Um amor e uma sombra

2 Uma lágrima e um telefonema


Notas iniciais
Acho que esse capitulo ficou um meio pequeno, mas vou postar o outro logo, que vai ser bem mais agitado. Espero que gostem :)

Santana chegou ao McKinley High com a cabeça ainda girando, ela havia tentado falar com Brittany, sem sucesso, desde que a outra saiu loucamente de sua casa, horas atrás e não havia nenhum carro disponível na casa dos Lopez, até seu pai chegar do plantão médico pela manhã, ela só ficou mais tranquila quando passou em frente a casa da loira no carro do pai a caminho para a escola e viu o carro dela na garagem, estacionado bem horrivelmente-ao-modo-bêbado, diga-se de passagem, mas estava intacto — E se o carro chegou em casa inteiro, ela havia chegado também — A morena pensou em tocar a campainha, mas depois de 107 ligações e mensagens ignoradas, achou melhor dar um tempo, talvez Britt estivesse precisando de espaço ou ainda não em condição para conversar. Mas ela com certeza não daria tanto tempo assim, depois da escola ela definitivamente irá até a residência dos Pierce falar com Brittany. Ela precisava perguntar o que significava tudo aquilo ela disse, descobrir o que era delírio do álcool e o que era de coração; Santana não conseguia parar de pensar em Brittany dizendo que a amava, que ela era sua alegria e no beijo que elas deram, tudo isso fazia borboletas darem cambalhotas no seu estômago. Porém, o que mais atormentava a morena foram as coisas que a outra disse sobre ser assombrada, sobre viver num lugar sombrio, sobre como a alegria dela era falsa, mas, principalmente, o quão vulnerável, triste e desesperada ela estava, aquela não se parecia com a Brittany que ela conhecia, a Brittany que ela sempre havia visto era aquela alegre, cheia de si, que nunca via o lado ruim em nada, que parecia que nada jamais a deixaria pra baixo, Mas tudo que Santana viu foi uma Brittany... Quebrada. E isso a assustava e a preocupava, ela precisava descobrir o que estava acontecendo.

Brittany acordou completamente destruída, jogada de bruços no meio de um emaranhado de cobertores e travesseiros na sua cama, apenas com as calças jeans que estava usando e seu sutiã. A primeira coisa que pensou foi em por quê diabos o sol tem que brilhar tanto e quem abriu as malditas cortinas do quarto, depois, tudo que conseguiu notar foi na dor aguda e latejante na sua cabeça, assim, ela levantou lenta e dolorosamente, vestiu o casaco de moletom que achou jogado numa poltrona e caminhou, ou melhor, se arrastou até o banheiro, com uma leve suspeita que já não era muito de manhã, tomou duas muitíssimas bem-vindas pilulas para enxaqueca, então, olhou para o espelho e quase se assustou com a garota de olhos cansados e cheios olheiras que estava encarando ela, seu cabelo era uma grande bagunça loira e seu rosto parecia inchado e mais velho. Após entrar no chuveiro, ficou um bom tempo ali apenas com os olhos fechados em baixo da água gelada enquanto organizava seus pensamentos e tentava se lembrar do que aconteceu após ter achado um cantil amaldiçoado que provavelmente alguma força das trevas quis que ela achasse; Ela se lembrou de estar na casa da Santana, lembrou de ter falado alguma coisa e lembrou de um... Beijo? Sim, Brittany lembrou-se bem de ter jogado a morena nos seus braços e beijado-a com todo o desejo que sentia, infelizmente, lembrou-se também de, mais uma vez, ter surtado e fugido. O discurso de Trish combinado com excesso de álcool definitivamente não caiu bem, ela agora teme que Santana ache que ela é louca ou algo parecido.

Ela saiu do banho já se sentindo um pouco melhor, o que foi muito bom, pois, chegando no quarto, Brittany encontrou seu pai meio encostado, meio sentado na penteadeira em frente a cama, esperando por ela, o que a fez recordar de como ela chegou em casa completamente bêbada e acordando toda a família nessa madrugada, depois de ter dirigido loucamente desde a casa de Santana. A sorte dela foi que as duas não moram muito longe uma da outra.

Brittany mora apenas com seu pai, Daniel Pierce, e sua irmãzinha de 8 anos, Anne, desde a morte de sua mãe e nenhuma família se dá melhor do que esses três; Daniel — Corretor de imoveis, totalmente em forma, cabelo loiro escuro, barba por fazer, quase sempre vestindo algum jeans escuro elegante e uma blusa social com as mangas dobradas — Se você o visse com Brittany acharia que eles eram melhores amigos em vez de pai e filha, o pai brincalhão sempre procurou pegar leve com a filha, principalmente porque ele nunca soube como agir depois de tudo que aconteceu, teve que aprender a criar as duas meninas sozinho e, claro, também porque sabe como adolescentes são, ainda se lembra das loucuras, bebedeiras e de ter dormido com mais garotas do que ele consegue se lembrar quando estava no ensino médio, porém, também sabe dar uma boa bronca quando precisa.

Bom dia, moça, achei que ia hibernar o inverno todo. Como um urso. Um urso bastante alcoolizado.– Disse o homem com um sorriso no rosto, já querendo deixar claro o motivo daquela conversa.

Acho que não vou poder pular o sermão, vou?– A loira tentou enquanto se sentava na cama de frente para o pai.

Bem, deixa eu pensar... Você liga pro seu velho genitor dizendo que vai passar uma inocente noite na casa tranquila casa dos Lopez, me deixando como um pai tranquilo e orgulhoso, em contrapartida, no meio da madrugada você cruelmente atropela metade das latas de lixo da garagem e entra em casa igual sei lá o que, completamente embriagada, balbuciando alguma coisa entre fantasmas e Britney Spears, antes de rasgar sua blusa, comentando como você odiava ela, e deitar, quer dizer, desmaia em cima da sua cama.– Ele diz, cruzando os braços e vestindo seu rosto sério.

É, com você contando desse jeito realmente parece bem ruim...

Pois é, porque é ruim. Dirigindo alcoolizada, sério, Brittany? Eu sei que você é mais responsável e esperta que isso, tens ideia do que poderia ter acontecido?

Sim, eu sei, eu sei.– Ela começa, meio envergonhada do pai ter visto ela desse jeito– Desculpa pai, prometo que nunca faço isso de novo, mesmo, aprendi a lição... Eu só achei a garrafa que o Puck deixou no meu carro, eu tava com a cabeça cheia e não pensei direito, nem sei porque eu fiz isso, sério, desculpa te decepcionar. — Ela faz beicinho.

É, é bom mesmo, e algo me diz que você não estava na casa da Santana, o que me deixa curioso sobre onde você realmente estava.

Eu fui na casa da Trish em Pittsburgh.– Brittany conta num quase sussurro, abaixando a cabeça, e deixando um olhar preocupado no rosto do pai, pois ele sabia que a filha indo procurar a outra significava que algo não estava bem.

Por que? Querida, tem alguma coisa errada?– Ele falava agora num tom baixo e confortador dando alguns passos a frente e ajoelhando-se diante da filha, tentando ver seus olhos. Os olhos da mãe.

Eu estou...– Ela quase respondeu que estava bem, como de costume, mas resolveu falar a verdade, só dessa vez. — Eu precisava de ajuda, precisava conversar com ela.

O que foi, amor?– Daniel já ficava nervoso, a filha nunca falava sobre aquilo, nunca pediu ajuda, mesmo que ele soubesse que ela precisava, mas como ela sempre negava, ele nunca forçou.

Eu... Eu não consigo mais fingir que to bem, isso está atrapalhando a minha vida. Mas eu quero melhorar de verdade dessa vez, eu juro.– A voz da garota tremia e ele não estivesse tão perto dela nem mesmo ouviria, então, o pai se surpreendeu ao ver uma lágrima descendo pelo rosto dela, isso o apavorou porque uma das coisas que o deixava intrigado e preocupado era o fato de Brittany nunca ter chorado por nada do que aconteceu, nem mesmo no funeral da mãe, onde ele olhava aquela garotinha com o rosto sério, se fazendo de forte, tão mais forte que ele; Daniel não aguentou aquela aquilo, ele se sentia tão impotente ao vê-la assim, sentou-se na cama ao lado da filha e a abraçou forte desejando que pudesse apagar todas as memórias dela daquele ano terrível, desejando que fosse capaz de absorver todo o sofrimento e não pode se impedir de começar a chorar também ao sentir a filha soluçando nos seus braços.

Eles ficaram lá por um tempo, até que Brittany finalmente se recompôs, enxugou as lágrimas e olhou pro pai — Eu te amo, velho — disse.

Eu também te amo, princesa, muito– Respondeu dando deixando um beijo na testa da filha — O que eu posso fazer por você?

Nada. — ela disse — Não tem nada que você possa fazer, nem você nem ninguém, só eu, mas só de você estar aqui já é tudo que eu preciso.

Eu estarei sempre aqui, Brittany, eu te prometo, agora, vem que eu vou fazer alguma coisa pra você comer, não faz bem ficar de estômago vazio depois de tanta bebida.– O homem riu pra ela e eles desceram as escadas, ainda abraçados.

Enquanto ela não era liberada, para finalmente ir até Brittany, Santana passou o dia fingindo que prestava atenção nas aulas, caiu duas vezes durante os treinos das Cheerios de tão longe dali sua cabeça estava, ouviu Treinadora Sue gritar em seu megafone sobre como traria sofrimento e infelicidade para a vida de Brittany por faltar o treino, e ela não pode deixar de sentir uma leve pontada de orgulho ao ver como a dançarina fazia falta como a melhor daquele time, também achou engraçado como as pessoas se surpreenderam ao perguntarem onde a loira estava e ela respondia que não sabia.

Brittany e seu pai comeram juntos, ele deu apoio todo o tempo enquanto a filha contava um pouco da conversa com Trish e do que estava sentindo, ele até queria faltar o trabalho para ficar com a filha, mas ela sabia que ele tinha uma reunião importante hoje, então, insistiu que ele fosse.



Após trocar de roupa e levar sua irmãzinha no colégio, teve uma inacreditável vontade de ir correndo até o MH, dar um jeito de sequestrar Santana da aula e explicar tudo, mas ela decidiu esperar, até porque precisavam conversar em algum lugar mais privado e com calma e não escondidas em alguma sala vazia do colégio até que algum professor ou inspetor as flagrassem e mandasse elas para sala do Figgins, já que era surpreendentemente complicado fugir daquele colégio durante o horário em que deveriam estar em aula, mas era difícil, Brittany queria conversar com a amiga o quanto antes, acabar com isso de uma vez por todas.

Quando finalmente encontrou seu celular, que estava perdido no chão do carro, viu todas as chamadas e mensagens perdidas de Santana, uma onda de culpa a invadiu, a outra devia estar morrendo de preocupação e achando que estava sendo ignorada, então, Brittany enviou uma mensagem para a morena. — “Estou bem, desculpa por essa noite. Não fui para a escola hoje, mas realmente quero conversar, passa aqui mais tarde?” — Antes que pudesse guardar o aparelho, ele começou a vibrar e ela viu o nome na tela “Gabe”- Gabriel Scott era o advogado dos Pierce, uma das pessoas que mais ajudou Brittany e seu pai depois de tudo de houve, bem, depois de tudo, ela já era, na verdade, um grande amigo da família — Brittany gostava muito de Gabe, ele era um cara incrível e sempre deu um enorme suporte pra ela, apesar de conversarem pouco ultimamente, ainda adoravam um ao outro e, normalmente, você fica feliz quando um amigo liga, o problema é que, Gabe ligado do nada, Brittany não sabia se era o seu amigo Gabe ou o advogado Scott e, se fosse o advogado, isso significava algo relacionado a um certo assunto que ela estava tentando superar.

E aí, grande G!– Ela atendeu tentando parecer alegre para aliviar qualquer tensão.

Hey, Britt– Ele respondeu e ela, de alguma forma, conseguiu perceber um sorriso do outo lado da linha. — Está em casa?

Sim, por quê?

É, tem uma coisa... Eu não ia contar pra você, mas acho que agora eu acho que preciso...

Gabe. Não se esqueça que 4 anos atrás você me prometeu que nunca mentiria pra mim, não importando o quão duro for a verdade.– Ela lembrou-o, percebendo o nervosismo e hesitação na voz do rapaz.

A mãe do Josh está doente e ele conseguiu autorização pra ir visitá-la essa manhã num hospital em Detroit, acompanhado por policiais.– Gabe falou de uma vez, tão rápido que Brittany quase não conseguiu compreender, mas, infelizmente, ela entendeu.

O que?– Ela quase gritou — Eu achei que ele nunca ia poder ter nada parecido, você disse que não ia deixar ele respirar o mesmo ar que o resto do mundo de novo!

Eu sei! Eu sei, Brittany, e, acredite, eu estou me odiando agora por não ter conseguido impedir. Eu tenho lutado com o advogado dele contra isso a um tempo já, mas ele conseguiu. Eu, sinceramente, não sei como, mas ele conseguiu. A justiça nem sempre é justa, eu acho, mas, acredita em mim, eu fiz tudo que pode pra tentar impedir, B...– Ele disse quase desesperado e ela sabia que era verdade, Gabe sempre fez de tudo por ela e ele odeia aquele homem também, ela não tinha dúvidas que ele fez tudo que pode.

Eu sei que você fez, Gabe... — Ela fala, num sussurro.

Eu não queria te contar, porque se você não soubesse, não precisaria sentir toda a raiva do mundo que eu senti quando soube, mas... A-Algo aconteceu, Britt...– Ele começa a gaguejar e Brittany se senta mais duramente no banco do carro, começando a se preocupar de verdade. — Quando eles não voltaram no horário previsto, o presídio mandou mais policiais para verificar o porquê do atraso e... E eles encontraram 4 dos 5 policiais que estavam acompanhando o Josh desacordados no carro num acostamento de uma avenida, enquanto ele e outro policial estavam... desaparecidos.– Gabe termina de falar num tom quase inaudível, mas ela não fala nada, ela não se move, ela nem mesmo respira, porque isso simplesmente não podia estar acontecendo. — A polícia não tem certeza de nada, nem fazem ideia de como eles apagaram os outros, mas acham que esse quinto policial é algum cúmplice dele. – Gabe continuou, mas Brittany ainda não conseguia fazer nada a não ser encarar o volante na frente dela, o único movimento que ela fez foi levantar uma sobrancelha quando um pensamento assustador passou pela cabeça dela. — Brittany, eu nem poderia estar te falando isso antes da polícia falar com seu pai, o que eles já devem estar indo fazer... Eu só senti que te devia isso. Depois, eles mandarão policiais para patrulharem sua casa, mas é importante que você tranque tudo agora mesmo e não saia de casa por nada. Brittany, por favor, não faça nenhuma loucura, você está me ouvindo?

Não, Brittany já não estava mais ouvindo, porque ela conhece a mente de Josh como ninguém; Ele é inteligente. Cruel e insano, com certeza, mas também inteligente. Ela sabia que ele é esperto suficiente para, nessa altura, já saber onde Brittany estaria neste horário, caso não tivesse ficado bêbada no dia anterior, ele provavelmente já sabe muito mais do que deveria saber, ela sabia também que ele não estaria procurando apenas por ela e que iria atacar o primeiro de seus alvos que visse.

Sem pensar duas vezes, ela ligou o carro e partiu em disparada.

Notas finais
E aí, curiosos pra conhecer o menino Josh?