Notas iniciais
Olá gente! Essa é a primeira história que escrevo, espero sinceramente que gostem ^^. Beijos e boa leitura!

Lembro quando o vi pela primeira vez, usava aquela farda engraçada da escola onde costumava estudar quando criança. Então ele entrou pela porta com aquele shortinho marrom e branco, meias pretas e sapatos pretos e a camisa onde mostrava o símbolo da escola. No começo não gostava dele, o achava um garotinho irritante e aquele incidente da ferida em seu rosto no meio do ano só fez minha impressão por ele ser confirmada. Estavamos brincando e do nada minha mão pegou em seu rosto estourando a ferida que havia ali.

— Aí... Disse ele, com a mão no rosto e quase chorando.

— Desculpa... Pedi com educação. — Foi sem querer.

Ele me olhou já chorando e disse. — Vou contar para a professora. E então saiu correndo em direção da mesma para lhe falar do ocorrido. Nesse momento senti uma raiva imensa desse garoto pois a professora me pôs de castigo por uma coisa tão mínima e que ele fez um drama enorme.

Voltei para casa com muita raiva, com vontade de estrangular aquele garoto. Então manhãs passaram e continuei vendo aquele mesmo rosto todo dia e a raiva que sentia por ele aos poucos foi se tornando algo que uma menina de 5 anos ainda não saberia o que significava. Quando tinha me dado conta que o rosto por qual tinha raiva e desprezo se tornou um rosto por qual eu passei a admirar e gostar. Lembro de acordar feliz e animada para ir para a escola toda manhã pois sabia que ele estaria naquele lugar.

Tempos passaram e eu continuei ali, admirando aquele rosto, aqueles olhos castanhos. Poderia passar horas só fazendo isso que não me cansaria. A vontade de falar com ele era maior que tudo, mas como toda criança é ( ou pelo menos era) eu não consegui, minha timidez sempre tomava conta de mim, então eu o observava apenas de longe. Até que do nada...

— Nina... Disse um garoto que estudava com a gente. — Luca mandou eu te dar isto.

Olhei para as mãos do garoto e vi um daqueles pequenos cartazes de figurinhas que as pessoas costumavam colecionar no tempo, com os adesivos de chicletes. Dei um sorriso sem jeito, pois não esperava aquilo, ainda mas de Luca.

— Por que ele está me dando isso? ... Perguntei, tirando o cartaz de sua mão. Mas não houve resposta, Roger que era como o garoto se chamava, apenas saiu correndo em direção a Luca.

Fiquei olhando para aquele cartaz e pensando o porquê de Luca ter me dado aquilo, será que ele gostava de mim? será que ele percebera que eu sempre o observava?. Muitas coisas se passaram na minha cabeça. Voltei pra casa com um sorriso de orelha a orelha e guardei o objeto dentro de uma das minhas pequenas gavetas, sei que aquilo era apenas um pedaço de papel, mas era muito especial pois veio de Luca, foi como um presente.

Na manhã seguinte na escola ouvi boatos de que ele dissera que gostava de mim. Ouvir aquilo me deixou transbordando de felicidade, mesmo não sabendo se o boato era verdadeiro. Até que Roger jogou Luca para cima de mim quando ele passava do meu lado, ficamos frente a frente e acredite ver aqueles olhos de perto foi a melhor coisa que aconteceu.

— Desculpa... Disse Luca me olhando e sorrindo sem jeito. Então eu dei passos para trás, me afastando do mesmo.

Luca se virou e foi correndo até Roger para dar aquelas pequenas briguinhas de criança e perguntar por que ele fez aquilo. Das crianças da nossa idade, nos considerávamos as mais espertas, pois não foi a toa que eu e Luca pulamos a 2º série juntos, e isso realmente foi coincidência ou destino.

Os dias passaram rápido assim como os anos e logo chegamos na 4º série e sem nenhum avanço. Até que...

— Nina, Luca e Mari, vocês formaram outro trio pro trabalho de exposição... Disse a professora de nossa turma.

Mari era uma das minhas poucas amigas, a que eu podia contar sempre. Ela sabia de tudo, todos os meus segredos e sentimentos por Luca. Então ela me olhou e começou a rir para mim com a cara de " você deu sorte Nina".

Olhei para ela espantada e ainda tentando acreditar no que a professora dissera.

Era uma tarde de quarta-feira quando nós três nos juntamos pra fazer o trabalho, Mari estava com a cara de paisagem, pois sabia que ela estava sobrando ali. Lembro de não ter tirado o olho de Luca por um segundo sequer, pois ele estava tão próximo a mim naquele momento e ainda por cima estava na minha humilde casa. Estava ficando tarde e o trabalho estava pela metade até que Luca disse.

— Vamos parar por aqui, deixa que eu termino o resto do trabalho em casa... O que era fácil, já que só restava pintar uns desenhos enormes que ele fez. Então deixamos o resto com ele e Mari e Luca seguiram para sua casa.

Na manhã seguinte na escola perguntei de Luca se ele havia terminado o trabalho e me olhando com a caraca de culpado disse.

— Não, não tive tempo de terminar... Acredite a raiva que sentia por ele antigamente quando o conheci tinha voltado naqueles míseros segundos que eu o olhava. Peguei o cartaz de sua mão furiosa e chamei Mari para que ela pudesse me ajudar a terminar, enquanto Luca ficou brincando de bola com Roger, eu o olhava furiosa. Até que chegou a hora da exposição e os três estavam nervosos. Mari e Luca fizeram sua apresentação muito bem e quando chegou em minha vez, comecei a falar mas uma hora "pá" as palavras sumiram da minha mente e fiquei ali na frente de todos parada igual a uma estátua. Quando Luca me olhou e começou a me ajudar a lembrar de minhas falas, naquele momento a raiva que sentia por ele por não ter cumprido com o que disse, simplesmente sumiu. Então finalmente concluí com minha apresentação. Aquelas foram as últimas falas de Luca comigo.

Cheguei em casa e escrevi uma carta me declarando para ele, a carta que não pretendia mostrar a ninguém, inclusive para Luca e a guardei dentro de meu caderno. Na semana seguinte a carta foi descoberta por Thiago um amigo meu e de Luca, Thiago passava pela minha cadeira quando viu a carta e puxou de dentro do caderno e então a leu, seria ótimo se ele apenas fingisse que não tinha visto nada, mas Thiago como um belo amigo traíra foi mostrar a carta para a pessoa que eu não queria que a visse em hipótese alguma. Acredite eu queria ter me enterrado viva naquele momento, Luca leu a carta na minha frente ja que sua cadeira ficava do meu lado. Quando acabou ele apenas sorriu e me entregou a carta de novo, peguei-a de cabeça baixa e sai da sala.

Luca e eu não nos falamos mais durante o resto do ano, até que o último dia de aula chegou e com ele a última vez que eu iria estudar com Luca pois a partir dali iríamos estudar em escolas separadas já que não havia 5º série na nossa escola. Lembro de ficar admirando o rosto de Luca por muito tempo ja que talvez aquela poderia ser a última vez que eu pudesse vê-lo. Voltei pra casa chorando, pois nem um aperto de mão tive coragem de dar a um menino por qual eu gostei muito nos últimos 6 anos que estudei com ele. Sentia um aperto enorme no peito, não só por não poder estudar mas com Luca, mas também por Mari, e os amigos que tinha feito. Todos ali se separaram agora, iriam para escolas diferentes e assim perdemos o contato uns com os outros durante o tempo.