Notas iniciais
Boa Leitura.

Era um dia quente no vilarejo simples de Son, apesar da terrível tempestade que havia acontecido durante a noite, as casas feitas com tijolos de barro e pedra, e os telhados de madeira e palha torravam ao sol forte, mas ninguém parecia se importar com isso, era sempre assim, um frio congelante e tempestades durante a noite, e um sol de rachar durante o dia, bom...Ninguém se importa, com exceção de uma garota de longos cabelos negros trançados.

— Vamos lá Yuna!! Eu estou assando!! – A menina que reclamava tinha os cabelos presos num coque apertado e grandes olhos castanhos, se chamava Yuri.

— Não...Yuri...Você sabe que não gosto desses lugares.

As duas eram melhores amigas, quase não se desgrudavam, no momento, conversavam na frente da casa de Yuna, Yuri queria ir ao riacho que ficava nos arredores do vilarejo, por conta do calor muitos jovens do vilarejo estavam lá, mas Yuna não gostava de locais com muitas pessoas. Acabou que Yuri conseguiu convencer a amiga a ir, as duas andavam pelas ruas de terra quando ouviram uma gritaria, logo pessoas passaram pelas duas correndo e bolas de fogo cortaram o céu acima de suas cabeças atingindo telhados e barris encostados na entrada das casas.

As duas se esconderam atrás de alguns barris acumulados na frente de um armazém até que apareceu a figura de um homem, transtornado ele gritava palavras de ódio e atirava bolas de fogo pelas mãos.

— Mas que droga! Eu odeio esses mutantes! – Yuri cochichava meio nervosa, abaixada num canto, enquanto Yuna espiava por uma fresta.

— O que será que ele sente quando as bolas de fogo saem das mãos dele? Não é legal poder fazer isso? – Yuna comentou animada e Yuri bufou.

— Não é não! E fale baixo!

Yuna se espremeu um pouco mais pra poder espiar melhor entre os barris.

— Será que ele é imune ao calor? Será que a fraqueza dele é a água?

Ela cochichava empolgada até que, sem querer, derrubou os barris a sua frente, o homem olhou pra elas, elas olharam pra ele. Faíscas rasparam próximo as duas quando dispararam correndo.

De longe já viam os cavalos da pequena equipe do chefe do vilarejo, uma bola de fogo passou de raspão no braço de Yuna a queimando e ela parou de correr bruscamente, Yuri também parou desesperada e rapidamente ambas se abaixaram, os cavalos do chefe do vilarejo e de seu filho pularam sobre elas enquanto o resto da equipe desviava pelos lados da rua e o mutante logo foi cercado e morto durante seu ataque de histeria.

— Você está bem? – Yuri perguntou olhando o braço ferido da amiga.

— Sim. – Yuna apenas examinou a ferida por poucos segundos fazendo careta.

— Ótimo! Você é louca?! A gente poderia ter morrido!! Não sabe se esconder e ficar quieta não? E se – O chilique de Yuri foi interrompido por Mishiro que desceu do cavalo e se aproximou delas.

Ele tinha os cabelos medianos ruivos, numa cor forte entre vermelho e vinho, seus olhos eram verdes, bem claros, e ele era pálido. Filho do chefe do vilarejo, Orochi, bem educado e simpático, Mishiro fazia "sucesso" entre as jovens.

— Vocês estão bem? – Ele perguntou, cortês, mas parecia um tanto preocupado.

— Yuna se machucou.

— Ah não, está tudo bem. – Ela disse com um sorriso sem graça escondendo o braço machucado.

— Tem certeza? Ferimentos assim podem ser perigosos. – Ele respondeu puxando o braço dela com cuidado.

— Vamos isolar o local e queimar o corpo. Viram por onde ele veio? – O pai de Mishiro perguntou, ele era um senhor de meia idade com os cabelos ruivos e os olhos claros.

— Não, não vimos. – Yuri respondeu olhando para a amiga que estava desconcertada com o olhar de Mishiro.

— De qualquer forma é melhor irem pra casa, vamos isolar toda a área daqui até o riacho e chamar os sacerdotes, você deveria ir ver um também menina.

Quando aconteciam ataques assim, sacerdotes e monges sempre eram chamados para purificar o lugar, muitos acreditavam que as famílias que moravam em casas atingidas por mutantes poderiam ser contaminadas ou cair em desgraça, os atingidos e feridos também deviam passar por rituais de purificação e alguns, nos casos mais extremos, eram executados.

Yuna apenas assentiu e Mishiro, com um sorriso, se ofereceu para leva– la para casa, ou se preferisse, a um dos templos do vilarejo, Yuri fez beicinho quando a amiga recusou, agora elas andavam juntas pra casa.

— Ele gosta de você!

Yuna torceu o nariz, na hora não sentiu dor alguma mas agora seu braço ardia.

— Eu não sei... Acho que ele só é gentil.

Yuri balançou a cabeça com determinação negando.

— Nada disso! Todos mundo já percebeu, menos você!

Chegaram em frente a casa de Yuna e os pais dela vieram correndo dizendo que já estavam sabendo do ataque, o vilarejo era pequeno então as notícias voavam.

A mãe de Yuna tinha longos cabelos castanhos que sempre estavam presos numa trança e seus olhos eram verdes, se chamava Nanami. Já o pai tinha cabelos negros e olhos de um azul forte, se chamava Yuuto e era lenhador. O resultado era uma filha de olhos heterocrômicos e cabelos escuros lisos e curtos.

O dia se passou normalmente para todos de Son e logo anoiteceu.

Notas finais
Bjin da titia Yunnie