Um Verdadeiro Monstro
36 É Difícil...
Eu empurrava a porta com toda a força. Fiquei minutos dando chutes em baixo na fechadura para ela poder quebrar. Até eu levar um susto com um estalo vindo do outro lado e depois ver os objetos de vidro da sala se racharem e a porta se partir ao meio abrindo o caminho.
Arregalei meus olhos surpresa e com muito medo, mas segui em frente sem pensar duas vezes.
O tremor daquele andar era arrebatador, o chão tremia demais! Mal conseguia manter-me de pé! Tive que andar pelo corredor comprido agachada quase rastejando à caminho da escada.
— Esse grito... — Murmurei em voz baixa quase tampando os ouvidos ao reconhecer o dono do berrante escândalo.
Levantei-me encostando na parede do corrimão para correr ao andar de baixo.
— MIRANDA!! — Gritava eu nervosa. Agora que saí daquela sala podemos finalmente sair dessa pizzaria que por tempos atrás se dizia minha favorita...
Ao chegar no último piso, somente uma área estava iluminada, nessa área se localizava o centro desenhado na arquitetura da planta, resumidamente essa coisa que se iluminava no centro de toda a FazBear's era a causadora do tremor no chão, e pelo que sinto, a pressão e a tremedeira aqui é ainda pior.
— Puppet! — Gritei ainda longe avistando o fantasma em meio aos objetos que esvoaçavam por todo o lugar.
Desviei de um para não ser atingida.
Puppet cessou seu grito ao ouvir a minha voz. A marionete virou seu rosto para mim com uma seriedade melancólica... Havia tristeza no seu olhar fantasmagórico que gelava qualquer nuca.
— Gabriely... — Abriu seus finos braços enquanto falava meu nome com pesar e ternura na voz. — Vá... Volte para casa.
Olhei Puppet apontando para a porta... Ou... o lugar onde deveria estar a porta, todas as janelas e portas estavam quebradas, até mesmo a mais dura madeira. Um desejo louco me veio a cabeça, minha chance de sair daqui está bem diante de mim.
— Puppet... — Tirei meus olhos de toda aquela destruição e olhei novamente para o fantasma. — Onde está a Miranda? Temos que sair daqui juntas.
A figura pousou seus olhos negros no chão.
— Ouça Gabi, quando eu digo que é para ir, estou dizendo francamente com você
que precisa sair daqui agora!
Contorcida a expressão do meu rosto, fiquei sem entender. O que ele está querendo dizer?
Depois de uns segundos observando-o sem poder entender nada, subiu-me lágrimas novamente nos meus olhos, não pude conter e comecei a chorar, me lembrando mais uma vez de que...
...Entrei com muitos,
mas sei que vou sair. sozinha...
— N-n-não P-puppet... — não consegui forçar minha voz. — E-Eu n-n-não p...posso sair sem...sem ela...
— Vá embora logo... Deixe-nos aqui... Ficaremos bem e viveremos, eu e os espíritos das crianças vagando por cada cômodo daqui...
Passei minhas mãos suadas pelo rosto, mas as gotas não paravam de descer.
— T...T-também não posso d-deixar isso a-assim...
— Não torne isso difícil...
Um longo silêncio tomou conta da nossa conversa, um silêncio raro do qual a última vez que eu o ouvi foi antes desse pesadelo todo surgir na minha vida.
— NÃO! — Quebrei o silêncio com o grito parecendo o de uma criança chorona fazendo birra. — Não vou embora sem ela! Eu...
Fui interrompida após um vulto passar numa velocidade que mal pude acompanhar diante dos meus olhos.
Puppet olhando para minha expressão assustada indagou.
— Eu disse...Vá embora! — Estava preocupado.
Eu iria gritar mais forte com o resto que sobrou da minha rouca garganta ,mas algo me surpreendeu antes que eu estufasse o peito para berrar.
O chão sob meus pés começou a rachar formando um ruído fino de estourar qualquer tipano.
Tampei meus ouvidos com dor de cabeça andando para trás me afastando na fenda, porém o chão inteiro estava rachando!
— Socorro!
— CORRA GABI!
— NÃO IREI SAIR SEM A MIRANDA!!
O chão abaixo de Puppet começou a se abrir causando um enorme estrondo.
— VAI EMBORA!
Não pude acreditar nos meus olhos, para mais um espanto pude ver que outro fantasma se aproximava do Puppet. Ele era como o animatromic Freddy,mas com uma aparência assustadora que não consigo contar com palavras.
Ele estava se aproximando da marionete e era evidente de que esse suposto fantasma está provocando a rachadura no chão, mas... Quem é ele?..
— NIGHTMARE! VOCÊ MATOU MINHA MÃE! — Rugiu Puppet.
O outro fantasma lhe deu um grito incomum em resposta.
— Mãe?.. — Fiquei sem entender.
Mas nada de tempo para explicações, os dois começaram a se ameaçar e Puppet deu o seu primeiro ataque.
Tremeu o chão todo... Demoliu uma pequena parte do teto.
Eu, simplesmente paralisada sem reações, comecei a me afastar com o queixo caído diante de tamanha catástrofe.
Oh... Como não pude perceber até vier a imagem que revirou meus pensamentos... o momento que embasou meus olhos ao ficar ciente de que...
Ao ver Puppet flutuar até o teto para contra atacar novamente, haveria uma...
Uma...
U-u-uma m-mulher caída debruçada com o rosto de lado, logo o lugar onde Puppet a escondia com sua luz.
Os três arranhões atrás de sua cabeça vindo até o rosto... deixavam uma poça vermelha no chão...
Sua pele pálida... Seus cabelos negros...
Seu rosto sem vida...
— M-M-Miran...Mi... Miranda...
Era o fim... um embalo passando pela minha cabeça tonteando meu raciocínio e o bambear das minhas pernas fizeram-me cair instantaneamente no chão.
Tudo ficou escuro e bati com a minha cabeça no chão finalmente inconsciente.
Minha última sensação antes de entrar em profundo desmaio, foi o de ser puxada para longe dos fantasmas e ser carregada nos braços de alguém que parecia correr.
Tentei manter meus olhos abertos, mas não consegui.
E então, apaguei.
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