Um amor humilde
6 Não me julguem
Notas iniciais
Anteriormente…
–Como é que foste fazer uma coisa dessas Maura, eu pedi-te para não lhe dizeres nada… EU ODEIO-TE! – a detetive estava furiosa e não mediu as palavras que acabara de dizer.
Estas tocaram no coração de Maura e uma pequena lágrima de inocência e dor caiu-lhe sobre o peito meio destapado perante o enraivecido olhar de Jane.
Jane estava furiosa. Aquilo era diferente de quando a mãe tinha descoberto a sua gravidez também através de Maura, ela sabia que a amiga só tinha feito isso para a ajudar e que não lhe teria contado se Angela não tivesse usado os truques da “leitura de mãos”. Desta vez a detetive não queria de maneira nenhuma que Casey tivesse descoberto aquele segredo. Maura recomeçou a falar em sussurros para não demonstrar a sua voz visivelmente fragilizada.
–Jane… eu não…
–Tu o quê Maura! Não lhe querias ter dito… Pois, mas disseste. Tu quebras-te uma promessa quebras-te a minha confiança!
Mais uma vez Jane não esteve com meias medidas e depois de um beijo rápido a Jonathan pegou na carteira e saiu porta fora. Tinha vontade de ter levado o bebé conseigo, mas naqueles momentos de fúria parecia que tudo à volta estava contra ela, e o melhor para pensar como resolver a situação era estar sozinha. Andou rapidamente pelas ruas de Boston até à sua casa, com a cabeça a mil. Quando entrou em casa, a luz estava acesa e ouviu uns barulhos vindos de uma outra divisão da casa. Sacou arma e pôs-se atenta. Andou lentamente até ao quarto (o sítio de onde vinha o barulho) e baixou a arma assim que viu quem estava lá. Ele virou-se.
–Calma Jane… Sou só eu – disse Casey com um sorriso – ele estava a arrumar a roupa espalhada pelo quarto de Jane (uma coisa muito dele). Foram para a sala silenciosamente e Jane sentou-se enquanto Casey fazia um chá.
–Casey… Eu já sei que tu sabes que eu… enfim, tu sabes.
Jane estava atrapalhada e confusa. Ele serviu-lhe o chá e explicou-lhe que quando soube da gravidez da detetive por Maura ficou chateado pelo facto de Jane não lhe ter dito nada mas que agora percebia as suas razões e estava do lado dela. Jane agradeceu-lhe pela compreensão e pediu imensas desculpas.
–Eu fui uma estúpida… eu estava com a ideia de criar o bebé sozinha...
–Pois… isso foi uma estupidez.
Jane começou a beijar Casey apaixonadamente, ele pegou nela ao colo e foram até ao quarto. Casey deitou-a na cama e os dois reconciliaram-se noite dentro enquanto as duas chávenas de chá arrefeciam na sala lentamente. Cerca de uma hora depois já os dois estavam satisfeitos e preparados para uma segunda ronda.
–Ainda foi melhor do que eu me lembrava – afirmou Casey.
–Para mim também – sussurrou-lhe Jane enquanto pensava também no pedido de desculpas que iria fazer à amiga no dia seguinte pelas coisas horríveis que lhe havia dito naquela noite.
Na casa de Maura…
A patologista estava sentada no sofá com Jonathan ao colo acarinhando-o para se se sentir um pouco melhor. Já tinha gasto dois pacotes de lenços e meia garrafa de vinho, mesmo assim as lágrimas escorriam-lhe continuamente pela cara manchando a sua langerie vermelha de um tom mais escuro. A campainha tocou e Maura, cheia de esperanças que fosse Jane a estar do lado de fora abriu rapidamente. Do outro lado estava um homem vestido com uma farda de trabalho e com uma pequena mala que parecia albergar ferramentas pelo som que fazia quando abanava.
–Venho fazer a contagem do gás… será que posso entrar? – Maura estranhou o homem estar a fazer aquilo àquelas horas, mas estava tão triste e fragilizada que não se importou nem com isso, nem com o facto de estar em langerie em frente a um desconhecido.
Depois de aceder ao pedido do homem pediu-lhe desculpas por estar naqueles trajes menos apropriados e disse que iria vestir outra coisa enquanto ele fazia a contagem. Ela pousou o menino na cadeirinha que estava em cima do sofá enquanto o homem trabalhava, mas, assim que virou costas sentiu uma picada forte nas costas que a fez sentir-se com a cabeça a andar à roda e adormecer lentamente.
No dia seguinte Jane acordou com um bom humor que normalmente não tinha antes de beber o seu primeiro café. Quando se levantou já Casey estava na cozinha a preparar um grande pequeno-almoço. Jane estava com uma certa pressa para sair de casa. Tinha acordado às quatro da manhã (mesmo tendo dormido pouco até essa hora) para ligar a Maura. Apesar desse ato ter sido repetido várias vezes durante a noite Maura não atendeu nenhuma das suas chamadas. Casey tinha de ir à sede dos militares de Boston e depois de tomarem o pequeno-almoço Jane deu-lhe boleia até lá. Despediu-se dele com um beijo e conduziu até à esquadra com a esperança de que Maura já estivesse no laboratório. Subiu de elevador até lá e para desgosto seu, na morgue só se encontrava Susie que a informou que a patologista ainda não tinha dado sinal de vida. O pensamento de Jane virou-se para o facto de achar que Maura estava chateada com ela e não tinha ido trabalhar para não ter de aturar a detetive. Ela ficou triste e decidiu que ainda na hora do almoço, se Maura não chegasse iria a casa dela.
Ela foi para a ala dos detetives onde Frost a informou que a meia-irmã de Emma já tinha aparecido preparada para ser interrogada.
–Por é que demorou tanto tempo a aparecer? – inquiriu Jane já na sala dos interrogatórios.
–Eu estava com medo porque… eu menti. Eu tinha uma ligação muito forte com a Emma, nós passávamos a vida a falar e eu fiquei muito desiludida com ela quando descobri que… bem…
–Que ela traficava droga em Harvard – completou Jane.
–Eu tentei ajuda-la, mas ela não quis e quando descobriu que estava grávida a única coisa em que pensava era em consumir o que naturalmente só iria fazer mal ao bebé.
–Porque é que não nos contou antes?
–Eu não queria manchar a memória dela. Ninguém mais sabe para além de mim e daquele aluno dela.
–Collin Green. Sim, ele está detido porque é suspeito do homicídio da sua meia-irmã.
–O Collin?! Não! Ele não faria mal a uma mosca, ele só precisava do dinheiro para pagar as propinas. A Emma contou-me que era extremamente cautelosa no que tocava à escolha dos seus “ajudantes” e por isso é que ninguém descobriu, eu é que a apanhei em flagrante e ela não pôde negar e contou-me tudo. Ela estava sob muita pressão e eu fiquei furiosa mesmo sabendo que a culpa não era toda dela. Ela só pedia que eu não a julgasse – por momentos Jane lembrou-se de Maura – detetive, eu podia estar muito chateada com a Emma mas eu garanto-lhe que era incapaz de lhe causar qualquer mal e muito menos matá-la.
–Só uma última pergunta… Por acaso faz ideia o porquê das contas da Emma estarem vazias.
–Vazias? É impossível! A Emma recebia muito bem e tinha muitas propostas de trabalho embora só quisesse trabalhar em Harvard.
Depois do interrogatório, Jane pediu a Frost para ver os resultados da autópsia de Emma outra vez. Na autópsia não havia nada de invulgar. Tinham sido encontrados uns pelos de pele falsa nas roupas de Emma, e um pequeno arame cujos resultados do que era ainda não tinham chegado mas nada que indiciasse quem era o seu homicida. Frankie foi ao laboratório para ver se os resultados do tal arame já estavam prontos. Entretanto chegou a hora do almoço, e a detetive não perdeu tempo em meter-se dentro do carro e ir para a casa de Maura. Quando lá chegou bateu à porta. Ninguém atendeu. Usou a chave que tinha para uma emergência e abriu a porta. Entrou e ficou assustada. Não havia ninguém em casa, uma pequena mancha de sangue evidenciava-se no chão da sala e o sistema eléctrico no qual se encontrava o botão pra para contar o gás estava aberto. Vasculhou em toda a casa e não encontrou nada que desse sinal de Maura ou Jonathan.
–Não… não não!
Jane estava a entrar em desespero e ligou rapidamente para Korsak.
–Korsak, eu acho que a Maura foi raptada! – informou Jane nervosa e chorosa.
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