Um amor e uma sombra

8 Uma doação e um desabafo


Notas iniciais
Desculpa a demora, estou meio atolada de trabalho esses dias... Espero que gostem :3

Brittany já acordou com um sorriso ao sentir Santana dormindo com a cabeça em seu peito, completamente abraçada ao seu corpo e permaneceu uns bons minutos encarando o rosto tranquilo da morena até que a porta do quarto se abriu com um clique, mas a latina nem se mexeu em seu sono pesado, e a enfermeira que havia acabado de entrar no quarto lançou um olhar de desaprovação para a garota dormindo numa cama de hospital que não a pertencia, enquanto Brittany, o mais silenciosamente possível, pedia que ela deixasse a morena ficar e que não a acordasse, já que ela estava amando aquilo e também porque sabia que a outra precisava descansar. Contra sua vontade de enxotar a latina da cama, a enfermeira disse que estava tudo certo para o transplante, dando-a também o horário e últimos detalhes, antes de sair do quarto, reclamando da petulância dos jovens.

A loira passou o polegar pela bochecha de Santana até que essa acordou, mandando um sorriso sonolento e inocente para Brittany antes de enterrar o rosto no pescoço da loira para voltar ao seu sono.

– Bom dia, dorminhoca. — A loira disse, sorrindo. Ela amava a fofura que era Santana sonolenta acordando. — Infelizmente, acho melhor você acordar logo, antes que aquela enfermeira volte com uma vassoura para te expulsar da cama.

– Ela vai precisar de bem mais que uma vassoura para conseguir me fazer querer sair daqui. — A morena respondeu num murmuro preguiçoso, se aconchegando mais ao corpo quente de Brittany.

– Bom dia! — Uma voz alta e cantante disse enquanto Daniel Pierce entrava pela porta, fazendo com que Santana quase saltasse para fora da cama com uma velocidade que Brittany achou impressionante.

– Bom dia, Sr. Pierce. – Santana respondeu com uma voz quase culpada. — Er... Vou ir falar com meu pai, volto já. — Santana disse, antes de sair do quarto, achando que pai e filha precisavam de um momento a sós.

– Preparada? — Daniel perguntou à filha.

– Acho que sim... — Brittany respondeu. — É só um transplante rápido, não é nada demais.

– Não é apenas sobre o procedimento que eu estou perguntando, é sobre... Tudo isso. Você está bem? — O pai perguntou ao sentar na poltrona ao lado da cama da filha.

– Não sei, está acontecendo muito rápido, eu nem sei o que “tudo isso” significa direito. Eu só estou fazendo o que eu devo fazer. — A loira respondeu, olhando para as mãos.

– Eu sei e eu estou orgulhoso de você, muitas pessoas iriam querer dar as costas, não se envolver, mas você não. Você sempre pensa nos outros, sempre tenta fazer a coisa certa... Como a sua mãe. Eu tenho certeza que, onde quer que ela esteja, ela também está muito orgulhosa de você.

– Ah, pai, por favor, não chora, você vai me fazer chorar também! — Brittany disse antes de abraçar o pai, percebendo os olhos do homem começando a ficar marejados, assim como os seus próprios.

– Eu sou um cara sensível, não me culpe! — Ele brincou. — E também porque eu tenho as melhores filhas do mundo.

– Tudo de melhor para o melhor pai do mundo. — Ela disse, dando um beijo na bochecha do pai.

– Okay, é melhor a gente cortar o papo meloso logo, antes que eu comece a chorar de verdade, você não quer que a Santana volte aqui e ache que seu pai é uma garotinha chorona, quer? — Ele riu.

– Bem, ela te conhece há anos já, tenho certeza que ela já acha isso. — A filha brincou, ganhando um olhar de ofendido falso do pai.

– Isso é uma calunia, eu sou muito macho! Pode avisar isso para sua namorada. — Ele disse, deixando Brittany meio congelada, sem saber o que o pai estava querendo dizer.

– Er, desculpa. E-Eu só... Eu pensei... É que... Bem, a Santana ela mais do que apenas sua amiga, não é? — Daniel perguntou, algo que ele já queria perguntar há um tempo.

– Por que você acha isso? — Brittany perguntou, sem saber ao certo o que deveria responder.

– Ah, bem, é só que, tipo, caso você não saiba... Eu tenho olhos. — Daniel começou, tentando quebrar a tensão que tinha se instalado no ar. — Eu percebo o jeito que você olha para ela, que ela olha pra você; Teve vezes que eu entrei no seu quarto, sem saber que ela estava lá e vocês sempre estavam dormindo meio... Íntimas. E as vezes ela parece meio desconfortável quando eu apareço de repente, ela se afasta rápido de você. Tipo hoje. Aliás, hoje deve ter sido um recorde, enfim. Também teve aquela vez que... Eu... Er, eu cheguei em casa mais cedo e... Vocês estavam no quarto.... E a porta estava fechada, mas eu... Eu ouvi mais do que eu gostaria...

– Ai, meu Deus... — Brittany sussurrou, escondendo o rubor no seu rosto com as mãos, pensando no seu pai tendo praticamente flagrado ela fazendo sexo com Santana.

– É, eu meio que sai correndo. — Ele disse, com ar pensativo. — Escuta, eu não estou falando tudo isso para te deixar desconfortável... Apesar de eu estar um pouquinho. Ou muito. Eu só quero te dizer que você não precisa esconder nada, nem ficar com medo, eu amo você de qualquer jeito.

– Obrigada. — A loira disse, sorrindo para seu pai, enquanto pagava sua mão. Ela sabia que aquele assunto podia ser algo complicado, muitos pais não aceitam seus filhos sendo gays, muitos estariam gritando com ela agora ou algo do tipo, se estivessem no lugar de seu pai, mas não ele. Ele sempre tentou ser compreensível, bacana e Brittany achou que devia a ele a verdade. — É, eu sempre estive com meninos e meninas da mesma forma, eu só me apaixono por pessoas, eu acho. E você está certo, Santana é bem mais que uma amiga para mim. Eu estou completamente apaixonada por ela, sempre estive, e ela por mim... Nós tentamos nos esconder disso por um tempo, mas meio que estamos começando a viver isso de verdade.

– Viu, só consigo ficar cada vez mais orgulhoso de você. — Daniel disse e os dois se abraçaram, ficando lá por um longo tempo.

Santana passou uma hora inteira andando de um lado para o outro na sala de espera, enquanto Brittany estava fazendo a doação; Seu pai havia explicado que, apesar de ser necessário uma sala de operações, não era uma cirurgia propriamente dita e que as chances de algo dar errado eram mínimas, mas isso não acalmou a morena, que já estava quase com o coração pulando pela boca. Quando a loira finalmente saiu, os enfermeiros a levaram de volta para o quarto, onde Daniel e Santana passaram um bom tempo em silêncio esperando que ela acordasse da anestesia.

– Olá, Bela adormecida. — Daniel disse quando Brittany estava começando a acordar.

– Ei, está se sentindo bem? — Santana perguntou, sentando num lado da cama e pegando a mão da loira, que respondeu positivamente com a cabeça, ainda um pouco grogue.

– Dr. Lopez disse que ocorreu tudo bem e o David vai receber a medula logo, logo. — O pai da garota disse, sentando no outro lado da cama e dando um beijo na testa a filha.

...

Depois de um tempo, Brittany finalmente saiu completamente do efeito da anestesia, mas teria que passar mais uma noite no hospital em observação. Após ter almoçado na lanchonete do hospital, Santana passou em casa para tomar um banho e trocar de roupa; Na volta, ela foi buscar Anne na escola, a pedido de Daniel e a morena estava ainda surpresa dele ter confiado isso a ela, não que ela achasse que ele não confiava nela, mas ela sabia da superproteção (Com motivos) dele com a caçula. Chegando no hospital, a garotinha correu para o colo da irmã e Santana saiu um pouco para que eles tivessem um momento família sozinhos. Quando a noite caiu, Daniel foi para a casa com a filha mais nova, agradecendo Santana novamente por ficar com Brittany.

– Você não precisava passar a noite aqui de novo... Não que eu esteja reclamando. — Brittany disse para Santana, que estava sentada na cama a sua frente.

– Mas eu quero, é claro que não iria te deixar sozinha aqui. — A outra respondeu. — Como você está se sentindo?

– Melhor agora, com você aqui. — Brittany respondeu, sorrindo para Santana. — E também com os remédios que me deram.

– Sempre charmosa, não é? — A morena provocou, dando um beijo nos lábios da loira, que intensificou o beijo, puxando-a mais para perto e ambas lembraram o quanto sentiram falta de um toque mais íntimo uma da outra nos últimos dias; O beijo das duas se intensificava cada vez mais, Brittany tinha os cabelos de Santana entrelaçados nos dedos de uma mão e a coxa grossa da morena em outra, mas o beijo acabou se rompendo quando Santana deslizou sua mão pelas costas da loira, sem querer tocando onde ela tinha acabado de receber uma agulha bem grossa.

– Ai, desculpa, Britt, você está bem? — Santana perguntou, preocupada.

– Está tudo bem, San, só está um pouco sensível.

– Acho que é melhor a gente se conter um pouco. — A morena riu.

– É, talvez... Vem cá. — Brittany disse, chegando para o lado em sua cama e a outra sentou ao lado dela, colocando um dos braços por cima dos ombros da loira para que ela pudesse abraçá-la com segurança.

– Você está confortável? Não quero te machucar...

– Você não me machucaria, você só faz bem pra mim. — Brittany respondeu, depositando um beijo na bochecha da morena. — Mesmo quando você nem imagina.

– Ah, tem certeza? — Santana brincou.

– Sim. Talvez nem tanto quando jogamos em times diferentes no dodgeball, mas tudo bem. — A loira riu. — Mas, sério, você só me faz bem... Na verdade, você começou a fazer isso no dia que a gente se conheceu.

– Como? — A latina perguntou, curiosa.

– Você se lembra quando você me levou em casa depois daquela festa onde a gente se falou pela primeira vez e eu deixei cair um frasco de remédios? — Brittany começou, achando que já era hora de contar isso, principalmente depois da conversa que teve mais cedo com Trish, que insistiu que ela deveria se abrir mais sobre as coisas que ela nunca falava com Santana.

– Sim, acho que sim. — Santana respondeu confusa. Ela lembrava, até por que ela lembrava de tudo sobre quando elas se conheceram: Mesmo sendo uma Cheerio por apenas um ano, Santana já era a melhor do time, mas no segundo dia de aula daquele ano, ela ouviu que havia entrado no time uma nova garota e que ela era incrível, assim, a morena já passou a odiá-la, antes mesmo de encontrar a tal, mas, quando o fez, não foi capaz de continuar odiando a garota, pois era a menina mais linda, doce e maravilhosa que já havia visto, não parecia ter nada de mal nela e até Santana teve que concordar com o quão maravilhosa ela era quando a viu dançando pela primeira vez, aqueles olhos azuis tinham hipnotizado ela quando os viu pela primeira vez, no vestiário, e Santana passou o resto do dia secretamente encarando-a, mesmo não tendo coragem de realmente ir falar com ela. À noite, houve uma festa na casa de uma das cheerleader para celebrar o inicio de mais um ano e todas as Cheerios estavam lá, inclusive ela. Na verdade, elas literalmente esbarraram uma na outra na festa e Brittany derrubou bebida em cima de Santana, mas, quando a morena olhou para cima preparada para ir toda Lima Heights para cima de quem quer que tinha arruinado sua blusa, seus olhos se encontraram com o azul e, depois de Brittany ter se desculpado várias vezes e a ajudado a secar sua blusa, elas passaram a noite toda conversando e se divertindo juntas; Naquela noite elas tiveram uma conexão quase súbita e foi daquele dia em diante que elas passaram a fazer praticamente tudo juntas até que, sem nem perceber, já eram melhores amigas e, mais de repente ainda, se apaixonaram uma pela outra. Elas ficaram na festa até a madrugada, Santana se lembra inclusive da bronca que levou da mãe por ter passado da hora de ir embora, mas elas haviam se perdido no tempo juntas, até que Brittany percebeu as várias ligações perdidas do pai e decidiu ir embora e Santana se ofereceu para fazer companhia até a casa dela, já que a loira morava apenas uma rua de distância de onde elas estavam, então, quando Brittany estava revirando a bolsa a procura das chaves, ela deixou cair um frasco médio cheio de comprimidos, o qual a loira pegou logo, dizendo que era um remédio da irmã que o pai havia pedido que ela comprasse ou algo assim. Santana não havia conseguido ler o que estava no frasco, nem pensou muito sobre isso, na verdade, afinal, eram apenas comprimidos.

– Pois é, não eram da minha irmã, como eu disse lá. — Brittany explicou com a voz e cabeça baixa. — Era um remédio para dormir meio barra pesada que eu tinha conseguido com uma receita falsa, eu... Eu ia tomá-los, tipo, todos de uma vez.

– Britt, você ia tentar suicídio? — Santana perguntou, procurando pelos olhos de Brittany, ao perceber a hesitação da garota.

– Sim. — A loira disse com firmeza. — Logo depois que eu e Trish saímos daquele lugar eu estava grávida, como você sabe, por isso eu fiz a 7ª séria da Middle School em casa, mas meu pai insistiu que eu fosse para a escola na próxima série, já que eu já tinha tido o bebê e ele disse que era importante que eu tivesse uma vida normal e que estivesse cercada por pessoas da minha idade, então eu aceitei, mas depois do sequestro, minha mãe, David, tudo aquilo... Eu estava arrasada. Eu não demonstrava, me fazia de forte mas, por dentro, eu estava completamente arrasada. Eu segurei a barra até o parto, por que eu realmente queria dar uma chance para o bebê, mas depois eu simplesmente não sentia mais nenhuma vontade de... Viver. Então, eu dei meu jeito de conseguir aquelas pílulas com um garoto mais velho do colégio no primeiro dia de aula, ele me entregou no dia seguinte e eu planejava fazer isso naquela tarde, quando eu voltasse da escola... Eu não via mais nenhum sentido em nada e cada dia ficava pior, eu só queria que acabasse logo.

– Oh, meu amor, que bom que você não continuou com isso... — Santana sussurrou enquanto a abraçava mais fortemente.

– Não, eu não fiz. Por sua causa. — Brittany disse, olhando pela primeira vez para a morena. — Eu não sabia daquela festa, aliás, eu só fui por que uma certa Quinn Fabray estava lá tentando ser uma boa veterana, insistindo que todas as novatas fossem e quase me arrastou para dentro do carro dela, o que eu preciso muito agradecer a ela inclusive, porque foi lá que eu consegui ver novamente a morena bonita que eu tinha visto me encarando no vestiário mais cedo e, sei lá, eu simplesmente me liguei a você. Naquelas horas que eu passei com você, foi ali que eu consegui sorrir pela primeira vez de verdade em anos, foi apenas ali que, de alguma forma, eu consegui esquecer tudo de eu tinha passado, de toda a tristeza que eu estava sentindo e, quando eu cheguei em casa, eu peguei aquelas pílulas e, pela primeira vez desde que eu tinha dado a luz, eu pensei que talvez eu não quisesse morrer, eu pensei que talvez eu fosse ter mais noites como aquela, talvez eu conseguisse esquecer tudo de verdade, como eu fui capaz de esquecer por alguns momentos, mas, principalmente, eu pensei que eu queria conhecer mais daquela garota ao mesmo tempo doce e amarga que eu tinha acabado de conhecer e que parecia ter tanto para se descobrir. Então, eu escondi aquelas pílulas, uma parte de mim pensando que eu poderia usá-las caso eu não estivesse certa, mas a verdade é que eu nem me lembro mais onde escondi. O tempo foi passando, eu fui te conhecendo cada vez mais, eu fui descobrindo como eu amo dançar, eu fui descobrindo que eu estava certa, afinal. Você me mostrou a luz no momento mais sombrio da minha vida... Você me lembrou o que era alegria e me deu esperança de ser feliz de novo, eu acho que eu nunca vou poder te agradecer o suficiente por isso.

– Ah, Brittany, por favor! Você também é uma das poucas coisas que me faz realmente feliz e isso é agradecimento o suficiente, acredite. — Santana disse, já completamente em lágrimas, enquanto abraçava a outra ainda mais intensamente. — Eu te amo e nunca vou deixar de tentar te fazer o mais feliz possível, mas você precisa me prometer que nunca na sua vida vai nem mesmo pensar em fazer isso de novo, ok? Se qualquer coisa te deprimir, por favor se lembra de tudo de bom que a gente já passou e de tudo de bom que, eu te prometo, a gente vai passar.

– Eu prometo. — Brittany respondeu num sussurro.

Notas finais
Uma pequena moral nesse capítulo: Ninguém quer acabar com a própria vida, apenas com o sofrimento. E você só precisa se lembrar que nem tudo é para sempre, nem mesmo as coisas ruins. Tudo pode parecer acabado agora, mas tudo que você precisa fazer é acreditar no amanhã, pois amanhã as vão melhorar, amanhã você pode encontrar a alegria novamente, mas amanhã não é necessariamente o dia de amanhã, pode ser qualquer dia, o importante é que ele vai chegar e você precisa estar aqui para vivê-lo, basta ser forte para enfrentar a maré ruim enquanto espera, porém você também não pode ficar de braços cruzados aguardando que tudo melhore, lute para isso, lute para que esse amanhã chegue cada vez mais rápido, ache forças e lute para mudar o que está ruim, consertar o que estar quebrado, aceitar o que você não pode modificar e paciência para aguardar o tempo bom. Claro que é fácil falar, mas se você realmente quiser, você consegue! Caro leitor, nunca desista de ser feliz. ----------- Pulando a parte filosófica, deixe-me comentários para encher meu ego. Brincadeira. Quando peço comentários, tudo que eu quero é saber se vocês estão gostando, pois é isso que me anima para escrever sempre mais é melhor para vocês, e também o que vocês não estão gostando , para que eu possa melhorar cada capitulo mais. Valeu e até o próximo capítulo o/ P.S.: Eu postei esses dias uma nova fanfic oneshot, quem puder ir dar uma olhada, eu agradeço :) >> http://fanfiction.com.br/historia/588105/Would_you_marry_me_Brittana/