Um espinheiro em meio a tempestade
26 Ódio ou o que?
Notas iniciais
A resposta não demorou muito a chegar em alto e bom som.
— Perdão? Você sabe o que é isso? Pois parece que foi você que não me perdoou seja lá o que diabos eu tenha feito à você! Porque você continua me fazendo sofrer desse jeito?!! – Ela gritou e as expressões que vieram ao rosto de Arashi foram completamente de espanto, ele ficou calado, sem ação, magoado, e ela continuou: – Se foi porque te chamei de mentiroso então eu que peço perdão, mas você realmente acha que eu merecia isso?
Ele permaneceu calado a olhando como se não pudesse acreditar no que ouvia e ela desviu o olhar.
— Até agora você só me trouxe problemas...Tudo estaria melhor se você não tivesse aparecido...Eu odeio você!!! Você é um monstro miserável que só trás dor e vergonha pra vida dos outros! Eu nunca mais na minha vida vou ao menos pensar em ajudar alguém como você de novo. EU TE ODEIO!
Os gritos chamaram a atenção do povo, tanto os que passavam pela praça quanto os que moravam nos arredores, incluindo Orochi que logo chegou para ver o que acontecia, Yuna continuou a gritar palavras de ira e desprezo contra Arashi, o ruivo, muito satisfeito assistia tudo com um sorriso.
O misto de sentimentos que reviravam a cabeça do garoto e as palavras cuspidas daquela forma que dilaceravam seu peito faziam seus galhos quererem sair, ele queria desesperadamente fugir dali mas as adagas fincadas em suas costas só abriam mais a ferida conforme ele foçasse o galhos para fora e a dor física se fez presente.
Ele gritou quando um pequeno galho espinhoso surgiu abrindo mais uma ferida em suas costas, Orochi rapidamente o decepou e enfiou mais uma adaga nas costas de Arashi, a dor o fazia tremer e era como se fosse desmaiar.
— Tirem essa doida daqui! – Orochi ordenou aos cavaleiros quando a gritaria de Yuna começou a irrita-lo, ela foi desacorrentada e puxada com violência para fora da praça, o homem abaixou-se perto do mutante. – Eu sabia que a besta ia colocar as garras pra fora...
Disse rindo e puxou os cabelos dele fazendo sua cabeça bater contra a estaca de madeira.
— Eu farei você se destruir assim monstro...Eu sei que não vai se render...Você vai lutar...Vou fazer cada dia se tornar um inferno cada vez pior pra você, até que sua luta te leve a morte, bicho inútil!
*S-O-N*
Quando Yuna chegou em casa cambaleando e se cobrindo como podia com o vestido rasgado, lá estava Yuri conversando com Nanami, ambas a abraçaram e ela desmoronou em pranto, Yuuto estava trancado no quarto, morto de vergonha, pensando o que seria da honra da família. A mãe de Yuna não mencionou nenhuma palavra sobre o acontecido, somente tratou de cuidar dos ferimentos da filha e Yuri deu-lhe água, pediu desculpas centenas de vezes.
— Eu juro, não sabia que ele faria aquilo, ele deu a palavra de que só queria o monstro.
Ela assentiu e depois de feito os curativos ambas subiram para o quarto, Yuna trancou a porta.
— Yuri, se quiser mesmo que eu te perdoe vai ter que me ajudar com uma coisa.
Yuri cruzou os braços quase que em negação imediata.
— Ah não!! Não!!! Não, não, não...De jeito nenhum! Impossível!! Não me diga que...
— Eu vou fazer de qualquer jeito...Mas sozinha eu não sei se consigo.
Yuri suspirou e sentou-se na cama, se sentia muito culpada pelo que aconteceu a amiga e se mesmo depois de tudo ela ainda queria ajudar o mutante, então não poderia impedir, certamente deveria haver um motivo...Algo que...Bem...Quando não se pode com o inimigo...
— Qual é o seu plano?
Yuna sorriu.
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