca consigo ficar em paz com o mundo”, recapitulando toda minha vida, lembrando de coisas que não deveria, imaginando diálogos com pessoas inusitadas, diálogos que nunca aconteceriam, e me perguntando… o que eu faço de errado?

Com a cabeça a mil, eu não sei como escutei aqueles passos… passos calmos e fracos, aumentando pelo chão encerado do corredor, até pararem de fazer barulho ao pisar na grama do pátio. Por puro impulso, sentei com tudo na grama, permitindo-me ver por cima do mini labirinto de era, e desejar mil vezes não ter feito aquilo. Seus olhos azuis encontraram os meus, e eu congelei, ficando em pé num pulo, me controlei só a ponto de pegar meu livro no chão, e virar uma estátua, quase sem respirar e segurando o livro nervosamente, quase rasgando-o no meio.

Eu estava decidida a não falar, decidida a fugir da primeira palavra… mas em algum lugar, alguma coisa deu errado, e meu estômago não entendeu a mensagem. Minha barriga roncou alto, como jamais roncara antes.

Rapidamente seus olhos se arregalaram, e ele segurou a bandeja que tinha em apenas uma mão, pegando uma maçã que havia na mesma, e me estendendo. Eu olhei fixamente para aquela belíssima maçã, vermelha como uma maçã deve ser, mas me forcei a recusar com a cabeça. Ele pareceu confuso, passando o olhar de mim para a maçã, para mim novamente.

— Perdão, mas eu não tenho beterrabas – ele deu a primeira palavra. Eu tenho certeza de que foi uma tentativa falha de fazer uma piada com a situação.

— Parece não ter sorte com beterrabas – aproveitei a deixa. Talvez seja a fome, mas eu queria muito esclarecer tudo aquilo. Ele rio pelo nariz, abaixando o olhar para a bandeja, e devolvendo a maçã para a mesma.

— É… — ele concordou, em parte – elas parecem não entender que saio do controle, quando as vejo saindo com outras frutas…

Eu não acredito no que estou ouvindo!

— Deny? Sério? – esbravejei – esse teatro todo é por causa do Deny?!

Ele abriu a boca, aparentemente pronto pra dar a resposta mais rude que poderia projetar, mas desistiu. Suas feições foram mudando, até que ele chagasse a um ponto de quase encolher os ombros.

Nós dois ficamos calados por um tempo, sem o mínimo de contato visual. Até que ele falou.

— Tem razão – olhei para ele, estava no mesmo lugar, segurando a maçã, e olhando fixamente pra ela – eu não tinha o direito de ficar com raiva por isso – ele pôs a maçã em um pratinho de isopor que estava na bandeja, e em seguida, colocou no mini-muro coberto de era – eu sou um idiota.

Quando Itan se virou para sair dali, tudo aconteceu lentamente na minha cabeça: eu largava o livro, pulava os mini-muros, até chegava a derrubar a maçã do chão… e eu o abraçava… como nunca abracei ninguém antes… um abraço de “tudo bem” de “me desculpa”. Mas foi apenas minha imaginação, pois meu corpo não obedecia. Ele sumiu no corredor, e eu caí de joelhos.

MAS O QUE DIABOS HÁ DE ERRADO COMINGO?!— gritei para mim mesma. Olhei para minhas mão, depois escondi o rosto com as mesmas…

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.