Um amor e uma sombra

1 Um coração partido e um cantil


Notas iniciais
Essa fanfiction é uma espécie de caminho alternativo para a história de Brittana, se passa logo após o Hurt Locker (Glee - 2x15 - Sexy) OBS.: Só pra avisar, não estranhem caso vocês achem essa mesma fic em inglês por aí, ok... Eu posto essa história aqui e num site de fanfic americano ao mesmo tempo, para uns amigos que me pediram :)

Santana permanece deitada em sua cama, encarando o teto enquanto uma lágrima desce pelo seu olho esquerdo, desde que voltou do colégio, desde que teve seu coração partido por sua melhor amiga.

Ela e Brittany se conheceram aos 13 anos de idade, e, quase instantaneamente, se tornaram melhores amigas, com 16 já tinham uma espécie de amizade-colorida, que ela nunca se permitiu pensar como mais que algo sexual, nunca se permitiu nem mesmo olhar de verdade naqueles olhos que ela sempre adorou, talvez por que sempre soube que, se olhasse, se perderia para sempre naquele mar azul... Até que, 3 dias atrás, a loira resolveu finalmente conversar sobre aquilo que elas nunca falaram e bastou apenas aquela abertura & uma música para perceber que, na verdade, ela já estava perdida naqueles olhos há muito tempo. Ela estava apaixonada pela melhor amiga, a pessoa que conhecia até o fundo de sua alma, a única pessoa com quem ela se abria, a única pessoa com quem ela nunca foi e nem nunca será uma vadia, percebeu que tudo que ela queria era realmente ESTAR com Brittany e, de alguma forma, parecia fácil, afinal, era Brittany, mas não foi nada como ela esperava... Após fazer com que Santana se desse conta de seus próprios sentimentos, após ela fazer com que ela se abrisse, revelando os seus também, Brittany apenas rejeitou-a, fazendo Santana se sentir frustrada, triste e com raiva ao mesmo tempo, apenas não acreditando que no que a outra tinha feito.

Não acreditando que Brittany havia partido seu coração tão cruelmente.

...

Brittany estava sentada no telhado do McKinley High, encostada na parede de concreto enquanto assistia ao sol se por. Ela sempre ia lá quando queria ficar sozinha, ninguém sabia que ali era o esconderijo secreto que ela ia quando sumia dos corredores do colégio de vez em quando, nem mesmo Santana. Ah, Santana. Era impossível não se entristecer ao lembrar da forma que ela assistiu aqueles olhos castanhos se enchendo de tristeza e decepção na última vez que elas se encontraram, algumas horas atrás, e que ela era a culpada por isso. "Estúpida, estúpida, estúpida" Ela não conseguia parar de se odiar pelo que fez, há tanto tempo se sente tão apaixonada, tanto tempo demorou para finalmente tentar chegar nesse assunto e quando ela chega perto de ter a garota que ama... Simplesmente não consegue. Claro que ela realmente gosta do Artie, como já gostou de tantos garotos que namorou (e foram muitos) e sempre foi tão fácil para ela começar um relacionamento com todas essas paixonites, mas quando se tratou da pessoa que ela ama, da pessoa com quem ela está realmente apaixonada desde sempre, sua melhor amiga, ela simplesmente não conseguiu. Por quê?

A noite já havia caído totalmente e a loira continuava lá, se xingando internamente e pensando no motivo dela ter surtado, algo rondava sua mente mas ela simplesmente não queria aceitar, não podia aceitar que era seu passado assombrando seu presente, afinal, ela estava bem, sempre esteve, ou pelo menos era nisso que queria acreditar.

Logo após tudo que aconteceu com ela, anos atrás, seu pai queria que ela fizesse terapia, mas ela negou, pois ela estava bem. Todos dizem o quanto é difícil ter relações sexuais após algo assim, então, ela dormiu com metade da escola para provar para ela mesma que eles estavam errados. Ela estava bem. Trish insistia em dizer que ela estava quebrada por dentro, mas ela estava bem. Ela está bem. Não está?

Brittany não pensa bem quando decide, apenas pensa que precisa urgentemente conversar com Trish e precisa fazer isso pessoalmente, dessa forma, ela entra no carro decidida a enfrentar as 4h de viagem rumo à Pittsburgh, PA.

Patricia Woods — Trish — é a pessoa que mais conhece Brittany por completo, além de Santana, apenas em ângulos diferentes: Trish fez parte e conhece seu passado. Santana, seu presente e, esperançosamente, seu futuro.

Trish é, para Brittany, aquela amiga que se pode passar anos sem contato, a amizade continuará a mesma. Ambas não se veem desde que deixaram sua cidade natal, quando ela tinha quase 13 anos, e seguiram para lados diferentes, se falaram pela última vez já deve fazer um ano; Sabem que podem contar uma com a outra, mas preferem deixar uma certa distância entre elas, talvez por que a imagem de uma lembra a outra tudo o que aconteceu, é um acordo não falado, entretanto, quando uma delas precisa desabafar sobre qualquer coisa que seja relativo ao você-sabe-o-que, como elas chamam, ou alguma dificuldade a outra é a melhor opção.

– Ai, meu Deus, isso só pode ser uma alucinação! Brittany S. Pierce numa visita surpresa! — Trish finge surpresa, dramatizando um pouco demais, ao atender a porta de sua casa e encontrando a loira.

– Achava que você não acreditava em Deus... — Brincou Brittany, que que havia mandado uma mensagem avisando da visita enquanto estava no carro, abraçando a outra fortemente.

– Você voltando dos mortos me fez repensar minha fé. — Riu antes de pegar nos ombros da loira e afastá-la de si para dar uma boa olhada na amiga Nossa, você definitivamente cresceu... Eu achava que você só parecia bonita nas fotos graças ao photoshop ou algo assim.

– Engraçadinha... Mas você cresceu também, hein? — Respondeu, observando as mudanças em Trish; Apesar de mais alta, continua alguns centímetros mais baixa que Brittany, seu sorriso ainda parece sapeca e irônico como quando eram crianças, o rosto é quase o mesmo, apesar de ter mudado de infantil para algo mais sarcástico, os olhos verdes combinando com a pele clara e cabelo ruivo, agora colocado numa trança lateral, ela estava descalça, usando apenas uma calça de moletom e uma camiseta preta.

– É, fiz o que pude. — riu — Vamos, entra logo porque eu quero saber o que atormenta essa sua cabecinha loira pra te fazer vir até aqui do nada.

Ambas entraram e se acomodaram no sofá da sala, nem precisando se incomodar com interrupções, já que Trish mora apenas com a mãe enfermeira, que estava de plantão. Brittany foi direto ao ponto e contou tudo sobre seus sentimentos, Santana, o fora do armário e a confusão que estava na sua cabeça.

– Eu só não sei o que aconteceu... E, por alguma razão, senti que precisava conversar com você. — Brittany terminou, se mexendo desconfortavelmente no sofá.

– Bem, eu sei o que aconteceu. — Começos Trish, com olhar sério. — Olha, cada um supera seus traumas do seu jeito, e ninguém pode dizer que está errado, pois só você é capaz de saber o que precisa fazer para sobreviver. Você sabe, muitas pessoas gostam de falar sobre os problemas, vão em grupos de apoio e tal, uns preferem usar a própria experiência para ajudar alguém passando pela mesma coisa, outros se isolam, no meu caso, mas minha psicóloga insiste em dizer que eu uso humor e sarcasmo como mecanismo de defesa e você Bem, você se faz de estúpida.

– Eu não me faço de estúpida, eu... — Brittany tenta se defender, mas é interrompida.

– Quatro anos atrás você decidiu que queria esquecer tudo que aconteceu, e ninguém pode te culpar por isso, quem não iria querer? A questão é que nem sempre só ignorar os problemas fará com que eles vão embora. Você apenas treinou a si mesma a agir, dizer e pensar que você estava completamente bem, criou sua própria realidade paralela onde você era alegre, serelepe e pimpona e passou a repetir que estava bem como um mantra, tentando fazer com que as pessoas acreditassem nisso, tentando convencer a você mesma disso, o problema é que esse lugar não é real. Não pra você. E você sabe disso.

– Ual, esse foi um diagnostico rápido... — Ela comenta, antes da outra continuar.

– É porque eu não pensei nele só agora, eu sempre soube que um dia você ia precisar dele.

– Como assim?

– Apesar de fazer piada, a terapia me ajudou muito, eu realmente estava... Quebrada, mas eu aceitei isso e aprendi a me consertar, ainda estou tentando, sim, mas enfrentei as memórias ruins e isso realmente faz a diferença. Agora, você, ignorou elas manteve todos esses fantasmas que nos assombram dormindo em vez de lutar contra eles e tentar mandá-los embora, mas, infelizmente, por mais que você tente, é impossível ignorá-los para sempre e eu te avisei isso, que um dia você teria que aceitar que não está bem e enfrentar seus demônios, e esse dia chegou.

– Eu só não entendo o que isso tem a ver com Santana... — Brittany diz, ainda tentando compreender bem as metáforas da ruiva.

– Pois é, eu aprendi que essas coisas podem atrapalhar sua vida nos mais diversos aspectos, no seu caso, acho que fez com que você se sentisse insegura para amar alguém de verdade... Talvez pelo que houve com sua mãe... As coisas que ele... Josh te disse, você sabe... — Trish fala com mais cuidado sobre esse último tópico, ela sabe que, de tudo que elas passaram, o que mais perturbou Brittany foi o que aconteceu com sua mãe. — Olha, antes de tudo, você precisa conversar com a Santana, ela precisa saber de tudo, tenho certeza que vocês vão poder superar isso tudo juntas. Nunca é tarde pra tentar melhorar, Britt, e eu estarei aqui pra você o tempo todo pra você, sabe disso, né? — Trish termina, sorrindo para a amiga, aquecendo o coração de Brittany, ela sabe sim, que sempre terá Trish, que elas sempre vão proteger uma a outra.

No fim, a loira está com a cabeça ainda mais confusa e muito a que se pensar, Trish sempre foi assim, estupidamente boa com as palavras e suas metáforas, desde sempre ela gostava de tentar enxergar uma pessoa por completo para dar seu veredito sobre o que quer que seja e quase sempre ela está certa, e quase sempre ela enxerga mais na pessoa do que a própria consegue ver... Brittany se lembra que o sonho da ruiva é entrar na faculdade de Psicologia, ela com certeza vai se dar bem lá. O que Trish não sabe que Santana não é completamente sem relação com essa história, e isso é uma das coisas que a assusta; Brittany pensou em contar, mas desistiu, pois essa parte não é o segredo dela e ela havia prometido não falar nada sobre assunto até que os pais de Santana tivessem contado tudo para ela.

Depois de mais um pouco de conversa rápida, Brittany decide voltar logo para casa; Ela recusa o convite para dormir na casa da amiga, até por que dirigir é o que mais a ajuda a pensar e esse era um dos motivos que uma viagem de 4h até a Pensilvânia pareceu uma boa ideia mais cedo, porém, agora, ela já está exausta, mas pelo menos já está em Ohio. Ela havia ligado para o pai mais cedo dizendo que ia passar a noite na casa da Santana, o que parecia uma ótima desculpa, já que, depois do que aconteceu, a morena sem duvidas não vai querer ligar nem visitá-la tão cedo, contudo, vai parecer um pouco suspeito Brittany chegando em casa de madrugada ao em vez de estar dormindo na casa da amiga, então, ela decide tentar ligar para Quinn, que já apareceu na casa dela no meio da noite tantas vezes depois de alguma festa, perguntando se podia dormir lá, não querendo chegar bêbada em casa e estragar a imagem de filha santa que os país tinham dela (Antes de Beth, pelo menos.), e ver se ela não podia retribuir o favor. Ela abriu o porta-luvas, para pegar o celular, mas, ao invés do aparelho, encontrou um cantil. Sim, um cantil de aço cheio de vodka ou algo parecido que ela reconheceu como o cantil que Puck havia esquecido no carro dela quando ele pegou uma carona com a loira depois de uma festa do colégio e mais um plano de batizar o ponche de Sue Sylvester fracassado. Brittany já estava com a cabeça cheia, irritada e se sentindo muito sem paciência para ser responsável, além de implorando para relaxar um pouco, esquecer dos problemas nem que fosse por um minuto, então, sem pensar direito, abriu a tampa e resolveu se servir um pouco, torcendo para que não fosse nada muito forte, dirigindo mais devagar, o que mais poderia dar errado?

Por algum milagre, não um acidente, pois Brittany ficara embriagada bem rápido, mas teve uma onda de impulso quando ela estava passando por Lima Heights e parou bem em frente a casa que ela já conhecia tão bem. Com a cabeça tonta, saiu do carro, cambaleando, foi em direção ao vaso de plantas onde ela sabia que ficava uma chave extra e, precipitadamente, entrou na casa. Ela já havia ido à casa da família Lopez tantas vezes que foi relativamente fácil fazer seu caminho até o quarto de Santana sem acordar ninguém, chegando lá, encontrou a latina em seu sono pesado com um mar de cabelos escuros espalhados pelo travesseiro e seu pijama do Bob Esponja, que ela apenas usava quando estava sozinha ou com Brittany, a loira simplesmente amava aquele pijama pois é uma das coisas que só ela sabe sobre Santana, pois é algo que lembra a verdadeira Santana, boba e brincalhona, que só ela conhecia e não a vadia que ela faz todos acreditarem que ela é. Sentando na cadeira ao lado da cama, ela ficou observando a outra dormir, ouvindo sua respiração leve, os gemidos que ela sempre faz quando dorme (E, para constar, Brittany ama), a forma como as luzes do poste de luz da rua entravam pela janela e refletiam na pele de caramelo, tudo aquilo que ela tanto ama. A garota que ela ama. Brittany pensou nos segredos que escondia, no seu passado e na forma como ele se entrelaçava com Santana, nas coisas sobre Santana que ela sabia enquanto a própria não fazia ideia, pensou se fez a coisa certa ao não contar nada para ela como Sr. e Srª Lopez pediram, e se Santana ficasse com raiva ao descobrir? Mas, ainda assim, alí, olhando para ela, Brittany decidiu que faria o que fosse preciso para tê-la, que seguiria os conselhos de Trish, que enfrentaria cada um de seus demônios, que diria toda a verdade... Ela só não sabia como.

Ela permaneceu ali, observando o sono da outra, até que, sem querer, derrubou alguma coisa do criado-mudo, fazendo com que Santana acordasse num pulo, já ligando o abajur ao lado dela para ver o que havia sido aquele barulho e se assustou ainda mais quando viu a loira em pé ao lado de sua cama com um olhar cansado, olheiras e definitivamente cheirando a tequila.

– Brittany? — Santana perguntou a única coisa lógica que ela conseguiu pensar no meio da madrugada, ao ter acabado de acordar.

– Ela está certa. Você... A escola toda... Acham que eu vivo nesse lugar alegre e colorido... Mas é mentira... É só o que eu quero que os outros pensem... O que eu quero pensar... Na verdade, meu mundo é sombrio... É assombrado... — A loira fala tropeçando nas palavras enquanto chora e soluça, deixando a outra confusa.

– Você está bêbada? — A latina pergunta enquanto se levanta, mas Brittany apenas continua falando, olhando tão diretamente nos olhos dela que quase a assustava.

– Mas não quando eu estou com você... Você é a única luz que existe no meu mundo escuro... Você é a minha única felicidade verdadeira... A única coisa alegre que eu não precisei inventar... Eu amo você! — Ela agora segura Santana com força pelos ombros, chegando-a para mais perto, sem desviar o olhar — Eu amo você! — Ela repete olhando ainda mais intensamente nos olhos da amada. — Eu amo você.

– Britt? Você está bem? Eu...

Santana é interrompida quando Brittany coloca a mão em sua nuca e puxa a outra fortemente contra sí, num beijo apaixonado e até mesmo um pouco desesperado. Inicialmente, ela tenta se desvincular dos braços da loira, uma vez que ela estava confusa e até ainda um pouco com raiva, mas é inútil, Brittany só abraça ela mais forte, como se ela dependesse daquilo pra viver, enfim, Santana aceita o beijo, permitindo a entrada da língua da outra em sua boca, e ela sente o gosto de álcool e... Brittany. Quando o beijo se aprofunda ainda mais, Santana, quase inconscientemente, põe a mão por de baixo da blusa da loira, sentindo o calor de suas costas, então, abruptamente, ela cai na cama com um empurrão da outra e começou a achar que as coisas esquentariam naquele quarto, mas, ao invés disso, percebeu que Brittany havia corrido para fora do quarto, a morena demorou ainda alguns segundos para levantar, pela surpresa, antes de sair correndo atrás da amiga, pensando que ela não deveria dirigir, ou nem mesmo andar, até a casa dela tão alcoolizada. Infelizmente, uma dançarina em tão boa forma é incrivelmente rápida, mesmo bêbada, assim, quando Santana chegou na porta de sua casa, o carro já estava chegando na esquina.

– Brittany! — Santana grita, inutilmente.

Notas finais
Espero que tenham gostado... Britt tá cheia dos segredos, O que vocês acham que é?