Um amor e uma sombra
3 Um refém e um fantasma
Notas iniciais
Finalmente chegou o Glee Club! Santana dá graças aos céus que logo vai poder ir embora desse colégio de estrutura frágil e perguntar as centenas questões circularam na mente dele o dia todo.
Sexta-feira é o dia mais tranquilo para os alunos do MH, exceto para os desafortunados do Glee Club, o qual ocupa o último horário da grade, o qual, na sexta, não tem nenhuma outra aula programada, o que é bom pois assim eles tem quase a escola toda pra eles e, claro, bem no dia que Santana está morrendo pra sair logo, Mr. Schue ainda resolve que teriam que ficar até ainda mais tarde.
Todos do New Directions, Mr. Schue e Emma Pillsbury estavam reunidos no palco do auditório criando alguns passos de dança para usarem, e novamente Santana adorou como Brittany fez falta com sua dança genial, Ms. Pillsbury dava apoio moral pros garotos enquanto esperava Will e sua carona, até Sue Sylvester estava lá, lançando alguns cometários aleatórios sobre como eles eram horríveis desde que tinha ido falar alguma coisa com William.
Santana desceu do palco para pegar o seu telefone que estava numa das cadeiras da primeira fileira, mas ele estava desligado, ela estava presumindo que a bateria havia acabado, quando viu um homem caminhando tranquilamente em direção ao palco, ele devia ter uns 45/50 anos, mas parecia bem conservado, tinha um corpo malhado, cabelo castanho claro, olhos escuros como os dela e estava usando um casaco cinza escuro por cima de uma camisa branca e jeans.
– Olá, crianças, algum dos jovens talentosos poderia me informar se Brittany está por ai?– Ele perguntou para o grupo no palco, esbanjando simpatia.
– Não, ela não veio para a escola hoje. — Santana respondeu fazendo com que o homem virasse em direção a ela, percebendo sua presença no local pela primeira vez.
– Santana?– Ele perguntou com um sorriso no rosto, além de um olhar surpreso e curioso.
– Desculpe, eu conheço você?– A morena rebateu com seu jeito ácido de sempre.
– Não, acho que você não me conhece, mas eu conheço você. — Ele disse se aproximando dela com um sorriso ainda maior – Conheci seus pais, Maribel e Ricardo, eu costumava ser muito próximo da sua mãe, acho que já vi você por fotos, veja só.
– Espera aí, você conhece meus pais? E Brittany?– Santana nunca havia ficado sabendo de nenhuma relação dos país com a amiga, que não fosse ela.
– Sim, mas em tempo diferentes. Eu sou tio da Brittany, digo, eu era casado a tia dela, irmã da mãe dela; Quando me separei dela, cortei relações com todos na família, mas Brittany e eu continuamos mantendo contato de vez em quando, ela sempre foi minha Pierce favorita.– Ele riu e tirou uma foto bolso – Achei essa foto nossa de quando ela era criança, e, como hoje eu estava perto de Lima, resolvi pagar uma visita.
Santana chegou mais perto do homem, parando ao lado dele, para observar a foto, lá estava ele um pouco mais novo e com roupas melhores, ao lado dele, segurando um copo azul, estava uma mulher loira, bonita e de brilhantes olhos azuis que ela reconheceu como a mãe de Brittany de uma foto que ela já viu da moça e, no colo do homem, estava uma loirinha de 9 ou 10 anos que tinha olhos idênticos ao da mulher do seu lado, os três estavam sorrindo em algum lugar que parecia um quintal bem grande, Santana ficou um tempo encarando a foto com um sorriso bobo no rosto, primeiramente, pois aquela garotinha era a coisa mais fofa que já tinha visto na vida, depois, porque ela nunca teve oportunidade de ver bem a Srª Margareth Pierce, só sabia que ela tinha morrido alguns anos atrás e sempre achou estranho que Brittany não falava muito da mãe, nem tem muitas fotos dela, mas ela sabia também que Britt tinha uma tia com quem não falava a muito tempo, quem ela supôs ser a ex-mulher do... — Desculpa, qual o seu nome?– Santana perguntou.
– Joshua, Joshua Aldrin.– Ele respondeu, sorrindo, enquanto apertava a mão da garota, quando Santana viu Brittany entrar rapidamente pela porta da frente do auditório e fazer seu caminho para a frente do palco pela escada lateral direita; Ela estava parecendo com a Brittany desta madrugada, porém, agora parecia mais desesperada do que vulnerável.
– Santana, vem aqui. Agora.– A loira disse com uma falsa voz calma, que tremia um pouco, Santana percebeu que ela estava olhando diretamente para os olhos de Joshua e este estava fazendo o mesmo, enquanto ainda segurava sua mão, o que já estava começando a incomodá-la; Quando ela fez menção de soltar a mão dele e ir até Brittany, ele segurou sua mão mais forte, fazendo com que ela olhasse para ele meio confusa, meio irritada, o que Brittany, já chegando perto dos dois, deve ter percebido pois ela falou num tom de voz mais forte e alto – Solta ela.
Os próximos acontecimentos foram rápidos demais para serem notados na hora; De repente, um dos braços do homem estava abraçando firmemente tórax de Santana, impedindo seus braços de se moverem, sendo puxada para o lado, até parar de costas contra o corpo do homem e sentiu um circulo de metal gelado encostar fortemente na sua têmpora.
– Ninguém se mexe!– Ele gritou.
Ela, enfim, notou tudo que havia acontecido, ela estava presa contra o homem, os dois quase encostando na parede lateral esquerda, com uma arma apontada para sua cabeça. Os integrantes do New Directions e adjacentes estavam parados no com uma expressão de horror em cima do palco que agora se encontrava um pouco mais a frente dela em seu lado direito, alguns deles estava olhando para as fileira de cadeiras onde estavam as bolsas, mochilas e celulares de todo mundo e Brittany estava a alguns passos na sua frente, imóvel, com um olhar desesperado e o rosto pálido, como se tivesse olhando para um fantasma. Santana lembrou-se de como ela havia dito algo sobre ser assombrada, neste momento, estaria ela sendo refém desse fantasma que a assombra tanto?
Brittany apenas encarava a cena em frente a ela, ainda não sabendo o que fazer, o que falar, o que pensar; Aquele era o seu maio pesadelo acontecendo ali, bem na frente dela. Ele. Tocando ela. Próximo de matar alguém que Brittany ama. De novo. E, pior, era Santana. O amor de sua vida. Brittany não achava que conseguiria se recuperar se perdesse ela também. Ela não conseguia desviar o olhas daqueles olhos frios e apavorantes, ele estava sorrindo ironicamente para ela, ele sabia o quanto aquilo estava perturbando ela; Santana permanecia completamente parada, apesar de se fazer de forte, Brittany a conhecia bem o suficiente para ver o terror nos olhos dela, olhos que ela amava, porém eram assustadoramente parecidos com os olhos dele.
– Josh, não.– Foi tudo que ela conseguiu dizer, antes de assistir Ricardo Lopez correndo para dentro do auditório e parando ao lado dela, Brittany imaginou que ele provavelmente havia pensado o mesmo que ela quando o avisaram sobre a fulga; Eles trocaram um olhar desesperado antes dele dar um suspiro profundo e encarar o monstro diante deles, ela sabia que aquele era o pior pesadelo dele também.
– Olá, Ric, como vai Maribel?– E o sorriso continuava lá.
– Joshua, você não quer fazer uma besteira, você não quer piorar as coisas ora você, olha a razão, por favor. — Disse o outro, tentando manter a voz calma e o que mais apavorava Brittany era a semelhança desse momento com outro, que aconteceu anos atrás e ela não foi a única que percebeu isso.
– Ual, isso realmente parece um Déjà vu, você ai tentando ser o superior e racional – Disse, olhando para o latino – E do outro lado, olhos azuis tão desesperados – Comentou, passando a atenção para Brittany – Ela até parece com sua mãe, Britt... forte, destemida, ela pode estar morrendo de medo, mas não vai me deixar ver isso, o que é uma pena, você sabe o quanto eu adoro ouvir o medo delas, me excita.– Enquanto dizia as últimas palavras, ele força-a ainda mais contra o próprio corpo e mantém os olhos cheio de loucura em Brittany enquanto traça o seu caminho pelo pescoço de Santana com seu nariz — E você cheira como sua mãe, sabia?– Diz, antes de depositar um beijo demorado em seu ombro, fazendo com que a morena engolisse em seco — Eu ia adorar foder você também – Ele sussurrou no ouvido da morena enquanto acariciava o braço dela com seu polegar e o pai quase partiu para cima dele, hesitando quando Josh apertou mais a arma contra a cabeça da garota e Brittany segurou seu braço. O psicopata gargalhou.
– Acho que o motivo de você ser pra sempre minha preferia é porque você era um desafio– Disse, olhando para a loira — Eu desafiava a mim mesmo a te fazer gritar. Chorar. Como todas as outras, mas você nunca fazia, acho que era isso que me fazia querer mais, que me fez amar você, aliás, isso sempre me intrigou... Por que?– Ele olhava para ela exigindo uma resposta e, mesmo nunca pensando bem sobre isso, inconscientemente, ela tinha um motivo, só não queria falar em voz alta. – Fala!– Ele gritou quando ela não respondeu.
– Porque a pior parte pra mim era quando... era a “vez” da Trish e eu ficava escondida naquele cubículo escuro tendo que ouvir ela gritando, geralmente, eram os gritos dela nos meus pesadelos, não você. Então, eu prometi pra mim mesma que nunca gritaria, que nunca choraria, que nunca falaria nada enquanto estava... lá. Para que ela não tivesse que passar pela mesma coisa.– Brittany respondeu, procurando não encontrar os olhos de Santana ou Ricardo, surpreendendo-se com a forma que sua voz saiu firme; Ele pareceu satisfeito com a resposta, deixando escapar mais um sorrisinho de lado com a lembrança da ruiva e ela foi sincera, essa era realmente um dos motivos, ela só não contou que também era porque havia feito um juramento com Trish que jamais choraria por causa dele, juramento esse que ela só quebrou nessa tarde, com seu pai.
– Ah, Trish, eu me lembro de como você costumava proteger ela, mesmo ela sendo só um ano mais nova que você. Nunca teve medo de entrar na minha frente dizendo para deixar ela em paz quando ela estava muito machucada. — Ele riu enquanto recordava.
– O que você quer, seu pedófilo psicopata? — Sr. Lopez começava a perder sua paciência.
– Eu estou fazendo exatamente a mesma coisa que eu fiz 5 anos atrás.– Ele diz e, vendo a expressão confusa no rosto dos dois na sua frente, continua — Eu tenho um amigo policial, sabe, ele até me ajudou a conseguir minha licença, eu queria ver você, Britt, então, eu pedi que ele desse uma investigada e eu não gostei nada do que ele descobriu.– Ele para por um momento, encarando os olhos de Brittany — Você ama ela. — Ele termina apontando para Santana com uma voz chorosa, como se isso ofendesse ele mais que tudo. — Não ama?– Ele se irrita quando Brittany não responde– Você não pode amar ela! Você não pode amar ninguém! Você só pode amar a mim! Eu matei sua mãe porque você amava ela mais do que a mim, eu só faço o que eu preciso fazer! Eu não precisaria fazer isso se você amasse só a mim! Você só não entende, ninguém entende!– Ele grita mostrando o quão louco um psicopata pode ser, deixando Brittany ainda mais transtornada, pois aquilo foi quase o mesmo que ele falou naquela noite, onde ele repetia que Brittany não deveria amar ninguém mais enquanto cortava a garganta de sua mãe bem na frente dela.
– Eu não amava ela mais do que eu te amava, eu simplesmente não te amava, nem eu nem nenhum dos seus outros brinquedinhos sexuais e sacos de pancada, seu monstro! Ninguém nunca amaria um assassino estuprador igual a você! Você me enoja! – Brittany gritou, se descontrolando, a sorte foi o pai de Santana ter segurado a loira antes que ela fizesse algo que se arrependesse, mas Josh não aparentou ter se ofendido dessa vez, ele já foi chamado de monstro muitas vezes.
– Minha filha não tem nada a ver com sua doença, seu maniaco, pensa um pouco!– Ricardo diz, enfatizando o “minha”.
– Sua filha? Você tem certeza?– Josh agora olha apaticamente para Ricardo — Por que quando meu amigo me contou que você tinha uma filha de 17 anos não foi isso que eu pensei.
– Não se atreva a …–O outro começou, mas foi interrompido.
– Ela é MINHA filha!– Ele gritou e o outro se segurou para não fazer uma besteira, mas procurou se acalmar, ele sabia que qualquer ato falho mataria sua filha, ele precisava caminhar junto.
– Sim, então, você vai matar sua própria filha?– Ele disse num sussurro, fazendo com que todos olhassem para ele, inclusive Brittany, que sabia da possibilidade mas nunca achou que a ouviria ele dizer em voz alta. O coração de Ricardo quebrou em mil ao ter que dizer aquelas palavras, palavras que ele nunca acreditaria, mas ele já não sabia o que fazer, precisava tentar mexer com a cabeça do outro, pelo menos ganhar tempo. — Você é realmente capaz?– Ele terminou e Brittany viu um segundo de hesitação nas mãos dele, seu olhar se tornou pensativo, então, ela viu uma brecha para tentar mexer de vez com a cabeça dele.
Alguém explicou isso para Brittany uma vez, que Josh não era apenas mal, ele era doente, louco, que a cabeça dele funciona de uma maneira específica, que ele seguia sua vida, assim, pela própria moral distorcida, isso e uma grande experiência e conhecimento da mente do homem, fez Brittany pensar rápido e descobrir como entrar na cabeça dele, como ganhar o jogo jogando pelas regras dele.
– Josh, você não pode matá-la – Brittany começou, falando calmamente, se aproximando dos dois tão lentamente que era quase imperceptível, ela já havia visto profissionais falando com pessoas com problemas mentais ou de personalidade, só precisava seguir a linha. — Você se lembra quando me contou que não era um assassino? Sobre a “morte por misericórdia”?
– Sim...– Ele disse, no mesmo tom que ela, lembrando-se de quando eles tiveram essa conversa, com um olhar quase curioso e repetiu quase as mesmas palavras, como se ele tivesse isso decorado. — Eu te disse que não matava por ser mal, e sim, misericordioso. Que só matava alguém depois de ter destruído ela, quando elas estavam tão usadas que matá-las era um favor.
– Pois é, eu sei que você tem seu jogo, suas regras, sua ordem de usar e matar, certo?– Ele concordou levemente com a cabeça, Ricardo estava olhando para ela intrigado, sem entender onde ela queria chegar, mas assustado demais para impedir — Com a minha mãe, você burlou suas próprias regras, Josh, isso não foi certo, se você tem suas regras você tem que segui-las. — Ela continuava e ele tombou a cabeça para o lado, considerando as palavras da loira. — Aquela noite, era a noite que você ia me matar, não era?– Ele concordou novamente — Mas você não conseguiu, seu jogo ficou pela metade e eu sei como você odeia quando as coisas não terminam como você quer, foi por isso que você veio até aqui, terminar o que começou, mas você não vai poder fazer isso se matar ela, porque depois de puxar esse gatilho, ninguém mais vai ter o que perder aqui, então, você vai ter menos de um segundo antes de pularem em cima de você e, mais uma vez, você não vai terminar o que começou. Você só pode matar uma pessoa aqui e nós dois sabemos que não é ela sua primeira opção.
Ricardo tentou segurar o braço da garota ao perceber qual o plano dela, mas, além de ela ter sido mais rápida, ele recuou quando Josh olhou ameaçadoramente para ele, girando a ponta da arma na cabeça da filha. Santana olhava assustada para Brittany, constantemente movendo a boca silenciosamente, formando as palavras “Não faz isso”, mas Brittany não parou, continuou indo devagar em direção a ela, sem desviar o olhar dos olhos dele, ela colocou uma mão em cada lado de sua cabeça e parou a poucos centímetros deles.
– Onde está minha misericórdia, Josh?– A loira perguntou friamente, então, quase numa fração de segundo ele empurrou santana para o lado, com toda força, com seu braço livre e puxou Brittany para a mesma posição que a outra garota estava.
Santana caiu um pouco a frente dos dois e foi socorrida pelo seu pai que a levantou e recuou alguns passos para trás com a filha, para que Josh não visse como uma ameaça. Pai e filha estavam agora abraçados de frente para o homem e sua nova refém, Ricardo não sabe o que fazer, estava aliviado porque não tinha mais uma arma apontada para a cabeça da filha, porém, Brittany era como uma filha para ele também e Santana ainda tentava entender tudo que estava acontecendo, se sentindo desesperada e inútil com a garota que ela ama tendo colocado a própria vida na frente da sua, ela também não sabia o que fazer, só sabia que não suportaria ver Brittany morrer na sua frente.
– Finalmente, agora tudo está no seu devido lugar. — Ele disse com um ar satisfeito.
– Não, por favou, não – Santana dizia enquanto começava a chorar, estava mais apavorada agora do que quando estava lá.
– Josh... — Ricardo começou, ainda pensando no que dizer para ganhar tempo até a polícia chegar, se questionando porque estavam demorando tanto.
– Deve ser interessante assistir ambas, mãe e filha, morrerem , Ric, mas não pensa pelo lado negativo, ela vai se encontrar com Margareth...– Mais do que nunca, havia insanidade transbordando dos olhos e sorriso cruel do homem — Tudo vai ficar bem agora.
Então, um tiro foi disparado.
– NÃO!– Santana gritou.
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